Ensaio técnico ganha Carnaval?

Redação SRZD | José Carlos Netto | 16/02/2012 13h05

Perguntar não ofende, diz o conhecido dito popular. Então vamos lá:
Ensaio técnico, ganha Carnaval?

Para a maioria dos presidentes e carnavalescos, se não ganha pelo menos ajuda. Ocorre que muitas das vezes isso nem acontece.

Esse lance de ensaio técnico de tanto virar mania para determinadas escolas, acabou se estendendo para os casais de MS e PB, bateria, baianas e até manjadas rainhas de bateria.

É raro o dia ou á noite, como queiram que não se encontre gente ensaiando na Sapucaí.  

A concorrência é tanta que muitas das vezes pode-se observar de três quatro, ou mais, casais ensaiando ao longo da daquela sinuosa pista.

Mas, quando, por ocasião do desfile para o concurso oficial, essa ou aquela escola, bem como esse ou aquele casal de MP e PB, assim como também baterias, fracassam então a minha mente vagueia.  

Fico pensando na célebre máxima nos legada pelo saudoso craque de bola Didi Folha Seca (Valdir Pereira).

Treino é treino e jogo é jogo.

Aqui. No nosso caso, bem que poderia ser: "ensaio técnico é uma coisa e desfile é outra coisa".    

Risco tudo em função da zona que virou esse lance de ensaio técnico.

De princípio mais parecia que realmente as escolas iam para o Sambódromo com a finalidade de realizar um ensaio técnico.

Atualmente isso já não acontece mais. Os ensaios técnicos, em minha opinião, já não cumprem mais a finalidade para que fossem criados.

Na atualidade o que vemos em plena Sapucaí? Vemos apenas poucas algumas escolas preocupadas em acertar suas linhas para a grande parada de domingo e segunda - feira gorda da folia.

Umas e outras vão apenas para gastar dinheiro. Para encarar um desfile de ensaio técnico cada agremiação consome cerca de 40 a 60 mil contos de reais.

Além de gastar todo esse carvão, ainda existe a exibição de popozudas e certos figurões da escola.

As escolas, em sua maioria vão para a avenida simplesmente fazer uma espécie de turismo de samba.

E o mais estranho: a pista, que deveria apenas para o ensaio, fica tomada por bicões de todos os tipos e uma fauna de todas as espécies.

E as escolas exibem belas mulheres, todas seminuas ou apresenta bonitas camisas alusivas aos enredos.

De ensaio técnico, que seria o ideal para cada agremiação, pouca coisa ou quase nada se vê.

Se realmente fosse um ensaio-técnico, o Diretor de Bateria ousaria parar sua bateria no momento que notasse uma batida errada desse ou daquele ritmista.

O Diretor de Harmonia daria uma ordem e pararia o ensaio no momento que sentisse o samba atravessado.

Bem como o mestre-sala tentaria acertar aquele passo dado errado quando tentava uma pirueta mais ousada.

Ou ainda quando o cavaco puxasse um tom diferente daquele do ideal e combinado e ensaiado antes como os puxadores.

Tais deslizes são comuns nesses ensaios técnicos se e ninguém apresenta para estancá-los.

Que tipo de ensaio técnico então é esse?

O que se vê é todo mundo saindo da avenida achando que sua escola foi maravilhosa no ensaio técnico.

Quando na verdade mostrou falhas e erros homéricos e que ninguém, nem mesmo o presidente se apresentou com coragem para corrigir.

E o que pior: cada escola arrasta multidões gente encamisadas.

Na frente, no meio e atrás. É gente que não acaba nunca.  Gente, que em sua maioria, nem mesmo nem vai desfilar no "dia do pega pra capar"

Lembro que os atuais ensaios técnicos foram criados pelo Diretor de Carnaval da LIESA, o mangueirense Elmo José dos Santos, o filho do saudoso Seu Tinguinha da Mangueira.

Como o JCN é um saudosista sacramentado, peço licença e informo, principalmente, aos comunicadores de samba mais açodados, que ensaio técnico já se fazia no samba desde na década de 50.

E foi a Mangueira a pioneira. O saudoso Roberto Paulino, quando presidente da escola botou na cabeça no então Diretor de Harmonia, o também saudoso Mestre Xangô, que a verde - e - rosa deveria chegar melhor preparada no desfile.  

Na boa linguagem do samba com o seu dever de casa pronto.

Bolou então o Roberto Paulino um ensaio que começava lá dentro do famoso Buraco Quente (Travessa Saião Lobato) e terminava ao longo na Visconde de Niterói.

A coisa era tão a séria que eram colocados improvisados palanques nos quais o Roberto Paulino colocava gente de sua inteira confiança para julgar a escola.  

Já a nossa querida Portela fazia seus acertos técnicos no dia justamente do seu ensaio geral, que eram realizados em pleno gramado do campo do Madureira E. C. na Rua Conselheiro Galvão.

Num único ensaio, Manacéia e Valdir 59 - Diretores de Harmonia - pressionados pela mania de perfeição do velho Natal da Portela, faziam os acertos em todos os setores da escola de Osvaldo Cruz.

Também era essa a preocupação do saudoso Mestre Fuleiro quando formava o Império Serrano na então na quadra, que antes abrigava o Mercadão de Madureira.

E o mesmo fazia a dupla Calça Larga e Djalma Sabiá na acanhada quadra do Acadêmicos do Salgueiro ao final da Rua Junquilho, na subida do Morro do Salgueiro.

Era por demais gostosos assistir em cada uma dessas tais ensaios técnicos que não tinham hora para acabar tendo em vista os tantos acertos que iam sendo feitos.

Esse ano o JCN só teve oportunidade de assistir três dos muitos ensaios técnicos.

Em nenhum deles pude observar aquela preocupação de acertos de possíveis erros ou falhas.

Vi e ouvi e baterias apresentando muitos desafinos em suas peças, além puxadores "brigando" com o microfone e com o cavaco.

Vi também alas totalmente desarrumadas que mais pareciam esses benditos blocos que desfilam no pré - carnaval pelas ruas da cidade.  

Ora, os ensaios técnicos são para corrigir tais desatinos. Se uma escola faz o chamado dever de casa antes de a jibóia ser esticada na avenida, tudo fica mais cômodo no momento do grande desfile.

Se deixar passar simples falhas ocorridas num ensaio técnico certamente vai levar porrada nesse ou naquele julgador.

Na verdade os atuais ensaios técnicos mais me parecem com programa da Regina Casé da poderosa TV Globo, onde até o nosso festejado Arlindinho Cruz fica perdido diante de tanta baboseira que a RC pratica a cada domingo.

Sempre misturando alhos com bugalhos, ela consegue fazer com o samba uma grande galhofa. No final tudo acontece sem ninguém conseguir levar nada a sério.

Meus caros, honrados e ilustres leitores e blogueiros estamos prestes de um novo desfile.

Escrevam e guardem essa assertiva do JCN: tomara que essa ou aquela escola tenha tirado algo de bom do seu ensaio técnico.

Se não tirou esperem o resultado no grande momento em que a boa jibóia estiver sendo esticada na avenida.

Ao finalizar agradeço a paciência de todos vocês. Foi o ano mais difícil e complicado de minha vida.

Graças ao bom Deus consegui sobreviver.

E, no sábado gordo da folia, estarei no topo de um belo naval sendo homenageado pelo BC Oba - Oba do Recreio com o enredo "De Ubá ao Mundo do Samba".

O desfile será na Avenida Cardoso de Morais em Bonsucesso.

Estão todos convidados para o desfile.

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Babadinhos do Samba III

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 23/01/2012 16h17

Depois de mais de meia zero de samba, finalmente pude constatar o seguinte: de fato existe no samba muita falsidade e muitos crocodilos. De amizade sincera existe pouca coisa ou quase nada.  

Só que no dia 12 findo, pude constatar o outro lado do samba, que este velho cronista conhecia pouco ou quase nunca pode observar.

Falo de humildade, simplicidade e amizade e sinceridade. Tudo isso constatei junto aos integrantes do homogêneo grupo BALUARTES DA MANGUEIRA.

Basta citar que são senhores e senhoras que beiram dos 65 aos 95 anos de estrada, e nem por isso deixaram de amar a Mangueira.

Gente humilde mesmo. O encontro com essa gente deu-se na velha quadra do Visconde de Niterói , quando este velho e sofrido cronista , esteve por lá tirando as medidas da roupa para o desfile da escola.

Gente que no mínino passou mais de meio século servindo a Estação Primeira, como de resto ao samba em geral.

Foi um momento de puro saudosismo e pura emoção.  Reencontrar aquela gente me causou até um ligeiro descontrole do relógio. Logo me recuperei e pude então cumprimentá-los um a um.  

Estavam ali reunidas quase todas as gerações da verde-e-rosa em ambiente de saudade ao relembramos grandes momentos e grandes desfiles da nossa querida escola.

Juntos naquele momento: Ed Miranda Rosa (ex-presidente, hoje com 95 anos), Raymundo de Castro (o eterno tesoureiro 83 anos), Léa Porrão (filha do famoso Chico Porrão), Dilmo (ex-Harmonia), José Brogogério e Moacir (compositores) e Maria Helena (ex - diretora de Ala) e este JCN, dentre outros.

Embora, que rapidamente, pudemos então colocar em dia lembranças de uma Mangueira que não volta mais.

Foi ai que pude sentir o que é o calor humano do velho e verdadeiro sambista.

Aquele que jamais bajulou, mentiu, falseou ou fez trapaças no quando dirigente da escola.

Deixei a quadra da gloriosa com o coração banhado de euforia, pois várias histórias do samba de outrora foram contadas e ouvidas. Sendo que algumas eu já conhecia e em outras até personagem fui.  

O Carnaval de 1962 - Casa Grande & Senzala - foi sem dúvida para a maioria dos presentes o mais marcante.

E o desfile que mais emocionou foi na opinião de todos foi o Carnaval de 1984 (ano da inauguração do Sambódromo) quando a Mangueira foi e voltou cantando o nosso saudoso Braguinha.   

E todos foram unânimes: a Mangueira é mesmo muito grande, e hoje precisa de alguém para tomar conta de tudo dela num todo.

É por isso que minhas orações diárias sempre rogo ao Criador proteção sempre.  

Não somente para quem está dirigindo a Mangueira, (hoje é o intrépido Ivo Meirelles) mas de resto para todo o mundo do samba também.

Diante do narrado acima, chegará o dia que nós que fizemos do samba um sacerdócio, não teremos mais ninguém para conversar ou relembrar fatos e causos do passado.

Basta acompanhar o Carnaval que as emissoras de TVs e estão colocando no ar atualmente. E os jornais vão mesmo caminho.

Como a maioria dos produtores (alguns inclusive os da TV Globo) não tem nenhum tipo de intimidade com as coisas do samba e tampouco conhecem algo.

Temos assistido matérias até com o segurança do estacionamento das quadras.

Isso citando ainda matérias com soldadores (as), aderecistas, pintores, decoradores e também as manjadas rainhas de bateria ou então mulatas bundudas.

Não que essa gente não mereça. Eles merecem e muito.

Mas quando isso chega acontecer é porque existe de fato uma recueta por parte das produções das TVs em relação ao verdadeiro sambista em si. Isso é notório.

Até parece que se seguem a risca a letra um antigo samba enredo do nosso Martinho Sempre da Vila, se não estou enganado "Pra Tudo Se Acabar na Quarta-Feira"

E pensar que o grande compositor Vilani Silva, o popular Bombril, terá "morrer" numa merreca se desejar estar na Avenida desfilando na sua Unidos de Vila Isabel.

"Logo o Bombril, que já cantou na quadra e nos salões" Sou da Vila / Não tem jeito / Por isso exijo respeito.../

Se o Bombril tiver que pagar para desfilar será o fim da picada. Sacanagem pura mesmo.

Em tudo isso salva-se a presidente do Salgueiro, Regina Celi Duran. Tocada pelos Deuses do samba, a nossa RC fez de uma ilustre desconhecida, negra por sinal, a Cinderela do Salgueiro.   

A boa negrete Vânia Flor já era conhecida do JCN do samba da Unidos do Jacarezinho onde sempre se destacou como passista.

Bastou adentrar a boa quadra da escola tijucana para logo virar uma musa. A mandatária salgueirense só merece palmas por essa decisão.

Numa escola que freqüentada pelas mulheres mais atraentes e bonitas  da cidade, a principal musa salgueirense será uma negra, favelada do Jacarezinho e gorduchinha.

Pelo menos se salva alguma coisa, pois ainda existe gente com a senhora Regina Celi, que vê o samba sem qualquer tipo de descriminação.

Só que temo que essa consagração da nossa Vânia Flor, como musa Cinderela do Salgueiro, possa começar provocar ciumeiras nas outras beldades da escola. Tomara que isso não aconteça.

Ainda a propósito desse escanteio que o verdadeiro sambista anda levando da chamada grande mídia, eis outro lance:

O sempre competente e acreditado escriba Artur Xexéo abriu baterias contra o samba enredo da Unidos do Porto da Pedra indagando alto e em bom tom: "Iogurte dá samba" ?

De resto ele senta o cacete nos compositores Fernando Macaco, Tião   
Califórnia, Cici Maravilha, Bento e Oscar Bessa pelo fato dos mesmos terem escritos um montão besteiras em apenas poucas linhas.

Não, honrado Xexéo. Não foi esse quinteto o responsável direto pelas besteiras inseridas no samba da escola de São Gonçalo.

Os verdadeiros autores de tamanho besteirol são os intocáveis carnavalescos que fazem imposições mil na hora da entrega da boa sinopse.

O samba precisa falar nisso, naquilo outro, senão será cortado, costumam avisar , cheio de autoridade, os desvairados carnavalescos.

O que é pior: todos os presidentes aceitam de cabeça baixa tais imposições. Daí surge absurdos com as que estão na letra do samba enredo da Porto da Pedra.

Embora concordando com abalizada crítica, risco que não são os "crioulos sambistas que são doidos.

Doidos são os carnavalescos com suas absurdas exigências para cima dos compositores.

Na esperança a crônica do Artur Xexéo não tenha nenhuma influência para cima dos julgadores, repito: o AX só escreveu o fio e bacana.

Na coluna anterior citei o fato de fazer sempre minhas orações, pois por incrível que possa parecer, sou um fervoroso cristão.

Isso foi bastante para o blogueiro, que se diz assinar, Madson Nunes me sentar á mamona "mandando o JCN ficar cuidado somente de sua saúde"

Ora, ora, a doença na qual estou me livrando, graças a Deus, não costuma aparecer em postes, calçadas ou árvores.

Só que o "Madson Nunes" ainda não sabe disso. E oxalá nunca venha, a saber. 

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Ser ou não ser presidente? Eis a questão

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 11/01/2012 21h54

Perto de emplacar um galo e mais três de Estação Primeira, eis que me vejo brindado com o pomposo e honroso título de BALUARTE DA MANGUEIRA.

A iniciativa do presidente Ivo Meirelles não só me deixou com aquela alegria, que faltou - me na maior parte do ano findo, como também, acredito, faz coroar todo o meu trabalho desde idos do final da década de 50.

Ao agradecer indicação do presidente IM, o faço com o coração nas mãos.  

Em tempo algum, jamais outro mandatário da escola (talvez se vivo fosse o saudoso sue Juvenal Lopes o teria feito) soube reconhecer este velho e sofrido mangueirense como alguém que tenha serviços relevantes prestados ao grêmio.

Precisou vir o polêmico e sempre combatido (as vez injustamente), Ivo Meirelles para tal fato acontecer.

Forjado na grande escola de Harmonia do nosso saudoso Mestre Olivério Ferreira, o popular Xangô da Mangueira, consegui chegar aonde cheguei.

Foram os seus ensinamentos, conselhos e até algumas broncas que me moldaram assim.

Sob o comando do grande Mestre Xangô aprendi cedo amar a cada dia o glorioso pavilhão verde e rosa da nossa gloriosa Mangueira.

Nesse momento sublime para este filho de UBÁ, a ocasião é deveras oportuna para dizer ao presidente Ivo Meirelles que continuo nas minhas preces rogando a Deus que o proteja sempre.

Principalmente de alguns invejosos, falsos e vingativos, que infelizmente ainda existem na Mangueira.

Por tudo devo continuar lutando tenazmente para que a minha saúde, no momento, apesar da notória recuperação, está um tanto que combalida, volte á plenitude.

Afinal, quero ser campeão na gestão do presidente Ivo Meirelles.

A propósito dessas mal traçadas linhas já inscritas, risco também sobre outro tema que deve mexer muito com gente do mundo do samba.

São as chamadas administrações nas escolas de samba.

Reparei, depois de uma breve pesquisa, que nas agremiações onde as eleições correm os mandatários não apresentam melhores desempenhos nos cargos com relação aos seus antecessores.

O fato é que antigamente existia nas escolas a chamada oposição. Essa oposição só cobrava o melhor. Ou seja: melhor carnaval; melhor samba e por fim exigiam as temidas prestações de contas.

O próprio JCN assistiu em Mangueira, arengações homéricas envolvendo as figuras mais tradicionais da escola.

Eram intermináveis reuniões que quase sempre acabavam em brigas e discussões.

De tempos pra cá, as coisas mudaram. Não existe mais oposição nas escolas, mas nem assim seus presidentes apresentam desempenho a contento.

Existe ainda a chamada oposição burra. São aqueles que só querem criticar por criticar e sonham para dia estar no poder.

Em outras escolas o presidente, para se livrar da oposição faz farta distribuição de títulos de sócios beneméritos (com direito a voto) onde até bebezinhos são aquinhoados.

Com isso ele julga se livrar dos opositores e ainda granjear novos adeptos.

Só numa escola de samba, que tem apresentado carnavais ridículos, o presidente distribuiu a torto e direito cerca de 800 títulos de sócios beneméritos ou proprietários.  

No caso de sócios proprietários, que mal me pergunte: proprietário de que, se a escola só acumula dividas em suas finanças?

Até mesmo a construção, daquilo que no futuro poderia próprio, é a Prefeitura que está construindo.

Isso lhe garantiu uma reeleição tranqüila para o desespero da chamada oposição, que ele próprio presidente chama de burra.

Mas passados três carnavais essa escola nem sequer consegue voltar no desfile das campeãs.

Em outras escolas o poder circula em família, passando de pai para filho em eleição onde as cartas ou cédulas eleitorais são devidamente escolhidas a dedo.

Já em certas escolas onde a eleição é direta o problema é a burrice do eleitorado.

Em determinada agremiação rolou uma eleição livre com os sócios participando diretamente.

Notem bem: essa escola há anos está no maior bagaço em termos de desfile. Logo ela que já foi uma das rainhas da passarela desfilando no grupo de elite.

Pois bem. Duas chapas concorreram. Resultado do pleito: ocorreu um empate no número de votos e resultado foi proclamado pela famigerada "mão no saco".

No ano seguinte nova eleição desta vez com três chapas concorrendo. O resultado: ganhou um candidato em quem ninguém na escola fazia fé.

O certo seria a união das três chapas e juntas formassem uma boa diretoria para tirar a escola no sufoco.

Cito também como exemplo em administração de escola de samba uma eleição onde ex- marido e ex- mulher concorreram um contra o outro.

O resultado todos já sabe qual foi, mas o candidato perdedor continua mantendo uma ferrenha oposição contra a atual diretoria louco para voltar ao poder.

Quando falo tais citações é porque sou de uma época em que se fazia oposição nas escolas sempre visando o melhor para cada agremiação.

Hoje oposição é sinônimo de oportunismo e busca por cargos. Ninguém mais pensa em soerguer escola de samba.

Antes o discurso é um só: "vamos fazer um grande carnaval e pagar as dividas que essa diretoria está fazendo"

Isso é antes da eleição.  Dois ou três meses após tudo fica como estava. Os exemplos estão por ai afora. Em quase todas as escolas de samba cujo processo eleitoral é muito acirrado tal fato é notório.

Ficam aqui então perguntinhas: Ser presidente de escola de samba é um bom negócio? Traz algum lucro pessoal para quem ocupa tal cargo?  

Se não é bom negócio, então por que será que todo mundo quer ser presidente de escola de samba?

E que os estão nos cargos não querem largar o osso?

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Extrasamba: botando pra quebrar

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 23/12/2011 11h59

Aqui do meu cantinho, em Irajá, tomo conhecimento de coisas extra, que acontecem no mundo samba.

Sinceramente, coisas que me deixam estarrecido. Fico então a me perguntar por que será que o samba serve para tantas mazelas do nosso cotidiano?

São mulheres, que depois de largadas pelos então amados maridos, e usando o nome das escolas de samba, vão à Polícia falar mal dos ditos cujos e contar suas falcatruas á frente das agremiações.

São componentes que são espancados sem que ninguém saiba o propósito de tais espancamentos.

São caçadas policiais contra notórios dirigentes das escolas de samba, sempre envolvendo os nomes das agremiações em assuntos que deveria somente se ater exclusivamente na área policial / criminal.

Acho que por isso a Justiça, ao libertar um dos presos, garante que a Polícia do RJ está " brincando" com investigações malfeitas.

O próprio desembargador, que concedeu a liberdade ao preso, se disse temeroso, ele próprio de ser preso.

Sempre soube que o samba, jogo - do- bicho e o futebol sempre caminharam juntos desde primórdios desse nosso Brasil - República.

Jamais neguei o meu relacionamento, no mundo samba, com as pessoas ora acusadas agora pela Policia. Seria o JCN um hipócrita ou um cafajeste se assim procedesse.  

Ainda tenho na mente a atuação do seu Natal da Portela, que com um braço só, usando sempre o jogo - do - bicho fez a felicidade muita gente desvalida em Madureira e adjacências.

Enterros, óculos, muletas, contam de luz, de água, batizados, casamentos, festas de debutantes, colégios, comida, internações em hospitais públicos, (alguns deles bancados peço próprio Natal), remédios e tudo mais. Tudo isso seu Natal bancava sem se preocupar a quem atendia.

Muita gente do mundo do samba (ainda viva) construiu a vida graças ao beneplácito da mão generosa do velho maneta de Madureira / Osvaldo Cruz, pois até casas ou barracos ele comprava para quem precisasse e o fosse pedir.

Não muito diferente do que fazem os bicheiros de hoje.

Nem por isso ele deixou ser perseguido, humilhado e encarcerado pela Polícia da época. Afinal o seu ramo de negócio do seu Natal era fora lei.

Hoje, boa parte da população do Rio de Janeiro, reconhece e rende e tributo ao seu trabalho, que até pode ser chamado social, feito pelo seu Natal da Portela.

Isso não quer dizer que o JCN concorde com os métodos de violência e desonestidade colocados em prática por uns e outros.

A Polícia do Rio de Janeiro coloca sempre prática um método que não consigo entender: misturam as coisas das escolas de samba, com o que denominam, eles com lado negativo do jogo - do - bicho.   

É certo que ambos caminham juntos há anos na preferência do carioca, mas na hora das caçadas cinematográficas e quando mostram  carrinho de supermercados abarrotados de dinheiro, (coberto com a bandeira da escola de samba) deveria prevalecer o bom senso.

Nós, que fazemos do samba apenas uma válvula de escape para alegrar
o coração apenas deploramos tudo isso.

Longe deste JCN, desaprovar uma ação policial para deter quem está fora da lei.  Pelo contrário.  

O jugo da lei também deveria ser empregado com rigor contra os corruptos que pululam em cada parte desse imenso rincão brasileiro.

Também não estou aqui para bancar o advogado de quem quer que seja. Para tanto existem centenas de causídicos os defendendo nos Tribunais e junto as Varas Criminais.

O que exponho são essas caçadas faltando justamente tão pouco tempo para a boa jibóia ser esticada na avenida.  

Já se começa temer pelo desfile de determinada escola de samba diante da sanha policial em insistir em envolver a agremiação em suas investidas investigativas.

Alguns dos perseguidos já estão acostumados com essas benditas caçadas e apenas cumprem o seu papel.

O problema é que o samba é atingido de cheio. Que mal fez o samba para ser incluído nessas ações policialescas?

As escolas de samba foram fundadas para que o Zé Povinho pudesse ter um lugar onde pudesse cantar e sambar.

