A Quinta Bela Campanha

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 24/05/2012 00h32

Foi uma partida para mostrar o potencial e a força que o elenco do Vasco tem. Aguerrido, vibrante, destemido. Coração no bico da chuteira. Um elenco com jogadores que sabem o que é o Vasco e o que é uma Libertadores.

O Corínthians teve medo do Vasco o tempo todo. Acuado por sua própria torcida e pela necessidade de ganhar a qualquer preço, parecia desconfortável em seu próprio estádio e sem saber o que fazer com a bola.

Eu havia escrito, hoje à tarde, que o Vasco precisava apostar no passe certo para o contra-ataque com Éder Luiz. Era e foi a melhor jogada o tempo todo. Um primeiro tempo onde todo o time se postava bem tática e tecnicamente. Thiago Feltri, por exemplo, estava irrepreensível. A dupla de zaga se postava corretamente, Rômulo segurava firme a marcação e Nilton parecia em dia de gala. No ataque, apenas Alecsandro e Diego Souza pareciam abaixo do nível: o primeiro muito empenhado no combate e pouco efetivo no ataque, o segundo disperso como sempre.

O Vasco terminou o primeiro tempo com ótima impressão de que tinha o jogo nas mãos. E tinha. No intervalo, fiz um comentário no Twitter de que Tite não era bobo. Não deixaria o jogo em branco. Faria alguma mudança tática. E é fato histórico: Cristóvão não sabe reagir a nó tático. Vide exemplos nas decisões da Taça Guanabara e Taça Rio.

Pois bem, um fato surpreendeu a todos. Por conta de uma contusão, Thiago Feltri precisou sair do jogo. O treinador vascaíno optou por Felipe na lateral. Sabidamente o maestro não daria conta da marcação incisiva que o jogo pedia. Para cobri-lo, Rômulo praticamente abandonou o meio-campo e deixou a sobrecarga toda sobre Juninho e Nilton, que fazia estupenda partida.

Logo a seguir, Éder Luiz foi sacado para a entrada de Carlos Alberto.

Escalados Felipe e Carlos Alberto, independente de onde e para que... pronto: mãos lavadas! "Tudo resolvido"!

O Vasco, sozinho, desarmou o esquema que havia montado para neutralizar o Corinthians dentro de sua própria casa.

O lance derradeiro do jogo aconteceu nos pés de Diego Souza. Num erro de passe do adversário, Diego entrou sozinho, numa distância de pelo menos dois metros de seu marcador mais próximo, na cara do goleiro. E perdeu o gol. Gol que faria muita falta, logo depois do Corinthians, na única falha da defesa vascaína em todo o jogo, fazer o seu.

É certo que Diego Souza será oprimido e vilipendiado por ter perdido esse gol. Poucos lembrarão dos gols importantes que ele fez até aqui, em momentos decisivos, na campanha do Vasco. A verdade é que, na saída de Éder Luiz, mais lógico seria ter tirado ele para a entrada de Carlos Alberto. Se não estivesse em campo, não se sabe se outro perderia o gol que ele perdeu.

A verdade é que o Vasco fez, mais uma vez, uma campanha brilhante. A quinta seguida. Brasileirão, Sul-Americana, Taça Rio, Taça Guanabara, Libertadores. Cinco campanhas brilhantes. Ricardo Gomes fez uma campanha só e ganhou um campeonato.

Não tenho a pretensão de ficar aqui, a noite toda, apontando quem é culpado... se o treinador que desmontou a própria equipe com as mexidas do segundo tempo ou o jogador que perdeu o gol mais feito do jogo.

O futebol é assim. Rimos do Deivid ontem... corintianos rirão do Diego Souza amanhã.

Perdemos um jogo que não merecíamos.

Mas acho que alguém precisa sentar e replanejar isso tudo.

É a quinta "campanha bonita".

O Vasco não tem uma sala de campanhas em São Januário. Tem uma sala de troféus.

Entramos e saímos de campo como os únicos cariocas tricampeões sul-americanos.

Que venha o próximo campeonato...

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Com a Força que o Vasco Tem!

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 23/05/2012 14h31

 

 

O titulo desta coluna é sugestivamente otimista. Não poderia ser diferente. Numa noite de jogo decisivo pela Libertadores, o Vasco enfrenta o Corínthians e tem, a seu favor, uma vitória ou todos os empates (o 0x0 lhe daria a chance nos pênaltis). Somente uma derrota eliminaria o time cruzmaltino.

 Curiosamente, essa história do "dever de casa" tem seu peso, mas pode virar um peso ainda maior nas costas de quem tem a obrigação de fazê-lo. Caso do Corínthians, hoje à noite. Seus reservas perderam para os reservas do tricolor carioca no ultimo domingo. Seus titulares enfrentarão os titulares do Vasco num jogo de vida ou morte, onde não apenas os elencos, mas também as camisas e as tradições se confrontarão. Do lado do Vasco, por exemplo, as estrelas da camisa luzem três títulos sul-americanos. Ou seja, tem muito "Sobrenatural de Almeida" nesse confronto!

Mas, como falo da "força que o Vasco tem", devo ater-me à questão técnica. Inegavelmente o Vasco precisará entrar em campo, hoje à noite, com muita leitura e muita consciência de jogo. É o que se espera dos jogadores-cérebro da equipe. Leia-se: Juninho e Felipe. Dentro ou fora de campo, cabe a eles a leitura mais inteligente e apropriada do desafio. O técnico Cristóvão, todo mundo sabe, não é fortuito nisso. Do contrário: tem sérias dificuldades nesses dois quesitos - ler jogo e alterar táticas.

E qual é o melhor esquema para o Vasco desta noite?

A meu ver a resposta parece óbvia. Posso estar errado, mas, jogando em casa, o time corintiano vai tentar buscar esse resultado favorável - a vitória - a qualquer preço. Sendo fortemente atacado e pressionado, o Vasco precisará, mais do que nunca, acionar sua principal força ofensiva: as estocadas de Éder Luiz pela ponta direita, amparadas por Fágner. Como se vê, é quase o trivial: providenciar uma boa cobertura de meio-campo para não sufocar a defesa e assegurar uma qualidade de passe certeiro ( no meu entender, com Felipe e o auxílio luxuoso de Diego Souza) para as escapadas em contra-ataque com Éder. Qualquer outra opção tática além dessa seria, a meu ver, de gosto duvidoso. Somente no decorrer da partida poderia se pensar em algo diferente.

Sobre a esperada pressão do time anfitrião, é preciso cautela, mas é bom lembrar que seu ataque anda em fase tão estranha que até o artilheiro de sua campanha passada está barrado. Liédson está no banco, Jorge Henrique tem a pontaria de um Éder Luiz e William anda meio distante do jogador perigoso de outrora. No banco, temos ainda o talento de Carlos Alberto, que tem entrado bem em todos os jogos e, pelo menos enquanto mantiver os nervos sob controle, é um extraclasse de difícil equivalência no panorama de jogadores que aí estão.

Claro,o futebol é surpreendente. Mas, como se vê, o Vasco nem precisa inventar muito, nem tem tanto com que se preocupar. A princípio a defesa, sem a categoria de Dedé, perde muita potência. Dizem que Rodolfo melhorou (acho que ainda estou no trauma, não vi tão grande progresso). Renato Silva também não ajuda. Mas "feijão-com-arroz" é "feijão-com-arroz": bem posicionados, bem protegidos e com uma "ameaça constante" de contra-ataque nas costas, nenhum adversário abusa.

É isso: não pode deixar o Corínthians abusar!

É dono da casa, a torcida é chata, a pressão existe e ainda há os fatores políticos que, todo mundo sabe, dariam muito gosto para verem o time paulista classificado. Então, o Vasco tem que jogar consciente de que o resultado não cairá do céu, de que os lances dúbios lhe serão sempre desfavoráveis e de que não adiantará lamentar nada depois.

É em campo, na bola, na raça e com o regulamento debaixo do braço, que o Vasco tem que brilhar e prevalecer na competição nessa briga de vaga de hoje à noite.

Basta jogar como Vasco.

Com a Força que o Vasco Tem!

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Caso Tira-Teima: Concorrência Antiética na Transmissão Esportiva

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 18/05/2012 15h35

Eis no que deu o brinquedo! O excesso de benesses políticas, as recorrentes arbitragens tendenciosas e as denúncias do árbitro Gutemberg de Paula Fonseca, pouco exploradas pela imprensa oficial, acabaram redundando em grande murmúrio no jogo Vasco x Corínthians realizado esta semana, dia 16/5, em São Januário, pela Copa Libertadores. Na oportunidade, um gol anulado do atacante Alecsandro, em lance de impedimento difícil de avaliar, causou grande rebuliço na internet e nas discussões de bar em geral.

Não foi o primeiro e não há de ser o ultimo debate acalorado sobre as coisas do futebol. A marcação de impedimento, em alguns casos, é realmente digna de controvérsias, porque pode exigir dos olhos dos árbitros uma tenacidade que humanamente seja variável ou até impossível. Chovia muito em São Januário e era possível que, no referido lance, alguém perdesse o foco certo para definir com justiça a questão.

As benesses e denúncias a que me referi na abertura deste texto justificam as suspeitas, as acusações e tudo o mais acerca da questão. Alimentam a polêmica do futebol. Como também, é claro, não se sabe se o  juiz teria critérios diferentes caso o gol beneficiasse o outro, e não o Vasco.

Sim, tudo isso é subjetivo e gera controvérsias.

Mas a estranheza, mesmo - ao pé da letra - foi o circo armado contra o Tira-teima, conhecido recurso tecnológico da Rede Globo para desfazer dúvidas em lances polêmicos dos jogos de futebol. No exato momento em que o gol foi anulado, antes de o recurso ser utilizado, o comentarista de arbitragem da emissora, Arnaldo César Coelho, afirmou que o gol fora legal. O uso do Tira-Teima, feito mais tarde, trouxe o depoimento do comentarista dizendo ter errado e reiterando a marcação correta de impedimento pelo juiz.

"Deu-se a melódia!" - diriam os antigos.

De um fato que poderia ser corriqueiro numa transmissão de futebol, criou-se um oba-oba nas redes sociais, fomentado por canais concorrentes, de que a Globo teria "manipulado o Tira-Teima" (?) seguindo a orientação de "ordens superiores urgentes" (?). Embalados nessa marola, torcedores passaram a acreditar e a divulgar a versão nas redes sociais. Pior: o canal Fox Sports, recém-estreante, resolveu fazer sua "versão" para o Tira-teima, mostrando, em recurso análogo, uma linha virtual traçada sobre o campo que contestava o veredito global. Nas redes sociais, o comentarista Milton Neves - encarnando o papel de chacoalhador insensato que lhe parece caber como a ninguém - também tripudiou do recurso tecnológico da emissora do Jardim Botânico. Os concorrentes estavam vingados! Seria isso? Mas, lamentavelmente, distorceram os fatos e conseguiram, sutilmente, enganar a audiência: manipularam as pessoas em favor de seus alvos particulares.

Poucos perceberam o que realmente aconteceu.

Sem que as pessoas se dessem conta, a discussão já havia saído, há muito tempo, da batalha da Libertadores para a guerra de audiência. A polêmica maior do jogo deixou de ser a arbitragem do Sr. Sandro Ricci (famoso por ter prejudicado outros adversários corintianos em campeonatos passados) e passou a ser o Tira-Teima da Globo. De cada dez postagens, nove eram para ofender ou desmentir a Globo, não para criticar o juiz. Um ato falho, até aceitável, dos torcedores inflamados. Porém um gesto antiético e sobremodo oportunista dos canais concorrentes.

A impressão que se tinha era de que a marcação do impedimento foi do Tira-Teima, e não do juiz. Ninguém quis perguntar-se a si mesmo se o juiz por acaso revalidaria o gol caso o Tira-Teima o considerasse legal. Clássica situação onde se culpa a janela por conta da paisagem!

O Tira-Teima é um recurso antigo da Rede Globo que nunca, em nenhum momento, jamais havia sido copiado por ninguém. Nem mesmo a Record (também chamada de "Recópia" por tentar o tempo todo assemelhar-se à Globo) praticou tal tubainagem. Já era de se estranhar, portanto, que uma tevê estreante como a Fox Sports tivesse o mesmo recurso de uma hora para outra. E justamente por ser a única que detém também os direitos de transmissão da competição, tendo a Globo por principal concorrente. A linha traçada pelo VT da Fox beirava o primitivismo virtual. As acaloradas discussões dos comentaristas desfocaram a discussão e, em pouco tempo, espalhou-se uma agressiva campanha contra o Tira-Teima global.

A edição do Globo Esporte de hoje, 18/5, esclareceu os fatos em uma matéria toda dedicada ao Tira-Teima, publicada no link http://globoesporte.globo.com/globo-esporte/videos/t/globo-esporte-rj/v/conheca-como-funciona-o-tira-teima-da-rede-globo/1953332/. Explicou como funciona, como é aplicado e reproduziu toda a análise para comprovar o que havia sentenciado. O recorte mostrou claramente a condição de impedimento do atacante Alecsandro, adiantado no momento em que Diego Souza toca-lhe a bola de cabeça.

Num vasto universo de blogueiros e analistas de futebol da grande web, percebe-se a carência de pessoas que efetivamente entendam a Comunicação Social numa hora como essa. Poucos perceberam o ato vil por detrás da onda. Muitos se levam pelos "ventos de doutrina", alardeiam o oba-oba e tornam-se cúmplices (in?)voluntários de uma campanha sensacionalista para tentar desmoralizar uma emissora. Tudo isso, claro, em proveito próprio e busca de espaço na guerra de audiência.

É lamentável que a guerra de audiência tenha enviesado para esse caminho populista e antiético justamente dentro da área do esporte, onde se prega tanto fairplay e se faz tanta apologia do respeito ao próximo.

Talvez regidos pelo mesmo termômetro da desconfiança com que viram as denúncias de Gutemberg de Paula Fonseca desaparecerem do cenário, não merecendo mais que os comentários do dia e nenhuma investigação por parte da imprensa especializada, torcedores acabaram embarcando na "teoria da conspiração", distorcendo fatos e fazendo a vontade dos manipuladores de discurso. Para um país que hoje se vangloria de sediar uma Copa, o caso Gutemberg de Paula Fonseca deveria ter quase a mesma repercussão dos recentes escândalos do bicheiro Cachoeirinha.

Ou será que não?

Lutemos, sim, contra a omissão de fatos e a ocultação de denúncias. Mas, sobretudo, de olhos abertos para não virarmos massa de manobra a serviço dos especuladores do lucro da audiência.

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Muita chuva, nada decidido

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 17/05/2012 00h24

E a chuva acabou modificando o cenário do jogo!

O Vasco conseguiu realizar uma ótima partida em São Januário. A meu ver, melhor do que eu esperava contra um badalado e, de fato, ajeitado time do Corinthians. Éder Luís esteve insinuante o jogo inteiro, Juninho poderia jogar até amanhã de manhã porque seus pulmões pareciam corresponder. A zaga desesperadora não deixou de cometer seus acintes e maus tratos à bola, mas fechou-se no bloqueio e firmou-se bem. O Vasco tinha a criatividade de seus jogadores e pareceu até surpreender o visitante: era nítido que o Corínthians respeitava o adversário durante toda a partida.