Com o passar dos anos o mundo do samba perdeu aquele glamour e ares da mais pura inocência. Todo mundo usa o samba para qualquer negócio, até mesmo os escusos.

Por tudo disso tudo a polícia, principalmente a do Rio de Janeiro, se especializou em misturar alhos com bugalhos.

Atualmente é mais do que arriscado se freqüentar, sem riscos, uma quadra de escola de samba.

Por essa e outras, que todos que mais pessoas bem estão se afastamento das quadras, preferindo só ir assistirem na avenida.

É coisa rara cada final de semana, que não ocorra uma ocorrência policial nos entorno das quadras das escolas.

São assaltos, agressões gratuitas, roubos de carros e motos e algumas das vezes até assassinatos.

A polícia, no caso, faz mais do que pode. Mas não suficiente a ponto de estancar essa onda de violência semanal.

Risco tudo isso em função da minha condição de homem do samba. As escolas de samba não podem ficar atreladas a esse estado de coisas.  

As agremiações precisam apenas cumprir somente o seu papel que é cantar e sambar.

Se estiverem sendo usadas para outros fins, cabe a nossa polícia investigar, apurando tudo direitinho para depois encaminhar o apurado ás barras da boa Justiça.

Nesse exato momento fico nunca preocupação só: como ficarão as escolas de samba citadas fartamente pela Polícia em noticiários sensacionalistas de jornais, rádios e TVs?

Espero que seus componentes não liguem para nada disso e que possam chegar à Sapucaí "botando pra quebrar".

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A Marquesa de Santos de Ramos

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 06/12/2011 11h17

Foto: Acervo PessoalDe quando em vez me bate uma tremenda saudade de um sujeito que em enquanto vida teve foi a imagem da alegria. Gozador nato foi totalmente desligado das coisas materiais da vida, inclusive carvão.

Beberrão contumaz fazia do bom conhaque e das belas cabrochas, que gostava de montão, suas constantes alegrias. Um sujeito extremante humano e amigos dos amigos. Os inimigos, se é que os tinha, ele solenemente os ignorava.

Édson da Cruz Lobo era o seu nome na pia batismal. Mas o pouco tempo que viveu no mundo samba ficou conhecido Edinho, o filho da Dona Carminha, o apelido caseiro sua mãe,  a senhora Carmem Lobo.  Do Edinho tenho em mente, várias e várias historinhas. Umas bem humoradas e outras até tragicômicas.  

Como a passagem de seu pai em trágico acidente de carro. Ele, narrando o acidente, conseguia transformar o infausto acontecimento numa tracomédia ao melhor estilo das tragédias gregas. Prometo contar tudo isso em outra oportunidade.

Nascido e criado nas fraldas do bairro de Ramos. Edinho até que gostava da IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE. Freqüentava quase sempre  a sua quadra na Rua Professor Lacê. O mesmo já não acontecia com o BC CACIQUE DE RAMOS, que dizia ter pavor.

Nosso relacionamento de irmãos se acentuou de forma mais evidente quando passamos freqüentar a famosa Praia de Ramos, seguindo uma patota que não ia ao CACIQUE DE RAMOS. Lá, na praia, acabamos fundando o BC SÓ FALTA VOCÊ juntamente com gente como saudoso Alomar Pinto Soares, Walter Marreco, Jorge Chapéu de Couro e tantos outros.

Foto: Acervo PessoalComo os tempos eram outros, Edinho subia e descia as tantas ladeiras, ruas, becos e vielas das favelas do bairro de Ramos sem tomar conhecimento da malandragem, que já começava montar o seu espaço á partir do Morro do Alemão, Praia de Ramos, Favela Roquete Pinto, e Morro do Adeus.

O seu trânsito era livre em todas essas bocadinhas. Mas gostava mesmo era de bebericar no famoso botequim Ferro de Engomar (ao lado da estação de trens) ou no Zé das Caralhas, um pé sujo da pior qualidade.

De tanto estar na quadra da Gresil, o Edinho acabou muito ligado nas coisas da escola e amigo do então carnavalesco da época, o popular Ary Catucha. Foi quando surgiu á idéia da escola apresentar como tema enredo as peripécias da vida da senhora Domitila de Castro Canto e Melo a popular e famosa Marquesa de Santos.

Sob o título de A FAVORITA DO IMPERADOR- MARQUESA DE SANTOS, o enredo começa ser desenvolvido. Ramos era uma festa só pois tal enredo agradara em cheio os componentes da escola. Foi escolhido o samba de autoria do saudoso compositor Maurílio da Penha Aparecida e Silva, o popular Bidi,  mais tarde fundador do famoso grupo de pagode Originais do Sambas.

Um sambão, por sinal:  " Nos salões imperiais / Domitila de Castro  Canto e Melo / Consolidou seus ideais / Ao lado do Imperador / A bela titilia foi glorificada / Num suntuoso beija-mão / Onde esteve sentada / Ao lado do soberano /  que solenemente quis / dar-lhe a glória de alguns momentos / Como Imperatriz "/... Diz assim esse samba da melhor qualidade.

Foto: Acervo PessoalO desfile estava ás portas, mas a escola tinha um problema sério:   faltava uma mulher para representar a figura da MARQUESA DE SANTOS. Sabedor que querida mãezinha tinha paixão por um dia desfilar em uma escola de samba, Edinho, maquiavélico como era, bolou um plano genial.

Ele também sabia que o senhor Edvaldo Lobo, seu pai, austero oficial reformado da FAB, tinha horror só em ouvir falar em escola de samba. Sugeriu o Edinho, ao Ary Catucha,  que convidasse a dona Carminha, já sabendo que o senhor Edvaldo iria soltar os bichos em que lá fosse formalizar o dito convite.

O gostoso dessa historinha começa agora. Avisada pelo filho, Dona Carminha se aprontou e ficou em casa esperando pelo emissário da escola, que foi o próprio Ary Catucha. O negócio do Edinho era tirar um sarro como o seu pai, com quem vivia as turras, justamente por causa de suas noitadas nas quadras de samba.

Artimanhoso, Edinho, a pretexto de uma dor de barriga, trancou-se no banheiro só para curtir o que aconteceria. Na hora aprazada, eis que surge o Catucha. Ele aperta na companhia do apartamento do Edinho e espera.

Surge então, o senhor Edvaldo, ainda de pijama. Ao abrir a portinhola da porta ele leva um susto e o Catucha então indaga com aquela voz típica de brioqueiro:    

- É aqui de mora a dona Carminha, a mãe do Edinho? Posso falar com ela?

O senhor Edvaldo, ainda de pijama, responde com um voz forte:

- Sou o marido da dona Carminha. O que é que o senhor deseja com ela?

- Bem, respondeu o Catucha. Eu sou o carnavalesco da Escola de Samba Imperatriz Lepoldinense.

Nem terminou de se apresentar o Catucha ouviu novamente á voz alta e forte do senhor Edvaldo:

- Carminha vem até aqui na porta. Tem aqui num ANORMAL querendo falar com você!

Surge a dona Carminha da porta e o Catucha é convidado em adentrar e dizer o queria.

Catucha entra e senta do sofá e começa falar dos seus planos e fazer o convite  para a dona Carminha representar a Marquesa de Santos  no desfile da Imperatriz Lepoldinense.

_- Ela foi uma grande dama do Império e até chamada de Favorita do Imperador Pedro I. Era muito elegante e sempre ajudou os pobres e etc e de tal.

Calado. Sem dizer uma só palavra, o senhor Edvaldo apenas escuta.

- Então dona Carminha a senhora aceita ser a nossa Marquesa de Santos, perguntou esperançoso o Catucha.

Foi o bastante para o senhor Edvaldo erguer mais ainda a voz e bradar:

- Essa Marquesa de Santos foi sim, uma rameira, uma mariposa e que viveu pegando todos os homens da Corte Imperial, inclusive o nosso Imperador. Como é que o senhor  aparece aqui em casa para convidar minha mulher para  representar uma prostituta desta?

- E ainda aos gritos, o senhor Edvaldo decreta: Ponha - se daqui prá fora seu ADAMADO de uma figa. Não quero minha mulher nesse antro que é escola de samba. Isso deve ser coisa daquele maluco e irresponsável do meu filho.

Foto: Acervo PessoalNão precisa riscar, que trancado no banheiro, o Edinho mal podia conter as gargalhadas. Uma coisa é certa: Dona Carminha não foi a Marquesa de Santos que a Imperatriz sonhava e o Edinho, por via das dúvidas, passou uma boa temporada sem freqüentar a quadra de Ramos.

Mais tarde levado pelo JCN, Edinho foi para a Mangueira onde se tornou primeiro associado, depois Diretor de Harmonia. E por alguns anos por lá ficou na quadra grande da Mangueira sob ás ordens do seu Xangô da Mangueira.

Nos Carnavais de 1984/85, fomos os editores das belas revistas da folia que a escola colocou na rua.

Assim era o Edinho. Brincalhão, mas acima de tudo, competente e amigo dos amigos. Por isso risquei  esse babadinho e espero não conflitar com os nossos fieis blogueiros.

Colcha de retalhos

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 21/11/2011 07h23

Tenho passado maus bocados em busca de um assunto palpitante que role no mundo do samba para riscar a coluna. Só, por mais que procure, está difícil encontrar algo que possa interessar a leitura dos nossos bons e fieis blogueiros.

Isso é a pura realidade. E vejam bem que este sofrido cronista de samba possui uma longa rede de informantes espalhados praticamente pelo samba afora. Ninguém me chega com algo de concreto que possa merecer as minhas mal traçadas linhas. Por isso, peço desculpas aos fieis leitores por apresentar nessa coluna uma autêntica colcha de retalhos que pode respingar em alguém.  

O JCN se recusa em fazer entrevistas com certos presidentes e carnavalescos. Eles só dizem tantas baboseiras, que seria eu um leviano se fosse escrever o que eles falam. Por exemplo: "Estou pensando seriamente acabar com rainha de bateria na minha escola", exclamou determinado presidente.

Mesmo desejando acreditar em tal assertiva, fica muito difícil saber até onde existe a verdade. Quando se sabe que em tal escola de samba o posto de soberana dos couros é para quem oferece mais verbinha. Ou seja: Quem pagar mais segura o trono. Ou quando não o assento da rainha é imposto por forças superiores de fora pra dentro da agremiação.

Pasmem: após fazer tal declaração, eis que o citado presidente já entregou o trono de rainha de bateria para uma beldade, uma ilustre desconhecida. Tudo comprova o que foi riscado aí em cima.

E a nova soberana foi logo avisando: "não paguei nada para ser rainha, mas vou sim ajudar na escola mirim que é o futuro da escola". Lá na minha terra, isso simplesmente que dizer que para um bom entendedor um pingo é letra. Pode-se acreditar em palavra de certos presidentes de escolas de samba?

Terminaram as escolhas dos sambas enredo e pelo visto, como já era previsto, não apareceu nenhuma obra - prima. Aquele samba que você gosta de ouvir e também de cantar sempre. Um samba que mexe com você dos pés a cabeça.

Fiz um pacto comigo mesmo de não comentar mais os atuais sambas enredo.  Mesmo assim, acredito que alguns deles possam fazer sucesso no desfile. No desfile, riscou o JCN.

Certa ocasião, alguém perguntou ao saudoso Albino Pinheiro qual era o melhor samba enredo daquele ano. No que respondeu o popular AP: "O melhor samba enredo é aquele que proporciona um grande desfile para a escola e quiçá possa levá-la conquistar o título". Essa opinião do Albino Pinheiro até hoje martela a minha cabeça.      

Devo lembrar, no entanto, que nem sempre o melhor samba enredo garante o titulo da Avenida. Querem exemplo: Heróis da Liberdade, Raízes, Amanhã, Cem Anos de Abolição: Liberdade ou Ilusão, Macunaíma, Sonhar não custa nada ou quase nada e alguns outros.

Li aqui mesmo no site SZRD-Carnaval que o doutor presidente da LESGA, Reginaldo Gomes, está fechando um gordo contrato coma rede de TV SBT para a transmissão do desfile do Grupo A de Acesso. Nessa transação a toda poderosa TV Globo estaria por trás de tudo oferecendo aquilo que o SBT não tem, ou seja, infra-estrutura para esse tipo de trabalho.

Ora, minha gente, a Globo já fazia isso com a TV Bandeirantes e nem por isso a transmissão daquele canal era feita de maneira supimpa. A cada final das transmissões só restavam queixas e reclamações tanto por parte das escolas de samba com da própria direção da LESGA. Anteriormente a transmissão desse desfile era feita pelo comunicador Jorge Perlingeiro.

Só que, sem qualquer de infra-estrutura, o JP fazia uma transmissão simplesmente precária o que também desagradava a todos num geral. A bola da vez agora é o SBT. O presidente Reginaldo Gomes é pato novo. Na minha santa Ubá costuma-se dizer que pato novo não mergulha fundo.

Por isso fico com dois pés bem lá atrás quando ele estufa o peito ao anunciar que o desfile será transmitido do pelo SBT será uma maravilha. A própria boca do balão, diz o RG. Segundo o mandatário haverá logo de cara um bom repasse de verbas para ás agremiações á titulo de direito de imagens.

Além do mais tudo será feito para que sejam evitados os erros e as falhas cometidas nas transmissões anteriores feitas pela TV Bandeirantes. O que está em jogo agora não são as boas promessas, nem as verbinhas  do SBT.  E sim, saber se emissora do senhor Abravañel apresentará condições técnicas e profissionais para segurar a parada.

A transmissão de um a desfile de escola de samba exige muito mais um do que simples repasse de verbas.

Exige, acima de tudo, profissionais conhecedores do assunto, notadamente produtores, repórteres, cinegrafistas, apresentadores e diretores de TV.

E o que é mais importante: um trabalho de pré-produção do desfile. Eu diria aquilo que se passa nos bastidores de cada escola de samba. Isso é importante para que se evite gafes de certos repórteres e apresentadores em pleno desfile.

O público que vai assistir o desfile deseja saber tudo de cada escola. Era isso que a Bandeirantes jamais fez e o Jorge Perlingeiro nunca se interessou em fazê-lo. Numa transmissão via TV de um desfile de escola de samba, mesmo que esse desfile seja do grupo inferior, exige-se muito além do somente repasse de verbinhas á titulo de direito de imagens.

Exige-se acima de tudo, seriedade por parte da emissora e conhecimento de causa por parte dos profissionais que estarão envolvidos diretamente na transmissão do desfile. E pelo visto já começaram as negociações e as sacanagens também.

O GRES PARAÍSO DO TUIUTI já foi tirado da jogada. O desfile da escola de São Cristovão só será mostrado por escassos minutos, mesmo assim somente para o Rio de Janeiro.

E logo o Tuiuti que apresentará enredo homenageando a pranteada cantante Clara Nunes, que quando em vida era idolatrada em todo Brasil. Não acho isso justo. Não cometer os mesmos erros da Bandeirantes é uma coisa. Fazer sacanagem com uma escola de samba como a PARAÍSO DO TUIUTI é outra coisa.

Repito: O SBT, se não contratar profissionais de gabarito e conhecimento técnico para realizar a empreitada, corre o risco de cometer um fiasco bem maior que já comentaram a TV Bandeirantes e bisonhas as transmissões e que fazia o comunicador Jorge Perlingeiro.  

Quem viver verá.

O presidente Reginaldo Gomes também puxou outro coelho da cartola. Ele anunciou a junção dos Grupos A e B  na SÉRIE OURO.

Esse novo grupo seria formado pela junção de 16 escolas de samba dos grupos acima citados e desfilariam sexta e sábado gordo do Carnaval. Essa ideia me parece mais racional e lógica possível.

Na verdade, apesar do JCN ser um defensor perpétuo das escolas de pequeno porte, atualmente, tem várias agremiações, mesmo sendo de tradição, que já não apresentam mais condições sobrevivência mínima.

Então, como preconiza o presidente da LESGA, teríamos dois desfiles transmitidos  para o Brasil  inteiro ao vivo acabando então a obrigatoriade de se assitir o desfile morno das escolas de samba de São Paulo.

O grande problema será a escolha dessas 16 escolas de samba. A rigor temos hoje, até nos Grupos A e B, escolas de samba que deveriam que ser mais bem melhor avaliadas. E algumas não passariam num teste mais apurado de qualidade. Se caso venha vingar a idéia de 16 escolas de samba, ai sim, teríamos desfiles bem mais competitivos e melhores organizados.  

Vivendo esse momento de suma importância para as escolas de samba de porte menor, não me furto em riscar o seguinte: são muitas as escolas de samba existentes no Rio de Janeiro.

A cidade já não comporta tantas e tantas escolas de samba. Existem escolas de samba em cada esquina da cidade. Alguém precisa pensar nessa situação e buscar, com apoio da prefeitura uma solução em definitivo enxugando em definitivo número de agremiações.

Uma solução para que não se acabe com certas escolas de samba seria trazer de volta aqueles gostosos e concorridos desfiles de bairros onde cada escola desfilaria junto da sua própria comunidade.

Esse lance de escola de samba evidencia somente uma coisa: isso deve ser atualmente um negócio da China. Todo mundo quer presidente ou transformar blocos em escolas de samba ou fundá-las aqui e acolá. Isso, longe de manter á tradição cultural do nosso passado de negritude genuinamente carioca, se transformou numa casa grande de negócio e viração e até de falcatruas. O que pior qualquer um pode ser presidente. Não precisa eleição, currículo ou concurso público.

Numa casa de comércio os lucros e prejuízos sempre aparecem em balancetes estatutários que são analisados pelos órgãos do governo. Nas escolas de samba ninguém sabe quanto entrou e tampouco quanto saiu. Sabe-se apenas que o Carnaval só traz prejuízo. Balancete e prestação de conta, conforme determina os estatutos de cada uma delas, são palavras evitadas e muitas das vezes até proibida em certas escolas de samba.

O  Fato é que escolas de samba estão sempre no prejuízo e quase todas devem horrores na praça. São pequenos e médios fornecedores, soldadores, ferreiros,  sapateiros bordadeiras, costureiras  até carnavalescos, isso em falar em puxadores e etc. que nunca recebem o combinado. Todos levam o tradicional beiço a cada ano ao após ano.

No comércio normal dívidas e mais dívidas acarretam o fechamento do negócio em muito dos casos levam seus proprietários vão á loucura. A pergunta é tola, mas necessária:  Como as escolas de samba conseguem sobrevir nessa situação?

Seriam Deuses os seus presidentes? Não, creio que não. O que é pior que esse de calote e dívidas apresenta um percentual maior nas agremiações de porte menor.

Outra indagação tola: Então qual seria o motivo pelo qual nenhum presidente quer largar o osso na base do que determina a lei ou da espontaneidade?  

Certamente essa pergunta não será respondida.

Chega- me a informação de que o honrado vereador Jorge Maiaia (é filiado do PDT, o mesmo partido do ministro que está metido em trapalhadas em Brasília), apresentou projeto na Câmara de Vereadores proibindo a presença de menores no desfile da Marquês de Sapucaí.

Até agora somente o Mestre Laíla da BF chiou contra que este vereador, pelo visto não tinha nada por fazer, quando apresentou maldito projeto.

Só gostaria de saber qual a verdadeira intenção da excelência ao apresentar tal projeto. Não é para ajudar nenhuma escola de samba, com certeza.

Como não conheço o caro edil, e nem nunca ouvir falar o seu bendito nome. Só me então resta hipotecar a minha solidariedade as agremiações, esperando que o nosso alcaide Eduardo Paes vete esse projeto absurdo.

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Saudade: Pedro Ernesto, Marcos Tamoio e Negrão

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 22/10/2011 13h46

No exato momento em que várias escolas de samba sofrem com o Carandiru, e em todo entorno do Caís do Porto, é salutar recordar políticos da antiga que muito somaram em favor de agremiações de grande ou pequeno porte.

Políticos, que antes de mais nada, tinham a percepção das coisas do samba e conheciam até mais de perto gente do samba, fico estupefato ao tomar conhecimento de que uma turba de policiais Guarda Municipal e até cães amestrados invadiram, no último dia 07/10, aquele local com uma única finalidade: expulsar as escolas de samba com suas tralhas.

O pretexto pode ser até nobre. A prefeitura precisa do espaço para alavancar as obras do "Porto Maravilha", tendo em vista os jogos da Copa do Mundo de 2014 e posteriormente os Jogos Olímpicos de 2016.

O JCN riscou que seria nobre a motivação. Mas acontece que as agremiações que ocupam o Carandiru não têm nenhum local aonde ir. Para desalojar alguém é preciso ter um local para abrigar o desalojado. Na rua é que não pode ficar.

Só que a prefeitura da cidade não pensou e tampouco cuidou desse detalhe. O resultado é que com o Carnaval às portas, ninguém é de ninguém lá pelas bandas do Carandiru.

Nem mesmo RENASCER DE JACAREPAGUÀ, que agora está na elite do samba, vai escapar da expulsão. O certo seria tal escola de samba ir para a Cidade do Samba e ocupar o seu barracão, conforme determina o regulamento da LIESA.

Ocorre que a prefeitura anunciou que as obras nos barracões incendiados estariam prontas num curto período de tempo. Não é bem isso que está acontecendo. As citadas obras estão sim, caminhando a passos lentos, e só sabe Deus se acabarão antes do Carnaval.

Escolas de samba como Unidos do Viradouro, Acadêmicos do Cubango e Acadêmicos de Santa Cruz, que embora não ocupem o Carandiru, vão ter que sair de seus barracões em função da ação judicial ganha pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto.

O JCN não possui procuração de tais escolas e muito menos é advogado das mesmas. Mas me sinto no dever de prestar a minha solidariedade as prejudicadas. Até porque a prefeitura já sabia do tamanho do problema há séculos. Se  não tomou nenhuma providência prática e direta foi porque não quis ou faltou competência para tal. Coisa muito comum no Poder Público.

O prefeito Eduardo Paes é um administrador bem intencionado, não tenho dúvida alguma.  Porém, quando o assunto é samba ele escolhe muito mal os seus conselheiros e assessores. Agora, tardiamente é que a Prefeitura está anunciando que essas escolas de samba estão de mudança para um terreno alugado de 6 mil metros quadrados no bairro do Caju.

Resta saber se esse bendito terreno fica dentro ou próximo do Cemitério do Caju. E tem mais. Será que as escolas de samba vão ter de fazer obras no local para adaptar seus barracões? E a escola de samba Unidos do Viradouro não vai para Carandiru-Cemitério, que o honrado Eduardo Paes acaba de criar no Bairro do Caju. Vai ficar no antigo barracão da Porto da Pedra e está acabado.

Pelo menos assim informa o cidadão Moysés A. Coutinho Filho, o popular Zezo, poderoso diretor da LESGA.  

Enquanto isso, Reginaldo Gomes, presidente da LESGA, garante já ter em mãos um mega projeto para construir uma Cidade do Samba II, seria na Avenida Brasil no espaço do restou  de uma antiga metalúrgica. Segundo o presidente são 20 mil quadrados, espaço mais do que suficiente para construir barracões para todas as escolas dos Grupos A e B da LESGA. Palmas para Reginaldo Gomes. O seu problema aparentemente está resolvido.

Mas como ficarão as escolas de samba da Associação das Escolas da Cidade do Rio De Janeiro? Será que todas elas caberão no Carandiru do Caju?

Para o local, onde o prefeito está despachando as agremiações, só irão  escolas de samba do Grupo B, que por ventura estão em barracões no Carandiru do Santo Cristo.

E ainda vai ficar difícil e complicado saber que onde as escolas de samba elas vão tirar dinheiro para as referidas obras, que naturalmente e forçosamente terão que realizar no galpão do Eduardo Paes.

Como já risquei é uma primazia para prefeitura ajudar o samba. Estariam todos nós batendo palmas pela construção dessas novas quadras se não fosse pequenos detalhes. Poucos são os políticos, que na história do Carnaval da cidade do Rio de Janeiro, tiveram participação somatória em favor do samba e das escolas de samba em si.  