Mas a chuva inimiga, que tornou pesado o campo e revelou que São Januário tem um gramado plantado em terra que sangra (que cor vermelha estranha era aquela, longe de sequer parecer cor de barro?), acabou inibindo as forças das equipes, impedindo que a bola rolasse com mais graça.

Tite preparou um Corínthians que me surpreendeu. Pela postura corajosa com que o time vem se apresentando, achei estranha uma certa postura comedida. Como disse, vi respeito demais dos corinthianos pelos vascaínos dentro do gramado. Muito embora tentando lances de ataque quando possíveis, via-se claramente que o time paulista acomodava-se ao empate. Empate sem gols, na casa do adversário, a meu ver, é muita convicção de vitória depois. Caso contrário, vira uma faca de dois gumes, porque deixa a vantagem do empate por gols nas mãos do visitante. O elenco do Vasco, motivado, ainda que nem sempre mantendo a mesma regularidade entre todos os seus jogadores, aproveitou-se do mando de campo e do "respeito" do adversário para cair dentro! Foi ofensivo, corajoso e jogou como se joga em casa.

Falei de Tite, agora falo de Cristóvão. Esta semana, numa conversa entre amigos, disse ter "descoberto" a minha real percepção acerca do treinador vascaíno. Acho que ele tem bom poder de ação. Sobretudo pelo elenco forte, determinado e maduro que tem nas mãos. O que lhe falta, e talvez seja o peso da inexperiência, é poder de reação. Se ele projeta de uma forma e dá certo, vai embora! Se o adversário coloca uma pedrinha no caminho, ele se atrapalha deveras para contorná-la. Assim apanhou feio de Abel e Oswaldo nas duas últimas decisões, desnecessariamente. Ainda não ficou claro para quem assiste aos jogos do Vasco esse critério de revezamento Juninho-Felipe. Particularmente, também acho que os dois juntos comprometem a marcação e arreganham a defesa. Pior ainda se ela não tem Dedé. Mas a sensação que fica é de que, nas mexidas, sempre um deles se aborrece. Já vimos os dois fazerem cara feia ao serem substituídos. Não é análise do cronista: é fato! Talvez, hoje, Felipe pudesse ter entrado na meia ofensiva em lugar de Diego Souza, com Juninho ainda em campo e Carlos Alberto em lugar de Alecsandro. A verdade é que, em dado momento do jogo, Tite pareceu desistir da partida e deixar seu time apenas "em campo" aguardando o apito final e a próxima partida. É em situações como essa que, a meu ver, Cristóvão peca: suas substituições não foram erradas, mas cumpriram um roteiro pouco criativo para uma realidade de jogo que se desenhava. Cristóvão contava com um Corínthians interessado o jogo todo. Quando Tite mudou a estratégia e deixou seu time mais "relax" para a patida de volta, o treinador vascaíno não entendeu direito como deveria reagir...

Apesar disso, e acho que isso é do jogo, foi uma partida disputada e dura. Foi bastante superior, por exemplo, ao jogo de ida do Fluminense contra o Internacional, em Porto Alegre. Ao contrário daquele, nem o visitante nem o dono da casa ficaram se estudando em campo: Vasco e Corínthians partiram pra cima e tentaram, cada um de seu lado, buscar o seu jogo.

Sobre o lance polêmico do gol anulado, a televisão já mostrou, com sua tecnologia, que havia, sim, impedimento. Aliás, eu também achei que havia. É que a gente já sabe que um erro desse gênero seria recorrente, então já fica o trauma.

O jogo da volta vai ser um grande desafio. Não levamos resultado. Logo, estaremos abertos ao confronto. O temor é que, jogando em casa, os corinthianos vão atacar o tempo todo. E, sem Dedé, essa defesa será testada o jogo inteirinho, sem intervalo para gargarejos. Por outro lado, a excelente forma demonstrada por Éder Luís pode dar uma excelente opção nos contra-ataques, porque hoje ele bagunçou as laterais do adversário. Certamente sua atuação terá muita importância no jogo decisivo.

 E Carlos Alberto, hein? Outro que tem jogado o fino! Ter como opção de banco um jogador de seu quilate, para quem já teve um time onde ele era o principal jogador, só demonstra o quanto o Vasco tem um elenco afiado e forte para seguir adiante.

O que se espera da partida de volta é que a chuva não volte a perturbar o bom andamento do jogo. 

Mas que o Vasco faça chover lá pela terra da garoa...

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A Violência das Torcidas e a Violência da Imprensa

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 12/05/2012 11h39

Briga de torcida (organizada, "desorganizada" ou seja qual for) é sempre patética. É um sintoma do lado ruim do povo brasileiro. O brasileiro não sabe se apaixonar sem ser cruel, violento, agressivo. Aqui se diz que "no amor e na guerra vale tudo". Lamentavelmente o futebol espelha a baixa auto-estima da maioria dos sujeitos: quem se sente contrariado na vida, quem se sente apequenado, quem se sente minorizado, precisa do futebol para se ensoberbecer, se impor. Quando a contrariedade surge, a violência é a resposta. Até nas crônicas de futebol se percebe isto: o cronista escreve um ou dois pontos de vista diferentes e ganha ou perde "amigos" instantaneamente.

Cada um com a sua frustração. E Freud que resolva as debilidades de cada um.

O que causa espanto, entretanto, é ver a imprensa "especializada" - sempre tão "entendida" e tão preocupada em afirmar sua "imparcialidade" - reduzir a mediocridade de suas fontes de informação a uma distorção de princípio. Dois times grandes rivalizam uma vaga na Libertadores. Dois times têm, como quaisquer outros, torcidas e torcedores violentos. A grande mídia pega uma única fonte apurada e lança nas manchetes pra sentenciar: "Torcida do Vasco ameaça a do Corínthians". É como se a torcida "fiel" fosse uma torcida de monges tibetanos, que meditam um mantra da paz durante os 90 minutos de jogo. Será que estão tentando esconder a incompetência de só terem informações sob ameaças de um dos lados? Será que têm informações sobre o outro lado, mas omitiram?

O problema da imprensa é o sensacionalismo. Em vez de tratarem a questão como violência urbana, querem apregoar que o problema está num clube, numa torcida, numa instituição. Não está! Somos uma sociedade violenta! Somos uma sociedade corrupta! Alienação fascista, ufanismo utópico e panos quentes são como tapar o sol com a peneira: nossos índios originais eram canibais e as tribos superiores vendiam as inferiores (isso era o verdadeiro escambo!) para o português dominar! Somos um povo violento, e a torcida de futebol não é formada por marcianos, nem jupiterianos, nem asgardianos: é gente daqui. Tratar a violência do futebol como se fosse propriedade de clube é uma distorção.

Agora, convenhamos, se eles apregoam que o Vasco tem a trigésima torcida do país (sim, porque, para a grande mídia, só existem urubus e gambás no mapa), deveriam considerar as outras torcidas muito mais violentas do que a nossa. Para tentarem ser coerentes com a incoerência bestial que já apregoam. Mas não. E isso parece tendenciosidade!

Não duvido de nada. A imprensa jornalística, no Brasil, é cega por conveniência. Ano passado, o arbitro Gutemberg de Freitas denunciou uma série de irregularidades na condução da arbitragem do Campeonato Brasileiro. Publiquei uma coluna inteira dedicada a isso, que foi até reproduzida no Observatório da Imprensa ( http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed676_arbitrofala_o_que_a_imprensa_cala ). Naquela semana, uma ou duas matérias sobre o assunto. E acabou.

Segundo denúncias do árbitro, a mazela beneficiava o Corínthians.

O mesmo Corínthians que ganhou de "presente" um estádio de futebol novinho pra Copa do Mundo, após a "respeitável comissão" da entidade dizer que o Morumbi - sabidamente um dos estádios mais estruturados do país - "não estava em condições". O ex-presidente do Corínthians virou cartola da CBF, também. Até Ronaldinho Fenômeno (e vejam como estamos mal de "índole de ídolos" nacionais!) ganhou um carguinho lá dentro. O técnico da seleção Mano Menezes (que também veio do Corínthians) selecionou jogadores de todos os brasileiros envolvidos na Libertadores (Vasco, Fluminense e Santos), mas "liberou" os do Corínthians. Ué, será que não tem jogador bom no Parque São Jorge???

O poder público precisa coibir a violência prevista para esse jogo. Não sei se o Vasco vai jogar em seu estádio, mas acho uma irresponsabilidade civil considerar a segurança nos entornos de São Januário, para esse jogo, iguais à de outra partida qualquer. Se quiser jogar em casa, o Vasco tem que assegurar proteção à sua torcida. Bem como, é claro, aos visitantes. Se o clube não requerer isso, o poder público NÃO VAI se mexer. Como nunca se mexe.

E o jogo, que tem tudo para ser emocionante e de alto nível, pode virar um estopim de nitroglicerina.

É bom que a diretoria vascaína abra o olho! A imprensa já tenta promover a torcida do Vasco como "bandida" da situação. Se a segurança em São Januário não for devidamente bem cuidada, o próximo passo será pedirem a interdição do estádio histórico da Colina.

Donde se conclui: existe a violência das torcidas, sim. Mas também existe a violência da imprensa! Dói tanto quanto. Uma pena...

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Bem-vindos ao Vasco classificado em Matrix!

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 10/05/2012 00h54

"Esta é Matrix! Bem-vindo ao deserto do real!". Assim o personagem Morpheus apresentou ao "messias" Neo a pílula vermelha e o mundo por detrás da cortina virtual.

Pois nesta noite o Vasco parecia estar em Matrix. A cidade virtual do filme dos irmãos Wachowsky  reeditava-se na Argentina. Primeiro, Cristóvão sugeriu uma tentativa de sobreviver às vaias escalando Felipe e Juninho juntos. Já estava anunciada essa escalação, temerosa por desproteger muito a marcação de meio-campo com dois veteranos fora de casa, contra um adversário que buscaria a vitória. Veio a notícia de que "houve uma conversa", "alguém mais experiente do elenco alertou o técnico". Como sempre, alguém tem o raciocínio que falta ao treinador.

Cristóvão entrou com Nílton. E o meia, em noite muito estranha, fez uma de suas melhores partidas com a camisa do Vasco. Soberbo na armação, veloz, ligado o jogo todo, distribuiu passes melhor que Juninho no primeiro tempo. E ainda fez um golaço com chute na veia. Tão na veia que a veia, depois, arrebentou: jogou sangrando no supercílio! Suou, sangrou, lutou, se deu, brigou... foi um leão. Ao sangue  e ao suor de Nílton, juntaram-se as lágrimas. O volante jogou muito no primeiro tempo!

Além dele, Rodolfo ganhava suas divididas e quase fez um gol-cópia do golaço de Diego Souza na rodada passada. Se é que "a bola pune", nem a noite de Matrix poderia conceder-lhe esse luxo. É...convenhamos, ele não merecia.

O Vasco vencia por 1x0, jogava toda a tensão sobre o adversário, tudo lhe favorecia nos lances de sorte do jogo, a equipe tinha tranquilidade e categoria, saía nos contra-ataques em velocidade. Os pontos negativos (Alecsandro e Diego Souza péssimos, a defesa ainda muito esburacada e deixando Fagner mais exposto que nunca em falhas individuais de marcação) não pareciam intimidar o brioso time do Vasco.

Até que veio o segundo tempo.

Treinador que está perdendo jogo em casa sabe que, no segundo tempo, tem que virar a mesa. E o argentino não mediu esforços pra isso: avançou mais seu time, abriu mais o jogo pelas pontas e criou lances perigosos em sequência para, com isso, ofuscar a segurança do visitante. Com o bombardeio de investidas argentinas, a defesa do Vasco foi ficando mais e mais vulnerável. Era preciso remontar a equipe. E essa é a grande debilidade de Cristóvão: além de não ter boa leitura do jogo, ele não sabe reagir a uma ação do adversário. Quando ele surpreende, fica quietinho e vai pro abraço. Mas, se surpreendido, embaralha-se no nó tático e ajuda o próprio rival a enrolá-lo cada vez mais. Sempre foi assim. Além de não conseguir rearrumar a equipe, fez uma confusão danada nas mexidas e ficou impotente ante a virada do Lanús.

Fim de jogo, tudo igual. Decisão por pênaltis.

Pênaltis? Para o Vasco? E o trauma que se tem disso?

Não tinha jeito: era preciso recorrer, novamente, à pílula vermelha. A relação de batedores tinha os quilates de Felipe, Juninho e Carlos Alberto. Pura técnica. Mas quem encerraria as cobranças seriam Renato Silva e Alecsandro. Renato Silva protagonizou alguns dos lances mais bizarros do segundo tempo: corria atordoado feito barata com flitz na zaga. Alecsandro foi uma nulidade completa em campo. Mas coube a eles decidirem positivamente em favor do Vasco.

Sim, na noite de Matrix, o Vasco acertou todas as suas cobranças. Nem a pílula vermelha fez Prass pegar um penaltizinho. Não é mesmo a dele. Nem aqui, nem no mundo virtual. Mas, como diria Morpheus, "Cedo ou tarde você vai perceber, como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho". A trave estava lá para fazer a defesa que Prass não fez.

Com Alecsandro autor do gol da classificação, o Vasco passou de fase e permitiu que sua torcida não enfartasse nesta noite.

Ninguém se engane: o Corínthians não é um Lanús! Não dá pra ficar choramingando a ausência do Dedé a vida inteira sem tomar uma providência (qualquer que seja: escalem o roupeiro, o faxineiro, o porteiro de São Januário... sei lá!) para arrumar aquela zaga. Fágner não é marcador, não é zagueiro: se querem um lateral ótimo no apoio, não podem deixá-lo vergonhosamente exposto na defesa. Tá bom, são falhas individuais, mas tudo isso precisa ser corrigido para a próxima fase. Sem ficar protelando nem redarguindo: "vai escalar quem?"... sei lá, pô, quem ganha pra ser treinador tem que pensar e resolver isso. O mais rápido possível. Tá ruim demais e quase nos desmoronou hoje.

Apesar de Dedé também ter jogado a decisão da Taça Guanabara e, mesmo assim, ter sido um desastre o resultado. Ou seja, o time precisa aproveitar a conquista sofrida de hoje para retomar o gostinho da segurança nas vitórias e não perder o rumo da prosa.

Vencemos quando, enfim, precisamos mais dos jogadores do que do técnico. Pênaltis. Talentos individuais a serviço do Vasco. Nenhum treinador pode atrapalhar isso.

Mas os dois últimos cobradores foram Renato Silva e ALecsandro. O técnico os escolheu.

Bem-vindos ao deserto do real! Bem-vindos ao Vasco classificado em Matrix!!!