Existem políticos merecem a nossa glorificação, acima de tudo por suas participações pessoais e envolvimento direto com as escolas de samba e o sambista num todo. Os açodados vão gritar logo César Maia, Luís Paulo Conde, e até Eduardo Paes, que acaba de criar o seu Carandiru II.

Nada disso. Tais políticos, os quais estou me referindo, são de gerações passadas.

Na época em que fazer algo pelas escolas de samba era coisa de maluco. Época em que o Poder Público fazia de tudo e as escolas de samba só entravam com o corpo, os sambistas, é claro.

Hoje é mole. A LIESA faz tudo sozinha e a Prefeitura ainda leva um bom carvão de tudo que entra no desfile da Marquês de Sapucaí.

Tenho acompanhando noticiário dando conta que a Prefeitura está construindo novas quadras para essa e aquela escola de samba. Novidade? Claro que não. Na década de 70, quando prefeito da cidade, o saudoso Marcos Tito Tamoio da Silva construiu de uma só tacada seis quadras com cobertura e tudo mais para escolas que tinha terrenos próprios.

O pranteado Marcos Tamoio não escolheu, para a sua obra, somente escola de samba medalhão. Pelo contrário. Escolas de porte menor foram selecionadas. Em Cima da Hora, União da Ilha do Governador e Unidos de Lucas foram aquinhoadas por essa benesse do então prefeito MT.

E não pensem que foi obra eleitoreira. O Dr. Marcos Tamoio nem sequer compareceu em nenhuma das inaugurações e tampouco foi pedir votos em tais escolas de samba, pois nunca foi candidato a nada vezes nada.

Os mais afoitos vão bradar de imediato: E o César Maia não construiu a Cidade do Samba?  E o Luís Paulo Conde não abriu as burras da prefeitura e distribuiu verbinhas a granel para as escolas de samba?  

E o Eduardo Paes não está construindo novas quadras?

O JCN calmamente responde: Tudo isso tem um preço. Esse preço faz parte justamente do preço do jogo político - eleitoreiro. Uma espécie de jogo de caipira.   

E tem mais: leve-se em consideração que a Prefeitura da cidade corre uma boa sacolinha do montante arrecadado pelas escolas de samba para organizar o desfile na Marquês de Sapucaí.

É o caso, como já dizia minha vovozinha: dá com uma mão e tira com a outra.

Tudo isso é mencionado em função da minha eterna fobia de saudosista. Nada contra os prefeitos citados. O caso é que essa minha sina me faz lembrar coisas que presenciei ou acompanhei através de jornais antigos e livros. Citei políticos, que em épocas distintas governaram o Rio de Janeiro. Tempo em que as escolas de samba não tinham o apogeu de hoje.

E mais lá atrás o samba em si, era marginalizado e o sambista visto como gente de classe inferior. E até mesmo alcunhado de marginal.

Na década de 30, o médico Pedro Ernesto Baptista, foi prefeito da cidade por dois períodos distintos. O samba começava engatinhar nos seus primórdios, nos morros e favelas do Rio Janeiro.

Quando se falar em escola de samba era crime, ele sempre  preferia estar com gente do samba que com outra coisa qualquer.

Existem alguns registros e até fotos em livros, onde o saudoso PEB aparece junto de Cartola, e vários sambistas, em pleno Buraco Quente ao pé do Morro de Mangueira.

Foi o Dr. Pedro Ernesto o primeiro grande incentivador dessa longa caminhada das escolas de samba.

Isso ainda na década de 1930, quando a Ditadura Vargas estava em pleno apogeu no Brasil. O Dr. Pedro Ernesto um lídimo percussor das nossas escolas de samba. Honra e mérito para ele. Por isso mesmo, Pedro Ernesto ganhou daquele samba de antanho várias e várias homenagens, inclusive  virando enredo em algumas escolas ou tendo o seu nome exaltado em vários sambas.

Em sua homenagem, a Câmara de Vereadores instituiu a Medalha Pedro Ernesto, galardão máximo para quem soma algo para a nossa sofrida cidade. Vários sambistas já receberam essa bendita homenagem em função de suas participações nas escolas de samba.

Doutor Francisco Negrão de Lima, mineiro de Nepomuceno, foi inicialmente Prefeito do Rio de Janeiro, quando a cidade ainda era o Distrito Federal (1956 / 1958).  

Já naquela época, o popular Doutor Negrão era chegado a uma boa birita e ao bom samba.

Consta que o doutor Negrão (já então como chanceler) foi o responsável até pela exibição que a Portela fez para Duquesa do Kent nos jardins do Palácio do Itamaraty.  

Os mais antigos ainda devem lembrar que Negrão de Lima foi o cicerone de uma grande comitiva de diplomatas, liderados pelo então embaixador americano, que visitou o samba da Portela, juntamente com o cineasta Walt Disney, na sede onde hoje é a Portelinha.

Além do mais, foi ele o responsável pela criação de órgãos governamentais, antes da RIOTUR, para a organização do chamado Carnaval de Rua, incluindo os desfiles das escolas de samba. Do Excelentíssimo Embaixador Francisco Negrão de Lima do tenho duas pequenas histórias. Uma totalmente hilária e outra da mais pura seriedade política.

Carnaval de 1966. O desfile na Avenida Presidente Vargas, que já estava atrasado como hábito, fica mais prejudicado ainda quando desaba na cidade um terrível temporal.

Como o Doutor Negrão - já então governador da cidade - estado da Guanabara - não havia chegado para abrir o desfile, coisa que ele não abria mão de jeito algum, ninguém se movia sob aquele temporal. Eis que o serviço de som da PV anuncia então a chegada do senhor governador. Só que ninguém conseguia descobrir onde estava o governador.

De repente, não mais do que de repente, eis que abrindo caminho pelo meio da pista alagada cumprimentando esse e aquele sambista, surge o Doutor Negrão de Lima protegido apenas por uma capa e um guarda chuva.

O lance foi que o motorista do carro do Palácio Guanabara, não sabia onde deixar o governador. Na dúvida ele rumou para Presidente Vargas, mas no sentido oposto a do início do desfile. Sem perder a sua famosa fleuma britânica, Negrão de Lima apeou do carro na esquina da Rua Regente Feijó (final do desfile).

Depois resolveu ir andando pela pista de desfile como se fosse ele um tipo qualquer.

E assim foi até o seu palanque que ficava próximo da Avenida Rio Branco.

E lá chegando, o simpático governador, apenas ordenou:  " Podem começar.  Desta vez foi o governador que atrasou o desfile "

Assim era o Doutor Negrão de Lima.

A outra historinha do Doutor Negrão de Lima é simplesmente mais do que hilária. E só poderia ter acontecido na quadra da nossa querida Mangueira.

Ele, o Negrão de Lima, governador  da cidade - estado, era figurinha carimbada nos ensaios da gloriosa. Sempre acompanhado de sua esposa, a senhora Ema Negrão de Lima.

A Mangueira, na época desse fato, tinha como presidente o seu Juvenal Lopes, o popular Nanau da Mangueira.

Como locutor oficial da escola, este JCN convocou o escriba Milton Silva, que na época trabalhava no periódico Ultima Hora sucursal de Niterói para auxiliar no boca de ferro. Culto ao extremo e mais erudito ainda, o Milton criou um estilo próprio de apresentar o ensaio da velha Manga. Ele recitava  trechos de poesias de poetas brasileiros e até estrangeiros (Castro Alves, Bilac, Drumond, Fernando Pessoa e Camões quase sempre).

Porém o seu forte eram os seus slogans de efeito que a todo instante mandava ao microfone. Um dos seus preferidos dizia assim:

- As mulheres devem ser tratadas com carinho, muito carinho.

Na mesma frase emendava um nome qualquer.

Geralmente um diretor da escola ou de algum visitante.

Sábado de calor infernal na cidade. Eis que aparece em Mangueira o senhor governador Francisco Negrão Lima, impecavelmente trajado num terno de linho branco S -120 e sapato bicolor e o seu famoso chapéu gelô.

O seu Juvenal, já prevendo as peripécias do Milton no microfone me chama e avisa:   -
- Tome cuidado com o seu locutor. Não vai deixar fazer brincadeira com governador.

Fui ao Milton e acertei que com o governador não haveria brincadeiras no microfone. Ele entendeu e o ensaio prosseguiu normalmente.

Mas o Milton gostava de esquentar a garganta com o famoso leite - de -onça que era servido na quadra. E naquela altura a sua garganta já estava quente ao extremo.

Lá pelas tantas, já um tanto que chamuscado, ele manda bem alto no boca  de ferro.

- Atenção Excelentíssimo Senhor Embaixador Francisco Negrão Lima. mui digno governador do Estado da Guanabara, atenção!

O Doutor Negrão imaginando que fosse alguma séria fez com o polegar o sinal de positivo.

O Milton então foi fundo:

- As mulheres, doutor Negrão, devem ser tratadas com carinho, muito carinho!

O doutor Negrão mais uma vez levantou o polegar repetindo o sinal de positivo.

O Milton então emendou de prima: Mas se a Dona Ema (mulher do Negrão) errar pau nela.

O seu Juvenal Lopes quase infartou e só se acalmou quando o próprio Negrão de Lima, ás gargalhadas,  entrou na parada:

- Calma Juvenal se as suas cabrochas podem levar pau quando erram, por que se poupar a Dona Ema?

Era assim o Doutor Negrão de Lima.

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Bons temas, bons sambas-enredo

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 10/10/2011 13h22

Entramos na fase decisiva da escolha dos sambas enredo 2012. Só para curtir esse mágico momento do samba, o JCN rebuscou na memória e pesquisou nos seus alfarrábios temas enredos que ensejaram bons e belos sambas enredos. Sambas, que mesmo com o passar dos anos, continuam na memória de muita gente.

Não é coisa para abrir polêmica. É apenas um esforço de memória deste velho e sofrido cronista de samba. Muitos dos sambas, citados na presente matéria, só viraram sucesso em função do bom tema enredo apresentado.

Portanto vamos curtir essa seleção pessoal. Sei que devem faltar alguns sambas e que também outros tantos sambas ficaram nas quadras, nem sequer foram para a avenida.

Caminho pelas bocadinhas do samba desde tempos idos. Sempre ouvi os antigos dizerem que quando o enredo é bom, a lógica é sair também um bom samba enredo. Naturalmente essa assertiva é uma referência ao passado.

Tal coisa não tem funcionado na atualidade, pois nem bons temas enredos têm.  Consequentemente, também não aparecem bons sambas.

No meu entendimento, o bom enredo é aquele que apresenta cabeça, barriga e pés.

É meio complicado explicar essa miolagem aos meus fieis blogueiros, diante de
tantas baboseiras que vemos por ai em termos de tema enredo.  

No passado os enredos eram bem mais simples e praticamente só contavam coisas da História do Brasil, incluindo o folclore e suas lendas.

Os compositores não tinham muita erudição e tampouco eram letrados. Mas os poetas da época, homens rudes e simples dos morros e favelas, escreviam páginas de rara beleza no sentido poético/musical.

Na  minha cabeça um bom enredo foi CHICA DA SILVA (Salgueiro - campeão 1963).  

O samba enredo e á altura do tema enredo. Mesmo assim conheço salgueirense (Mestre Laíla, hoje na Beija-Flor, é um deles) que até hoje ainda insiste na controvérsia entre um samba e o outro na escolha final.

Uns bons números de salgueirenses naquela disputa final queriam por que queriam outro samba como vencedor.

Quem assistiu no desfile da escola ao show da DANÇA DO MINUETO, comandado pela grande MERCEDES BAPTISTA, e viu a exuberante fantasia da imortal Isabel Valença, encarnando a lendária mulata CHICA DA SILVA, ficou com a seguinte impressão: é o maior enredo da história do samba.

Lembro ainda que no ano seguinte o próprio SALGUEIRO nos deslumbrava com o fantástico, mas desconhecido, (para a maioria) CHICO REI. Aliás, tanto a Chica como o Chico só entraram nos currículos escolares, principalmente das escolas do PODER PÚBLICO, só após tais desfiles. Antes, nenhum colégio do chamado hoje de ensino fundamental, nem sequer os incluía como tema da HISTÓRIA DO BRASIL

Citei CHICA DA SILVA como um grande enredo que deu um grande samba enredo, porque assisti à beira da passarela aquele desfile fenomenal e diferente.  

O desfile da escola tijucana só fez jus inteiramente à expressão cunhada pelo saudoso Nélson de Andrade, e que é marca registrada do SALGUEIRO até hoje: NEM MELHOR, NEM PIOR, APENAS UMA ESCOLA DIFERENTE.

Todavia, em certas escolas de samba de pequeno porte também surgiram grandes temas enredo que inspiraram grandes e belos sambas enredo.  

Menciono SECA DO NORDESTE (1961) da extinta TUPY DE BRAZ DE PINA. Quando a escola desfilou, cantando e sambando a miséria e o sofrimento do povo nordestino teve gente chorando na Avenida Rio Branco.

Só levou emoção pura a quem o desfile assistiu. Foi emocionante ver a pequena TUPY DE BRAZ DE PINA cantando: "Sol escaldante / terra poeirenta/ dias e dias / sem chover..."

Não poderia deixar de citar a nossa sempre simpática EM CIMA DA HORA.

Foi na pequena e acanhada quadra do sofrido bairro de CAVALCANTE que surgiram dois dos maiores temas enredo do samba carioca: SERTÕES (1976) e SABER POÉTICO DA LITERATURA DE CORDEL (1973).

Tais temas levaram à consagração dois compositores poucos conhecidos na época: Edeor de Paula e Baianinho da EM CIMA DA HORA.  

É bom ficar esclarecido que cito apenas esses, mas temos muito mais exemplos perdidos na minha memória.

A Escola de Samba UNIDOS DA PONTE de quando em vez apresentava bons e belos temas enredos. Foi assim em 1983, quando cantou e sambou na Avenida o seu "E...ELES VERÃO A DEUS".

Esse samba de é tão bom que é apresenta versos que são de uma singeleza e beleza sem igual.

Risco ainda sobre um tema enredo tipicamente da cultura popular brasileira que foi apresentado anos atrás. O seu personagem, quando da minha infância, me marcou muito.

É Luiz Gongaza, que l982 virou o enredo LUA VIAJANTE no GRES UNIDOS DE LUCAS.

Inspirado nesse enredo, UNIDOS DE LUCAS cantou um dos mais belos e gostosos sambas enredo que tenho conhecimento.

No seu principal refrão, os compositores Tia Gertrudes, Zeca Melodia e Dagoberto de Lucas não mediram esforços e em cima da velha rixa das sanfonas existente na cidade de Exu, entre o velho Januário e o filho Luiz Gonzaga, e capricharam no samba "Luiz, respeita Januário, respeita os oito baixos (sanfona) do seu pai."

É de LUCAS também o tema enredo SUBLIME PERGAMINHO. De autoria do então famoso carnavalesco Clóvis Bornay, esse tema enredo é mais um daqueles que narra a odisséia da raça negra no Brasil.

No entanto um trio de compositores - Zeca Melodia, Nilton Russo e Carlinhos Madrugada - foi fundo na inspiração e compondo uma grande obra musical de grande valor cujo refrão final é simplesmente sensacional:

"E o negro jornalista de joelho / beijou a sua mão / Uma chuva de flores cobriu o salão/  uma voz na varanda do Paço ecoou/   Meu Deus, meu Deus/  está extinta a escravidão..."

Cada pessoa apresenta o seu ponto de vista referente á escolha de bom tema enredo. Gosto não se discute. Em todas as escolas de samba, em qualquer tempo, sempre surge algo diferente em termos de tema enredo.

Só que na atualidade já não temos mais tantos talentos assim para compor em cima dos poucos bons temas enredos que por ventura possam surgir.

A ES IMPÉRIO SERRANO, dentro do seu estilo político, foi talvez a escola que mais se evidenciou com tal estado de coisa.

Começando, já na época de sua fundação, quando apresentou o tema enredo TIRADENTES. Esse tema foi um bom tema enredo? É claro que foi.

Melhor ainda foi samba enredo que o notável compositor Mano Décio da Viola compôs, que o até hoje figura como um dos melhores de todos os tempos.

E notem bem que é um samba enredo de versos simples sem qualquer outra preocupação que não fosse o nosso herói.

Mano Décio da Viola apenas teve a preocupação com aquilo que intróito na época pedia e colocou a melodia em cima daquilo que se ensinava nos colégios sobre o mártir da Inconfidência Mineira.  

Na IMPÉRIO SERRANO foi onde surgiram os mais belos incisivos temas enredo da história do samba. Isso acabou por consagrar em definitivo a veia poética/ musical do genial compositor Silas de Oliveira, que tendo parceiros ou não, fez daqueles excelentes temas enredos grandiosos sambas enredo.

AQUARELA BRASILEIRA, CINCO BAILES NA HISTÓRIA DO RIO, GLÓRIA E GRAÇA DA BAHIA, SÃO PAULO CHAPADÃO DE GLÓRIAS PERNAMBUCO LEÃO DO NORTE, culminado com o cultuado e sempre consagrado HERÓIS DA LIBERDADE do desfile de 1969, tido como o maior samba enredo de todos os tempos.  
Até aqui fica comprovado que um bom tema enredo pode ser traduzido em um grande samba enredo.

Arrolei apenas esses da IMPÉRIO SERRANO, mas é lógico que a era Beto-Sem-Braço e Aluisio Machado popularizou e consagrou com grandes sambas enredos os excelentes temas enredo apresentados.

É, chega ser até complicado uma citação. Mas, para não ficar em branco ei-los: BUM-bum PATICUMBUM PRUGUNRUNDUM, MÃE BAIANA. MÃE, EU QUERO, JORGE AMADO, AXÉ BRASIL, COM BOCA NO MUNDO, QUEM NÃO SE COMUNICA SE TRUMBICA.

Na PORTELA, o tema enredo LEGADOS DE DOM JOÃO (1957-campeã) produziu um dos mais belos e incisivos samba enredo de sua época.

Waldir 59 e Cabana "brincaram" na melodia e na letra do samba enredo e ainda tiveram inspiração bastante  para contar os incomensuráveis feitos do grande monarca quando de sua estada  no  Brasil

O portelense mais jovem também deveria saber que o tema enredo O MUNDO MELHOR DE PIXINGUINHA produziu um belo samba enredo, embora  seus  dois autores, Jair Amorim e Evaldo Gouveia, consagrados compositores da nossa MPB, jamais foram reconhecidos na Portela como compositores, sendo até sidos apelidados como "falsos valores".  Uma injustiça, sem dúvida.

Outro tema enredo, que na Portela que deu um belo samba enredo é MACUNAINA, HERÓI DE NOSSA GENTE.  

O ano era 1975 e o PORTELÃO fervilhava de grandes autores e bons sambas.

Mas, David Correa e Jorge Macedo riscaram um sambão. Em minha opinião, algo para portelense não esquecer jamais.

Tão forte e esse samba, que no enterro do grande Natal da Portela, em abril de 1975,  foi cantado do Portelão até a calunga pequena nas bocadinhas do Jardim da Saudade, na Sulacap.

Vou-me embora, vou-me embora/  eu aqui volto mais não/ vou morar no Infinito/ vou virar Constelação...  Assim o sambista cantou em tributo ao grande Maneta que partia para não mais voltar.  

Chamo atenção para um tema enredo do mais alto valor de sentimentalismo. Foi na Mocidade Independente de Padre Miguel, no de 1970.  MEU PÉ DE LARANJA DE LIMA, inspirado no livro de enorme sucesso do escritor José Mauro Vasconcelos.

Uma simples frase perdida no meio samba, se não me engano de autoria do saudoso compositor Gibi (Walter Pereira) dá o tom de emocional ao aproveitamento desse notável tema enredo.

Diz o trecho do samba: "Oh, como é/ triste fazer a criança chorar...".

É claro que na escola da Zona Oeste temos outros grandes temas enredos e outros sambas também como  RAPSÓDIA DE SAUDADE, A FESTA DO DIVINO, O MUNDO FANTÁSTICO DO UIRAPURÚ, MÃE MENINA DE GANTOIS.

Não se pode negar, também, que o tema enredo SONHAR NÃO CUSTA NADA, OU QUASE NADA produziu um gostoso samba enredo até cantarolado até hoje por todas as esquinas da Vila Vintém ao Ponto Chique.

Chega a vez da minha Mangueira querida. Os jovens blogueiros de hoje nem sabem do relicário de grandes temas enredos que foram transformados em grandes sambas enredos em MANGUEIRA.

Lá atrás, bem lá atrás, Mestre Cartola nos brindou com um samba definitivo. Mestre Cartola em parceira com o seu fiel parceiro Carlos Cachaça, o popular Charles Drinque, compôs em cima do belo tema enredo  O VALE DE SÃO  
FRANCISCO um samba enredo cheio de ufanismo e emoção.

Depois o tempo rolou e vieram AS QUATRO ESTAÇÕES DO ANO (Nélson Sargento) e o GRANDE PRESIDENTE - EXALTAÇÃO A GETÚLIO VARGAS (Mestre Padeirinho). O mangueirense dessa época chora em ouvi-los hoje.

O bom tema enredo levou os compositores Leléo e Jorge Zagaia comporem uma obra prima é  CASA GRANDE & SENZALA, no Carnaval de 1962.

Finalmente, com tema enredo é CEM ANOS DE LIBERDADE, REALIDADE OU ILUSÃO, a Mangueira mostrou ao mundo que um enredo bem elaborado e feito sem vaidade produz sempre um belo samba enredo.

Quem consegue deixar de cantar esse verso simplesmente genial: "Pergunte ao criador / quem pintou esta aquarela/ Livre do açoite da senzala/  Mas preso na miséria da favela..."  

Na UNIDOS DE VILA ISABEL em quase todos esses anos só o dava Martinho Sempre da Vila. Martinho sempre soube com facilidade aproveitar o tema enredo, fosse lá o que fosse.

Fica difícil se escolher um tema enredo da VILA ISABEL que Martinho não tenha transformado num samba enredo inesquecível. Como são tantos, e dos mais variados temas, o JCN fica apenas com dois deles, sem desprezar os demais.

Um deles é RAÍZES (1987) que Martinho interpretou magnificamente o tema riscando um samba sem qualquer tipo de rima direta, coisa pioneira e inédita no samba até hoje.  

A Vila Isabel incorporada de Maíra/ se transforma em Deus supremo/ Dos povos de raiz...

Uma curiosidade: minha filha, Ana Cristina, estava grávida na ocasião. De pronto guardou o nome de Maíra para a sua filha que nasceu em seguida.

O outro tema enredo é SONHO DE UM SONHO (1980). Quase ninguém na escola queria nem quer saber do referido tema. Bastou o velho Sargento pega ler e reler a boa sinopse e bradar bem alto "Que puta tema enredo vou escrever samba enredo e quero ganhar."

De imediato convocou o saudoso Tião Graúna, que era um tanto complicado, mas excelente compositor e juntos e mais o poeta, emérito letrista, por sinal, Rodolfo de Souza fizeram um samba enredo á altura dos grandes autores do samba.

Sonhei/ Que estava um sonhado/um sonho sonhado/ O sonho de um sonho/ Magnetizado/...

Merece uma citação honrosa o tema enredo MARQUESA DE SANTOS,  que IMPERATRIZ LEOPODINENSE apresentou no desfile de 1964. Tema simples, pois todos nós conhecemos a história da senhora Domitila de Castro Canto e Melo e dos seus amores pelo Imperador Pedro I.

Só que compositor Maurílio Penha Aparecida e Silva, o saudoso popular Bidi, (fundador do Conjunto Originais do Samba) foi mais além ao riscar um senhor samba enredo em cima do acordes uma valsa (parece acordes da Valsa do Imperador) que deu ao samba um toque de classe, magia e encantamento.
O seu refrão principal é um primor de letra e melodia;  "A bela titilia foi glorificada / Num suntuoso beija-mão/ Onde esteve sentada/  Ao lado do soberano /Que solenemente quis / Dar-lhe a glória de alguns momentos / Como Imperatriz..."

Outra obra prima de tema e samba enredo é da IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE em 1989. LIBERDADE, LIBERDADE, ABRE AS  ASAS SOBRE NÓS. Poucas vezes rolou tanta união. Tema enredo perfeito e samba enredo mais perfeito ainda.