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Dia de Decisão

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 09/05/2012 14h11

O Vasco volta a campo hoje, nos gramados argentinos, para enfrentar o Lanús por um empate para assegurar sua vaga na próxima fase da Libertadores da América. É o terceiro jogo eliminatório da equipe no semestre. Por incrível que pareça, o mais fácil dos três.

Nas duas outras oportunidades, o Vasco fez jogos únicos contra Fluminense (Taça Guanabara) e Botafogo (Taça Rio). Os resultados todo mundo sabe. Nesta fase da Libertadores, porém, os jogos são decididos em caráter eliminatório de ida e volta. Por ter vencido a primeira partida por 2x1, a equipe cruzmaltina precisa apenas de um empate para seguir adiante.

Vou repetir: parece-me mais fácil do que os desafios anteriores.

Não que Botafogo e Fluminense sejam potências diante do Lanús. Não são. São bipolares, como todos os times brasileiros da atualidade. Inclusive o Vasco. Capazes de realizarem belas partidas e, depois, protagonizarem micos indizíveis. Mas o Vasco tem recursos técnicos (diga-se: elenco) com opções táticas consideráveis para encarar um adversário jogando em casa, pressionado pela torcida, em busca de um gol a qualquer preço. Afobado e não tão talentoso, o Lanús pode deixar importantes clarões na defesa para as investidas de Éder Luís e Fagner pela direita, assessorados pelos passes certeiros de Felipe.

O grande problema vascaíno, hoje, é sua zaga. Temerária não apenas por não ter ordem no sistema defensivo, mas, sobretudo, por depender única e exclusivamente do talento extraclasse do zagueiro Dedé. Seria natural a perda de qualidade de qualquer defesa do mundo ao ressentir-se de um jogador desses. Mas, no caso do Vasco, os problemas são outros: Cristóvão não conseguiu montar um sistema defensivo sólido em termos táticos, e ainda tem apostado suas fichas em um atleta (Rodolfo) cuja única regularidade é a de errar sempre. Com isso, a zaga abre-se e Fagner - que nem de longe tem essa característica e nem pode ter essa função - tem sido o "zagueiro de área", exposto e falhando em vários jogos. O "erro individual" é, na verdade, um erro de desenho de jogo. Uma das responsabilidades do técnico deve ser a de estudar o erro tático como um todo, não apenas no lance final. Sensato nesse sentido, Cristóvão não barrou Fágner justamente por isso: sabe que os erros do lateral têm muito mais a ver com a marcação falha do meio de campo e com os buracos da zaga do que com as atuações do bom lateral.

A jogada forte do Vasco (passes de Felipe abrindo Eder e Fagner na corrida) precisa estar bem ensaiada e ser bem usada hoje. Já que os argentinos vêm pra cima, é preciso deixar claro que o avanço deles terá m preço, para que eles não se sintam donos do jogo nos acuando sem serem ameaçados. É preciso dar o troco! E deixá-los com esse medinho. Diego Souza precisa se mexer mais para confundir a marcação da zaga, abrindo novos espaços no ataque. O poste "Alecone" pode fazer seu trivial: ficar plantado na área esperando as oportunidades.

Acho que o Vasco tem todas as condições de confirmar seu brilho e assegurar sua vaga.

E, de quebra, mandar aquela torcida adversária, que vive se vendendo pra torcer pelo time dos outros, procurar outra camisa pra torcer, mais uma vez. Coisas de quem está de férias, porque foi eliminado pelo Vasco.

Fazer o quê...

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Sai Mosquito, Sai Allan... e Ninguém Fala Nada

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 05/05/2012 23h39

Aprendemos desde sempre que uma cidadania plena implica em direitos e deveres. Cumprimos os nossos e exigimos os que nos são devidos. Na vida política, é a ética quem regula essa dupla troca: se um lado cumpre as suas prerrogativas, tem o seu direito de requerer a sua contrapartida. Não por benesse, nem por regalia, mas tão somente por uma questão de respeito e de moralidade.

O cidadão eleitor, por exemplo, está devidamente respaldado a cobrar, de quem elege, aquilo que lhe fora prometido, assegurado. As promessas de campanha não podem se tornar balela ou página virada na vida de quem alcança o que quer. Eleitor presente será eleitor futuro. Um dia pode vir a negar o seu voto. Ou, sendo formador de opinião, contestar a falta de decoro de quem foi eleito.

Começo a me preocupar com as atitudes do presidente Roberto Dinamite à frente do Vasco da Gama. Reparem: isto nada tem a ver com envolvimentos políticos ou acenos de oposicionismo. É uma simples questão: escrevo sobre o Vasco há 12 anos, tendo recebido uma moção honrosa da Câmara dos Vereadores por isto, inclusive. Tenho uma responsabilidade "civil" de não ser apenas um cronista esportivo. Sem desrespeitar os colegas talentosos dos órgãos de imprensa, sou contratado aqui no site para falar DE VASCO, analisar e criticar O VASCO. Sou blogueiro DO VASCO. Um torcedor que analisa, que interage com os torcedores e, em alguns casos, faz um link com o clube para (como ocorreu em inúmeras situações) até resolver problemas entre ambos.

Sinto-me, por estar nessa zona de mediação, desconfortável com as posturas da atual diretoria. Naturalmente não estou analisando resultado de jogo. Isso fica para os dias de jogo. Refiro-me, agora, às notícias que, em menos de 24 horas, nos pegaram de surpresa, com as negociações do menino Mosquito e do profissional Allan, jogador inclusive em nível de seleção brasileira.

O que está acontecendo?

Por que a divisão de base de um Vasco que se anuncia "moralizador" está desmoralizada a tal ponto de rifar seus talentos na surdina, na calada da noite? Por que não conseguimos firmar um de nossos talentos "pratas da casa" (caso de Allan) no time titular sem que ele saia do clube à jato (casos de Philippe Coutinho e Alex Teixeira)?

Tá bom... virão com a argumentação de que Philippe Coutinho havia sido pré-negociado pela diretoria anterior. 

"Ohhh... que pústulas, que mercenários"!

E no que se diferencia deles a diretoria atual, se faz a mesma coisa? Pior: anula completamente um trabalho histórico do clube, ao ponto de permitir que um menino MORRA sem comida, sem médico, sem nenhuma estrutura, gerando uma interdição judicial e um escândalo moral na história do clube, sem merecer um mínimo pronunciamento de seu presidente?

Será que a vida do menino Wendel era tão mísera ante os olhos da diretoria vascaína, ao ponto de julgarem mais importante me darem de presente uma coletiva com um falso diretor de marketing (contratado, anunciado  e depois desmentido pela própria diretoria!) do que me darem uma coletiva com explicações, medidas a serem tomadas e um sério pedidos de desculpas à família do Wendel e a todos nós, torcedores?!

Não digo "me darem" em tom individual: falo sobre algo que a sociedade espera, em transparência e respeito, ante a perda de um menino tão jovem, de forma tão desastrosa.

Por que o Vasco está assim?

Por que tamanha ingerência moral? Sim, porque isso já não é caso para se avaliar ou discutir competências, mas para se questionar moralidade, senso de humanidade. É um menino morto, jogado fora, silenciado.

Não se trata de discutir gestão passada nem gestão atual: ambas estão juntas, agora. Ou será que isso é surpresa para alguém? Desculpem, mas o tempo de oposição acabou. Tá todo mundo junto, bonitinho, lá dentro, comandando os bastidores de São Januário! Tal qual um "Lula&Collor" da política nacional, o presidente Roberto tem Eurico Miranda como presidente do Conselho dos Beneméritos. O clube tem, ainda, uma enorme quantidade de outros conselheiros. Todos decidem, todos governam... todos juntos!

Pergunto eu: ninguém questiona? Ninguém interage? Fazem só caras e bocas, sorriem lá dentro e espirram uma mediazinha aqui fora? Caso se manifestem... não têm voz ativa? São desprezados? Então é uma nova ditadura a que vive o Vasco, sem que seus conselheiros possam intervir? Ou estariam todos mancomunados, assinando embaixo os erros da presidência para, amanhã ou depois, usá-los como argumento de oposição em novo pleito eleitoral? O que ocorre, afinal, para que as divisões de base do Vasco sejam tão ermas e obscuras?

As vendas de Mosquito e Allan, bem como a morte de Wendel, sugerem que há uma política sórdida e escusa de bastidores nas divisões de base do clube. Se isso não for verdade, erro crasso e inaceitável de comunicação: permitem-se aparecer muito mal na foto. Por arrogância ou descaso, não parecem querer corrigir isso.

Falaram das saídas de Dedé e de Fagner. Despiste. Areia nos olhos. Factóides. Saíram, mesmo, o garoto Mosquito e o ótimo jogador profissional Allan.

Ninguém fala nada. Acho que estão escondendo alguma coisa...

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NOTA: Uma hora após esta publicação, recebo a notícia de que o jogador pode NÃO SER contratado pelo São Paulo, pelo fato do clube paulista considerar os valores acima de seus planos de investimento. Tud notas de internet. Não se sabe, ainda, o fato oficial. Tenho, pelo menos, três versões. Ou seja, prevalece a minha crítica de que a diretoria não se pronuncia, dando margem a múltiplas interpretações e versões paralelas.

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A Noite da Torcida Indomável

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 03/05/2012 00h13

Tem que respeitar! Num jogo-chave para coroar a consagração vascaína como melhor clube brasileiro no ranking da IFHHS, além de corroborar sua força na temporada, o Vasco lotou seu belíssimo estádio com a incendiária torcida e atropelou o adversário argentino, que contou com o apoio fúnebre do urubu náufrago na empreitada. Assim, abraçadinhos, passaram vergonha juntos.

O primeiro tempo foi um vareio. O técnico Cristóvão, que não é um "ofensivista" por natureza, resolveu "lavar as mãos" das derrotas recentes e misturar Felipe e Juninho, sacando sua "paixão" Felipe Bastos e deixando Rômulo sozinho para cobrir todo mundo. Todo mundo...mais Rodolfo! Convenhamos, tarefa hercúlea. Taticamente foi uma opção assustadora. Mas pareceu que o time do Lanús combinou com o técnico vascaíno e abriu mão de jogar. Estava tão assustado quanto um rato numa pista de boate. O Vasco passou o primeiro tempo todinho fazendo sua jogada de uma nota só: Felipe-Juninho lançando ÉderLuís-Fagner pela direita. Dali saíram os dois gols. O segundo, pintura exuberante de Diego Souza, reeditando o clássico gol de ouro da carreira de Roberto Dinamite contra o Botafogo.

Veio o segundo tempo e pareceu que o treinador argentino perdeu o medo e arregaçou as mangas. Soltou seu time ao ataque, complicando a vida de Cristóvão. A essas alturas do jogo, o Lanús fazia seu gol numa defesa mano a mano marcando em linha, Felipe era substituído por Felipe Bastos e a torcida chamava o treinador vascaíno de "burro", além de mandá-lo "tomar..." em coro quase uníssono.

A torcida vascaína já percebeu que a inteligência do time definitivamente não está em seu comandante!

No grito, a sábia torcida escalou Carlos Alberto. Acuado e sem recursos próprios, o treinador atendeu. Rodolfo e Renato Silva continuavam os piores zagueiros do mundo, falhando, escorregando, pixotando, aprontando diabruras. Por falhas individuais, sobrecarregaram Fagner o jogo todo.

Aliás, o ótimo lateral vascaíno tem sido "empurrado" a protagonizar maus lances capitais de jogos, infelizmente aparecendo sempre em falhas nos gols adversários. Fagner tem sido vítima da zaga equivocada e da defesa mal montada do Vasco sem Dedé.

A saída de Felipe, escolha equivocada de Cristóvão, desarmou completamente o time do Vasco. Mais uma vez o treinador leu errado o desenho do jogo e Juninho esbanjava sangue e suor, Carlos Alberto deu força e técnica ao ataque. O Vasco do segundo tempo parecia ter só os dois em campo. Além de lampejos individuais de Éder Luís. Pouco para a qualidade do elenco que tem.

O Vasco segue vivo na Libertadores. E a torcida encerrou sua participação xingando seu treinador ao ponto dele precisar sair "escoltado" pelo elenco. Uma bonita forma de mostrar que o grupo incentiva seu treinador. Elegância nunca é demais para os vascainos.

Juninho e Carlos Alberto isentaram, de forma diplomática, a torcida do Vasco de seus brados indignados. Se eles, que são jogadores históricos, abonam a torcida, quem a condenará?

Futebol é assim. Torcedor tem o direito de participar e, se lota um estádio num dia de semana frio e chuvoso com término de jogo à meia-noite, não vai vaiar nem protestar à toa. Ninguém é maluco nem rasga dinheiro. Confundir torcedor com macaca de auditório ou marionete de papel marché só pode ser burrice ou vaidade ególatra de querer ser dono da verdade.

Arquibancada é indomável. E a pressão da torcida deve ser encarada por Cristóvão não ao pé da letra, como "xingamento". Para amadurecer, na vida, todos nós crescemos levando puxões de orelhas. Estava mais do que na hora do treinador sair da acomodação da blindagem e encarar seu desafio real.

Que ele reflita e cresça.

Pois o Vasco, para desespero dos opositores travestidos de camisas rivais, segue firme na Libertadores.

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Os erros e a esperança

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 01/05/2012 11h09

Passado o fiasco da decisão da Taça Rio, reproduzindo no placar e na mediocridade a decisão da Taça Guanabara, o Vasco se arregimenta para um desafio muito mais importante pela Libertadores. E mesmo os incrédulos quanto ao time ou pelo menos (como eu) quanto ao treinador estão ávidos por uma atuação convincente no jogo duro de amanhã.

Primeiro de tudo, o Vasco deveria ter vergonha de, tendo um zagueiro do porte de Dedé, nunca ter encontrado um empresário capaz de oferecer um reserva minimamente qualificado. Por falta de profissionalismo, permitiu-se ter, como reserva do melhor, dois dos piores. O treinador - por razões políticas ou por sua incompetência (e ambas são condenáveis) - insiste em não mudar o quadro, acalentando o descalabro. Renato Silva e Rodolfo são sinônimos de desleixo da diretoria com a reserva de Dedé; desleixo com a Libertadores; desleixo de quem deveria mas não sabe planejar o futebol. Como o treinador vive dos talentos individuais dos jogadores, pois não sabe arrumar um time de outra forma, a defesa equivocada derrubou o Vasco do Estadual. Assim como a sequencia de mexidas, escalações e substituições equivocadas nos eliminaram, ano passado, da Sul-Americana e nos tiraram o título do Brasileiro. Perdemos em casa jogos ridículos!

Está flagrante - e isto é fato, provam as estatísticas e os resultados - que o time do Vasco é falho em termos decisivos, pois perdeu quatro títulos em 6 meses, negando a eficiência de sua campanha quando chegava a hora de fechar com chave de ouro. Até a Copa do Brasil foi ganha sob derrota e em flagrante desespero. Não adianta brigar com o erro e não corrigi-lo para posar de "sócio-torcedor". Esforço tolo, improdutivo.

Outra crítica contundente que faço desde o ano passado é: que segurança podemos ter, em um ano de tantos desgastes e desafios, de que jogadores "veteranos" poderão ser a espinha dorsal do time? Quem nos assegura que o desgaste natural não ocorrerá? Dito e feito: Felipe e Juninho já se alternam em campo. Acho que ninguém mais aposta nos dois juntos como titulares. Nem mesmo com a eterna falácia de "escalar dois marcadores para cobri-los" (os marcadores não conseguem cobrir os buracos da zaga, vão cobrir os dos veteranos que não correm?! Vamos acordar!). Percebemos que o "Felipe versus Botafogo" foi um bagaço do "Felipe versus Flamengo". Juninho entrou no segundo tempo e também não modificou o panorama. Os velhos ídolos são extraclasse, jogam o fino, são diferenciados, mas têm pulmões e músculos que se degradam com o peso dos anos, assim como os nossos. E quem planeja o futebol do Vasco parece não pensar nisso.

A esperança pode ser Carlos Alberto. Sim, eu disse, em coluna passada, que ele não era reforço, não veio porque quisera nem porque o Vasco quisera. E é exatamente por causa disso tudo - e pela juventude, e pela força física, e pelo talento individual, e pela necessidade de superação - que pode-se esperar do jogador uma injeção de ânimo e uma opção de adrenalina a mais nos cansados e nos descansados do Vasco. É na adversidade e no contragosto que Carlos Alberto costuma brilhar.

Isso, é claro, se o treinador enxergar o jogo, ler oportunidades e não se restringir à sua tacanhice costumeira. Ou se, mesmo com mais essas contrariedades, CA19 estiver inspirado ao ponto máximo.

Com a cara na verdade, com os pés no chão e sem proselitismo barato, sigo na torcida: amanhã é ferro e fogo contra o Lanús!

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Pois é, né

Helio Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 29/04/2012 18h25

Há muito tempo não se via um nó tático tão bem executado como o que foi imposto pelo Oswaldo de Oliveira sobre Cristóvão Borges. Foi uma aula de um profissional sobre um estagiário, de um treinador maduro sobre alguém que ainda depende de talentos individuais para maquiar sua ingerência como treinador de futebol. Se alguém acha o Oswaldo ruim, tanto pior para Cristóvão: maior ainda a humilhação.

A incrivel supremacia tática do Botafogo no primeiro tempo redundou em uma jogada em alta velocidade explorando a debilidade (técnica, física e de raciocínio) da defesa preferida de Cristóvão. Ruim sem Dedé, pior com Rodolfo, uma recorrência incompreensível, uma insistência incorrigível do treinador vascaíno. Tão deplorável que nem estava presente no lugar em que deveria na hora do gol adversário.

Com Juninho no banco chutando as placas a cada erro e o time do Vasco num desespero sabe-se lá por causa de que, o Botafogo distribuía passes, jogadores e jogadas com inteligência, dando a sensação de que o alvinegro tinha 22 jogadores, não 11, dentro do campo.

Estranho o Juninho chutando tudo de lá do banco! Notava-de, também, Carlos Alberto conversando com o Reizinho e fazendo gestos que sugeriam
uma leitura tática do jogo, coisa que o treinador nem sinalizava fazer.

Veio o segundo tempo com Juninho em lugar de Felipe e Allan em lugar do inoperante Alecsandro. Os mesmos erros,a mesma inutilidade da defesa
que eu repito: não é arrumada, depende do Dedé individualmente) e um golaço de Maicossuel só ajudaram a afundar as pretensões vascainas.

Sempre enrolado, o treinador abdicou das subidas de Fagner, sacou-o para colocar Carlos Alberto no meio e perdeu a oportunidade de aumentar a força ofensiva do time.

Melancolicamente, o Vasco sai goleado da Taça Rio como saiu goleado da Taça Guanabara.

Duas eliminações, dois vices, duas goleadas dentro de uma mesma competição.

Edmundo, ídolo do Vasco, fez severas críticas aos erros nas substituições equivocadas do treinador vascaino. Estaria o Animal errado?

O Vasco precisa dar o braço a torcer e pensar de maneira racional. E isso também vale, sinceramente, para uma parcela da torcida que insiste em criar méritos para Cristóvão. O momento é de reflexão.

Acobertar a fragilidade de um treinador que perde quatro títulos disputados em pouco mais de seis meses é um paternalismo necessário? Fingir que os resultados são "praga de madrinha" ou "sobrenatural de almeida" não colam.

Cristóvão repete, em seu início de carreira, o pífio desempenho de Cuca. Dá medo e ainda temos uma Libertadores pela frente.

Ainda bem que eu não estou sapateando sobre um cadáver: já tinha essa opinião e já escrevia essas coisas mesmo quando o time ganhava.

Como eu gostaria que fosse diferente...

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Pois é, né...

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 29/04/2012 18h05

Há muito tempo não se via um nó tático tão bem executado como o que foi imposto pelo Oswaldo de Oliveira sobre Cristóvão Borges. Foi uma aula de um profissional sobre um estagiário, de um treinador maduro sobre alguém que ainda depende de talentos individuais para maquiar sua ingerência como treinador de futebol. Se alguém acha o Oswaldo ruim, tanto pior para Cristóvão: maior ainda a humilhação. A incrivel supremacia tática do Botafogo no primeiro tempo redundou em uma jogada em alta velocidade explorando a debilidade (técnica, física e de raciocínio) da defesa preferida de Cristóvão. Ruim sem Dedé, pior com Rodolfo, uma recorrência incompreensível, uma insistência incorrigível do treinador vascaíno. Tão deplorável que nem estava presente no lugar em que deveria na hora do gol adversário. Com Juninho no banco chutando as placas a cada erro e o time do Vasco num desespero sabe-se lá por causa de que, o Botafogo distribuía passes, jogadores e jogadas com inteligência, dando a sensação de que o alvinegro tinha 22 jogadores, não 11, dentro do campo. Estranho o Juninho chutando tudo de lá do banco! Notava-de, também, Carlos Alberto conversando com o Reizinho e fazendo gestos que sugeriam uma leitura tática do jogo, coisa que o treinador nem sinalizava fazer. Veio o segundo tempo com Juninho em lugar de Felipe e Allan em lugar do inoperante Alecsandro. Os mesmos erros,a mesma inutilidade da defesa (que eu repito: não é arrumada, depende do Dedé individualmente) e um golaço de Maicossuel só ajudaram a afundar as pretensões vascainas. Sempre enrolado, o treinador abdicou das subidas de Fagner, sacou-o para colocar Carlos Alberto no meio e perdeu a oportunidade de aumentar a força ofensiva do time. Melancolicamente, o Vasco sai goleado da Taça Rio como saiu goleado da Taça Guanabara. Duas eliminações, dois vices, duas goleadas dentro de uma mesma competição. Edmundo, ídolo do Vasco, fez severas críticas aos erros nas substituições equivocadas do treinador vascaino. Estaria o Animal errado? O Vasco precisa dar o braço a torcer e pensar de maneira racional. E isso também vale, sinceramente, para uma parcela da torcida que insiste em criar méritos para Cristóvão. O momento é de reflexão. Acobertar a fragilidade de um treinador que perde quatro títulos disputados em pouco mais de seis meses é um paternalismo necessário? Fingir que os resultados são "praga de madrinha" ou "sobrenatural de almeida" não colam. Cristóvão repete, em seu início de carreira, o pífio desempenho de Cuca. Dá medo e ainda temos uma Libertadores pela frente. Ainda bem que eu não estou sapateando sobre um cadáver: já tinha essa opinião e já escrevia essas coisas mesmo quando o time ganhava. Como eu gostaria que fosse diferente... Facebook Hélio Ricardo Rainho Twitter @hrainho

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A mordaça dos clubes e a mordaça da imprensa

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 28/04/2012 13h11

A imprensa brasileira (se é que se pode definir a mídia impressa assim, de forma tão unificada) tem algumas excentricidades. Esta semana rolou um certo murmurinho com relação à atitude do Vasco, de proibir seus jogadores de darem entrevista a um jornal que publicou a foto de Carlos Alberto fazendo xixi na estátua do Romário, e (pasmem: vou entrar nessa!) às declarações do lateral Júnior César sobre uma suposta "lei da mordaça" proposta pela diretoria rubro-negra diante da imprensa.

Pois é. Jornalista, no Brasil, é uma classe extremamente proselitista. Quando morre um operário, um médico ou um publicitário assassinado, a notícia é: "Homem morre assassinado na rua". Quando morre um jornalista, é diferente: "Jornalista é assassinado na rua". Todo evento contra um profissional dessa área é visto como perseguição, retaliação, apedrejamento social, discriminação profissional. Eles se defendem e se embainham do jeito que podem. Jornalista é quase padre: não tem pecado, não tem erro, não tem carnalidade. É indefectível.

Um clube ou uma instituição qualquer parece proibida de proibir. Ou seja, parece proibida de fazer o que muito jornalista faz. Sim, porque tem jornalista que filtra informação, tem jornalista que distorce depoimento, tem jornalista que faz militância política descarada (e eu estou falando de futebol, gente!) e omite fatos para sustentar ideologias próprias. Sim, isso pode.

Ou seja, quando a mordaça vem da imprensa, ela é possível. Quando a mordaça encobre as eleições diretas no Brasil, quando a mordaça cala o lado mal e promove deliberadamente o marketing pessoal de falsos atletas falidos que se vendem como "meninos carentes", quando a mordaça humilha pessoas de estatura menor para apregoar teorias racistas dos tempos do Reich em capa de revista, quando a mordaça encobre denúncias de um árbitro contra a compra de resultados para beneficiar um time no futebol brasileiro, quando a mordaça encobre escândalos da CBF e de desvios de verbas na máfia da Copa do Mundo, quando a mordaça sequestra a privacidade de celebridades e expõe desnecessariamente a intimidade alheia... ah, aí comemora-se a "liberdade de imprensa", a "preservação da fonte", a "competência jornalística". Traveste-se tudo de "linha editorial" e vamos embora: faz-se de conta que isso não é mordaça, também!

Ano passado, após a morte lamentável e violenta do repórter de TV numa blitz policial, chegou-se a cogitar que a polícia deveria "dar treinamento aos repórteres".  A polícia, agora, precisa proteger o cidadão de bem, prender os meliantes e - de quebra - ter uma tropa de segurança reservada para dar cobertura aos repórteres que, em nome da audiência e dos prêmios inumerados, querem estar no meio do tiroteio ou na boca do foguetório. Claro... são "heróis", estão "apurando", estão "informando a sociedade"!

Distorções como essas mostram por que a imprensa esperneia tanto quando um dirigente de futebol decide, em nome de sua liberdade individual (porque ninguém é obrigado a dar entrevista a ninguém, que eu saiba), vetar as coletivas, negar depoimentos. Esta semana a provocação foi tão baixa e tão mesquinha que um jornal chegou a comparar Roberto a Eurico, afirmando que o atual mandatário vascaíno repetia, com seu ato, as atitudes de seu desafeto político. Deliberadamente a "vingancinha" ficou clara, configurando ainda a atitude mesquinha que nada condiz com o jornalismo profissional e sério que se requer de quem se diz tão profissional.

A meu ver, penso que o trabalho do jornalista é fazer sua matéria e informar o leitor. Para isso, não precisa de depoimento, nem de entrevista exclusiva, nem de coletiva de imprensa. Não necessariamente. Querem ver como meu raciocino está certo? Quantos órgãos de imprensa foram à Espanha ou à Inglaterra, semana passada, obter depoimentos exclusivos, entrevistas individuais ou coletivas dos jogadores de Chelsea e Barcelona? Foram lá? Estiveram lá? E por que encheram suas páginas e noticiários de matérias sobre o tal jogo? Como conseguiram?

Pois é. Quando acontece aqui, fica esse dengo todo, essa papagaiada, tentando jogar a torcida contra o próprio clube. O argumento mais imbecil é aquele choro de pobre coitado: "estamos lutando por você, torcedor, porque seu clube está tentando impedir o nosso trabalho de levar a você a cobertura do seu time de coração". É muita demagogia! Normalmente os repórteres de rádio (de maneira geral, os mais sensacionalistas - com o perdão da crítica e não generalizando, é claro) são os que mais fazem isso.

Infelizmente o trauma pós-ditadura fez a imprensa brasileira herdar uma síndrome de soberania: querem sujeitar todo mundo a seus caprichos! Como se todo mundo fosse obrigado a dar entrevistas na hora que eles querem, em nome da "democracia". Na verdade, é uma "democratura" que eles querem nos enfiar goela abaixo!

Acho, portanto, uma besteira esse choro em torno da mordaça. Cada um tem o direito de falar ou não falar na hora em que quiser.

E o jornalista precisa saber escrever, comentar ou analisar, independente da disposição do que dizem os outros.

Esse chororô da mordaça me sugere a adaptação de um clássico dito popular: "mordaça na boca dos outros é refresco"!

Cabe... não cabe a versão?!

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Mea culpa com Cristóvão...

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 24/04/2012 20h57

 

O Vasco retomou o fio da meada, acertou a linha na agulha e costurou sua melhor fase novamente. A exemplo do ano passado, quando mostrou sua força competitiva e disputou Brasileiro e Sul-Americana com a mesma intensidade, recuperou-se da perda da Taça Guanabara e, com a vitória retumbante sobre o Flamengo, voltou às "paradas de sucesso".

Quem desdenhava do Vasco, passou a nele acreditar.

Um time, quando idealizado, precisa de dois vetores para alcançar suas metas: alguém para comandar e alguém para ser comandado. Entenda-se: um treinador e muitos jogadores. É dessa "massa de bolo" que sai o prato principal.

Torcedor é passional, e isso é quase uma redundância. Cada um, na sua intrínseca paixão, tem pontos de vista e os expõe. O colunista, no entanto, sempre obrigado a fazê-lo jogo a jogo. Tarefa mais ingrata, visto que o futebol é incoerente até a ultima gota.

Particularmente não sou admirador do treinador do Vasco. Não tenho nada contra pessoalmente, acho-o distinto, um sujeito sóbrio, elegante, respeitável. Mas tenho minha opinião restrita a seu respeito. A mesma opinião que a maioria da torcida do Vasco (a quase totalidade) tinha sobre Felipe Bastos. E agora, força das evidências, ninguém mais tem. "Evaporou": agora todo mundo gosta de Felipe Bastos! Eu, por exemplo, também gosto de Felipe Bastos, porque ele está jogando o fino. Eu não gostava de Felipe Bastos quando ele não jogava o fino e, mesmo assim, era titular absoluto e opção numero um em todos os jogos.

E quem o escalava? Sim, o técnico Cristóvão! O mesmo técnico Cristóvão para quem o Felipe fez cara feia, ao ser substituído domingo.

Ora, o Felipe, o maestro, o mentor da derrota rubro-negra, o grande ídolo em campo na partidaça do Vasco domingo... ele fez careta para o Cristóvão! E não é a primeira vez! Juninho também fez.

Hélio Ricardo também faz.

Sabem por que isso acontece, prezados leitores amigos? Porque todos nós - eu, vocês, Juninho, Felipe - queremos o melhor para o Vasco, queremos a vitória do Vasco, queremos o título para o Vasco!