Contudo é que bom os fiéis blogueiros, torcedores da  Gresil saibam que nas décadas de 60/70, a agremiação  apresentava os enredos mais culturais e inéditos como MARTIM CERERÊ (1972), é um belo enredo cultural. Que rendeu uma razoável m bom samba enredo e lançou no miolo o compositor Zé Catimba.

Da IMPERATRIZ ainda é bom citar houve uma época entre 60/70 que os temas enredos faziam diferença na Ala de Compositores. Dois destes autores então deitavam e rolavam: Carlinhos Sideral e Matias de Freitas.

Para este JCN é alvíssara recordar temas como BRASIL FLOR AMOROSA DE TRÊS RAÇAS, (1969)   OROPA, FRANÇA E BAHIA, (1970) E BARRA DE OURO, BARRA DE RIO E BARRA DE SAIA. (1971)  Sideral e Matias, em cima dos citados temas enredo, brincaram compondo sambas enredo diferentes e de bom nível musical.

Chamo atenção para o outro lado da moeda. Temas enredo que ninguém acreditava.  Mas acabaram por levar os compositores riscarem belos e grandes sambas enredos.

É o caso da UNIÃO DA ILHADO GOVERNADOR. Quem diria que temas enredo como DOMINGO. O AMANHÃ, O QUE SERÁ. É HOJE E ASSOMBRAÇÕES dariam bons sambas enredo?

No caso da UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR os referidos enredos deram  excelentes sambas enredo, que se pode afirmar são mais populares da escola quando entoados na quadra, shows e festas são sucesso garantido.

Dizem lá Ilha, embora alguns sambas sejam assinados por outros compositores, em quase todos existe a veia poética e o dedo do saudoso Doutor Paulo Baeta Neves, o saudoso compositor Didi. Se for verdade, não tenho como comprovar.

É a UNIDOS DO JACAREZINHO,  no de sua estréia, depois que rolou a fusão no samba do Jacaré, teve como o tema enredo EXALTAÇÃO A FREI CANECA.

Trata-se da história do padre Joaquim do Amor Divino, fuzilado pelos regime vigente na época, por pregar abertamente a Independência do Brasil de Portugal.

O compadre Monarco, compositor laureado e sempre exaltado da Port4ela querida, morador na época no Jacaré, foi convidado a entrar na disputa de samba enredo no primeiro desfile da nova escola de samba.

Monarco, que jamais ganhou um samba enredo na Portela, compôs então um portentoso samba enredo, mesmo com o tema enredo sendo a tragédia que foi fuzilamento de Frei Caneca.

Consta ainda que encontrar com seu Natal, no famoso Botequim Haia, em Madureira, Monarco mostrou ao velho Maneta o seu samba. Natal depois ouvir o samba, simplesmente disse:  

- Pra Portela você só faz merda. Para essa escolinha de merda você fez esse sambão.

Clareando esse / Céu azul anil/  Era fuzilado sem clemência/ Esse vulto  inesquecível do Brasil... diz esse samba no refrão principal.

Em  Pilares foi à participação de um carnavalesco que mudou a historia da escola. Luis Fernando Reis chegou com seus temas populares, alegres, irreverentes e gostosos que mexeu com tudo na CAPRICHOSOS DE PILARES.

Tudo começou em 1982 quando ele lançou MOÇA BONITA NÃO PAGA, popularmente conhecido como A FEIRA.

A Ala de Compositores da escola nessa época era uma pedrada. Basta mencionar nomes como o grande saudoso Ratinho, Almir Araújo, Jorge 101, Carlinhos da Ceasa, Carlinhos de Pilares e outros.

O samba enredo que saiu desse original tema enredo do Luis Fernando Reis, concordo, pode não ser um sambão, mas é muito gostoso para se cantar e ouvir. Quem não lembra?  " Compra peixe Lili  / Compra peixe Lili/...’

Seguiu-se uma série de temas, todos bem hilários  como A VISITA DA NOBREZA DO RISO A CHICO REI, NUM PALCO NEM SEMPRE ILUMINADO, numa clara ao episódio do carnaval  do ano anterior quando faltou energia elétrica justamente no momento da CAPRICHOSOS desfilar.

E finalmente o tema enredo E... POR FALAR EM SAUDADE.

Nesse enredo LFR colocava na Avenida o nosso Rio de antão fazendo uma comparação em termos de gozação com a atual situação e fechando como chave de ouro com o alegremente conhecido "Tem Bumbum De Fora pra Chuchu."  

Foi um seqüencia de bons sambas enredos inspirados na extraordinária de capacidade desse gênio na criação de temas enredo chamados Luís Fernando Reis.

O JCN está riscando sobre temas enredos que posteriormente ensejaram produzir  bons sambas enredo E quase me passa despercebido pela UNIDOS DA TIJUCA.

Nos anos 1980 / 82  o Borel apresentou, através do imbatível carnavalesco Renato Laje os temas enredos BELMIRO GOUVEIA E  LIMA BARRETO, MULATO, POBRE. MAS LIVRE.

Foram dois bons enredos cujos sambas enredo até hoje figuram no pantheon das grandes obras musicais do samba do Borel, na atualidade com ares de uma grande escola de samba.

Não sei algum dos nossos fieis blogueiros, principalmente os adeptos da agremiação do Borel  lembram,  mas é sempre bom, de quando em vez, se cantarolar esses dois belos sambas.

Funciona com uma espécie de homenagem ao talento do carnavalesco xiita Renato Laje, que nos proporcionou temas para belos sambas enredos.

Esse assunto tema enredo x samba enredo é por demais palpitantes e discordantes entre os aficionados do samba.  Muitas das vezes um tema enredo que todos julgam certo para sair um grande samba enredo, sai uma grande porcaria e uma besteirol sem igual.

Por outro lado, temas enredo que são tão somente apelação ou patrocinados soa alto se transformado belos sambas enredo. Nada contra os compositores, mas nos dois casos são eles os responsáveis.

Se o compositor tiver talento e, mesmo com uma sinopse mal escrita e cheia de besteiras, tal se vê na atualidade, ele consegue safar-se  na composição do samba enredo.     

Alguém pode estar falando "Puxa o JCN não viu nenhum grande samba nos temas enredo apresentados por ESTÁCIO DE SÁ, ACADÊMICOS DO GRANDE RIO E BEIJA-FLOR durante todos os esses anos?  

É claro que  vi. Mas no caso da ESTÁCIO DE SÁ, vi muito  mais na antiga SÂO  CARLOS. do que na atual na escola.


Naquele SÃO CARLOS  de outrora, ainda podem ser citados RIO GRANDE DO SUL NA FESTA DO PRETO FORRO, ALÕ, ALÕ  BRASIL, 40 ANOS DE RÁDIO NACIONAL, A FESTA DO CÍRIO DE NAZARÉ.  
Bons temas enredos e resultaram em bons sambas enredos.

Na ESTÁCIO, atual é lógico, PAULICÉIA DESVAIRADA (1992 campeã) é disparado um  grande tema enredo, como também se transformou num samba enredo da melhor qualidade.

A GHRANDE RIO é uma escola nova na constelação das grandes estrelas. Mas sem dúvida alguma em 1998,  Caxias apresentou um tema enredo digno de grandes escolas de samba. PRESTES, O CAVALEIRO DA ESPERANÇA.

Esse enredo trouxe de volta várias recordações, principalmente políticas, e um samba enredo correto historicamente dentro de uma temática complicada que foi a vida do político comunista LUÍS CARLOS PRESTES. Bom e explicativo gostoso de cantar e ouvir esse samba.

Na  ES BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS não se pode negar que o irrequieto carnavalesco Milton Cunha apresentou na escola dois grandes temas enredo e inéditos acima tudo.

Curiosamente um seguido pelo outro. MARGARETH MEE- A DAMA DAS BROMÉLIAS e BIDU SAYÂO E O CANTO DE CRISTAL

Os dois sambas escolhidos para representar tão significativos temas enredo são de tão bons e bonitos como deveriam ser diante da categoria do ineditismo da idéia do MC.  

A BEIJA FLOR não ganhou os desfiles. Porém, na sua história os anos 94 / 95, estão marcados até como uma feliz recordação.    

Vamos  esperar pela safra 2012. Imperatriz, Mocidade, Tijuca, Mangueira e Salgueiro estão na obrigação de nos brindar com bons sambas enredos.

Na verdade, são as escolas que apresentam temas enredos mais próximos da nossa realidade de entendimento dessa questão.  

Ficarei mais do que feliz se dessa safra que vai surgir agora, tenhamos pelo menos, de dois a três sambas enredo do quilate dos citados essa ao longo dessa matéria. Fico na torcida.

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Tijuca com Luiz Gonzaga: Um deleite para quem gosta do popular

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 30/09/2011 19h23

Foto: DivulgaçãoA vida é uma constante. Disso ninguém duvida. Em todos os setores de nossa sociedade fatos e repetem de maneira galopante e no mundo do samba não poderia ser diferente. Existe até uma  máxima do saudoso Chacrinha, que diz que "nada se cria, e sim, se copia".

Risco isso porque o GRES UNIDOS DA TIJUCA, diga-se de passagem, sem qualquer tipo de maquiagem copiativa, resolveu investir num tema que considero puro e genuinamente popular com a cara de um Brasil povo.

Brilhante a idéia do consagrado carnavalesco Paulo Barros sobre o tema enredo Luiz Gongaza. Isso será motivo de mil falatórios antes, durante e depois do desfile.

Não se trata algo inédito nem tampouco coisa do outro mundo. É apenas popular. TIJUCA simplesmente vai descer do MORRO DO BOREL com o tema "O DIA EM TODA REALEZA DESEMBARCOU NA AVENIDA PARA COROAR O REI  LUIZ DO SERTÃO".

Tema mais do que batido. Quase todas as escolas de samba já apresentaram algo sobre a controvertida vida pessoal, social e profissional do famoso Rei do Baião, Luiz Gongaza.    

O último enredo que tenho conhecimento sobre Luiz Gongaza veio do GRES UNIDOS de LUCAS, no Carnaval de 1982, sob o título de "LUA VIAJANTE".

É explicar que Luiz Gonzaga atendia também pelo apelido de LUA. Por isso no título do enredo só foi acrescentado o VIAJANTE.

Na ocasião, esse tema enredo ensejou um samba sensacional, com ares de popularesco, como foi o personagem, assinado pela veteraníssima compositora da escola, a popular Tia Gertrudes,  Zeca Melodia e Dagoberto de Lucas.

O  principal  refrão do samba é tão gostoso, já que traduz o que acontecia nos duelos de sanfoneiros e violeiros lá nos confins da cidade EXU, em Pernambuco. Leva quem o cantar ou ouvi-lo ao completo prazer.

É que o velho Januário (pai do LG), cansado das estripulias do filho Luiz Gongaza na sanfona, cantava tocando a todo instante a sua sanfona: "Luiz, respeita Januário / Respeita os oitos baixos  (sanfona) do seu  pai..."                     

Luiz Gongaza é merecedor de toda nossa admiração. Foi ele, com seus trajes típicos, sanfona e suas músicas mais do que originais, e cheias de autenticidade, que o trouxe sertão musical para o asfalto em seguida ganhando mundo.

Quando Luiz Gonzaga começou a fazer sucesso na Rádio Nacional (a maior emissora da América Latina,  na época), o Brasil em peso só pensava no Nordeste em termos de Lampião, o popular Rei do Cangaço.

A partir da presença de Luiz Gonzaga, o Brasil esqueceu aquele Nordeste de sangue, suor e lágrimas, relegando as lembranças dos sanguinários cangaceiros nordestinos para ficar só ligado nos baiões, xotes e modinhas do nosso LG.

Não sei como o carnavalesco vai clarear tudo isso. A sinopse é um primor, totalmente versada, e contém uma grande apologia à obra e ao mundo nordestino do Rei do Baião.

Por certo, o Nordeste, com seus sofrimentos, padres, cangaceiros, retirantes, valentes e covardes, aves e animais, lendas e folclore, vai estar presente de fio a pavio no desfile da Tijuca.  

A UNIDOS DA TIJUCA será o coração e a Sapucaí a estrada que nos levará Sertão adentro.

Deve ser um deleite desenvolver um tema enredo tão gostoso como esse.

Mas o certo é que ganhará ares de modernidade e um pouco de luxo também. E certamente não faltará um pitada de hilaridade por parte do Paulo Barros.

Não tenho por hábito esse tipo de empolgação por esse ou aquele tema enredo. Não sei o motivo o porquê me amarrei nesse Lua Viajante.  Sei apenas que na minha criancice, Luiz Gongaza era prato cheio lá em casa. Minha saudosa vovozinha vivia pelos cantos da casa cantarolando os grandes sucessos do LG como Asa Branca,  Xote das Meninas, Ovo de Codorna, Luar do Sertão, Mula Preta e tantos outros. Isso tudo fez a minha cabeça desde então. Quando fui informado sobre o enredo Luiz Gonzaga, vibrei.

Considero o fato de uma importância vital para o conhecimento cultural popular de muitos blogueiros que nem sabem quem foi Luiz Gonzaga.

Sei bem que tantas e tantas pessoas já estão opinando sobre esse ou aquele enredo de 2012. O JCN também não resistiu e de pé aplaude o presidente Fernando Horta do GRES UNIDOS DA Tijuca pela brilhante escolha.

Várias coisas que o Paulo Barros fez na avenida, vibrei. Outras torci o nariz. Não gostei, por exemplo, da encenação do Michel Jackson. No entanto, não sei nem o motivo, adorei o quadro do Planeta dos Macacos.

Espero ver na Sapucai um Luiz Gonzaga impávido, autêntico e brilhante, pois a cultura popular brasileira ficará a dever isso ao Paulo Barros.

Sem esquecer o lado de gozador, que o próprio Luiz Gongaza fazia questão de aparecer em vários momentos de sua atribulada vida.  

Temos outros bons temas enredo para 2012. Outros são pura apelação. A maioria é autêntica baboseira, que poderia ser revista pela LIESA, diante de tanta de besteira que encerram.

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Mangueira: Cacique é um plano de fundo para um grande Carnaval de rua

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 22/09/2011 17h44

Foto: DivulgaçãoNão teria sentido este JCN ficar sem riscar algo sobre a MANGUEIRA. Melhor riscando: sobre o enredo da escola para o desfile de 2012. Entendo que qualquer enredo quando é apresentado se torna uma exaltação ou mesmo homenagem.

Por dois anos seguidos, a escola teve a música como o foco principal dos seus desfiles. No próximo ano não será diferente. A música do povo volta com a MANGUEIRA disposta segurar o caneco.  

O BC CACIQUE DE RAMOS é merecedor das duas coisas. Tanto merece ser exaltado como homenageado por nós foliões ou sambista do Rio de Janeiro. Se o Carnaval de Rua da cidade teve o seu apogeu, deve-se isso, em parte, ao famoso bloco de Ramos.  

Aqui mesmo, no SRZD-Carnaval, alguém da MANGUEIRA disse com muita convicção que o carnavalesco Cid Carvalho pode fazer história ao desenvolver esse enredo. Discordo. Para o JCN, o Cid Carvalho só em virar o artista da MANGUEIRA para o próximo desfile já é história. Tudo então só vai depender de sua capacidade criativa.

Nunca é demais lembrar ao Cid Carvalho, que o desfile será da MANGUEIRA e não do CACIQUE DE RAMOS.

Se ele, com a sua capacidade de bom carnavalesco, apresentar condições de saber fazer essa diferença, certamente a verde e rosa apresentará na Sapucaí um grande e belo cenário de um Carnaval de Rua como há muito não se vê em desfile de escola de samba.

Tive o cuidado de ler e reler a boa sinopse do enredo. Riscado por seis mãos - Sérgio Cabral (pai). Beth Carvalho e Bira Presidente - o tema remonta á África tribal onde os Deuses ou os sarcedotes cuidavam espiritualmente de todos os habitantes das aldeias.

Como se fosse magia, a luta pela sobrevivência africana chega ao Rio de Janeiro, embora ainda escrava. Aqui, na cidade grande tudo é samba e batucada com o povo nas ruas festejando de tudo um pouco.  Cita a boa sinopse, que a elite já implicava como que denominava de selvageria de um povo menos privilegiado.

O fato é que o tempo rolou e o Carnaval de Rua ganhou ares de extravasamento geral por parte do povão. Os blocos carnavalescos ganharam as ruas surgindo então o CACIQUE DE RAMOS para duelar carnavalescamente com o BAFO DA ONÇA.

Pelo inteiro teor contido na boa sinopse "VOU FESTEJAR! SOU CACIQUE, SOU MANGUEIRA" é um enredo simplório e até com facilidade de execução.  

Sem patrocínio ou ajuda financeira de quem quer que seja, MANGUEIRA optou pelo óbvio: o povo, fielmente sua gente. Quem se preocupa com gente, povo, Deus costuma ajudar. O desfile mangueirense será nessa base. Muita folia, samba puro e batucada, onde o CACIQUE DE RAMOS entra, mais garboso do que nunca, só para reviver  e comemorar os seus 50 anos de tamarineira.

Nenhum presidente escola de samba escolhe enredo ou faz Carnaval para perder. Muito menos o Ivo Meirelles.

Antigamente em MANGUEIRA costumava-se dizer "Mangueira só perde o Carnaval para ela mesma". Mas atualmente já ouvi gente dizendo "Mangueira perde para ela e para as outras também".

Isso não é o lema da atual diretoria. A meta é lutar pelo caneco em igualdade de condições com as demais. Por isso, a escolha do Carnaval-Povão  para o próximo desfile.

Repito ao presidente Ivo Meirelles: Gostaria muito de ganhar um Carnaval ainda em sua gestão. Na verdade, o oposto de um conhecido samba enredo da escola, o presidente Ivo Meirelles é brigão, sem ser arruaceiro, pelas coisas da Estação Primeira. Boa sorte.

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Rainha de bateria: exagero sem fim

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 08/09/2011 13h52

O assunto RAINHA DE BATERIA de escola de samba está se tornando mais do que intrigante partindo para um exagero sem fim. Panos pra mangas, como diria minha vovozinha lá em UBÁ -MG

Em minha opinião, pode até se tornar um caso de Polícia, caso as opiniões de certos blogueiros continuem com as suas agressões gratuitas.

Soube da posse da Gracyanne Barbosa no GRES Unidos da Tijuca, substituindo Adriane Galisteu. Pelo que soube, a festa foi bonita e o presidente Fernando Horta caprichou na recepção dos convidados.

Mas pelo que li nos sites nada disso aconteceu. Até de MADRINHA DOS OVOS DE OURO a cabrocha Gracyanne Barbosa foi taxada por um blogueiro que diz chamar Carlos Rivera. Bola fora o escreveu mais irado do que nunca.

Outro blogueiro que se intitula DALTON assim se expressa: "Quanto à nova rainha que não tem majestade nenhuma, esta senhora cheia de estrias e músculos mais parece um Robocop".

O JCN é da antiga. Felizmente chegou à era moderna da crônica carnavalesca. Todavia, jamais vi tal vulto de insultos e agressões gratuitas. Entendo que a pessoa pode não gostar de outra, mas agredir sem nenhum propósito é coisa sem qualquer tipo de civilidade.

Foto: Ary Delgado

A cabrocha Gracyanne Barbosa apenas cumpre o seu papel. E é claro deve inspirar paixões e até sonhos eróticos de certos blogueiros.

A GB foi RAINHA DE BATERIA de outras tantas escolas e sempre aparece alguém para ofende - lá e tentar tirar o mérito do seu posto, sempre envolvendo o nome do cantante Belo, seu marido. O nome disso é covardia.

O cantante Belo foi inventado por uma mídia não preparada para esse tipo de promoção artística-pessoal. São profissionais que jamais conheceram os verdadeiros cantores, que na verdade, deveriam estar no ápice da mídia.

A escriba Rachel Valença aposta tudo que não foi o GRES Império Serrano o inventor da RAINHA DE BATERIA. É claro que não foi.

Isso começou como uma brincadeirinha com a boa negrete Adele Fátima e acabou dando no que está dando. Até a fogosa (na época) Monique Evans foi RAINHA DE BATERIA.

O mais estranho nessa história é que ninguém ofende ou macula uma Luiza Brunet, Luma de Oliveira e Juliana Paes. E elas fazem tal quais as outras rainhas.  
A  Quitéria Chagas acaba de afirmar categoricamente que está "decepcionada com o mundo do Carnaval ".  Sabem o motivo? Simplesmente porque não foi recolocada no trono imperial.

Ela foi usada em toda a campanha do atual presidente Átila, como futura RAINHA DE BATERIA da escola e no final levou uma "calça arriada".  

Dizem que ela desejava poderes maiores para reinar na Serrinha. Como o Átila queria apenas uma rainha, ela acabou "nem sambando".

Agora, bem empregada no SRZD-Carnaval, a bela QC está com a faca e o queijo nas mãos para riscar o que bem entender. Poderá  contar tudinho, e ainda expor seus planos para se tentar mudar o atual estado de coisas. Fico na espera.

No final, o JCN não sabe se o samba perde uma linda rainha ou o SRZD-Carnaval é que ganha uma excelente colaboradora.  

Vamos esperar pelo trotear da carruagem. Até porque, ainda estou acreditando que Quitéria Chagas voltará, em breve, aos braços do sambista para reinar linda, maravilhosa e absoluta á frente dos couros de uma grande bateria.

O grande lance é que cada moça destronada sai atirando. Disso se aproveitam os mais enxeridos para agredir e ofender as pobres moças. O JCN é de opinião de que, como isso já foi longe demais, deveria alguém buscar uma solução para o caso.

Não sei como poderia ser. Talvez um concurso público ou então somente moças das comunidades. Como está é que não pode ficar. Cada escola de samba escolhe  quem bem deseja, sem se importar com as críticas e o falatório geral.

Ora, meus caros blogueiros e também sambistas, isso não é samba e tampouco é Carnaval. Isso mais parece àqueles festivais  da Roma Antiga pagã onde cada romano cheio de capilé escolhia a sua rainha.

Tal como fazem agora onde certos presidentes, que cobram verdadeiras fortunas para entronizar uma cabrocha como RAINHA DE BATERIA ou arranjar uma vaga para uma simples passista. Existe ainda escola de samba que aceita até shows e cheques pré- datados.

Não se trata de criticar ou desaprovar esse ou aquele ato de ninguém. Algumas RAINHAS DE BATERIAS, muito de nós do miolo sabemos, chegam pagar pequenas grandes fortunas para ostentar o galardão de soberana dos couros dessa ou daquela escola de samba.

Existe até o lance da RAINHA DE BATERIA ajudar financeiramente ou pedir  para algum figurão ajudar ou bancar a confecção das fantasias dos ritmistas.  

Isso sem falar que alguns estilistas gananciosos e até desonestos cobram verdadeiras fortunas  por algumas plumas, pedrinhas e biquínis igual aos demais que passam na Avenida.    

Nunca uma RAINHA DE BATERIA é escolhida por puro mérito. É  esse tipo de critério que o JCN não entende e não aceita, principalmente os comentários grosseiros feitos nas colunas dos sites especializados em samba.  Precisamos mudar isso.

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Sinopse em versos é moda para fazer samba enredo

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 05/09/2011 10h55

Antes mesmo da boa jiboia ser esticada na Avenida, o velho JCN apresenta esse pequeno comentário. É sobre as sinopses que consegui ler para tentar entender algo. Está difícil de entender o que os carnavalescos querem dizer de suas futuras criações.

Determinadas sinopses já trazem o samba enredo prontinho, faltando apenas o compositor colocar a boa melodia. Outras são de fazer chorar. O mais curioso: de três a quatro sinopses que consegui ler, são escritas em versos com as rimas certinhas.

Outras trazem coisas tipo besteirol como o próprio enredo da escola. Uma outra é uma autêntica colcha retalhos, que nem mesmo o pessoal da escola conseguiu entender até agora e mal conseguem pronunciá-la certo.

Muito se tem reclamado da qualidade do samba enredo, pelo menos nos últimos 20 anos. Curiosamente este JCN dedicou-se em ler e reler as sinopses elaboradas pelos carnavalescos para tentar descobrir se há falha, porque não aparece mais um grande samba enredo.. é do compositor ou do próprio carnavalesco.