Felipe não disse, na saída do gramado, por que reclamou do treinador. Não precisava. Eu também não preciso justificar a minha implicância ranzinza e mal-humorada de torcedor chato com o técnico do Vasco que adora volantes e é fã do Rodolfo, nosso pior zagueiro.

O futebol é assim mesmo. Bem e mal-humorado. Chato e carismático. Aborrecedor e animador. Oscila entre dois mundos.

E eu não vou deixar de torcer pelo Cristóvão, de vibrar com o Cristóvão, de aplaudi-lo quando ele for campeão... mesmo tendo todas as restrições do mundo a ele. E eu as tenho. E daí?

Lembrando que a nossa torcida já aplaudiu o Joel Santana naquele jogo da virada histórica no título da Mercosul... lembram??? E o que achamos do Joel Santana hoje???

E já aplaudimos Sebastião Lazaroni, campeão sobre os urubus com gol de Cocada... lembram disso???

E o que diríamos desses treinadores hoje? E o que passamos a dizer de Felipe Bastos?

Então, gente, por favor... quando eu ou o Felipe fizermos cara feia para o Cristóvão ( e eu estou mesmo me defendendo no maestro, porque ele também reclama do Cristóvão!)... não levem tão a sério nem se ofendam com nada!

Eu sou Vasco e, admirando ou não o treinador, não vou ter que engolir ninguém (sai espírito de "Zé Galo"!!!)... vou apenas festejar todas as conquistas que o nosso Professor Pardal, por força do elenco, nos alavancar!

E isso, queridos leitores, é tão somente um sintoma do futebol. Que, com boa dose de humor, torna até o velho esporte bretão ainda mais interessante.

Podem apostar!

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E dá-lhe Vasco! Adeus, mengô!

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 22/04/2012 19h04


Sou defensor ferrenho da seguinte tese: quando um elenco tem os jogadores certos para as posições certas - sendo por qualidade técnica elevada ou por variedade de opção de jogo - a figura do treinador deve ser apenas a de escalar certo e mexer certo. Com esse feijão-com-arroz básico, tudo dá certo.

O elenco do Vasco é assim. Tem um "mito" na zaga, dois meias exuberantes de armação e atacantes com opções táticas de velocidade e toque de bola (embora medianos em finalização). Sabendo levar, esse time vai longe. Sobretudo se tiver uma envergadura moral e um pacto de equipe.

Hoje, desfalcado do "mito"da zaga e sacrificado pela escalação equivocada de Rodolfo (eterno favorito do treinador vascaíno), prevaleceram a maior categoria e o sentido mais arguto de equipe do Vasco para fazê-lo prevalecer sobre o esfacelado Flamengo das instituições falidas Joel & Ronaldo.

Não houve nenhum louvor tático aparente. Numa tarde muito inspirada, sobretudo no primeiro tempo, de Felipe, Diego Souza, Fagner, Éder Luis e Felipe Bastos, o Vasco passeou em campo. Só não impôs uma sonora goleada porque Rodolfo estava lá, batizado pelo treinador, para garantir o gol de saída dos desafetos, tomando (mais) uma passada feia na corrida com Wagner Love. Rodolfo manteve a regularidade: errou tudo o jogo todo. Mas os toques de primeira dos armadores, a sombra de que Éder Luiz começa a recuperar a forma e a presença mais acesa de Diego Souza no ataque deram tom ao clássico.

O Vasco precisa ordenar melhor sua defesa, que, como se percebe, depende simplesmente do talento individual de Dedé. Sem ele, o treinador não arruma o setor. Para muitos, foi chocante a entrada de Nílton no lugar de Alecsandro.

Engraçado, é sabido que eu tenho pavor desse jogador e que eu não sou
devoto do treinador "Professor Pardal" vascaíno. Mas confesso que entendi sua "lógica". Claro, tem a ver com sua obsessão por volantes, seu eterno desejo de tirar Diego Souza do meio para o ataque etc etc.

Mas a grande verdade é que, hoje, nem o furo do mau zagueiro, nem a falha do goleiro adiantado, nem o mau gosto do treinador...nada nos ameaçou na fácil e tranquila vitória por 3x2, eliminando o rival, sepultando seu primeiro semestre e aumentando sua cota de humilhação 2012.

E ainda temos um Carlos Alberto - nem reforço, nem novidade - retornando com espírito aguerrido e uma inconfundível habilidade que parece hipnotizar a audiência quando ele resolve jogar! Esplêndido! Agora o Vasco precisa se organizar e levar a sério a decisão com o Botafogo. Para, enfim, encarar ainda o Fluminense.

No mais é festejar. Discordando, criticando, alfinetando, falando o
que eu penso acerca do que vejo...vou na minha transparência e
isenção! Torcendo, é claro, para o meu Vasco ganhar de tudo e de
todos.

Porque o Vasco é o Vasco! Como eu disse mais cedo, ele se basta!

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O que se espera do Vasco no clássico do apito

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 22/04/2012 10h44

Vasco e Flamengo farão, neste domingo cinzento, um clássico pela disputa da segunda vaga à final da Taça Rio, a ser decidida com o Botafogo.

A Taça Rio sempre teve o Vasco como seu principal vencedor, até que, ano passado, o adversário de hoje tirou-nos esta primazia. Para enfrentar um adversário que repetidamente é beneficiado (seja por acidente de percurso, por conjunção astral ou por qualquer outra razão näo imaginada) pela arbitragem nos confrontos estaduais, o Vasco precisa de algo mais do que colocar um presidente esperneando em campo ou jogadores agredindo um soprador de apito ao fim da partida.


Dizer que o Vasco tem conjunto e não tem valores individuais também é uma besteira: temos, sim, jogadores técnicos e diferenciados que podem desequilibrar uma partida em lances individuais. E não são poucos: Juninho, Felipe, Diego Souza, Éder Luiz e Carlos Alberto estão bem acima da média, em campo para isso.

Esperamos que o Vasco tenha a atitude de quem quer fazer o jogo, ganhar a vaga, brigar com seriedade. E que seu técnico (e esta é a parte mais difícil!) faça uma leitura clara e objetiva do jogo, entrando em campo com uma postura que faça o time não depender dos caprichos do apito, buscando um resultado que interessa, sem conformismos, cansaço de veteranos, chinelinho, escalação de jogadores-amiguinhos na hora errada, coleção de volantes etc.

O Flamengo vive, hoje, uma de suas fases mais apagadas dos últimos anos. Com R10 e tudo (ou justamente por causa dele), o grupo é desfigurado, mal treinado e apequenou-se de forma tal que está disputando a Taça Rio como se fosse Copa do Mundo. Nas CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão), a vitória vascaína nem seria mais que obrigação. Mas, como cada clássico é um clássico, vemos aí as provocações, a forra pela polêmica partida anterior, as frequentes evidências de arbitragens politicamente tendenciosas e tudo o mais.

O Vasco que eu conheço é inteligente, suficiente, astuto, guerrilheiro. Não fica esperando a boa vontade do inimigo: vence a batalha e celebra o triunfo! É isso, sumariamente, que hoje precisamos fazer! Facebook Hélio Ricardo Rainho Twitter @hrainho

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Mais um ano sem Dener...

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 19/04/2012 19h41

Arquivo HP do Vasco

 

Escrevi, nestes 12 anos como colunista, algumas colunas sobre Dener. A cada ano que passa, fica a lembrança de um artista, um esteta da bola.

Não tenho medo de me repetir por isso. É como se a memória reavivada se achasse na singela obrigação de postergar o talento desse eterno e saudoso menino.

Eu sempre me lembrarei daqueles dribles aéreos, invertendo polaridades, anulando a força da gravidade, que o jovem negro de meiões e chuteiras atrevia-se a dar em seus marcadores, parecendo flutuar nos gramados, inalcançável, inatingível!

Dener  foi um poeta do futebol. É bom que as gerações que não o viram jogar lembrem-se que ele foi autor da frase célebre onde afirmou que "às vezes, um drible bonito é mais bonito do que um gol". Devia ser por isso que Dener , a cada drible, não buscasse a jogada improdutiva nem necessariamente o gol, mas o espetáculo sem arrogância. Com seu futebol parnasiano, Dener  queria "a arte pela arte", o drible-poema, a jogada literata.

Morreu de forma grosseira, em um acidente de carro, estrangulado pelo cinto de segurança, numa curva perigosa da Lagoa Rodrigo de Freitas, cenário de rara beleza e enigmática incidência de casos iguais. Ali, perdemos Dener , Gilberto Gil perdeu um de seus filhos e Edmundo envolveu-se no acidente com vários mortos que todos bem conhecemos.

Aos 23 anos, Dener Augusto de Souza marcou de forma extraordinária a trilha de sucesso do inédito tricampeonato carioca do Vasco naquele ano de 1994. Participou de várias partidas com lances inesquecíveis para a torcida vascaína. Lamentavelmente quis o destino que ele não estivesse presente na decisão daquela conquista histórica.

1994. Ano distante, que parece aproximar-se pela torrente de emoções que se desencadeia com a lembrança do fato.

Mas o menino de pernas mágicas, que desenhava dribles no ar, não merece ser lembrado com ares de tristeza ou desolação. O que importa, de fato, é resguardar a memória do ídolo, do mito que se perpetuou na sanha moleque de um extraordinário artífice das quatro linhas.

Numa era prisca em que até mesmo a seleção brasileira parece ter esquecido a beleza de se jogar um futebol vistoso e envolvente, a memória de Dener remete ao resgate do futebol elegante, artístico. Um futebol de ídolos que emocionavam pelos dribles dentro de campo, sem apelos desmesurados de marketing ou de escândalos promocionais fora dele.

Façamos isto: lembremos, num país que é dito "sem memória", da graça que há no futebol quando se tem um gênio como Dener eternizado dentro de campo.

Ou, pelo menos, em nossa lembrança!

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Todos os olhares para Carlos Alberto

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 15/04/2012 10h10

 

Minhas colunas aqui no SRZD têm se caracterizado, em dados momentos, por anteciparem alguns temas ruidosos dos quais a grande maioria dos vascaínos procurou se esquivar até onde pode. Foi assim com a fragilidade do nosso treinador Cristóvão, com a polêmica morte do jogador Wendel, com a contratação surreal do Franck Johnny Depp e com a condição de ídolo de Edmundo. Sem rodeios, sem meias palavras e sempre expondo meus argumentos para preservar a reflexão do torcedor, antecipei-me, em algumas dessas análises, em coisas que se concretizaram algum tempo depois de escritas.

Também escrevi, semanas atrás, sobre a volta de Carlos Alberto.

E é hoje, contra o Nova Iguaçu, que ele se reapresentará diante da torcida, para revelar todos os enigmas envolvendo seu retorno ao Clube da Colina.

Antes de mais nada, não se pode ter certeza de que o técnico o irá escalar. Mesmo estando no banco, pode ser que Cristóvão, diante do poderoso Nova Iguaçu, queira optar por três ou quatro volantes para "garantir o resultado", ganhando de 1x0, e frustre a torcida, que certamente está ávida para saber, afinal, que bola o "predador" quer jogar nesta temporada. Cristóvão é "surpreendente" e "inventivo" o suficiente para fazer algo assim.

Mas, tirando o treinador da berlinda e falando do jogador, Carlos Alberto estará diante de uma audiência atônita, curiosa. E terá (de novo!!!) uma grande oportunidade de retomar seu posto de ídolo e de jogador talentoso da equipe, caso se proponha a jogar bola. Dificilmente seu nível técnico ou sua condição física encontrarão barreiras diante de um adversário frágil, em um campeonato falido como é o Cariocão.

Carlos Alberto tem a faca e o queijo nas mãos. Resta saber o que fará disso.

Pode entrar em campo como o jogador que vestiu o espírito cruzmaltino na Série B ou como o chinelinho de contrato assinado da malfadada Taça Guanabara 2011. Pode entrar como quem quer recomeçar onde parou ou pode calçar o salto alto de vedete desinteressada em disputar um jogueco muquirana como esse. Pode olhar o jogo e jogar sério com a visão e o talento que raramente se vê ou fazer pose de estrela improdutiva do dia, atendo-se apenas às ovações.

Enfim, o enigma Carlos Alberto estará diante da torcida do clube que ele, tempos atrás, disse ter mudado sua história e sua forma de pensar o futebol. Então, hoje todas as atenções estão voltadas para ele.

Esperamos que ele também preste atenção em sim mesmo ao entrar em campo para esta partida tão especial...

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O Franck e a Franckalhada Vascaína

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 11/04/2012 21h43

Não gosto de lentidão. Estamos na era da tecnologia. Tudo se processa com velocidade. O raciocínio, os desafios, as metas: tudo é objetivo.

Na era da tecnologia, o raciocínio humano avançou. A maturidade chega mais cedo: as crianças são mais adolescentes; os adolescentes, mais jovens; os jovens, mais adultos. Nessa era do avanço, o raciocínio caminha em velocidade de bytes, a memória humana se apoia em chips: ninguém mais pode ser lento, correndo o risco de, com isso, ficar ultrapassado.

Lamentavelmente os jornais estão noticiando o que era publico e notório: o Vasco está se desfazendo do personagem fake de Franck Assunção por ter "descoberto", agora, que ele não é "uma Brastemp".

Infelizmente essa constatação não é melhor do que a ideia de terem contratado esse sujeito sem, antes, perceberem o que agora lhes parece inevitável. Quando uma liderança tem um conselho e toma atitudes isoladas e equivocadas como essa, das duas uma: ou essa liderança toma decisões erradas apoiadas por quem aconselha ou essa liderança despreza sonoramente a opinião do Conselho e faz tudo sozinha. Tanto numa quanto noutra circunstância, podemos perceber que a assessoria do presidente Roberto Dinamite não anda bem das pernas: ou concorda com atos histriônicos como a vinda desse sujeito ou parece absolutamente nula e desprestigiada diante do gosto do mandatário.

O que lucrou o Vasco alardeando a vinda desse sujeito? Que méritos julga ter quando, após o terem apresentado numa coletiva de imprensa, com todo o aparato de marketing de quem contrata um grande craque, resolvem divulgar aos quatro ventos que o sujeito é um falso violinista e não emite som?

Em minha opinião, é vergonhoso o clube promover um sujeito com tanta fé e, depois, desqualificá-lo publicamente. Sinto-me mais enganado pelos que fizeram a propaganda do falso Johnny Depp do que pelo próprio Johnny Depp de araque!

Afinal de contas, eu não elegi o Franck para dirigir meu clube, não escolhi o Franck para escolher o melhor para o Vasco. Não é do Franck que eu esperava uma gestão clara e transparente, sem perda de tempo e sem lentidão de raciocínio. Isso eu esperava de quem o apresentou. E podem ver a minha opinião no dia do anúncio do sujeito: será que é difícil para quem deveria pensar rápido avaliar essas coisas?