E sinceramente fiquei pasmado. Algumas não são simples sinopses. São sim, poemas, poesias feitas por quem domina essa arte. Naturalmente o compositor que já é um desclareado nato, se perde ainda mais. O único jeito então é copiar palavra por palavra o que esta escrita na sinopse-poema.    

Risco isso porque nos tempo idos, fazer samba enredo era bem mais fácil, pois  compositor tinha somente por obrigação citar fatos, datas e acontecimentos etc. e tal.

Os sambas tinham mais melodias e no final inúmeros carnavalescos esperavam pela decisão do samba para começar montar suas alegorias e até mesmo fantasias. É verdade.

A atualidade é bem diferente. O samba enredo é escolhido pelo processo do menos ruim. Alegam certos carnavalescos que fica difícil e complicado escolher um samba enredo, quando o compositor não segue ou não obedece pelo menos setenta a oitenta por cento do que está inserido na boa sinopse.  

Não duvido e tampouco faço pouco da capacidade de nossos compositores. Só que maioria dos sambas apresentados de quadra a quadra, as mesmas palavras, são repetidas em quase todos os sambas.  

Muitos dos compositores andam com dicionários de rimas nos bolsos.
Existe ainda uma nova praga inventada recentemente: reunião para tirar duvida entre os compositores e o carnavalesco.

Não existe mais um verso apaixonante, como não existe mais o verso espontâneo ou refrão que mexa com todo mundo. Em sua maioria os versos ou rimas colocados nos sambas são tirados das sinopses sem menor criatividade por parte dos compositores

Dos enredos até então apresentados, quatros deles pré-inspiram bons sambas enredo. Mas será que os nossos compositores vão conseguir fazer isso apresentando algo de melhor do que anda por aí?  

A sinopse escritas em versos é bonita, não posso negar. Só que ele veio para embolar  mais o meio-campo da cabeça do compositor. Seria o caso do carnavalesco exigir parceria no samba enredo.

O JCN gostava mais quando o compositor usava o seu próprio talento, principalmente ao colocar a melodia, ao invés de simplesmente copiar textos efeito colocados nas sinopses.   

Se o fiel leitor blogueiro tiver duvidas, leia, por favor, as sinopses que já estão circulando a torto e direito pelas quadras da cidade. Depois peguem algumas letras de samba e confiram.

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É fraude ou não um julgador votar pelo outro?

Redação SRZD | José Carlos Netto | 23/08/2011 20h21

Exatos cinco meses e alguns dias. Foi o tempo que levou a LESGA
para descobrir uma possível fraude denunciada em março pelo presidente do ES Cubango de Niterói, no julgamento do desfile do Grupo de Acesso. em 2011.

Na ocasião bradou o simpático negrete Olivier Vieira, o popular Pelé, que havia acontecido alteração em determinado mapa.

O presidente da LESGA, Reginaldo Gomes levou tempo para acreditar na denuncia e mais tempo ainda para criar  uma comissão, por sinal de alto nível,  que até um perito do Instituto Criminalista Carlos Éboli contratou para apurar a possível falcatrua denunciada.

O perito Sebastião Leme de Souza Pereira mexeu aqui e ali acabou descobrindo tudo. Um julgador havia feito o mapa de outro julgador. Só que isso levou cinco meses e alguns dias para isso acontecer. Mesmo quando o  perito é altamente competente. Nesse caso nem precisou ninguém levar bolo nas mãos.

È fato que a LESGA descartou o mapa em questão no dia da apuração do desfile. No entendimento de pessoas lúcidas e com conhecimento em desfile de escola de samba, houve sim, uma fraude ou na pior das hipóteses uma tentativa.  Se foi intencional é outra história. Mas que houve, houve.

O motivo alegado para isso tudo rolar foi o que julgador  Samuel Pinto, ao usar o banheiro, caiu no chão sofrendo uma forte luxação no braço direito, que impedia de escrever qualquer coisa.

O curioso é que na Passarela funciona um serviço médico de alta precisão que poderia ter atendido o acidentado e diagnosticando a sua capacidade  de trabalho O referido julgador ainda atuou no desfile do Grupo 3.

Este velho e calejado cronista de samba já viu quase de tudo quando o assunto é apuração de desfile. Já vi assistente fazer o mapa para o julgador só assinar. Já vi dirigente subir na cabine e entregar mapa pronto para julgador. Já vi troca de notas de cardinal para nominal ( ou vice-versa) e tantas outras coisas mais. Confesso:  julgador votando para outro julgador, nunca tinha visto.

O que acontecerá nos próximos desfiles da LESGA?  O honrado presidente, Reginaldo Gomes só precisa fazer uma coisa para ter de volta a credibilidade que tanto necessita e continuar no comando da entidade: colocar gente de competência e criatividade quando for tratar da escolha de julgadores.

Um caso simples, que seria a substituição do homem machucado, acabou por macular uma entidade que só está começando no samba.

Ao velho cronista só cabe apenas uma indagação, diante de um caso atípico como esse: Será que o presidente Reginaldo Gomes  pensa igualmente?

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AESCRJ X FBCRJ: blocos ou escolas de samba? Eis a questão.

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 19/08/2011 15h04

Na minha terrinha de Ubá (MG), de quando em vez alguém soltava um dito popular que bem poderia ser aplicado nesse exato momento no mundo do samba. Quando sentia ser rebaixado ou passado para um plano inferior batia de prima  "Não vou passar de  cavalo a burro ".

Guardada todas as proporções, está acontecendo isso, nesse momento com quatro pequenas escolas de samba da AESCRJ. Já foram até sorteadas para o desfile da FEDERAÇÃO DOS BLOCOS, que acontecerá no dia 18/ 02/ 2012 na Avenida Rio Branco. São as seguintes essas benditas escolas de sambas: Infantes da Piedade, União de Guaratiba, Unidos do Uraiti e Boêmios de Inhaúma. 

A ES INDEPENDENTE DA PRAÇA DA BANDEIRA, não essa nossa PB de terríveis enchentes, mas a outra PB lá das bandas da BAIXADA, VILAR DOS TELLES, já está fora do desfile do próximo ano. Motivo: foi rebaixada do Grupo 3 da LESGA. Está praticamente dissolvida lá em sua comunidade.
                        
O JCN conhece essa história de maneira inversa. Isto é:  Blocos querendo e passando a escolas de samba. Mas, escolas de samba virando blocos é novidade para este velho e sofrido cronista de samba. 

Tudo começou em 1976, quando o finado Mário Silva comandava com mão de ferro a então poderosa FBCRJ. O então BLOCO CARNAVALESCO ARRANCO DO ENGENHO DE DENTRO numa jogada nitidamente política orquestrada pelo escriba, Aroldo Bonifácio, já falecido, o ARRANCO foi parar nos braços do finado Amaury Jório mandatário da AESCRJ.

Não demorou muito foi á vez do BLOCO CARNAVALESCO FOLIÕES DE BOTAFOGO, grande força do carnaval de rua da cidade, seguir a mesma trilha. A verdade é clara: Nem ARRANCO e nem FOLIÕES fizeram como escola de samba, o que faziam como blocos carnavalescos.

O ARRANCO ainda foi o que mais longe chegou até o desfile do grupo da elite do samba.  Sempre descia no ano seguinte, mas chegou, chegou por algumas vezes. Na atualidade, amarga o desfile do  Grupo 3 da LESGA.

O FOLIÕES foi um fiasco total. Não chegou a nenhum lugar.  Terminou sendo vendido para uma escola de samba de Niterói ou São Gonçalo pela soma de oitenta contos de reais. Essa escola ocuparia sua vaga na AESCRJ. 

Acabou o bloco, acabou o bairro e acabou a família também. O presidente do FOLIÕES, na ocasião dessa malfadada negociata, era o cidadão Sypriano.

DEBANDADA DOS BLOCOS

A lista dos blocos carnavalescos que passaram a escola de samba é longa. Sempre entendi que bloco é família, é bairro. Quando isso deixa de existir se transforma em negociata com alguns espertinhos segurando a sua verbinha.

Para ter ideia basta citar que ARRANCO E FOLIÕES colocava na rua nos dias de carnaval número de componentes avaliado, por baixo, em seis a sete mil  integrantes por cada bloco. Tudo envolvendo somente seus bairros e seus familiares.

Não se deve narrar um acontecimento sem apontar como ele começou. Nessa caso das transformações dos blocos. A debandada geral começou dos anos 70, e tinha uma única explicação:  não se sabe o motivo, mas todo o ano só ganhava no desfile do Grupo Um dos blocos o BLOCO CARNAVALESCO CANARINHOS DA LARANJEIRAS. A armação era tão gritante e descarada que o CANARINHOS ganhou por sete (07) anos seguidos o desfile.

Os demais blocos brigavam, chiavam e alguns chegaram recorrer até a Justiça. Não mudaram em nada os fatos. Só ganhava mesmo O CANARINHOS DAS  LARANJEIRAS. E tudo isso era sustentado a ferro e fogo pelo finado presidente Mário Silva. 

Por trás das vitórias do CANARINHOS havia um político com enorme poder. Nunca se soube se realmente isso é verdade, mas o nome do político o mundo do samba conhece muito bem. É um que o saudoso Governador Leonel Brizola chamou de "filhote de Chagas Freitas" numa debate político na televisão em 1982. 

Irritados e lesados pelos resultados, os blocos começaram largar á filiação na FBCRJ e correrem para AESCRJ onde eram recebidos cheios salamaleques. Repito: muitas dessas filiações eram na base de boas verbinhas que eram distribuídas dentro da própria sede da  entidade. 

Na ocasião  ainda ocorreu  á extinção do BLOCO CARNAVALESCO VAI SE QUISER  cuja quadra ficava na Praça Rio Grande do Sul, no Engenho de Dentro. Nas cores vermelha - e - branca essa agremiação era a rival direta do ARRANCO, com as quadras separadas apenas por alguns espaços de ruas do bairro.

Não se sabe até hoje se a extinção do VAI SE QUISER teve algo com a política pro  CANARINHOS DAS LARANJEIRAS que rolava á vontade nos bastidores da FBCRJ.

Uma coisa é certa: o VAI SE QUISER, na ocasião era um bloco de ponta e vária vez apresentou carnavais para ganhar o título. Todavia, acho que só ganhou uma única vez.

O lance da transformação de bloco em escola de samba, é claro, teve muito a ver com a situação aqui já narrada sobre o CANARINHOS. Contudo, rolou também muita politicagem com políticos desonestos agindo em todos os sentidos e dirigentes mais desonestos ainda. Gananciosos mesmos que sonhavam com riqueza transformando o seu grande bloco em uma pequena de escola samba.

Nenhum deles pensava em progredir como agremiação de samba. Em muitos dos casos a ideia da transformação de bloco em escola de samba era pensando, sim, apenas na majoração distribuída pela subvenção pela RIOTUR, que não era grande coisa, mas bem superior a paga aos trezentos blocos da FBCRJ.

A debandada das chamadas grandes escolas de samba, por ocasião da criação LIESA, blocos aumentou a correria em direção á AESCRJ, presidida pelo finado Jorge Gordo, que a todos aceitava de braços abertos desde que alguém falasse em verbinha. 

Essa política na AESCRJ durou anos, quando foram afiliados uns dez blocos de uma só vez. O presidente era o popular, falecido,  Gustavo Diamante Quiro.

Todavia, foi na gestão do Doutor Walter Teixeira  que  esse negócio virou enxurrada. Todo o dia tinha um bloco batia na porta da AESCRJ pedindo filiação. Em cada esquina da cidade se fundava um bloco somente com intuito de tempos depois virar escola de samba. 
O Walter Teixeira, dirigente cassado há uns dois anos, por ter malversado o capilé da entidade, a todos os blocos,  sendo da FCBRJ  ou não, ele aceitava como escolas de samba.

A coisa foi tão longe que foram criados tantos e tantos grupos de desfiles na Avenida Intendente Magalhães para abrigar o grande número de blocos oriundos da FBCRJ ou não, aumentava cada vez mais por desfile.  

Agora parece que isso terá um basta. A decisão tomada  pela AESCRJ, apoiada pela RIOTUR é que até o ano 2014, a entidade somente abrigará no casarão da Rua Jacinto, 67, bocadinhas do Méier, cerca 34 escolas de samba assim clareado: GRUPO C - 10; GRUPO D - 12  E finalmente GRUPO E - 12 agremiações. Atualmente a AESCRJ apresenta umas setenta e ou mais pequenas escolas de samba.

Sou apanhado de surpresa com essa medida, mas felicito quem teve a iniciativa de sugerir uma coisa tão importante.  Doravante, As últimas escolas de samba colocadas no desfile na Intendente Magalhães vão desfilar no ano seguinte como blocos carnavalescos.  Em minha opinião a medida é salutar. Ela visa acima de tudo, uma moralização em regra nos desfiles do chamado samba da poeira.

O presidente da AESCRJ, José Eduardo, o popular Zé Orelhinha, acertou na mosca. Se uma escola de samba não apresenta condições para um desfile na Intendente Magalhães, não pode ficar por lá. Precisa procurar outro pouso.

Apesar de a medida contar com o apoio da maioria, rolou uma espécie de bronca entre, por ocasião três escolas de samba (Infantes da Piedade não foi ao sorteio) na sede da FBCRJ Esse fato deixou o presidente Izaltino Gonçalves de Medeiros preocupado, pois alguém chegou falar em virada de mesa. 

Para alguns o JCN é apenas um contador de histórias. Outros, no entanto, acreditam que narro apenas os fatos. Lá em cima no texto, risquei informei que ARRANCO foi o bloco que chegou mais longe como escola de samba.  Ledo engano.

Também o RENASCER DE JACAREPAGUÁ, que como bloco tinha o  curioso nome de BAFO DO BODE, está muito bem na luta e agora no desfila do Grupo Especial.

Ainda tivemos o UNIDOS DA VILLA RICA DA LADEIRAS DOS TABAJARAS, bocadinhas de COPACABANA. O VR largou a FCBRJ porque em vinte anos de desfile só conseguiu ganhar em um único ano (1973)  e  mais tarde chegou ao Especial. Subiu um ano e desceu no outro, mas subiu.

Eu não sei que fieis blogueiros prestam atenção nos nomes dos blocos. É que todos trazem por trás dos seus  nome, os nomes de seus bairros de origens.

Exemplo:
DIFICIL É O NOME DE PILARES, BOI DA ILHA DO GOVERNADOR, FLOR DA MINA DO ANDARAÍ, ACADEMICO da ABOLIÇÃO, ACADÊMICOS DO DENDÊ, UNIDOS DO CABRAL DO CACHAMBI (do saudoso Jorge Cyriello ficou mais de vinte anos desfilando sem nunca ganhar o título de campeão), UNIDOS DO CANTAGALO, hoje faz parte da fusão que originou a ES
ALEGRIA DE COPACABANA,

Isso é uma prova do espírito de bairrismo que reinava na época em que osblocos pertenciam mesmo aos seus bairros e aos seus familiares. Ao tentar virar escolas de samba os blocos carnavalescos compraram uma briga muito cara com as chamadas escolas de samba originais e tradicionais, mesmos as de pequeno porte

Hoje, pelo que sei, uns vinte blocos carnavalescos estão por fechar as portas e deixando para trás um caudal de dívidas sabendo que nunca serão saldadas. Não existe carta de crédito para segurar tamanha sangria.

Para o blogueiro que não manja de blocos uma pequeno detalhe: A FBCRJ foi fundada no dia 28 de Setembro de 1965. Ao longo de todo esse tempo chegou abrigar mais 300 blocos carnavalescos. Havia desfiles em quase todos os bairros da cidade, inclusive  em Paquetá. Era o verdadeiro e autêntico carnaval de rua enchendo a cidade de pura alegria. Incluindo nesse calendário os famosos BANHOS DE MAR À FANTASIA.

No momento a FCBRJ abriga tão somente 34 blocos carnavalescos e apenas cinco desfiles.  Nessa zona toda que se transformou o gostoso carnaval de rua, somente um bloco permanece fiel em sua filiação desde fundação da entidade. É o BLOCO DO BARRIGA, hoje com sua quadra fixada na Cidade Alta, em Cordovil.

O BLOCO DO BARRIGA era originário de Zona Sul. Sua quadra ficava naquelas ladeirinha que liga Botafogo até Copacabana. Como ocupava terras do Exército Brasileiro mudou-se para o bom subúrbio da Zona da Leopoldina.

Isso só foi possível graças a projeto habitacional do governo que removeu todos os moradores da favelinha onde estava a quadra do BLOCO DO BARIGA.  O bloco foi junto.

Essa é a verdadeira história do carnaval dos blocos carnavalescos de enredo da FBCRJ. Blocos que chegaram fazer história com belos e fortes temas enredos, sambas enredo e desfiles realmente sensacionais. 

Sei bem que vão aparecer diversos blogueiros saindo em defesa dessas escolas agora cassadas. Porém, uma última palavra: se tal atitude não fosse tomada nesse exato momento, a bagunça no futuro próximo seria simplesmente insustentável. Valeu Zé Orelhinha.

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Terreirão do Samba, Cacique de Ramos e Boêmios de Irajá

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 07/08/2011 13h36

Como nas antigas redações por onde o JCN labutou risco hoje, para os fieis blogueiros uma coluna à moda antiga. São coisas que acontecem do mundo do samba. Mas, me poupem, pois também tenho uma caneta mais do que afiada para responder. Criticar pode e deve. Ofender jamais.

Abro com um assunto de interesse geral do samba. É o TERREIRÃO DO SAMBA. Tenho passado quase todos os dias por aquele local e lá observo uma placa enorme: OBRAS DE AMPLIAÇÃO E REMODELAÇÃO DO TERREIRÃO DO SAMBA. Até o PALCO JOÃO DA BAIANA já botaram abaixo.

O fato de ampliar e remodelar aquele local são legais. Perfeitamente do direito e dever da RIOTUR E DA PREFEITURA da Cidade do Rio de Janeiro.

Estão anunciando que será construída uma praça de eventos com dois palcos de dois andares, com 24 camarotes, nove bares e duas casas de samba. Mas a preferência será para shows com atrações de artistas internacionais.

A bebericação será na base do bom uísque, da esnobe champanhota e a geladíssima vodka. Nada da boa cachacinha e uma boa cerva. A alimentação só será servida pelos bares, botequins e restaurantes mais famosos da cidade.

Nada tenho contra certas decisões de sua EXCELÊNCIA, o alcaide Eduardo Paes. Só que grande parte do pessoal do samba já começa perguntar: "E os sambistas como vão fazer para entrar no TERREIRÃO DO SAMBA"?

"Antigamente entrávamos apenas de fantasia. Comíamos farofa, sardinha frita e até feijoada, ovos cozidos, franguinhos, macarrão e bebericamos nossa cerva. Agora, pelo visto, nem pela porta vamos poder passar. Até porque, o preço do ingresso será só para os bacanas e turistas".

Para complicar ainda mais a situação o prazo para a finalização das obras no TERRREIRÃO DO SAMBA deverá se alongar até abril de 2012. Ou seja, 300 dias após serem iniciadas. A EMOP diz que não. Garante a empresa de obras do município que já no Carnaval o TERREIRÃO estará funcionando a pleno vapor com tudo sertanejo. Vamos acreditar

O fato mais complicado dessa situação é que desde março de 1991 funciona dentro do TERREIRÃO DO SAMBA, legalmente e com apoio oficial da RIOTUR, a entidade ASSSOCIAÇÃO CULTURAL DOS BARRAQUEIROS DO TERRREIRÃO DO SAMBA E ADJACÊNCIAS.

Essa bendita associação consta no seu quadro de associados com mais de 50 fieis barraqueiros, que na época no Carnaval contribuem com a soma no valor do montante de um salário mínimo que a RIOTUR embolsa sob alegação ser uma contribuição para o pagamento dos artistas. Até a utilização e a instalação do gás que CEG fornece ACBTSA paga em separado.

Durante todos esses anos a ACBTSA trabalhou com afinco e pagou seus deveres junto a RIOTUR e servindo suas comidinhas e bebedinhas bem ao gosto folião sambista carioca. Agora, pelo visto, vai ficar fora do novo TERREIRÃO DO SAMBA, pois apenas nove barraqueiros terão o direito de ocupar o espaço.

Houve época, não sei se ainda é assim, que o barraqueiro só podia comprar a bebida de acordo com o preço que a RIOTUR combinasse com o depósito que fornecia as bebidas. O ideal seria que RIOTUR criasse um esquema de trabalho que pudesse aproveitar os demais barraqueiros que vão ficar de fora da lista dos nove aproveitados.

Afinal, têm barraqueiros no TERREIRÃO DO SAMBA desde tempos do saudoso BARRACÃO SAMBA DO VELHO CAZUZA DA MANGUEIRA. É certo também que temos alguns desses barraqueiros costumam pisar bola e até as barracas alugam ou mesmo vendem. Nem por isso, os honestos, merecem uma troca por um desses bares sofisticados anunciados.

O TERREIRÃO DO SAMBA, em sua fase inicial e experimental servia, principalmente, como uma espécie de apoio ao grande desfile da Sapucaí, Todos os encontros entre os vários sambistas eram marcados ali ou no seu entorno.

Ainda, seus banheiros serviam para muito desfilantes trocarem suas fantasias antes ou depois da jiboia ser esticada na avenida. Depois tudo mudou, pois até mesmo o sambista fantasiado era obrigado a morrer na bilheteria.

Não se trata aqui de comprar o barulho dos barraqueiros. Trata-se apenas de lembrar que a meta social do governo é um dos carros-chefes do alcaide Eduardo Paes. Basta conferir a série de obras e melhoramentos que estão realizados pela cidade afora.

O TERREIRÃO DO SAMBA deveria ser mantido como local de concentração popular de sambista e não sofisticá-lo a ponto de afastar quem o criou e lhe deu vida. Ali é local do sambista, de fato e direito. Afastar o sambista do TERREIRÃO DO SAMBA não é uma medida correta. E sua EXCELÊNCIA Eduardo Paes sabe muito bem disso.

Como morador no bairro de Irajá há 25 anos tenho a obrigação de vir de público tratar de um assunto que diz respeito ao folguedo popular da minha localidade.

Dentro do varandão de realizações que o nosso alcaide está realizando em favor do samba uma agremiação continua esquecida: o BLOCO CARNAVALESCO BOÊMIOS DE IRAJÁ.

Fundado em fevereiro de 1967, e agora com uma nova diretoria, o BOÊMIOS DE IRAJÁ jamais teve atenção do PODER PUBLICO e há anos luta para voltar empolgar nos desfile da cidade como já o fez ao lado de CACIQUE DE RAMOS BAFO DA ONÇA.

O BOÊMIOS DE IRAJÁ ocupa um espaço (sua quadra) em Irajá, talvez superior em espaço ao CACIQUE DE RAMOS. No entanto, em RAMOS foi construída uma obra faraônica, e em Irajá nada foi feito ou mesmo planejado.

Nada contra a construção da quadra do CACIQUE DE RAMOS. Muito pelo contrário. Alguém precisava fazer algo em torno da movimentação cultural do bairro de RAMOS.

Esperava-se agora com esse vendaval de obras que a prefeitura anda se mobilizando e realizando nas quadras de samba, o BOÊMIOS DE IRAJÁ também fosse aquinhoado. Nada disso foi falado até agora pela EMOP.

Não seria o caso de haver uma mobilização geral por parte dos políticos do bairro? Talvez com uma pressão de vereadores e deputados, que são aliados do alcaide Eduardo Paes, quem sabe, sairia alguma coisa.

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Parada de Lucas: um bairro onde uma fusão acabou com o samba

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 19/07/2011 14h05

Certos bairros da mui leal cidade de São Sebastião do Rio De Janeiro, apresentam fatos, curiosidades e fenômenos que desafiam os mais tenazes historiadores e pesquisadores. Um deles é PARADA DE LUCAS,  que tem esse nome em função da então "parada" de trens ali construída nos idos do século passado ou nos ainda tempos do império.  