Pois é. Na era da tecnologia, o Vasco pensa muito devagar. Só consegue acionar uma emergência quando o incêndio atinge mais de 50% da casa. Não justifica que um clube do tamanho do Vasco tenha dado tanto espaço e tanta moral para um suposto profissional para, nos dias seguintes, ter vários desmentidos de pessoas ligadas ao futebol. E ainda assim seguir na ideia tosca de acreditar que Franck Assunção traria dinheiro, reforços e prestigio para o clube da Colina.

Que fiasco!

De minha parte, acho que a mensagem ficou entendida. Franck era um engodo, um saco vazio, que só tinha vento.

E quem acreditou nele? E quem o trouxe? E quem convenceu o presidente a aceitar essa ideia? E o presidente que a aceitou? E a assessoria/conselho do presidente (que ou foi a favor ou foi desprezada sendo contra)?

Pois é. No fundo, no fundo, não consigo diferenciar o Franck da franckalhada vascaína...tá todo mundo muito parecido. Fake total!

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O Clássico da Xavecada

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 07/04/2012 20h49

O treinador do Vasco não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo. Jogando contra um time desconjuntado e esquisito como o Flamengo, ele armou um Vasco taticamente interessante para neutralizar Ronaldinho (se é que isso ainda seja preciso) e prendeu Leonardo Moura com a presença de Barbio na direita. Com isso, travou as saídas criativas do adversário.

Mas, como não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, Cristóvão esqueceu que o time que tem a posse de bola precisa ter pelo menos um meia criativo. Acovardado, saiu com um ferrolho de volantes. Teve os últimos 10 jogos para barrar a inutilidade de Diego Souza, não fez e resolveu barrá-lo logo hoje, quando só tinha ele para criar. Na defesa, sem Dedé, Cristóvão passou a semana toda na dúvida entre Douglas e Fabricio...mas resolveu escalar Rodolfo, o mais regular nas falhas e nas entregas de jogo.

Dominando a posse de bola (porque o Flamengo não jogou nada), não tinha quem criasse jogadas. Pior: Rodolfo manteve a regularidade e falhou ridiculamente no gol do Flamengo. Assim foi o primeiro tempo.

Veio o segundo tempo e Cristóvão, como sempre, não entendeu o jogo que viu. Em vez de trocar um volante por Diego Souza, para ganhar armação na meia, manteve o ferrolho covarde e pôs Diego no lugar de Barbio. Ou seja: não deu criatividade à meia e ainda perdeu a peça de velocidade que continha Leo Moura.

É ruim ter um treinador que não sabe fazer a leitura do jogo!

Para os desavisados, o fato de Diego Souza ter feito o gol de empate significa que o técnico "tem estrela" ou "acertou". A verdade é que o Vasco foi sempre muito melhor que o Flamengo, um bando em campo que nem com a bronquinha da presidenta conseguiu se consertar. Joel Santana vem colecionando fracassos, R10 está mesmo aposentado em campo e o Vasco, se completo ou se dirigido com um pouco mais de inteligência, teria confirmado sua supremacia em campo.

Bottinelli e Wagner Love impuseram sua técnica para reagir ao empate no segundo tempo, sempre beneficiados por falhas grosseiras dos zagueiros Renato & Rodolfo, além da limitação criativa do meio campo cruzmaltino, uma escolha pessoal assumida pelo técnico vascaíno.

O ponto positivo foi a atuação aguerrida e até produtiva de Felipe Bastos, acenando para uma boa fase que pode salvá-lo da má fama junto à torcida. Uma coisa é certa: o Vasco precisa se livrar desse Renato Silva o mais depressa possível! É um dos piores jogadores dos últimos anos, não pode jogar num time que disputa Libertadores.

A arbitragem continua rubro-negra e um pênalti descarado para o Vasco não foi dado, além do soprador de apito dar cartão amarelo a Feltri quando ele sofreu falta clara na entrada da área, invertendo o infrator.

Ao final do jogo, o time da Federação não ficaria sem uma penalidade a seu favor. O penalti convertido pelo Ronaldinho de péssima atuação foi um castigo em grande estilo para a covardia do treinador vascaíno, que ainda não entendeu que ganhar do Flamengo, no Rio, requer mais do que ganhar em campo: tem que fazer margem de gols para superar arbitragens roubadas, conchavos políticos e as tradicionais sujeiras do imundo Cariocão.

Quem coleciona volantes não pode, jamais, superar essa xavecada que impera na Federação Carioca...

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O Vasco do Cego, do Rei e do Caolho

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 04/04/2012 00h03

"Em terra de cego, caolho é rei". Numa noite em que o "rei" Felipe apresentou uma de suas mais pífias e nulas atuações com a camisa do Vasco (show de apatia, desinteresse, quase de chinelinho em campo), o outro Felipe - o "caolho" Bastos - acabou fazendo a diferença. Foram dois gols tão bonitos que a torcida chegou a ter raiva! Não exatamente pelos gols, cuja importância foi fundamental na vitoria que deixou o Vasco em confortável posição na briga pela manutenção da vaga. Mas por terem sido marcados por alguém que, nem com gols assim tão importantes e bonitos, consegue jogar um futebol mínimo que se exige de um armador de time principal.

É cada vez mais impressionante a falta que Juninho faz nesse time. Mas impressiona-me, ainda mais, o estranho clima de salto alto que o Vasco exibe em campo. Felipe, que desde os 30 anos decidiu assumir-se "veterano" e "craque demais" pra correr em campo, tem abusado do direito de acreditar tão somente em seus passes magistrais para decidir as partidas. Seu condicionamento físico parece pior a cada jogo, devido à preguiça com que se exibe.

Não é preguiça. É um salto alto que as mulheres chamam de Luís XV! O mais alto que há!

À frente de Felipe, Diego Souza segue hibernando. Dorme há vários jogos. Nem mesmo a sombra de Carlos Alberto, ao que parece, ainda o incomodou. Se continuar assim, CA19 terá mesmo excelente oportunidade de retomar seu lugar no time, porque Diego Souza está irritando até vascaíno morto que, de lá do além, julga-se mais vibrante, com um corpo inanimado, do que o meia-atacante vascaíno.

Assim, com um futebol de várzea, cansado e preguiçoso, indigno de quem está sangrando numa Libertadores, o Vasco segurou uma vitória parca (pra não dizer "porca") contra o poderosíssimo... quem??? Ah, sim: Alianza de Lima! Temível! Implacável!

Os otimistas e os comprados dirão que "é assim mesmo", "Libertadores é dureza a cada jogo". Eles seguirão otimistas como se o Vasco pudesse atuar numa competição que ele, por já tê-la ganho duas vezes, tem obrigação de saber que não se pode disputar com a desfaçatez com que enfrenta o time do Macaé numa tarde ensolarada de domingo em São Januário.

O treinador Cristóvão, o cego oficial de São Januário, ainda parece ávido por querer ganhar um Oscar de efeitos especiais com suas invenções mirabolantes. Hoje, além de acomodado com a inoperância de Felipe e de Diego Souza, decidiu substituir Feltri por Rodolfo (o terrível!), para ver se as lambanças descabidas de Renato Silva ganhavam mais destaque e davam mais emoção ao jogo, apoiadas pelo amigo zagueiro que entrara.

Sinceramente...

Valeu pela vitoria, pelo dever de casa. Se for para continuar na Libertadores (como a gente quer e como esse time demonstrou hoje não querer), é bom que esqueçam essa partida e nunca mais repitam uma atuação tão esquálida. Como Juninho não jogou, dificilmente alguém vai sair de campo dizendo o que realmente foi essa atuação feia de hoje. Talvez Prass, que é mais adulto, diga o que foi o jogo.

E para coroar em grande estilo uma noite bisonha, um conto de fadas que tem Cego, Caolho e Rei precisava ter... um cavalo! Infelizmente não foi um cavalo de raça. Muito mais longe, ainda, de ser um pônei. O "gladiador" Nilton, talvez inspirado pelo recente oba-oba dos UFCs e MMAs, resolveu assinar com sua letra característica de truculência uma expulsão. Ele deve se orgulhar de sua coleção de cartões vermelhos na parede do quarto.

Para os que curtem a vitoria a qualquer preço, é motivo pra sair na rua e festejar. Porque com Felipe abusando do salto alto, Diego Souza dormindo, Renato Silva escorregando no quiabo, Cristóvão "Bastos" encantado com os gols de Felipe "Borges" (agora, titular pra vida inteira) e Nilton sendo expulso do jeitinho que ele gosta... até que há motivos de sobra pra se comemorar a vitória!

E ainda teve o Rodolfo...

Ufa!

Foi um grande resultado, mesmo!

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Ahhhh... é Edmundoooo!!!

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 29/03/2012 02h43

Edmundo comemorando gol em sua festa de despedida

 

Ele é audacioso, polêmico, irado. Sua alcunha já diz tudo: "Animal". Dentro do panteão vascaíno, é um dos símbolos que a torcida mais associa a fidelidade e amor ao clube.

De quem mais poderia estar falando? "Ah... é Edmundooo"!

O amistoso de despedida do lendário personagem vascaíno lotou São Januário, mobilizou os trends das redes sociais e emocionou os torcedores cruzmaltinos. A mistura nitroglicerinada de paixão à flor da pele e polêmicas nababescas fez desse jogador uma espécie de Heleno de Freitas (aproveitando o gancho do revival desse outro craque) da era contemporânea.

É impressionante como o Vasco pode ostentar, em seu mesmo panteão de ídolos, personagens tão distantes e distintos como Edmundo e Juninho.

Sem qualquer ranço de moralismo gratuito ou lastro de discurso politicamente correto, Edmundo sempre fui um sujeito cuja controvérsia permeou a trajetória. Foi por uma vitória avassaladora contra o principal rival e por uma atuação exuberante na temporada de um campeonato brasileiro que ele sagrou-se eterno nas lembranças vascaínas. Fora isso, as inúmeras oportunidades em que o craque não exitou em reiterar sua paixão pelo Clube da Colina.

A verdade é que Edmundo também protagonizou episódios marcantes como aquele em que, vestindo a camisa rubro-negra, agitou acintosamente os "documentos" para provocar a torcida do Vasco. Coisa que teria feito de qualquer outro mortal um pária no coração dos vascaínos.

Mas o coração dos vascaínos resolveu assumir para si a propriedade de "ter razões que a própria razão desconhece", perdoando a feita e considerando Edmundo acima de quaisquer atitudes animalescas que o impedissem de ter essa identificação tão real com o clube que ele sempre jurou amar.

Edmundo é um ídolo. Um grande ídolo.

E ídolo do futebol é algo que não se explica. É um carisma natural, uma chama, uma paixão que não se justifica tão somente pela excelência do futebol demonstrado, mas sobretudo por um carisma que funde seu DNA ao do próprio clube. E Edmundo tem o DNA do Vasco na pele, no corpo, na alma.

A mim, em particular, não obstante a excelência do futebol que sempre demonstrou (apesar de sua participação naquele elenco rebaixado, história negativa do clube), Edmundo nunca foi um ídolo absoluto. Como essa questão de ídolo é algo particular e muito subjetiva, porque o ídolo faz por nós coisas que nem nós sabemos explicar na hora de justificar a admiração, cada um tem livre arbítrio para escolher os seus dentro do futebol. Particularmente me identifico com ídolos quando eles cumprem alguma (ou todas) essas características: paixão declarada pelo clube, participação em momento histórico ou genialidade. No Vasco, meus maiores ídolos são Roberto Dinamite, Geovani, Romário, Mauro Galvão, Juninho Pernambucano e (alguns se assustam!) Valdir Bigode.

Roberto Dinamite (falo aqui tão somente do jogador) dispensa qualquer justificativa. Ele é, como ídolo vascaíno, "a alma do negócio". Ponto final. Geovani foi o primeiro jogador vascaíno que coincidiu com meus anseios de torcedor de ir a São Januário ver um talento descomunal em campo. Romário é gênio, e gênio conquista sem muito o que justificar. Mauro Galvão é o Capitão do Centenário, uma das pessoas mais extraordinariamente privilegiadas de caráter que conheci na vida. Juninho Pernambucano eternizou-se naquele gol monumental e em tantos exemplos de fidelidade e amor ao Vasco. E Valdir Bigode... bom, eu juro a vocês que, naquele tri carioca inédito do Vasco, esse menino que um dia foi implorar em São Januario que o Vasco o contratasse para não atuar pelo Flamengo deu-me as tardes mais festivas de Maracanã da minha juventude! Com ele em campo, era chuva - eu disse chuva! - de gols! Nem Fla, nem Flu, nem Bota: vá ao YouTube ver quantos gols por partida ele metia em cada um desses adversários. Adorava e admiro até hoje!

Então, ídolo é isso. Subjetivo. Ninguém tem o direito de questionar, porque cada um é marcado, na vida, por uma referência diferente.

Aquele árduo episódio do acidente envolvendo Edmundo, a "balangada de pinto" para a torcida do Vasco, o pênalti que nos tirou do Mundial e alguns outros fatos, a mim, em particular, nunca me deixaram tê-lo por ídolo.

Mas não me ataquem nem me apedrejem: tenho a humildade de reconhecer que ele marcou os corações vascaínos. Até porque minha mãe, a Dona Glória que me ensinou a amar o  Vasco, é fã inveterada do Animal. Eu respeito e consinto. Embora tenha lá minhas exigências e implicâncias, as quais deixo transparecer ao leitor amigo.

Enfim, a lavada de 9x1 com dois gols do eterno mito vascaíno foi uma bela e justa despedida festiva para o grande ídolo das arquibancadas.

Esperamos, agora, por uma homenagem semelhante a outro grande herói e "queridinho" da torcida, esse um xodó meu também: o nosso bravo Pedrinho.

Feliz a torcida que tem tantos motivos para comemorar e festejar ídolos. Sabendo-se que o ato de admirar é livre, independente e subjetivo, cada um tem os seus objetos de culto.

E o Vasco tem todos!

Porque, sendo "o time do amor", só podia mesmo proporcionar afetividades dessa grandeza.

Então, meu respeito e meu carinho aos torcedores vascaínos que cultivam essa paixão por Edmundo!

E um "bravo" para a noite de despedida do inesquecível "Animal"!

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Que dizer sobre a volta de Carlos Alberto?

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 27/03/2012 17h01

Carlos Alberto de volta ao Vasco

 A volta de Carlos Alberto é um lugar comum para quem escreve sobre o Vasco. Não dá pra fingir que não é assunto, porque é. Não dá pra contornar a opinião, porque ela é requerida. Não dá mesmo pra fugir dessa raia!

Se dissermos que dará certo, nos chamarão de tolos / ingênuos. Se dissermos que é uma furada, nos chamarão de pessimistas. Tem viés por todos os lados. Coloca todo comentarista contra a parede. Confunde torcedores, provoca dissensões, contraria a muitos, empolga a outros tantos, cria polêmica entre outros, gera debates, requer esclarecimentos...

Ufa!!! Como dá trabalho essa volta do CA ao Vasco!

E dá mesmo!

É bom que se diga: Carlos Alberto não é reforço! Não foi disputado, não tinha mercado, não é importante na conjuntura do futebol atual. Ninguém quis, e quem também não o quer acabou obrigado a ficar com ele. É bom que se leia nas entrelinhas: as "conversas preliminares", os "encontros furtivos", os "amistosos" entre dirigentes vascaínos e o jogador nada mais foram do que uma tentativa de dar tempo ao tempo para que alguém aceitasse carregar o que o Vasco não queria. Alguém tem dúvida disso? Acho que não, né? É ponto passivo de discussão!

É bom que se diga algo mais: Carlos Alberto não é um filho pródigo! Ele não voltou ao Vasco severamente arrependido. Não voltou ao clube fazendo as antigas declarações de amor à torcida nem declarando publicamente seu "arrependimento" por ter discutido asperamente com o presidente do clube no passado. Pelo menos não fez isso no tempo devido. Se o fez, foi somente após o veredito de que ficaria, como forma de amenizar o clima e a tensão local. Então não se trata de um arrependimento clássico, de um réu confesso... nada disso. O silencio dele atesta que ele pensa como o clube: essa estadia é fruto da falta de mercado e olhe lá! Ninguém queria ninguém! Outro ponto passivo de discussão.

O único aspecto motivacional que Carlos Alberto tem para tentar reverter o mau momento tem vindo dos colegas jogadores. Que muito provavelmente, dada a natureza desse elenco do Vasco, têm verdadeiro horror aos atos e facetas que outrora o baniram do clube. Certamente os jogadores sabem que CA não tem o perfil do atual elenco vascaíno. Não a julgar pela forma estranha com que saiu dos dois últimos clubes. Mas é esse mesmo elenco que resolveu dar uma injeção de ânimo no sujeito, numa espécie de corporativismo profissional, tentando dar o ultimo empurrão possível para que um jovem talento não se desperdice em definitivo.

Parece que cada um dos jogadores que "apóiam" a volta de Carlos Alberto está mandando uma mensagem filantrópica, mas o que eu vejo mais a fundo é que eles estão mandando um outro tipo de recado. Quando dizem: "Acreditamos que ele venha para jogar um bom futebol", é quase uma indireta para que ele se toque e diga a que vem. Quando dizem: "Ele vai dar a volta por cima", praticamente insinuam que o Vasco o está dando a ultima oportunidade de se mancar. Enfim, essa gentileza aristocrática e esse humanismo dos companheiros com relação a Carlos Alberto são formas indiretas de se deixar claro como o jogador deve se posicionar neste retorno súbito ao Vasco.

Então, se todos concordam com as minhas observações, temos três pontos destacados: Carlos Alberto não veio como um reforço, Carlos Alberto não é um filho pródigo e Carlos Alberto não tem esse alardeado prestígio com o elenco, não.

Calma! Que pessimista ou crítico ferrenho, que nada! É apenas uma construção de raciocínio lógico.

Pode ser que ele faça uma grande reversão de sentido nessa trama. Que reforce consideravelmente o time, que sinta um real arrependimento ao constatar o espaço de ídolo que tinha no Vasco e só agora pôde recuperar e, assim, acabe por conquistar a confiança dos companheiros de clube.

Mas é bom o torcedor ficar de orelha em pé.

A bem da verdade, na matemática fria de hoje, os números da equação Carlos Alberto são confusos e constituem um intrincado quebra-cabeças para quem tenta, de chapa, dar uma opinião a respeito de sua volta.

Qualquer análise agora será mero prognóstico. De saída, no entanto, uma coisa ficou bastante clara: foi um retorno que, de todas as formas, todos tentaram evitar!

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Ode ao Chico Anysio do Brasil

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 23/03/2012 16h11

Partiu o Velho Chico!

O rio de humor, seus afluentes de talento sem igual, multiplicados em personagens com todos os rostos e todos os gostos deste imensurável Brasil, partiu.

Partiu o Velho Chico!

Deixou a nós, como moeda de troca, os olhos marejados de tristeza em lugar da boca escancarada do riso; o peito arfante de saudade em lugar da gargalhada fácil de felicidade.

Tu que, sendo único, foste tantos; tão plural e singular, múltiplo e incomparável, levaste contigo um pouco do já tão raro sorriso brasileiro do povo doído e maltratado.

Tu que habitaste a nossa casa, a servir-nos tão refinado banquete de humor requintado, jantando conosco, enriquecendo as nossas ceias com teus sabores de alegria, ironia fina, com temperos de denúncia e crítica social, corrigindo, na tua dramaturgia, o silêncio ante as injustiças de nosso país.

Foste nossa boca nas muitas falas, nosso rosto nas muitas faces, nossa gente nos muitos tipos engendrados e articulados para darem alento ao povo, levantarem o clamor da multidão que, a ti sorrindo, enxugava as lágrimas do sofrimento cotidiano.

Foste bandeira do Vasco, paixão cruzmaltina, faixa atravessada no peito, cruz de malta encarnada no coração, brado feérico de torcida, multiplicidade de raças, credos e níveis sociais. Foste São Januário lotado, alegria e prazer da torcida, foste Colina Histórica a rir e a fazer rirem os aficcionados pelo grito de gol. Foste Almirante, Gigante e Machão da Colina..."Casaca! Casaca! O Chico é da Fuzarca!"

Hoje, uma nação te reverencia, um país se põe de pé para aplaudir seu gênio, seu astro, seu fulgurante e iluminado Chico Rei da comédia, Velho Chico dos rios de tipos, a embarcar para sempre para uma Chico City imaginária onde seu talento eterno e sua preciosa singularidade ficarão para sempre resguardados sob o zelo do Criador.

A ti, Chico Total, jamais vestiremos luto! Por ti, Chico Anysio, vestiremos para sempre alegria!

Um dia disseste: "No humor, somos todos insubstituíveis". No humor e na vida, nas casas e nos estádios, nas ruas e nos palcos...inesquecível, para sempre, tu serás!

Nenhum de nos admitiria que foste embora...

Sorria...sorria, meu povo! Sorria...Chico Rei chegou!

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E o que era ruim ficou bom

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 22/03/2012 01h22

Doce é o sabor da vitória! Doce é o reencontro com o placar favorável, com o resultado certo, com a sensação de dever cumprido!

Cristóvão não precisou ser brilhante nem genial: bastou pensar com o coração e a cabeça da torcida para, escalando e pensando o time da maneira certa, dar uma cor e um tom mais autênticos ao time. Resultado: Vasco 2x0 classificado.

Convenhamos: a escalação de três atacantes, dois deles enviesados pela ponta, e dois laterais abertos lançados ao ataque, não é nada o "Cristóvão’s Way of Life". Não é mesmo! E isso tudo é tão "não-Cristóvão" que o próprio técnico, ao optar por essa escalação, defendeu-se dizendo que o time "nunca treinou assim", tendo assimilado apenas "na conversa" o esquema tático adotado. O que aconteceu, na verdade, é que o treinador, já sem Diego Souza (suspenso), decidiu seguir a voz da torcida, apelando para um time sem sua coleção de volantes, mais empenhado nas forças de ataque, buscando um resultado em casa.

Se não foi melhor no primeiro tempo, foi por duas questões. O esperto time do Paraguai tinha uma presença de marcação que praticamente inutilizou as investidas pelas pontas. E Felipe, que deveria ser o cérebro do time, demonstrou (mais uma vez) uma espantosa improdutividade. Muito marcado e parecendo sem tempo de bola nas divididas e nos passes, passava longe do maestro que a torcida acostumou-se a admirar.

Veio o segundo tempo e Cristóvão pareceu mais inspirado que o de costume. Tirou um Éder Luís cansado e um Eduardo Costa que até ia bem para colocar o Reizinho da Colina e o versátil e arisco Allan. O meio campo passou a dominar o jogo, as ações ofensivas surgiram e Juninho fez belo gol em chute cruzado, após cobrança de escanteio. AlecGol também deixou o dele e jogou beijos para a arquibancada: foi noite de reencontro do Vasco com seu futebol bem jogado, vencedor e alentador da torcida.

Ainda bem que o futebol é um esporte de redenções. Nele, uma noite é suficiente para apagar outra, um jogo é suficiente para apagar outro, um resultado é suficiente para apagar outro também.

A meu ver, os méritos e deméritos que o Vasco tem continuam os mesmos. Muito mais méritos que deméritos quando seu treinador resolve pensar simples e executar fácil. E olha que hoje, na verdade, ele até foi além do esperado: teve boa visão do jogo no segundo tempo e mexeu direitinho. Justiça seja feita: isso é raro, mas é fato e merece ser citado. Eduardo Costa é melhor do que Nilton, Rômulo é melhor que Felipe Bastos.

E Cristóvão, quando pensa como todo mundo, simplesmente pensa. E, como é a falta de raciocínio dele que sempre atravanca o time, basta pensar um bocadinho para tudo no Vasco funcionar. E tudo o que antes estava ruim, acabar ficando bom!

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Qual o problema de se falar a verdade?

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 18/03/2012 21h40

O ano de Libertadores é sempre um ano atípico. Os clubes ficam divididos, ao priorizarem a disputa continental, entre jogar ou não com time misto na suruba futebolística que são os campeonatos regionais (onde todo mundo se cruza e ninguém arruma nada de bom).

Este ano, porém, estamos com novo recurso. Time que joga mal sai-se com a desculpa de que era "mistão". Mesmo quando tem um ou dois desfalques.

Caso do Vasco, hoje, neste jogo horroroso contra o Botafogo.

Jogou o Vasco com Eder Luis, Diego Souza, Juninho e Fagner. Estava sem Alecsandro, mas esse não é reforço. Porque "poupou" Felipe e estava sem Dedé, considerava-se "mistão". Não existe mais provisão de elenco, trabalho de substituição, desenho tático com peça substituta... nada disso! Fica-se só na conversa fiada que tente maquiar a incompetência cada vez mais gritante de quem não tem técnico mas também não tem pulso nem coragem para admitir e fazer alguma coisa.

Esta semana, Juninho foi poupado da Libertadores para jogar hoje e Felipe foi poupado hoje porque jogou na quarta. E ambos jogaram abaixo da crítica. Pois bem: não é justo que a gente tenha força na língua para criticar jogador menos cotado e fique fazendo mariola ou arroz doce na hora de criticar os medalhões, heróis e mitos do time.

Justiça seja feita: as duas últimas partidas do maestro e do Reizinho foram ridículas. Juninho perdeu até pênalti hoje! Eu sei que tem gente que apela para o Código de Defesa do Consumidor, para as Sagradas Escrituras e até mesmo para o Manual de instruções da Geladeira Brastemp para afirmar que não se pode criticar grandes ídolos. O mínimo que se pode fazer, a meu ver, é dizer sempre a verdade.

Ano passado eu escrevi, em algumas colunas, que temia por um ano de Libertadores em que dois jogadores cansados pela idade fossem a espinha dorsal do time. Ao que parece, pelas atuações e pelas reclamações, estamos fragilizados no talento que sobra nos dois, porque a parte física não está resistindo. O Vasco cambaleia e vem sendo armado por outros jogadores.

É aí que mora o perigo. Se ao menos tivéssemos um treinador capaz, competente, o time poderia manter um esquema tático que, fazendo bom uso de outros jogadores com características semelhantes, desse padrão de jogo à equipe para resistir a esse desgaste. O caso é que o "efeito-interino" de Cristóvão está gasto desde meados do ano passado. Foi custoso para os otimistas admitir, até porque o time jogava apoiado numa vibração excessiva do elenco, disposto a "levantar" Ricardo Gomes do leito. Hoje, com Ricardo (graças a Deus) bem, o elenco está jogando como um elenco, não mais como um grupo de gladiadores.

E é neste momento que o desgaste das principais peças técnicas (Juninho e Felipe cansados, Eder Luís voltando de contusão, Diego Souza parecendo esconder alguma pré-contusão com suas atuações de quem se poupa em campo a cada jogo) e a insuficiência intelectual do treinador estão começando a derrubar o Vasco.

A derrota de hoje, num jogo em que Fellype Gabriel fez três gols (putz!) foi um repeteco da patetice da decisão da Taça Guanabara e do empate tosco contra o Libertad do Paraguai. Mais uma vez a torcida observou um time sem plano tático, um treinador atado por si mesmo, incapaz de pensar rápido e fazer mexidas no time que consertem o que está errado.

Atribuir as derrotas tão somente às falhas individuais de Douglas e do temível Rodolfo é muito pouco! Douglas é mesmo inexperiente, mas Rodolfo ainda não disputou um jogo sequer em que não tenha entregue o ouro. Ele falha e erra sempre, dá gols sempre, está sempre mal posicionado e mal condicionado. Tudo de ruim que um jogador possa apresentar ele apresenta sempre. O treinador, no entanto, insiste no erro. Não sendo capaz de organizar a defesa com um posicionamento correto (a defesa do Vasco é o Dedé, não é nenhuma outra coisa além disso), Cristóvão deixa correr solta uma ameaça como Rodolfo, escalado sempre que pode. Quando Rodolfo erra (e erra sempre), todo mundo lava as mãos... como se o zagueiro tivesse entrado sozinho, pego uma camisa lá na lavanderia de São Januário, invadido o campo e ninguém o tivesse contratado ou escalado.

Engraçado, não? Até nisso imperam a omissão e a covardia!

Qual é o problema, minha gente? Todo mundo critica Luxemburgo, todo mundo critica Parreira, todo mundo critica Felipão, todo mundo critica Muricy... que medo é esse de criticar Cristóvão? Que protecionismo bobo é esse? Que necessidade é essa de acobertar as falhas e a incompetência do treinador vascaíno, como se o clube fosse uma ONG a proteger e jamais dispensar quem não lhe serve a contento? Por que o Vasco tem que ser menor do que seu treinador?

Deixaram morrer um menino desnutrido e sem médico dentro do clube, e agora o discurso é humanista:"preservar o técnico", mesmo percebendo que está tudo errado? Será que o planejamento do Vasco é tão ruim e tão teimoso ou arrogante ao ponto de acreditar mesmo que a Libertadores e o Mundial de Clube podem ser disputados por um treinador de baixo quilate, com erros claros a cada rodada? Estamos menosprezando as competições e superestimando o quê? A nossa camisa? Só pode, porque não acredito que alguém possa superestimar - me desculpem - o técnico que hoje tem o Vasco.

A meu ver, falta coragem. Coragem de admitir que disputa de Libertadores não pode ter veteranos como protagonistas nem principiantes como comandantes. Veja bem: eu disse como PROTAGONISTAS! Não disse no elenco. Que fique bem claro, porque a moda é distorcer o que se diz.

Se sentamos diante dos jogos do Vasco para assistirmos às falhas individuais que nos derrubam dos jogos, é sinal de que os protagonistas não estão se destacando mais do que os maus coadjuvantes. E quem deveria consertar isso... o que tem feito?

Então, a meu ver, está muito ruim e muito errado.

Eu disse isso e ainda acho: o Vasco não tem elenco ruim para passar esses esbregues que tem passado. É mal dirigido, mal escalado e as mexidas são sempre estupidamente equivocadas.