Pois saibam os féis leitores blogueiros que PARADA DE LUCAS se apresenta também como fenômeno típico do solo carioca. Foi em PARADA DE LUCAS          que se criou e se formou um dos mais fecundos pólos de samba genuinamente carioca da gema.  

Ninguém, até hoje, sabe precisar como o samba de  PARADA DE LUCAS cresceu tanto a ponto, nos desfiles, assustar tanto Império Serrano como Portela.  Isso no passado é claro.

Sabe-se apenas que aquele paupérrimo bairro da ZONA DA LEOPOLDINA através de suas escolas de sambas originais - APRENDIZES DE LUCAS E  UNIDOS DA CAPELA - foi berço de eméritos sambistas a partir da década de 30.  Como explicar o porquê no solo de PARADA DE LUCAS surgiram tantos e tantos talentosos bambas?

Acredito que poucos poderão fazê-lo. O curioso é que em tudo isso é que á maioria dos grandes sambistas de Parada de Lucas não residiam no bairro. Em sua maioria viam de bairros adjacentes e em LUCAS criavam fama e se faziam sambistas.

Lamentavelmente a fusão entre as duas agremiações, com o surgimento da UNIDOS DE LUCAS,  acabou com tudo isso chegando mesmo provocar uma debandada geral dos seus melhores sambistas.

O samba em PARADA DE LUCAS começou com a fundação da verde e branca APRENDIZES DE LUCAS nos idos de 15 de Janeiro de 1932. Sua quadra era localizada num acanhado terreno à esquerda da via férrea, sentido Duque de Caxias.

Conhecida como uma escola de samba tipo light, pois o seu samba não varava a madrugada, como as demais. Tudo na APRENDIZES começava cedo e acabava mais cedo ainda.

O grande líder na APRENDIZES DE LUCAS era o saudoso sambista Otacílio Marques, que infelizmente lascou vitimado por tragédia ferroviária. Mas a APRENDIZES não esmoreceu em função desse fato.

Pelo contrário. áA cada  ano  apresentava os mais belos carnavais de sua época. Um deles foi A FESTA DA UVA, tema que inspirou um samba que a elevou à ótima colocação em função do estupendo desfile. Isso assustou muita gente.

A escola apresentou ainda um enredo cujo tema principal era o jogo. (jogo do bicho não era mencionado). O destaque final foi o Jockey Clube Brasileiro com citações diversas aos grandes cavalos campeões e jóquei famosos, dentre os quais o "homem do violino" Luís Rigoni.

Houve enredos também em homenagens a  estados brasileiros como São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Se a APRENDIZES revelou talentos?  É lógico que sim. Como a minha memória anda desclareada cito apenas dois deles: Roxinho, fabuloso MESTRE-SALA, que anos depois foi levado para o lugar do Mestre Delegado, que havia se transferido da MANGUEIRA para o samba de São Paulo.  

Roxinho foi ainda o MS  campeão pela Mocidade Independente de Padre Miguel em 1979.

O compositor Elton Medeiros, parceiro de Cartola, Paulinho da Viola e outros. É outro da época de ouro do samba de PARADA DE LUCAS. Hoje, oitentão, Elton Medeiros é um dos lamentam o fim da APRENDIZES E CAPELA. "A fusão foi um grande erro"- costuma dizer o grande compositor.

Em 15 de Janeiro de 1933 foi  fundada a UNIDOS  DA CAPELA  com as cores azul e branca. Oriunda de um clube de futebol a escola nos primeiros anos só fazia desfiles pelos bairros, principalmente na Avenida Lobo Junior na Penha e em Duque de Caxias.

Um fato curioso para esses primórdios período do samba: A UNIDOS  DA CAPELA foi uma das primeiras escolas  aceitar homens de raça branca entre os seus componentes. Na ocasião, isso foi um fato de causar assombro diante da má fama que colocavam no samba, dizendo que aquilo era coisa de "crioulo".

Quando ainda nem o próprio PODER PÚBLICO pensava em promover um Serviço Social nas escolas de samba, surgiu na comunidade mais carente do bairro um Curso de Alfabetização de adultos onde uma boa quantidade de sambistas aprenderam as primeira letras. Tudo bancado pela UNIDOS DA CAPELA.

Ainda na UNIDOS DA CAPELA foi criada a primeira ALA DE RITMISTAS do samba carioca. Seu criador foi o saudoso sambista Ekner Francisco da Silveira,  na época então o popular Baianinho. Apenas um detalhe essa ala era formada tão somente por pandeiros. Só podiam fazer da ala os mais afamados pandeiristas do mundo do samba. Hoje, nem vê pandeiro nas baterias das escolas de samba.

A BATERIA ficou conhecida com a TABAJARA DO SAMBA. A maioria era da  famosa ESQUINA DO PECADO de Olaria onde ficava à movimentada  CINCO BOCAS. Essa bateria fez tanto sucesso por vários anos, que levou o velho Natal  da Portela        contratar todos para compor a nova BATERIA da azul - e- branca de Osvaldo Cruz.

Sua Ala de Compositores foi das melhores da época. Eram de lá trompas como Anatólio Isidoro (hoje respeitável CIDADÂO CIDADE SAMBA DA AESCRJ). Zeca Melodia, Tolito, Jair da Capela, Nilton Russo, Ledyr, Jorginho Pessanha, Belém, Baianinho, e tanto outros.

No carnaval de 1960 aconteceu o impossível: Cinco escolas de samba empataram na primeira colocação.  Ai Departamento de Certames decidiu   premiar todas cinco. A UNIDOS DA CAPELA portanto foi campeã daquele ano também.

A história do samba de PARADA DE LUCAS  começo a mudar quando em março de 1959 foi fundada no bairro de Ramos a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense.

Tento explicar: A cúpula fundadora da agremiação queria porquê queria uma escola de samba forte na ZONA DA LEPOLDINA para fazer  frente ás maiorais da ocasião como, Portela, Mangueira, Salgueiro e Império Serrano. Era um negócio político que envolvia a candidatura de um conhecido dirigente de samba.

Pensaram então que a fusão entre APRENDIZES e CAPELA resolveria o problema.  Amadurecem essa ideia durante alguns anos e encontraram na voz e idéias do jornalista Marco Aurélio Guimarães, o homem certo pra deslanchar o mega projeto. Bom de texto e de papo, Guimarães,  em pouco tempo conseguiu convencer todos que a fusão seria boca do balão para as duas escolas de PARADA DE LUCAS.  

Feito isso, rolou a concordância da maioria. E no dia primeiro de junho de 1966, o então  Sérgio Junqueira, Diretor de Certames da prefeitura, sacramentou a fusão criando assim a na época o GRES UNIDOS DE LUCAS, logo cognominada como a QUINTA POTÊNCIA DO SAMBA  do samba carioca.

A fusão aconteceu mais motivada pelo lado  da GRESIL do que outra coisa. O finado Amaury Jório, homem de uma inteligência invulgar, cedo, cedo, descobriu que a Imperatriz Leopoldinense seria sempre mais uma escola de pequeno porque diante do samba PARADA DE LUCAS.

Por isso, como presidente da ASSOCIAÇÃO DAS ESCOLAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO apoiou e indicou nomes para futura diretoria. Ele sabia de antemão que a fusão não daria certo.  Como o símbolo da escola foi criado  logo um GALO, que  por inspiração do Amauri  Jório,  virou o GALO DE OURO DA LEOPOLDINA.

O GALO DE OURO DA LEOPOLDINA OU QUINTA POTÊNCIA DO SAMBA, porém teve gloria efêmera. Fez sucesso praticamente somente até o carnaval de 1968  quando desfilou com o enredo SUBLIME PERGAMINHO. Na ocasião um dos mais eloqüentes samba enredo do carnaval carioca, cuja autoria é dos compositores Zeca Melodia, Nilton Russo e  Carlinhos Madrugada.

É essa triste trajetória do samba de PARADA DSDE LUCAS. Triste porque após um inicio luminoso, hoje desfila no bagaço do samba, lá pela Intendente Magalhães.  Suas antigas alas e seus melhores sambistas até hoje fazem sucesso em outras escolas da cidade como, Imperatriz, Grande Rio, Império Serrano, Portela e Beija- Flor.  

Podem pesquisar. Em qualquer escola de samba da cidade existe sempre um ou mais componente que um dia  fizeram parte  do samba de PARADA DE LUCAS

Essa história, que ainda apresentam lances sensacionais, pois muitos a conhecem

mas não tem como narrá-la com mais detalhes. Se a minha memória ainda fosse á mesma de ontem, traria para os meus fieis blogueiros lances que dão ao samba PARADA DE LUCAS grandiosidade, não de uma QUINTA POTENCIA, mas nos dias de hoje seria quem sabe, uma PRIMEIRA POTENCIA.

Lá tinha tudo do bom e do melhor: baianas, bateria, passistas, compositores e dirigentes avançados para a época.

Peço desculpas aos fiéis blogueiros, mas eles precisam saber de coisas do passado do samba, que não estão nos livros lidos por aí.

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Babadinhos do Samba II

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 30/06/2011 10h15

O JCN mantém o velho e bom estilo da época dos BADINHOS DO SAMBA. Ofereço vez e espaço para escolas de sambas, blocos carnavalescos, agremiações e entidades que não tem vez na chamada mídia teleguiada. Aqui, no espaço do JCN todos terão vez, basta então enviar o bom e farto noticiário. Mas, se isso não acontecer, eu próprio vou atrás das notícias. Entendido?

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Trombetas ecoam em Padre Miguel.  É o anúncio que foi formado uma SUPER DIREÇÃO DE BATERIA para o próximo tríduo momesco. São quatro os novos super heróis: Mestre e Professor Odilon, Andrezinho, Mestre Dudu (primogênito do saudoso Mestre Coé) e o Bereco, que gosta mais é de jogar futebol.

Quando comecei minha estrada pelos caminhos do samba, Seu Xangô da Mangueira me disse certa ocasião: "A BATERIA É TUDO num desfile de escola de samba. Quanto menos gente mandando por lá, melhor! Lá só deve dar ORDENS um MESTRE. Os demais só como diretores auxiliares".

É claro que não tenho nada contra essa seleção, formada agora pela Mocidade. Estou aplaudindo e esperando pelo sucesso do quarteto de heróis. É uma novidade, não?   

Aproveitando o momento, narro algumas historinhas das maiores BATERIAS, que este JCN viu atuar, ganhando ou perdendo nos Desfiles Oficiais. Muitos de vocês, blogueiros jamais ouviram falar em tais nomes, mas hoje, são considerados como percussores desse show andante, que ano após ano, assistimos na Passarela.

Lembro que nos bons tempos das boas e grandes BATERIAS era gostoso ver e ouvir um Waldemiro Thomé Pimenta, popular Pimentão, sozinho no comando do já famoso SURDO UM da Mangueira. E ainda encontrou tempo para criar a famosa BATERIA MIRIM DA MANGUEIRA, que com o tempo relevou talentos mil, que hoje ainda estão na bateria adulta.                      

Na Portela, aparecia o Mestre Betinho, apesar de ser mais do que ranzinza chegou a fazer de sua bateria a famosa TABAJARA DO SAMBA. Isso depois de brigas homéricas com o grande Natal da Portela. Com o Betinho chegou haver até greve de BATERIA na Portela!

Sem o Betinho  e  Oscar Bigode,  que  havia assumido no lugar do Betinho,   Natal foi à Padre Miguel e contratou Mestre Cinco, um mestre nascido e criado, nas fraudas da famosa Vila Vintém (Unidos de Padre Miguel). Mestre Cinco chegou fazer  relativo  sucesso, à frente dos couros da azul - e - branca de Osvaldo Cruz.

Na Serrinha, Mestre Gregório (pai do Mestre Faísca), ajudou criar e sustentar um  poderoso e vibrante naipe de agogôs integrado, em sua maioria, por damas, que produz um ritmo tão alucinante dentro da BATERIA da Império Serrano, que até hoje, faz a escola vibrar e o turista chorar.

Em Parada de Lucas, na Escola de Samba Unidos da Capela, existiu tal de Lobinho, que pegou uma garotada da localidade das CINCO BOCAS, a inesquecível  ESQUINA DE OLARIA e a transformou na senhora BATERIA DO PECADO DO SAMBA. Anos mais tarde, seu Natal da Portela não resistiu e levou aquela nova TABAJARA DE LUCAS,  a peso de ouro, para compor o novo ritmo do samba de Osvaldo Cruz.

Agora é a verde e branca da Zona Oeste que surge com essa novidade e prometendo "mundos e fundos" e fazer até o chão tremer no desfile da Sapucaí. Acredito que tudo possa realmente acontecer, se depender dos conhecimentos do Professor Odilon.  Até porque, ele já garantiu que as famigeradas paradinhas serão o ponto alto da nova bateria. Tudo, portanto  para acontecer  supimpa.

O grande problema é o eterno POÇO DAS VAIDADES, que fatalmente surgirá entre os quatro novos maestros da BATERIA. Vai ser  tal de um querer engolir o outro para aparecer na mídia! Se a diretoria não agir rápido a SUPER BATERIA entrará em rota de colisão!

Devendo escapar apenas o garotão Dudu, que ainda por causa da tenra idade, está em fase de aprendizado.

Há anos a Mocidade não abiscoita uma nota máxima (cinco jurados) em BATERIA! Isso é realmente muito pouco para uma escola de samba que só batia dez na avenida! Foram com os Mestres Coé  e Jorjão que campeonatos foram ganhos só com as notas da BATERIA.

Até o saudoso Mestre André beliscava suas notas máximas, apesar dos exageros das famigeradas paradinhas. Mestre André só perdeu a pose quando apareceu no corpo de julgadores, o Maestro Abigail Moura, que lhe sapecou uma humilhante nota 5 (cinco).

Agora o garotão Andrezinho, que conheci bebezinho ainda de fraldas, no colo do Mestre André, entra em cena. Em minha opinião ele deveria optar qual a carreira seguir: Pagodeiro ou Diretor de Bateria?

Como pagodeiro já mostrou seu valor e talento nos áureos tempos do Grupo Molejo. Como Diretor de Bateria, quando o amigo Paulo Tenente, o fez comandante e chefe da BATERIA da Escola de Samba Leão de Nova Iguaçu fracassou redondamente. A BATERIA, sob o seu comando, se esborrachou na passarela obtendo notas ridículas.

Se  o Andrezinho tivesse, pelo menos, a metade, do talento do seu pai, Mestre André, bem que poderia comandar sozinho os couros da BATERIA da               popular  DP.

No mais, desejo boa sorte para o samba de Padre Miguel, localidade onde ainda cultivo uma legião de amigos. Como disse o Professor Odilon "Quem deixou de ser Mocidade vai voltar ser". O problema é convencer o Paulinho do Gogó e o Marinho  e outros banidos  da escola,  que isso vale  para eles também.

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O samba de SÃO PAULO vai exaltar gente daqui do samba carioca. É a LECI  BRANDÃO, mangueirense de primeira linha, mas hoje, radicada na Paulicéia Desvairada.  O competente carnavalesco Xuxa, com 31 anos de estrada, decidiu contar no Sambódromo Paulistano  todas  as peripécias da vida da nossa LB.

O enredo será sustentado pela Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé, com o pomposo título "DA ARTE, DO SAMBA, NASCI PARA COMUNIDADE DESEFA E ESSÊNCIA. SOU GUERREIRA" A entrega das letras para quem desejar avaliação,  começa agora dias 6 e 7 de julho e vai até o 13/08, data da realização da primeira eliminatória.

Meu primeiro contanto com a nossa LB foi à quadra da Mangueira. Pequerrucha ainda ela já gostava de riscar umas coisinhas. Foi admitida na ALA DE COMPOSITORES da escola, pois riscava direitinho. Se não estou enganado foi á primeira dama fazer parte da ala.

Leci Brandão  ainda trabalhava e estudava DIREITO  na Faculdade Gama Filho  e dava plantão na Piedade. Mas, ganhou as veias do samba que tomou conta do corpinho, acabando de vez com a funcionária e também com a estudante. Para ser sincero nem sei informar aos nossos fieis blogueiros, se ela teve tempo para se formar ou não em DIREITO.

Sei apenas que ganhou espaço. Na  Mangueira chegou até riscar samba enredo, de parceira com o atual presidente da escola, Ivo Meirelles chegando à final no carnaval de 1985. Leci fez a sua história! Cantou aqui e acolá sempre defendo a nossa Mangueira como também as composições que ela própria escrevia.

Uma delas TIVE SIM de parceria com o saudoso Darcy da Mangueira ganhou o Festival Nacional de Músicas em 1972. Depois dessa vitória foram shows e  mais shows com apresentações nos quatro cantos do mundo

Ao promover essa  bela e sincera homenagem, o samba  paulista  rende tributo a  essa carioquinha de Madureira,  mas sambista de fato e  de direito.   

Cerro fileiras como já veterano carnavalesco Xuxa. Se a grande LECI  BRANDÃO ainda não teve o devido reconhecimento aqui na mui leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que São Paulo faça o Sambódromo de lá de  bater  palmas de pé, em  honra a essa mangueirense  dona de um talento sem par.

Titia ELZA SOARES, no topo dos seus 80 e lá vai fumaça vai entrar no rol dos  famosos finalmente. La Elza será tema do enredo da pequena, mas que no passado já foi grande, Unidos do Cabuçu, fundada em 1947, lá pelas bandas dos Lins de Vasconcelos.

Cabuçu vai descer trazendo Elza Soares em cima de um belo carro naval. Mas a titia gosta mesmo é  de aparecer na pista dizendo nos pés. O enredo leva o título de "CABUÇU DÁ A ELZA NA AVENIDA". A dupla é de carnavalescos Marcyo de Oliveira e Marcos Aranha.  Parabéns bela idéia!

Sobre a Titia Elza Soares pouca coisa tem para riscar. Apenas citar que um desfile que apresenta à popular "crioula" com enredo principal até porque ela só merece.

Não venha a Unidos do Cabuçu com esses enredos capengas e cheio de furos.  O nome ELZA SOARES em si  merece respeito de todos nós, do samba ou não.  Será a maior falta de respeito e pura sacanagem se fizer de algo errado com a cantante ELZA SOARES, sem dúvida alguma a maior delas todas. ELZA SOARES,  hoje, está bem dodói, será  que o pessoal da Cabuçu sabe disso?

Nem sei em que "sambódromo" a Unidos do Cabuçu desfila. Mas quero estar por lá para assistir a essa bela homenagem para a Titia ELZA SOARES.  Ela  merece!

Essa historinha é bem particular, que me desculpem os honrados blogueiros. Leiam se assim o desejarem. No último Carnaval, a convite do velhote jornalista/radialista José Carlos Machado (JCM), agora intrujado no samba paulistano, aceitou trabalhar num tal Rádio Digital de Campinas 106,1, JCN e mais uma patota de profissionais aqui do Rio.

O JCM nos garantiu um bom salário, camisas da rádio, material didático do desfile e a farto lanche, durante toda transmissão. Trabalhamos com afinco e amor durante todo o período de Carnaval, sem pregar os olhos.

Pois bem: no final, o José Carlos Machado, junto com tal de Róbson Teixeira, que chegou a ser presidente de uma entidade fajuta de samba lá em São Paulo, nos logrou as pernas sumindo com a nossa verbinha!

Aqui no Rio, durante a transmissão, o tal de Róbson Teixeira se apresentava como Diretor - Presidente da Rádio Digital de Campinas freqüência 106.1. O resultado final dessa historinha é a seguinte: Ambos, em parceria, surrupiariam  o dinheiro que seria destinado ao nosso pagamento e ainda informam que entraram na Justiça do Trabalho de SP visando nos pagarem. Quem acredita?

Só que é uma deslavada mentira bem ao estilo do JCM, pois não é a primeira vez que costuma aplicar tal tipo de falcatrua em gente do samba. Só que desta vez apareceu com um sócio-parceiro. Que a RIOTUR, no ano vindouro, abra bem olho no momento de conceder as credenciais para rádios fajutas, principalmente às de São Paulo e dirigidas por dirigentes mais fajutos ainda!!!

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Tia Surica,  da toda  poderosa  Velha Guarda da nossa querida Portela também, vai  virar enredo em 2012. Será através do Bloco Carnavalesco Campeões da Vida. O popular Índio, presidente da agremiação, garante que será mais de 3000 componentes cantando e sambando na Avenida Rio Branco em homenagem a mais famosa pastora portelense. Isso é bom.

Desta maneira é bom a Tia Surica começar a preparar a sua famosa coleção de perucas - nacionais e importadas - pois será longo e cansativo o desfile. Tia Surica, vai poder exibir a sua famosa coleção de perucas e  ainda  tirar onda na Avenida.  Muitas dessas perucas o JCN conhece!

O "Zé Maria" implacável como de hábito, praticou duas sentidas baixas no mundo do samba. Primeiro a do jornalista Paulo Francisco Magalhães, o popular PF,  um apaixonado pela ES Unidos de Vila Isabel. Abandonado por aqueles que ele considerava como amigos, desde os tempos que mandava e desmandava em Vila Isabel, o PF lascou pobre.

Jornalista de mão cheia trabalhou anos a fio na centenária Gazeta de Notícias e Diário de Noticias.  Em início de carreira o JCN teve lições de jornalismo com o PF na GN. Ele foi responsável ainda por alguns dos melhores carnavais apresentados pela Vila Isabel, entre eles " Sonho, Sonhado" 1980. O PF foi  o braço-direito da então presidente, saudosa Pildes Pereira, por ocasião da  construção da cobertura da antiga quadra da escola na Rua Theodoro da Silva, novidade na época.

Ainda foi realizador de grandes eventos no recreativismo carioca. O maior deles foi a "Garota Real Chique", que em 1964 lotou as dependências do Ginásio do América F.C.  Ultimamente era o Diretor Social da AVGESRJ e também coordenador geral da Associação dos Barraqueiros do Terreirão do Samba. Descanse em paz,  Paulo Francisco!

Foi-se também o jornalista e empresário Roberto Paulino. que, em vida foi  Presidente da linha de frente da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Jovem ( tinha apenas 19 anos de idade).  Ainda ao assumir o cargo promoveu uma série de novidades e mudanças na escola. Uma das novidade foi criar o que hoje, LIESA, diz ser sua invenção: os ensaios técnicos.  A Mangueira já nas décadas, 59/60 promovia seus ensaios técnicos, primeiro no Buraco Quente encerrando na Visconde de Niterói, graças a criação do Dr. Robertinho, como gostava de ser chamado..    

Outra delas foi  tirar escola dos ensaios do Buraco Quente e levá-la para o Clube Cerâmico de propriedade da sua família. Na Cerâmica foi campeão 1960, com o enredo "Glória Samba".

Em 1962 apresentou o enredo Casa & Grande e Senzala, baseado  na obra do escritor Gilberto  Freire e obteve o quarto- lugar, quando na verdade foi o campeão moral daquele desfile, diante da impecabilidade do seu carnaval. Roberto Paulino foi embora como PRESIDENTE DE HONRA da Mangueira.  Descanse em paz. Roberto Paulino!

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Explicação do JCN

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 25/06/2011 19h07

Impelido pelo bom senso e ainda depois de conversar com minha editora, a doce Luana Freitas, resolvo apresentar uma pequena explicação sobre alguns detalhes inseridos na matéria sobre a eleição no Salgueiro, publicada aqui no site SRZD-Carnaval.

Em primeiro lugar jamais ofendi quem quer que seja, pois  não  esse  é meu hábito familiar. Apenas comentei, com ética, alguns fatos que estavam rolando na escola, com uma possível mudança no comando do Departamento de HARMONIA, até então tão bem comandado pelo pessoal da grande família do saudoso João Calça Larga.

Pois bem. Foi o bastante para um determinado cidadão, cujo nome nem sequer é citado na matéria, "soltar os bichos ". O fato é que ele reclamou de algumas palavras colocadas na matéria, em  particular duas delas: aspone e  experts, e ainda reclamou contra o que escrevo dele jamais ter obtido a nota máxima.

Reclamava  ainda sobre o quesito HARMONIA, na escola de samba que estava de saída. Garante-o, ele  tirou nota máxima em 2005 e 2007.