Estamos em plena disputa de Libertadores com uma linha de raciocínio de quem disputa uma Copa do Brasil! Como ganhamos aquela (e que sofrimento desnecessário naquela decisão, lembram?), achamos que, agora, vamos ganhar de novo.

Peço a Deus que o Vasco não esteja inaugurando uma nova edição da arrogância e da autossuficiência que julgávamos todos estar sepultada na história do clube.

Mas a impressão que tenho é de que todo mundo se acha certo, acha que tudo está certo e que nada precisa mudar.

Ahã.

Tá bom.

Botafogo 3 x 1 Vasco. Três gols de Felype Gabriel. Rodolfo sai chorando de campo, porque um mau líder expõe seus comandados.

É... tá normal, né???

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Fraco o treinador. Isto sim!

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 15/03/2012 00h23

O natural de uma equipe de futebol é que o seu treinador tenha a função de comandar e organizar o time.

No caso do Vasco, é um pouco diferente.

O treinador (?) do Vasco parece ter como maior característica desfazer, estragar e confundir o que seu elenco está fazendo. Ele faz opções equivocadas, troca peças erradas, enxerga o jogo diferente, mexe com critérios que nem o mais alucinógeno dos mortais consegue compreender. Chega a irritar até quem está em campo. Que o digam Juninho, Felipe e, hoje, até Alecsandro!

Esse choro bobo do Felipe, calcado nas lamúrias do Cristóvão de que o juiz é "amigo" do presidente da Comenbol e do Libertad, soa tão ridículo quanto a atuação dos dois. De boca calada, fazendo o que deles se esperaria, teriam sido mais produtivos do que nesse comentário que terceiriza uma culpa maior: o treinador fez tudo errado o jogo inteiro e Felipe, que tanto pleiteou sua vaga, não jogou absolutamente nada.

Apesar disso, o Vasco começou bem, ia bem, teve um adversário muito fraco e deveria ter vencido fácil esse jogo de hoje. Não o fez porque Cristóvão, confirmando seu saldo virado e a negação de todas expectativas a seu respeito (ou seja, ele não é um técnico à altura do clube), fez de tudo para estragar o jogo.

E estragou! Méritos pela assertividade!

Barbio corria como louco e, ao olhar para seu parceiro de ataque, via Alecsandro praticamente ao lado do Prass, de tão atrasado, lento e arrastado em campo. Em vez de mexer com a lógica óbvia da entrada de Éder Luís, o comandande (?) vascaíno preferiu, na expulsão de Diego Souza, colocar Rodolfo, um de seus três "xodós-entrega-jogo" em campo (os outros dois são Felipe Bastos e Diego Rosa, hoje ausentes).

A gente entende a carência de Cristóvão. Triste e saudoso da presença de Rosa e Bastos, ele achou-se - coitadinho! - no direito de escalar Rodolfo para, poucos minutos após sua entrada, falhar grosseiramente e ceder o empate ao time paraguaio. Ora, não podemos acreditar que Rodolfo pudesse entrar com outra função que não fosse essa, a de entregar (pela terceira vez, é isso?) um gol limpo para o adversário.

Sem saber mexer no time (o que é uma temeridade para quem escolheu essa profissão), Cristóvão seguiu com mexidas sem sentido tático, mantendo Felipe cansado em campo, Alecsandro mórbido (tentando passes de calcanhar... logo quem!!!) e terminou o jogo com seu sonho de consumo: um meio campo com três volantes dentro de campo!

A pressão do fraco time paraguaio só não resultou em virada por isto: porque é realmente fraco o time paraguaio! O Vasco não. Não é um time fraco. Tem bons jogadores titulares, alguns acima da média, e um grupo de reserva. Nem sempre tão qualificado, mas sempre capaz de alguma provisão.

O problema é que não adianta colocar um bom grupo, alguns jogadores acima da média e outros de menor quilate na mão de quem não entende do riscado. Já vimos Felipe, Juninho e hoje Alecsandro perderem as estribeiras com a passividade e o mau raciocínio do comandante, ao ponto de gritar com ele da beira do gramado.

Vai chegar uma hora em que Diego Rosa, Felipe Bastos e Rodolfo vão reclamar também. Mais que isso: vão dizer pra ele que não entrarão em campo porque se recusam a estragar o time, seguindo a recomendação de quem os escala. Será uma greve dos queridinhos do treinador.

Nesse dia, Cristóvão vai ficar tão triste, mas tão triste, que é capaz de pedir as contas e suplicar ao presidente vascaíno para voltar a ser interino.

Se ele não fizer isso, o presidente vai levar pelo menos uns 600 anos para enxergar a realidade...

Fraco não é o time do Vasco. Fraco é o seu treinador. Em vez de chorar a arbitragem do Brasileirão e a da Comenbol, o treinador deveria fazer bom uso de seu elenco e das variedades táticas disponíveis para ganhar seus jogos. Se acha-se passível de roubo, que procure a vantagem em saldo de gols, dificultando a maracutaia que julga haver.

Não acho que esse tenha sido um bom resultado para o Vasco. Rifou a vitória. Seu treinador, perdido, está até agora sem saber o que fez e o que deveria ter feito.

Ainda bem que esta coluna não é uma coluna genérica. É, de fato, uma coluna vascaína. Que não precisa ter arremedos de opinião nem tutelas pessoais para fingir que não pode dizer o que precisa ser dito: esse técnico é fraco e, além de não ter atitude para organizar o time que tem nas mãos, pode acarretar algo pior - complicar a organização que o elenco, sozinho, tenta dar à equipe.

Tô fora da moda! A moda é dizer que "a bola pune" e que "não se joga fora o trabalho feito até aqui". A bola é um objeto inanimado: quem nos pune é o mau jogador. Ou os maus treinadores que poluem sua evolução nos gramados! E o "trabalho feito até aqui" já começa a soar enganoso e falho, devendo ser creditado a outro que não seja o mesmo comandante que, a olhos vistos, perde-se e põe o time a perder!

Reparem que todo jogo tem um jogador gritando e corrigindo o que o treinador do Vasco faz.

Fraco, o time do Vasco? Não, de jeito nenhum!

Fraco é seu treinador. Isto sim!

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Hoje é dia de Libertadores!!!

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 14/03/2012 12h09

Hoje é dia de Libertadores! É dia do Vasco, mais uma vez, superar expectativas e enfrentar um adversário fora de casa, numa dessas partidas desafiadoras da competição continental.

Jogar fora pela Libertadores é sempre enfrentar um caldeirão. A entidade que administra as competições sul-americanas nunca conseguiu demonstrar um mínimo de capacidade para conter os lugares onde torcidas lançam coisas ao campo, fazem buzinaço nos hotéis de seus adversários, atacam e pressionam árbitros nos 90 minuots de disputa... enfim, é realmente uma guerra.

Se existe um lugar comum na história das disputas pela Libertadores da América é realmente a marca da baderna e da ameaça à integridade física. O que é uma pena, porque o futebol deveria gabar-se menos de tantas proezas quanto à inclusão social e consolidar mais efetivamente um mínimo de organização e segurança para jogadores, torcedores e afins.

E por que eu começo esta coluna falando da baderna que é disputar uma guerra de Libertadores?

Porque o adversário é fraco, não tem expressão, muito embora se diga por aí (eu não acredito) que ninguém mais é bobo no futebol de hoje.

É, sim.

Pior: às vezes, o time grande é bobo!

Se eu, que nunca entrei num gramado para disputar uma Libertadores, sei que a guerra é de foice, que o cabresto enviesa, que o touro é brabo, é inadmissível que os jogadores do Vasco vão para essa partida como se estivessem jogando (com todo o respeito) contra o Olaria na Rua Bariri. Não é possível que Cristóvão se ache no direito de fazer suas loucuras táticas de invencionice. O Vasco não pode enfrentar as adversidades da Libertadores como enfrentou, ano passado, a irracionalidade das arbitragens do Brasileirão: reclamando, reclamando, mas, na prática, não entrando em campo com o sentido de subverter, dentro do jogo, as arapucas que andam fora dele.

A meu ver, arrancar os três pontos lá dentro, hoje, deve ser uma meta, sim. Nada de empate. Derrota, muito menos. Nem pensar! Mais do que vencer, o time precisa se autoafirmar, mostrar que está forte na competição e na temporada. Não pode se deixar abater por adversário pequeno, e tem que sair para esse jogo com a cabeça fria e o corpo quente: ciente de que está em clima de guerra, hostilidade, recanto inimigo.

O Vasco precisa, pouco a pouco, eliminar esse pensamento lento que herdou da atual diretoria: só conseguir enxergar as dificuldades quando já está na beira do precipício. Não espero esse raciocínio da mente limitada de Cristóvão, mas que Felipe e Juninho (jogando ou não) possam dar esse toque de malícia, de "rumo da prosa", acertando os passos e os ponteiros para uma grande vitória. Sem a acomodação teórica de que "todo adversário é difícil", "nenhum adversário é bobo" e outras conversas que, muitas vezes, ficam numa teoria póstuma, quando já não adianta nada reconhecer isso sem ter feito alguma coisa para mudar a situação.

É 11 contra 11, é Vasco Tricampeão Sul-americano contra um adversário menor, é desafio Libertadores... é hoje, e o pensamento tem que ser este: entrar pra ganhar!!!

Vamos que vamos, meu Vascão!!!

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Entre os cerebrais e os tropeços

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 11/03/2012 19h25

Venceu bem o time misto do Vasco ao Madureira, 3x0, em São Januário. E jogo de time misto não é para ser comentado como se fosse time principal. Não se pode exigir tanto quanto.

Em linhas gerais, também não se pode aborrecer com um time misto quando ele, em campo, tenta suprir o principal.

É que, no caso do Vasco, Cristóvão sempre se esforça para ser diferente. Seu time reserva de hoje, por exemplo, tinha o jogador-fetiche Felipe Bastos (que errou absolutamente tudo até acertar um gol que forçadamente o fará mais intocável), uma dupla de zaga afobada feito fugitivo de incêndio e um Diego Souza que, a despeito de seguir jogando fora de posição, parece gordo e não se esforça minimamente para participar de jogadas. Aos 44 do segundo tempo houve um lance digno de registro: todo o ataque do Vasco na área, pressão de ataque, e Diego Souza, na lateral do campo, caminha para trás, indiferente à jogada.

Ainda bem que o Vasco tem Juninho. Com futebol de garoto, garra de garoto. E esse talento que poucos garotos têm. Mais que isso: paixão confessa pela camisa que veste. Não apenas no discurso, ou na ponta da língua, mas sobretudo no bico das chuteiras.

E na cabeça, também. Pois foi de cabeça que marcou, com classe e elegância, o gol de abertura da goleada. A seguir, auxiliado por um Abelairas que mostrou muita categoria e uma promissora opção de armação de jogadas, Juninho foi o fio condutor da vitória construída no segundo tempo. Apesar de Cristóvão continuar batalhando espaço para sua coleção de volantes, obsessão narcísica de quem parece obstinado em querer se eternizar em campo escalando gente que joga em sua posição.

Saiu-se bem o Vasco da empreitada. Mas a gente continua vendo que o comando tático da equipe depende de uma camisa lançada a um jogador que, por si só, posicione todo mundo, dite o jogo, crie as opções. Taticamente elas inexistem.

Não é difícil para um Juninho, para um Felipe (que não seja Bastos, claro) e - quem sabe? - para um Abelairas fazer esse papel cerebral no time.

Tudo vai depender, sempre, desses cerebrais driblarem os obstáculos criados pelo próprio treinador para atrapalhar o que eles sabem fazer de melhor!

Ressalva também para o golaço de Allan.

E vamos esperar que os cerebrais não sejam atrapalhados pelos tropeços no jogo da Libertadores que vem aí...

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Franck Assunção: o que eu acho

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 09/03/2012 19h45

O futebol brasileiro tem suas extravagâncias. O topete de Neymar, as tranças coloridas do Wagner Love, a pança do Adriano, o torso mal amarrado do Ronaldinho, as obras da Copa, a antipatia gratuita do senhor Teixeira, o chicletinho canto-de-boca do Abel, a tosquice idiomática do Joel.

Coube ao Vasco da Gama acrescentar, de repente, mais uma. Tem nome e sobrenome. Franck Assunção. Tão rápido quanto se some com um jogador júnior em São Januário (seja por venda, seja por morte mal explicada), um piscar de olhos nos reserva surpresas no clube.

Não sei se ele vem como benfeitor, não sei se terá um salário astronômico (meu chute é que sim), não sei se ele vai ou racha. O que eu acho estranho é: como descobrem? Quem indica? Para que finalidade?

Numa entrevista mais enigmática do que a cabala, o dirigente Mandarino tentou explicar a razão de sua contratação. No pouco que se entendeu do "mandarinês", uma coisa saltou-me aos olhos: o rapazinho, além de metrossexual convicto, tem forte trâmite em negociações com clubes europeus.

Cale a minha boca quem puder, mas, considerando a perspectiva atual, tá mais pra terem encontrado um exportador de jovens talentos do Vasco do que para alguém que nos viabilize o Messi ou o Cristiano Ronaldo.

A minha opinião é que essa gestão do Vasco, de repente, ficou visivelmente atrapalhada, buscando umas soluções que me parecem mais políticas do que estratégias. Pra mim, enquanto torcedor, parar tudo para apresentar um sósia do Johnny Depp pareceu muito menos importante do que tapar o ralo que escoa os talentos de nossa divisão de base, gerenciar o mau uso desses meninos no time principal, contratar um médico pra evitar que outros morram...será que o Franck (assim mesmo, com esse também exótico CK de Calvin Klein no meio do nome) vai dar conta disso?

Eu ia perguntar ao Mandarino, mas acho que viria nova resposta difícil de se entender...

Aquela "síndrome do gestor de futebol" que eu descrevi por aqui colunas atrás certamente fará com que alguns afoitos enxerguem no Franck Aguiar...quer dizer, Assunção...um novo ídolo a la Rodrigo Caetano. Vai começar uma disputa de homens-cinza para se declararem amigos, admiradores, mais chegados etc.

Você, torcedor isento, fique, como eu, de butuca, só apreciando o nível de promoção pessoal de que muitos vão lançar mão para se fazerem próximos ao Frank Sinatra...quer dizer, Franck Assunção.

Para um clube que sempre admite "pés no chão" nas aquisições, achei estranho mostrar tanto interesse num profissional cuja faixa de atuação seja algo do tipo "negócios internacionais". A minha pergunta em bom português claro é esta: Seria para comprar o Beckham...ou para vender o Dedé mais depressa??? Seria para tapar o ralo onde escoam os nossos meninos...ou instalar uma possante rede de esgotos para vomitá-los de vez pra fora do clube???

E esses sorrisinhos de satisfação, incenso de coletiva de imprensa e oba-oba dos tradicionais abanadores de brasa de churrasco me deixam ainda mais desconfiado.

Dizer "sim" pra tudo dá torcicolo no pescoço. Transforma ser humano em marionete. Desculpem, ainda sou um apologista ferrenho da reflexão.

Aqui é pra eu dizer o que acho, né? Não acho! Estou que nem o Cristóvão: mais perdido que cego em tiroteio...

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