Vamos então por parte: a palavra ASPONE, que dizer ao pé da letra aquele que indicado por alguém  e  ganha um cargo no Serviço Público, sem que faça concurso público. É claro que não é esse o caso do nosso reclamante. Aspone hoje é o que mais aparece no Serviço  Público do Brasil.  Portanto não deve ser motivo para ser recebido como ofensa.

A palavra EXPERTS é de origem inglesa e chegando  ao Brasil  virou ESPECIALISTA. Como foi colocada no texto em momento algum ofendeu ao nosso honrado  reclamante. Ficam aqui,  portanto, minhas humildes explicações tendo em vista jamais gostar de brigar com alguém.               

Com relação à cobiçada nota máxima, que teria sido obtida nos carnavais de 2005 /20007 JCN tem cá  duvidas, pois se não enganado, o Diretor de Harmonia  nesse período na escola, era o conhecido Roberto Harmonia, que mais tarde fez um besteirol e acabou demitido do cargo.

São essas as explicações do JCN.

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Babadinhos do Samba

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 16/06/2011 08h49

Foto: Arquivo PessoalO colunista resolveu mudar um pouco o estilo dos seus riscados para retornar a melhor época do velho e bom Babadinho do Samba, que teve certo sucesso e aceitação por quase 15 anos. nos Jornais A Notícia e o jornal o povo DO RIO. A idéia é oferecer vez para toda e qualquer agremiação serem divulgada na medida do possível. E ainda as festinhas que acontecem aqui e acolá no miolo do mundo. Esperamos que gostem, mas se não gostarem, escrevam. Obrigado.

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A poderosa presidente do Salgueiro Regina Celi Fu Duran, (AINDA) numa jogada complicada, resolveu bulir no Departamento de Harmonia, que é magistralmente comandado pela família do saudoso João Calça Larga, tudo gente do morro há pelos menos 100 anos. O indicado, oriundo de outra escola do Grupo Especial, onde ocupou o referido cargo, por mais de sete anos e jamais abiscoitou uma nota máxima (10), em todos os jurados. Só fazia por lá figuração, pois quem mandava era outro.

Felizmente, muito bem assessorada pela escriba Flávia Cirino, a charmosa Regina Celi, mesmo assim, levou para a escola o cidadão que se diz expert em HARMONIA. Contundo, o cidadão sabichão ficará apenas, no Salgueiro como assistente, uma espécie de aspone, da Comissão de Carnaval.

É bom lembrar que HARMONIA, em qualquer lugar é coisa muito séria, em escola de samba então... Vale quesito ou não?

Por isso a boa HARMONIA do Salgueiro, continuará sob o comando da grande família Calça Larga, com João, o popular Jô Calça Larga, Ciro e Alda.

Todos ainda lembram no Salgueiro as experiências com Chope e o Guilherme. Ou será que não?

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UM aplauso caloroso, carinhoso e respeitoso para a senhora Regina Celi, mandatária do Salgueiro. De uma penada só, ela levou de volta ao Salgueiro o grande MS, o menino Carlos Alberto, o popular Mosquito. Nascido nas fraldas do SALGUEIRO, o popular Mosquito será o patner da bela cabrocha Luana. Palmas para a presidente Regina. Lugar de salgueirensense é também no Salgueiro Valeu Mosquito. Esse lugar será seu perpetuadamente!

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A nossa querida Portela continua na mesma, podem crer. Enquanto esbanja verbinhas em viagens de turismo, com delegações de diretores em busca de um enredo das Serras Gáuchas, aqui mesmo no Rio, tinha um tema supimpa bem ao gosto dos portelenses. Mas esse negócio de competência e criatividade não é para qualquer um. Resultado: a Paraíso do Tuiuti, que ascendeu ao Grupa de Acesso, foi lá e beliscou calmante um bem e popularesco enredo, que era tudo que o povão sonhava e o portelense queria.

Novamente a nação portelense ficou de otária na parada. Os torcedores dos GUERREIOS DA ÁGUIA devem estar babando de raiva. OS problemas da Portela, que são muitos, envolvem até caso policia. A Escola de São Cristovão Paraíso do Tuiuti vai homenagear, em 2012, a grande e saudosa CLARA NUNES, que se viva fosse estaria emplacando 70 ano de idade. O enredo apresenta o pomposo título de "A TAL MINEIRA". Palmas para a diretoria do Tuiuti!

Ao presidente Nilo Figueiredo só resta trazer as bombachas do sul, que poderá até amarrar cavalos na Sapucaí, como fez Getúlio, no Obelisco em 1930. Chora mais uma vez a nossa Portela. Chora também o compositor Paulo César Pinheiro, o eterno cantante da mineirinha guerreira.

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Vejam que coisa bela, os próprios sambas que compunha. A obra e a vida musical, artística e sambística do genial e saudoso compositor Silas de Oliveira será perpetuada num blog espetacular, feito com muito carinho por toda sua família. O comandante final dessa realização, que deveria ser feito pelo "brilhante" Departamento Cultural da Império Serrano, será comandada pelo neto do poeta, o músico Júnior de Oliveira. Ora, afinal alguém acordou na Serrinha. O site para contato é: www.sambadesilas.blogspot.com

Quem se habilita?

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Ainda não soube pela boca oficial, do presidente Ivo Meirelles, da Mangueira, porém fui informado por uma raposa que ele "chutou o balde" extinguindo de uma penada só as três (3) Alas Técnicas da Mangueira (Boêmios, Periquitos (a mais na antiga) e Só Pára Quem).

O que o teria levado o nosso IM a tomar tão polêmica decisão?

Dizem que ele teria bradado na reunião, que homens com exceção da bateria, compositores, crianças, empurradores de alegorias, diretoria e convidados, só sairão de fantasia nas alas da escola e devidamente setorizadas. Vamos esperar para ver a reação política dos atingidos, pois é revolucionária na Mangueira essa decisão.

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O Ivo é tomado sempre em decisões repentinas, que por vezes não agradam. Todavia, é uma pessoa de palavra e honesto. Por isso fico com os pés atrás, esperando dele próprio uma explicação que possa esclarecer tudo, sem que aconteçam outras coisas

 

Fofocas ou atritos políticos na Mangueira são comuns. Lembro que em política, assim como no samba, toda ação vem sempre precedida de uma reação contrária. Portanto, abre o teu presidente Ivo Meirelles.

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Uma pequena, mas válida: O grande Tio Mirinho, portelense desde 1935, exímio dançarino / bailarino, foi excluído da HARMONIA da PORTELA, por ter 80 e lá vai fumaça. Então resolveu retornar as lides. Agora está reunindo uma multidão de velhotes e velhotas, gente de sua época, em grandiosos bailes nos salões do Clube Baile Brasil, Terceira Idade, sito à Rua Conde de Rezende, 90, bocadinhas da Estação de Bento Ribeiro.

O próximo arrasta pés aconterce-ão nos dias 23 e 30 do corrente, no horário dás 18 horas ás 23 horas. O JCN pintou por lá noite dessas e está até agora com os dois pés pregados no chão, quase sem poder andar de tanto bailar alegremente com as belas cabrochas de lá. Vá também!

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Li atentamente a bela sinopse do enredo "JORGE, AMADO, JORGE", que a Imperatriz Leopoldinense apresentará em 2012. Podem pensar ser uma brincadeirinha por parte deste sofrido escriba que vos escreve, mas não. A atual sinopse da GRESIL, apresenta poucas diferenças daquela da Império Serrano do Carnaval 1989.

Mas Jorge Amado é assim mesmo. Quanto mais se escreve ou se lê o que ele riscou ou sobre suas obras, os fatos e as palavras dos personagens se afloram, e repetem trazendo em nossa mente também os muitos causos descritos por ele. Aí a emoção vira paixão pelo saudoso escritor.

Como já surgiram blogueiros criticando que este JCN duvidou que a Ala de Compositores da GRESIL viesse compor uma samba enredo tal qual os geniais Bem-sem-Braço e Aluísio Machado riscaram em 1989, continuo com a minha opinião, apesar da sinopse está muito bem escrita pelo Max Lopes e seu parceiro Gabriel Haddad.

Fazer um samba enredo com aquela esperteza e categoria é tarefa mais ou menos difícil, mesmo para os poetas de Ramos.

Fico na torcida por saía da quadra da Rua Professor 235, o grande samba enredo do ano. Jorge Amado e a boa sinopse merecem. O Luisinho Drumond e a GRERIL também.

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Verdades do Szaniecki e do JCN também deve ser ditas

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 10/06/2011 09h05

Foto: DivulgaçãoO vitorioso carnavalesco Roberto Szaniecki abriu o bico: "Não termino mesmo".  Uma declaração simples, porém que já está causando grande repercussão no miolo do samba. Falou ele do não pagamento, por parte de muitas escolas, que deixam de efetuar, aos operários que empurram alegorias, ferreiros, funcionários, MS e PB e pequenos e médios fornecedores dos barracões. Só verdades, disse o RS. Merece louvores.

O JCN manja essa história desde tempo que o bicho cinco era amarrado com lingüiça. Isso acontece a torto e direito desde que o samba é samba. Só que agora atingiu um patamar muito alto, realmente chegando às raias da desonestidade. Não pagar o funcionário, que trabalha de fio a fio, além de ser desonesto é uma maldade, levando-se em conta, que a maioria das agremiações fatura os "capetas" e  certos presidentes só exibem carrões de luxo.

Faço coro com RS. Não pagou o trabalho, não termina! Já fui testemunha de vários episódios desse tipo. Quantos MS e PB, baianas e alas de crianças chegaram à avenida com suas fantasias (ou sem elas) incompletas e até sem os sapatos? Só que o grosso dos presidentes apresentam sempre uma tangente: "As fantasias não ficaram prontas ou estavam atrasadas". Quando na verdade, deveriam dizer a verdadeira verdade: "Eu não tive a dignidade de pagar. Por isso o profissional não entregou".

Quem mais sofre com esta situação de desonestidade são os pequenos e médios fornecedores (sapateiros, costureiras, bordadeiras e outros) dessa laboriosa mão de obra. Isto porque, os grandes fornecedores só trabalham com a verbinha na mão. Quando muito, aceitam receber cartas de crédito, desde que corra uns juruzinhos. Ou seja: um superfaturamentozinho não faz mal a ninguém. Isso é comum e todo mundo sabe disso.

A matéria é apenas para continuar aplaudindo de pé a coragem do carnavalesco Szaniecki em abrir o jogo de uma coisa que todos já participam. JCN conhece  vários desses lances.

Senão vejamos: Carnaval de 1969. Unidos do Jacarezinho, na Rio Branco quase pronta para o seu desfile. Mas, eis que noto que a fantasia da Ala da Bateria estava incompleta. Faltava a parte de cima da roupa, justamente a parte que completava a fantasia "Dragões da Independência" no enredo "Vila Rica do Pilar".

Como Diretor de Carnaval, corro em cima, do então presidente, o saudoso Ney Gaspar Gonçalves e faço a indagação: Ney, o que aconteceu com o restante das fantasias da bateria?"

Dentro da maior sinceridade do mundo ele responde de pronto: "JCN, eu não tive dinheiro para pagar e o alfaiate não mandou a fantasia completa, só mandou as o que paguei". O JCN então pergunta: Qual o presidente de hoje que teria o desassombro do NGG em responder com tanta sinceridade? Minha resposta: "Nenhum deles".  Resultado do desfile: Jacarezinho segundo lugar.

Outra história hilária dentro desse assunto.  Aconteceu em 1974, no desfile da União da Ilha do Governador. O então, também saudoso, presidente Jucy Curvelo havia prometido pagar a soma de 800 cruzeiros (ainda era o cifrão da moeda nacional na época) para o seu casal de MS e PB, Periquitinho e Nadir.  Só que o Jucy, temeroso dos escândalos que saudosa Nadir (irmã do compositor Jorge Lucas, do Império Serrano) costumava aprontar entregou a ela o seu dinheiro.  Mas o carvão do Periquitinho ficou no ora veja.

Chega o momento do desfile. Procuro o Periquitinho e o encontro com uma bolsa da casa Sendas nas mãos e já calçado com as botas do desfile. Diz o JCN para ele: "Muda logo a fantasia que a escola já está andando" E ele me responde rapidinho "Só vou desfilar se o presidente Juci me pagar os 800 cruzeiros que prometeu".

Confesso que quase desabei, pois a escola só tinha um casal de MS e PB.  Nesse momento surge um amigo salvador da pátria, o saudoso Édson da Cruz Lobo, o popular Edinho. O pai de Edinho, seu Edvaldo da Cruz Lobo, brilhante oficial da FAB, havia falecido de desastre de carro e o Edinho herdou dele um trabuco, sem mais tamanho, que mal cabia na sua cintura.

De imediato, o Edinho saca do trabuco, primeiro o enfiou goela dentro do Periquitinho dizendo: "Se você não desfilar, hoje, não vai desfilar nunca mais".  Nem é preciso riscar que o Periquitinho procurou logo um abrigo qualquer na Rio Branco e vestiu rapidamente a sua fantasia e correu para o lado da Nadir. Durante o desfile, Edinho acompanhou Periquitinho o tempo todo do desfile, e sempre que podia mostrava para o pobre MS o seu bacamarte, que mal cabia na cintura, mas por sinal, muito bem "azeitado"     

O bacamarte do Edinho foi fundamental.  Periquitinho dançou, sambou como nunca e abiscoitou a nota Dez. Explica-se: a nota do quesito MS e PB era dada em separado para o casal. Se o Juci Curvelo depois pagou ao Periquitinho, só Deus sabe, mas a União da Ilha subiu então para o primeiro grupo.

No último carnaval sua Excelência, o nosso alcaide Eduardo Paes estava em visita à Cidade do Samba, quando de repente, em determinado barracão, foi cercado por um grupo de operários, ferreiros, carpinteiros e aderecistas etc.     

Queriam aqueles profissionais a interferência do nosso EP para receber seus salários, que já estavam em atraso há vários dias. Sinceramente, não sei se o nosso alcaide teve êxito no pedido que fez para o presidente da referida escola. Sei apenas que no dia seguinte a maioria dos reclamantes foi demitida do barracão.

Existe ainda a história de um abalizado jornalista - escritor que por três anos a fio aparece sempre escrevendo enredos para determinada escola de samba. Só que até hoje, o seu rico dinheirinho jamais fez morada em sua algibeira. No outro dia, JCN testemunhou o próprio citado cercando, como se cerca frango, em plena quadra da escola tentando receber o seu capilé. Não me consta que tenha tido êxito.

Uma do arco da velha: O Carnaval estava em fase de finalização no antigo barracão da Portela, no Pavilhão de São Cristovão. O carnavalesco Geraldo Cavalcante avisou ao presidente, Carlos Teixeira Martins, que faltavam alguns metros de um bordado para completar sete das fantasias da Ala de Baianas. A resposta foi curta e grossa: "Arranque os enfeites das que já estão colocados nas outras 120 fantasias das baianas. Não vou comprar mais enfeite nenhum e também não vou pagar o que comprei. Aquele pilantra tinha cobrado muito caro". E ficou nisso. As baianas desfilaram sem a barra da fantasia e o fornecedor ficou sem a sua verbinha.  

Existe ainda aquela história, recente por sinal, daquele conhecido e popular (tido como presepeiro, fanfarrão e brioqueiro), pipoqueiro ou vanzeiro (condutor de van) que sempre era contratado para conduzir os componentes de determinada escola de samba para shows e saídas. Pois bem. Um dia ele foi ao barracão da escola tentar receber o que tinha sido acordado. Resultado: Insuflados pelo presidente da escola, os brutamontes, tido como seguranças, enfiaram a porrada no dito. A surra foi forte, ele teve uma mãos quebradas a acabou por vários dias internado Souza Aguiar. Todavia, jamais recebeu sua verbinha, apesar de ter espalhado para o mundo todo que havia entrado com ações na Polícia e na Justiça.

O JCN apenas aproveitou as assertivas ditas pelo carnavalesco Roberto Szaniecki  para contar algumas historinhas. A intenção não é ofender e tampouco mostrar alguns trambiqueiros do samba. Na questão, pagamento de gente que labuta nos barracões e mais, sapateiros, costureiras e outros entendo que tanto a LIESA, como LESGA e AESCRJ deveriam criar um mecanismo legal e oficial, em conjunto que viesse impedir os beiços que certos presidentes aplicam nesses pobres coitados. 

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Imperiano, da Serrinha ou asfalto, quer vitória pra alegrar seus corações

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 31/05/2011 08h24

Foto: Reprodução de InternetFundada nos idos de 23 março de 1947, a Escola de Samba Império Serrano é jóia da coroa do samba brasileiro. Agremiação detentora de incontáveis lauréis e ainda reveladora de talentos mil. Ainda responsável por inúmeras inovações surgidas no mundo do samba a partir da sua fundação.

Curiosa e até original é a história da fundação da Império Serrano. Consta o fato, que nas décadas de 30/40, no pedaço de terra batizado de Serrinha (Morro de Madureira) já existia uma agremiação com o nome de PRAZER DA SERRINHA, comanda com mão de ferro pelo então todo-poderoso sambista Alfredo Costa.

Só que a nossa PS jamais fez páreo, tanto à Portela, Mangueira, Favela, Tijuca e outras, chegava sempre na rabeira das colocações. Essa situação foi indo, foi indo até chegar o desfile do ano de 1946, quando seu Alfredo Costa, no auge do seu poder, resolveu trocar para o desfile oficial, o samba previamente ensaiado.

Estou rolando toda esta história por um simples motivo: a história e a trajetória da Império Serrano são emocionantes e marcantes que quem dela toma conhecimento jamais deixará de verter uma pequena lágrima.

Pois bem. Seu "Alfredo Costa trocou o samba previamente ensaiado" CONFERÊNCIA "DE SÃO FRANCISCO" de autoria de Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola pelo samba "NO ALTO DA COLINA". Resultado: a nossa PRAZER DA SERRINHA foi para o desfile e acabou tomando, como de hábito, nova porrada.

A Serrinha em peso chorou novamente. Mas, eis que nessa época no Brasil, o país respirava ares de liberdade. O Dr. Getúlio Dorneles Vargas, até então "Pai dos Pobres" do brasileiro, havia sido lascado do Poder e a própria Segunda Guerra Mundial tinha chegado ao fim com a derrota fragorosa das tropas do Eixo.

Se na Serrinha todos queriam a cabeça do seu Alfredo Costa, longe de Madureira, mais precisamente na Zona Portuária, travava-se uma luta sem tréguas pelo poder político dos muitos sindicatos de trabalhadores até então existentes.

E quem eram os fomentadores dessa luta? Eram justamente os humildes trabalhadores, e em sua maioria, todos moradores das grimpas da Serrinha. Esse foi o ponta pé inicial para a fundação da gloriosa Império Serrano.

Se no asfalto humildes carregadores, ensacadores e estivadores, queriam um sindicato livre e ordeiro, no alto da Serrinha já grassava um movimento pela derrubada do até então "rei da cocada", Alfredo Costa.

O movimento político da Zona Portuária resultou na solidificação dos sindicatos de várias categorias de trabalhadores. O mais importante: foram criados, aprovados e reformados vários Estatutos Sociais. E à frente de todo esse movimento já estavam vários sofridos moradores da Serrinha.

É por essas e outras que a história da fundação da Império Serrano está ligada ao grande movimento portuário pós guerra. Bastou apenas que o grande Sebastião de Oliveira, o popular Molequinho, hoje quase noventão, acendesse um rastilho ao pé da Serrinha para seus irmãos, cunhados compadres, amigos e seguidores dessem um grito só: " Fora seu Alfredo! Queremos uma nova escola samba!"

Mas nessa altura do texto ainda não expliquei a relação entre o movimento na Zona Portuária com a fundação da Império Serrano. Explico-o agora: Federação, Confederação e Associação, entidades, que dirigiam o samba na cidade eram totalmente desclareadas em termos de documentação (estatutos e tudo mais)

Bem que os futuros da Império Serrano tentaram conseguir algum documento. . Tudo em vão. Outros dizem que foi o próprio seu Alfredo Costa quem sabotou a entrega das cópias dos estatutos dos postulantes à fundação da futura escola.

Verdade ou mentira, o fato é que um dos integrantes do grupo pró fundação da Império Serrano resolveu agir por conta própria. De imediato conseguiu uma cópia do então dos modernos estatutos aprovados na Zona Portuária. Citam que foi o saudoso Mano Elói Antero Dias, autor da proeza e por isso seu nome é dado hoje á quadra da escola.

Uma grande realidade: A Império de ontem, de hoje e de sempre apresenta naqueles Estatutos oriundos da Zona Portuária sua fonte de inspiração legal. E ninguém consegue mudar isso. Aconteceram várias e várias tentativas, até por parte do saudoso Amaury Jório, quando presidente da Associação das Escolas de Samba. Por isso duas eleições em apenas um ano e já existem candidatos para o próximo pleito.

A história que segue: O primeiro presidente da Império Serrano foi o saudoso João Gradim, curiosamente genro de Elói Antero Dias e irmão do seu Molequinho e Dona Eulália. A fundação foi na casa de Dona Eulália. E o no primeiro desfile (1948) não deu outra coisa: Império na cabeça com enredo "ANTÔNIO CASTRO ALVES".

Seguiram-se outras três retumbantes vitórias consolidando a Serrinha como a nova sensação do samba carioca: "EXALTAÇÃO A TIRADENTES" (1949), BATALHA NAVAL DO RIACHUELO" e "61 ANOS DE REPÚBLICA". A Serrinha desta chorava, mas cantava de alegria!

Tanto é verdade, que seus compositores no auge do dedique com demais escolas cantavam lá no alto da colina: "Faça chuva / ou faça sol / tudo é festa no reino imperial. Primeiro ano imperial/ segundo ano imperial / terceiro ano imperial/ quarto ano imperial...

Isso era tremenda gozação com as demais agremiações, principalmente com a Portela do seu Natal, que chegava a prometer mundos e fundos para acabar com aquele estado de achincalhação imperiano. Isso durou anos a fio.

E o Império Serrano prosseguia na sua trajetória, com glórias, apesar da política interna fervilhando sempre dentro da escola. Volta e meia caía e subia outro presidente. E sempre ocorria brigas e mais brigas no momento da prestação de contas.

A escola voltou a biscoitar canecos nos anos de 1955 (EXALTAÇÃO A CAXIAS) e em 1956 (CAÇADOR DE ESMERALDAS). Um bi campeonato sensacional, graças ao apoio, por sinal, de homem da raça branca, chamado Irênio Delgado. Irênio jornalista raro prestígio nas esferas do Poder Público, notadamente na Riotur da época, jamais permitiu que a Império Serrano fosse roubada.

No ano de 1960, ainda com a interferência do jornalista Irênio Delgado, a Império Serrano logrou empatar com quatro outras escolas e foi considerada também vencedora com o enredo " MEDALHAS E BRAZÕES".

A verde e branca teve mais duas retumbantes vitórias. 1972, com o enredo "ALÔ, ALÔ TAÍ CARMEM MIRANDA", uma criação do genial e saudoso carnavalesco Fernando Pinto, que brincou ao desfilar na Presidente Vargas.

Em 1982, com um enredo tipo patuscada "BUM-BUM PRUGURUNMDUM", criado pelo consagrado carnavalesco Fernando Pamplona e executado pelas carnavalescas Rosa Magalhães e Lícia Lacerda, outra vez a escola voltou ao topo. Destaca-se que nesse ano a escola apresentou um samba enredo genial de autoria dos também geniais Beto sem Braço e Aluisio Machado.

Daí pra frente a escola parou no tempo. Chegou até freqüentar, como freqüenta atualmente, o grupo da poeira das escolas.

Para culminar, no último dia 15 de maio rolou eleição para escolha do novo presidente. Até aí nada demais, a não ser pelo número de postulantes o cargo. Ao todo foram contados quatro não fosse a desistência, na última hora, do ex-presidente Oscar Lino. Até um sujeito que atende pelo nome de Carola foi candidato. Teve 20 brilhantes votos.

O grande vitorioso, se é que pode considerar como grandiosidade, foi o MESTRE ÁTILA. Parabéns. Mestre Átila é um homem educado e isso já é um bom começo. Mas o que a massa dos imperianos de fé deseja saber é o seguinte: que tipo de projeto/programa Mestre Átila tem para recolocar a escolas novamente nos trilhos?

Trocar pura e simplesmente de rainha de bateria será que vai levar a escola ao seu titulo ou contratar um puxador, mais do que rodado (acaba de assinar contrato com uma escola de São Paulo) será solução? E finalmente o enredo em homenagem a oitentona Tia Ivone Lara, honra e glória do nosso samba.

Dentro da própria Império Serrano já surgiram vozes contrárias. Outro dia mesmo, na portaria da escola ouviu um exaltado imperiano bradar: "A Dona Ivone Lara nunca fez nada pelo Império Serrano. Ela assinou o samba CINCO BAILES NA HISTÓIA DO RIO", assim mesmo foi porque o seu Antônio Fuleiro que obrigou o Silas de Oliveira a colocar o nome dela".

Não é verdade! Tia Ivone Lara tem relevantes serviços prestados na Corte Imperial. Inclusive desfilou por anos a fio na Ala de Baianas, além de contribuir com vários sambas de quadra que até são cantados não somente pela Serrinha como pelo mundo do samba afora.

Mas grande pergunta é a seguinte: Mestre Átila tem algum projeto para ser executado a médio curso para que possa recuperar o auto-estima da Império Serrano? Não projeto social, daqueles que ensinam crianças a tocar peças de bateria ou fazer aulas de informática ou consultórios médicos. Isso é tarefa do Poder Público.

A Império Serrano, ao longo dos seus 62 anos apresentou grandes presidentes. Uns bons, outros bozinhos e uma maioria de gente que queria somente o cargo. O que todo imperiano de fé espera nesse momento é que o presidente Mestre Átila faça a escola ter novamente voz ativa no samba, agora na LESGA e no futuro, na poderosa LIESA.

O imperiano seja Serrinha ou do asfalto quer vitória para alegrar seus corações.

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Marquinhos: trocar Estácio pela Lesga não é trocar seis por meia dúzia

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 26/05/2011 09h32

Foto: DivulgaçãoO que leva um mandatário de uma escola de samba como uma Estácio de Sá e em seguida assumir um posto apenas simbólico de Diretor de Carnaval da LESGA? Os mais incrédulos poderiam acreditar que a decisão do popular Marquinhos Fernandes seja por dinheiro. Mas, será que ele vai receber muito carvão no "comando" do carnaval daquela entidade? Ou será por pura vaidade ou por desgaste político ou administrativo dentro da própria Estácio de Sá? 

Vamos esclarecer o seguinte: Marquinhos, bom amigo e sempre educado, era um "peixe fora d’água" no samba estaciano. Ele foi pro São Carlos, depois que um vendaval político varreu o cidadão Carlos Teixeira Martins do comando da Portela. O popular Carlinhos Maracanã, dizem pelo samba afora, é o padrinho de samba do Marquinhos, enquanto ambos mandavam e desmandam na Portela.   

Ninguém desconhece que as raízes, além de lusitanas do CTM, são no samba, totalmente ligadas ao velho São Carlos. Dizem mesmo que Carlinhos Maracanã, apesar de ter presidido a Portela, por 33 longos anos, nunca escondeu de ninguém: "sou São Carlos, sim sinhô", costumava bradar sempre num carregado sotaque luso. Pois bem: O CTM levou o Marquinhos para a Estácio e lá o fez presidente.

E, agora de repente, não mais do que repente, Marquinhos manda tudo as favas e se manda para ocupar um cargo decorativo na LESGA. Ou será que ele desconhece que o popular Édson Marcos é de fato e de direito o Diretor de Carnaval da LESGA? Se já saiu ninguém sabe, ninguém viu. O samba São Carlense teve á sua cabeceira vultos de notável envergadura.

Cito apenas os saudosos Mário Pereira de Melo, o popular Mário Naval, e o também Antônio Gentil, assassinado covardemente no dia 02 de dezembro de 1985. Poderia citar também o intrépido Acyr Pereira Alves, que até um título no Grupo Especial abiscoitou para a escola. Só que Acyr, até hoje, é largamente muito malhado na escola por diversos fatores até agora não explicado dentro da escola. Encerrando toda essa delonga, riscando o seguinte: nenhum presidente, antes do Marquinhos havia dado as costas para o gostoso e tradicional samba estaciano.

Mas, ele o fez e de maneira totalmente desclareada e sem explicação convincente. Fico sem entender o real motivo. Largar São Carlos e ir para LESGA, não seria como trocar seis por meia-dúzia, mas seria como, bem ai só o Marquinhos Fernandes pode explicar. Apenas lembrando, caro Marquinhos, "dois reis não reinam no mesmo palácio".

 

Leia também na coluna de Nilcemar Nogueira:

- Batuque é um privilégio

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Natal da Portela. No samba não existiu ninguém igual

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 24/05/2011 08h10

Foto: Reprodução de InternetTinha o JCN um texto comum saudando a nossa querida Portela pela passagem do seu aniversário ocorrido no dia 11 de abril do mês passado. A Águia de Osvaldo Cruz emplacou á última tigre (88 anos para quem não sabe, é do jogo do jaburu). Guardei essa matéria e a publico agora mesmo em meio uma crise em sua diretoria. Afinal, a Portela é uma das rainhas do samba brasileiro.
 
A Portela foi tão forte, altaneira, quase imbatível, que se dava ao luxo de abiscoitar títulos em cima de títulos. Na década de 40 ganhou, já sem o saudoso Paulo da Portela, conquistou sete campeonatos seguidos sem dar qualquer tipo de chance para as rivais da época, inclusive a já poderosa Mangueira.
 
Talentos brotavam a cada instante em sua quadra e a escola mantinha uma tradição de conquistas a valer. Esse apogeu portelense só sofreu um pequeno abalo com a fundação em 23 de março de 1947 da gloriosa Império Serrano.  Realmente a Serrinha sacudiu o mundo do samba e acabou dando um susto na Portela e nas demais.
 
Já nessa época um homem se impunha no comando da Portela. Era cidadão Natalino José do Nascimento ou simplesmente Natal da Portela. Sem jamais ter tocado qualquer tipo de instrumento ou feito ou cantado um samba, Natal era a alma viva da Portela. Nada se fazia na escola, sem que o Velho Maneta desse a opinião definitiva.
 
Um dos que sofria constantemente com as implicâncias do seu Natal era o hoje, velhote oitentão Valdir de Souza, o popular Valdir 59, na época notável Diretor de Conjunto e Harmonia da Portela. Pois veio o Carnaval de 1960 e a Portela iria apresentar o enredo "Rio, Capital Eterna", numa alusão á mudança da capital que logo depois se daria para Brasília. 
 
Pois bem o Valdir 59 querendo ficar numa boa com o Natal insistia sempre para ele fosse participar da apuração desfile daquele ano. "Natal vai lá. E o último carnaval do Rio como capital da República e eles estão doidos para roubar a nossa, escola", bradava dizia o 59 a todo instante. De tanto insistir, Natal acabou concordando ir à apuração. Mas, foi logo avisando: "Se sentir que vai haver sacanagem contra a Portela melo tudo e não deixo a apuração acabar".  
 
E lá se foi o Velho Maneta cercado por sua patota portelense. O local da apuração era na Rua do México. Onde funcionava o Departamento de Certames, órgão encarregado de organizar os desfiles. A RIOTUR da época.
 
O ambiente estava mais do carregado do que nunca, porque era tido como certo que o Salgueiro, com o enredo "Quilombo do Palmares,", uma grande inovação na época, em termos de fantasias e adereços e alegorias, seria o campeão. De fato isso aconteceu. Só que na contagem dos impedimentos do regulamento, a escola tijucana perdeu vários pontos.
 
Foi o bastante para tempo fechar no local. Nélson de Andrade, dirigente do Salgueiro, ameaçava céu e terra: "Se o Salgueiro não for declarado campeão, entro na Justiça e vou anular o carnaval". O fato que ninguém desejava era uma anulação do Carnaval, o último do Rio como capital.
 
O bafafá continua mais caliente do que nunca. Foi que surgiu o então diretor Miécimo Tati, se não estou desclareado da memória, com a solução mágica: as escolas de samba colocadas até a quinta colocação seriam declaradas campeãs e no domingo seguinte desfilariam para o público em Madureira
 
Até o seu Natal da Portela, antes muito querelante, de pronto concordou. Foi uma surpresa geral. Seu Natal ficar quietinho e nada mais reclamar. Os próprios portelenses cobraram uma atitude mais enérgica do seu grande comandante - em - chefe. Mas, seu Natal permanecia sem se manifestar.
 
Feitos e assinados os acordos e acertos foram declaradas campeãs do Carnaval de 1960, o último do Rio de Janeiro como Capital Federal, as seguintes escolas: Unidos da Capela (Produtos e Costumes do Brasil), Império Serrano (Movimentos Revolucionários e a Inconfidência do Brasil), Mangueira (Glória ao Samba), Portela (Rio, Capital Eterna e Salgueiro (Quilombo dos Palmares).
 
Como tudo acabou em paz, todos saíram em grandes comemorações. Foi ai que alguém provocou o Seu Natal da Portela: "Como é Natal você não comemora o titulo". A resposta veio ao pé da letra: "Os otários estão comemorando um título. Vou para Madureira sim, comemorar mais um tetra campeonato da Portela. Ou esqueceram que ganhamos 57, 58, 59?
 
De fato, a Portela havia conquistado o tri campeonato em tais anos, graças, segundo, se dizia na época, com a substancial ajuda do então deputado Pedro Faria, um ferrenho portelense e morador no bom subúrbio de Osvaldo Cruz, 
 
O Seu Natal esperou pacientemente para tirar um grande sarro com as demais escolas de samba. Para a Portela ser tetra ele foi até capaz de ficar em silêncio por várias horas.
 
Nunca existiu um dirigente no samba com o seu quilate.

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Xangô da Mangueira: é sempre supimpa recordar o mestre

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 20/05/2011 11h29

Foto: Reprodução de InternetUma boa HARMONIA, numa escola de samba é aquela que exprime a unidade total no desfile. É o comportamento sincronizado da escola com o perfeito entrosamento e coordenação entre o CANTO, RITMO e DANÇA, tendo por base musical todos os movimentos coreográficos de alas, pastoras, passistas, ritmistas, destaques, além de Mestre Sala e Porta Bandeira.

A continuidade, sem alteração, entre o CANTO, RITMO E DANÇA, são os pontos fortes de cada HARMONIA em desfile. Se por acaso ocorrer divergência de comportamento, todos sabem, no mundo do samba, o que acontece. Logo se diz que o samba está atravessado.

Para a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, a HARMONIA é muito mais do que isto. É acima de tudo um trabalho de base e até certo ponto primordial. É na Mangueira, talvez a única escola de samba, cujos componentes obedecem cegamente o comando da HARMONIA no Carnaval.

Era com comum, nos tempos idos, se ouvir em qualquer lugar do Buraco Quente, Candelária, Olaria, Chalé e outros locais do morro, dias antes do desfile, a seguinte assertiva: "Estou pronto, só falta Seu Xangô apitar". Tal frase era repetida por todos sem qualquer distinção.

Na realidade, isso apenas demonstrava que Mangueira, mesmo já naquela época, buscava o modernismo neste emblemático quesito, sem apelação, procurando manter viva uma das maiores tradições do morro que era ouvir o apito do grande Mestre Xangô, horas antes da escola descer para disputar o concurso oficial.

Contam os fatos da época que essa tradição foi herdada por Xangô, do Velho Cartola. Para chegar ao posto, outrora ocupado pelo extraordinário compositor, Xangô fez um teste (coisa que não se usa mais em escola de samba) e passou com aprovação geral.

Numa época em que as escolas de samba já não mais ensaiavam (na época ainda não se não realizava ensaios técnicos nem na quadras e tampouco na avenida), pois os preparativos tais como hoje, viraram verdadeiras batalhas carnavalescas. Mangueira ainda conservava o Velho Batuqueiro Xangõ de apito na boca, em sua quadra, clareando o miolo.

Para muitos, aquilo poderia parecer excesso de tradicionalismo. Mas o fato era explicado pelos mais antigos e aceito com agrado pelos novatos da época. Diretor de HARMONIA na Mangueira era na realidade o homem forte de todo o esquema de Carnaval. Sem ele nada era aprovado. Nem mesmo a escolha do enredo era processada sem sua aprovação.

Quando atingiu mais de 30 anos dirigindo a HARMONIA da Mangueira, Seu Xangô se sentiu recompensado. Pois desde que foi chamado para ocupar o cargo, que em certa época foi do incomparável Cartola, o Velho Batuqueiro sempre inovou e teve conquistas a valer.

Nem mesmo a glória pelo sucesso em discos e shows, tirou dele a sua eterna paixão: da quadra da verde e rosa. O chão mangueirense era o seu mundo.

A HARMONIA da Mangueira é sem dúvida alguma, juntamente com a sua famosa BATERIA, o ponto alto do desfile da escola. Quando os mais antigos se reúnem ao pé do morro para lembrarem fatos passados, vêm logo à tona às figuras de Chico Porrão e Cartola, dois maiores diretores de HARMONIA, que passaram pelas quadras do Buraco Quente e E.C. Cerâmica.

O primeiro era carrancudo, sisudo e, não admitia qualquer deslize por parte das pastoras ou integrantes da bateria. Hoje, muitas senhoras ainda desfilando na escola, lembram com uma ponta de saudosismo as muitas pancadas que levaram nas pernas do saudoso Chico Porrão, que de bastão em punho não permetia maiores desatenções na quadra.

É bom lembrar que naquela época, não existiam os modernos sistemas de sons. Tudo era no gogó. Pobres pastoras eram obrigadas a cantar e ainda por cima se não fizessem direito tome de bastão do Chico Porrão.

Já o notável Cartola era mais tranqüilo. Cartola tinha uma virtude muito grande: sabia cativar as pastoras e por isso não tinha problemas. Chegou mesmo criar, mesmo que involuntariamente, o seu próprio grupo de pastoras.

Bem, mas isso deu "pau com formiga" em Mangueira, pois os demais compositores ficavam fulos de raiva com aquela primazia do Cartola. Este por sua vez nem se tocava com as reclamações. Ia para a quadra, primeiro no alto do morro, ensaiava seu samba com suas fiéis pastoras, e depois quando era pra valer ficava um "mamão com açúcar".

Por fim, tal estado de coisas foi indo, foi indo que o Seu Agenor de Oliveira resolveu a se afastar, primeiro da HARMONIA, depois da próprio do Morro de Mangueira.

Surgiu então o Seu Xangô. Moço ainda, mas com muita capacidade, Seu Olivério Ferreira foi se impondo. Primeiro com versador, já que na época havia os sambas que eram cantados pelo Diretor de Harmonia. Depois como ensaiador de quadra, Seu Xangô conquistou simpatia geral de todos em Mangueira.

Sem ser rigoroso como foi Chico Porrão, mas cauteloso e artimanhoso como Cartola, Seu Xangô mostrou o seu real valor. Foi uma fase de ouro para o samba da Mangueira. Os títulos eram conquistados e novos valores foram sendo revelados.

Seu Xangô completou 50 e poucos anos dirigindo a HARMONIA da Mangueira. Sempre levando consigo os inúmeros títulos conquistados através da sua vitoriosa carreira. "Rei do Partido" e "Cidadão do Samba", títulos estes que o colocaram no verdadeiro pedestal do samba brasileiro: "Rei do Samba".

Portanto, em vários carnavais estiveram juntos O Rei do Samba e a mais famosa Rainha do Samba, já que Xangô e a Mangueira se confundiam como o próprio reino do samba brasileiro. Vimos ao longo de meio século todas as tradições do samba sendo mostradas ao público e, em particular aos jurados de uma maneira prática e moderna, sem fugir de suas raízes.

Para mim, um mangueirense, com 50 anos de escola, é motivo de honra e orgulho muito grande ter pertencido à melhor HARMONIA de todos os tempos. A HARMONIA do Mestre Xangô da Mangueira.

Nota dez para aquela HARMONIA era simples banalidade. Sempre estávamos prontos para um novo sucesso, pois Mestre Xangô apitava com vigor colocando não somente cabrochas na linha, mas de resto toda a Mangueira em total HARMONIA.

Por isso ainda lamento, é que ao assumir, no dia 09 de maio de 2009, o cargo de Vice - Presidente de HARMONIA DA MANGUEIRA tentei destinar um espaço, uma sala que fosse para perpetuar o nome o Seu Xangô, como um daqueles baluartes que ajudaram á verde-e- rosa ser do tamanho que é

Mas, baldaram-se os meus esforços.

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Vaz Lobo no chão. Viva o progresso! E a cultura popular?

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 16/05/2011 18h14

Estupefato fiquei ao passar pela Avenida Edgar Romero e deparar com a velha quadra da Escola de Samba União de Vaz Lobo totalmente desclareada. Literalmente no chão.

A União de Vaz Lobo é uma das escolas de samba mais antigas da cidade. Fundada nos idos de 1930, pela família da saudosa PB Juju, foi ao longo de 83 anos uma espécie de fiel da balança ao revelar talentos mil, entre compositores, passistas e MP e PB.  Sua sede, sempre esteve encravada no eixo Vaz Lobo / Madureira.

Foi a escola de samba que revelou para o mundo do samba duas maiores portas-bandeiras da história: a saudosa Juju, que mais tarde ganhou o apelido de Maravilha, quando passou a integrar escolas de samba do porte da Portela, Império Serrano e Beija-Flor de Nilópolis e outras.

A União de Vaz Lobo revelou ainda aquela que é a maior delas todas: primeiro ainda na Avenida Rio Branco; depois na Presidente Vargas e finalmente na Marquês de Sapucaí. O seu nome? "É claro que estou falando de Vilma Nascimento, a nossa 'sempre' Cisne da Passarela".

Só por isso a União de Lobo merecia uma melhor sorte e um tratamento direito por parte do nosso alcaide-mor Eduardo Paes. Pois pasmem, os fieis leitores, que em nome do progresso, o nosso EP mandou às favas a velha quadra da União de Vaz Lobo. Tudo virou pó por lá. Ao que o JCN apurou, no local vai ser tocada uma das trilhas da tão esperada Via Transcarioca.

Em nome do progresso, tudo bem. Afinal a mui leal e histórica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro vai sediar, em 2014, jogos da Copa do Mundo, e em 2016, a grande Olimpíada.

Só que Sua Excelência deixou escapar um pequeno detalhe: a Escola de Samba União de Vaz Lobo, embora hoje seja uma agremiação de porte menor, no passado foi tão grande como Portela e Mangueira. É justamente em nome desse passado que a União de Vaz Lobo estava por merecer sorte melhor.

Afinal a diretoria da União da Vaz Lobo há anos ocupava aquele espaço tendo efetuado várias e várias obras de melhoria no terreno em questão. A prefeitura alega que pagou a verbinha de 48 mil contos de reais - uma mixaria - entende o JCN - ao proprietário do terreno. Só que agora não arranjou outro espaço para localizar a nova quadra da escola de samba. Maldade pura do prefeito.

Aliás, de há muito que o Rio sofre com esse tipo de agressão à sua Cultura Popular. São quadras de samba que vão ao chão, campos de futebol de pelada que são aterrados. Aqui no Rio, ainda prédios antigos são incendiados criminosamente para depois os locais virarem estacionamento rendendo milhões em verbinhas para certos espertinhos.  

A Cultura Popular de uma cidade deveria ser o seu bem maior. O Poder Público, aqui do Rio de Janeiro, deveria atentar para esse detalhe. Na cidade de São Luís, bela capital do Maranhão, há anos, apesar das crescentes críticas contra a família Sarney, por seguidas determinações governamentais, a própria cidade e seus folguedos populares são rigorosamente preservados. Em São Luís, nem mesmo aos prédios da época do Príncipe João Maurício de Nassau, é permitido uma simples descaracterização.

Aqui no Rio, como se fosse à época do lendário prefeito Francisco Pereira Passos é tal "bota abaixo" que não acaba mais, sem que as obras aconteçam na mesma rapidez. O mínimo que a prefeitura deveria fazer é conseguir um novo local e, lá, processar obras de imediato de construção de uma quadra para a União de Vaz Lobo, como, aliás, já fez com a Imperatriz Leopoldinense, Cacique de Ramos e outras agremiações.  

A oitentona União de Vaz Lobo ainda precisa continuar sendo uma fonte de cultura popular desse tão combalido Rio, no aspecto de cultura popular, mas que apesar disso tudo nós ainda o amamos. A história do samba agradeceria.

Pense nisso, nosso bom alcaide Eduardo Paes!

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Samba-enredo é arte. Só faz quem sabe

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 09/05/2011 21h05

Como apregoa um político com bases eleitorais no bom subúrbio: "agora é a vera". Mal comecei riscar no SRZD-Carnaval, sou forçado em dizer que não sou de criar quizila e tampouco sou encrenqueiro. Um pouco polêmico, talvez.

Essa de gostar de "Fustigar a felina com bastão reduzido" é coisa que o genial escritor Mário Prata narra em seu saboroso livro "Mas será o Benedito". O JCN gosta mesmo é de assistir à "felina beber água". Por isso que culpa me tenho em considerar Beto-sem-Braço e Aluisio Machado como gênios na arte de compor samba-enredo? Na verdade, eles o são.

Assim como também rendo tributo para vultos compositores passado, (gênios também nessa arte) como Silas de Oliveira, Cartola, Charles Drinque, Mano Décio da Viola, Titino, Waldir 59 (ainda vivo), Noca da Portela. Paulo Baeta Neves, o popular Didi, Dr. Franco, Candeia, Djalma Sabiá, (ainda vivo) Zeca Melodia, Zinco, Geraldo Babão, Bala, Milton de Luna, Ratinho, Rodolfo de Souza, Darci da Mangueira, Djalma Branco, Cabana, Hélio Turco (ainda vivo), Jurandir da Mangueira, Baianinho da Em Cima da Hora (ainda vivo), Hélio Cabral, Paulo Brasão (20 vezes campeão de samba-enredo na Vila Isabel). E vejam que citei apenas alguns bambas dessa nobre arte.

Essa relação bem que poderia ser acrescida de gente como Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Tião Graúna, Zé Catimba, Matias de Freitas, Carlinhos Sideral, Tolito, Nilton Russo, Zuzuca, Padeirinho, David Correa, Nonô Crioulo, Tia Gertrudes, Bibi, Iba Nunes, Jorge Melodia e tantos outros. Todos são citados, porque estes vultos fazem parte de gerações que essa açodada geração de compositores de hoje nem ouviu ou se interessou em ouvir seus nomes e feitos.

Sou de uma época em que o samba-enredo se compunha usando um dom natural do ser humano. Os compositores usavam tão somente o talento que brota alma adentro. Não existia essa famigerada sinopse e tampouco as parcerias quilométricas, gravadores ou Internet. O samba-enredo nascia na alma do compositor e dali ia para quadra e ganhando depois o gogó das pastoras.

É por isso que este JCN é um aficionado por samba-enredo e, sempre que posso, exalto seus grandes criadores. Quando risquei que vai ficar difícil os compositores da GRESIL produzirem um samba com o mesmo sabor poético e melódico igual samba dos geniais Beto-sem-Braço e Aluísio Machado fizeram em 89 para Império Serrano, não estava exagerando e tampouco menosprezando os compositores da escola de Ramos.

Pelo contrário. Estava o JCN apenas desejando aflorar com o brio de todos eles e, em particular o Zé Catimba, Toninho Professor e Miltinho Tristeza, trompas da Ala de Compositores da escola de Ramos. Uma coisa é certa: na Gresil ou em outra escola de samba é preciso melhorar o nível do samba-enredo.

O samba-enredo é arte e como tal somente os gênios conseguem perpetuá-la. Isso é comprovado através da história da própria formação das próprias escolas de samba.

No passado, quem compunha samba-enredo não era nenhum erudito ou letrado. Tampouco não temos notícias que nenhum intelectual tenha feito um samba-enredo. Mesmo assim vários e vários sambas-enredo entraram na história do próprio samba.

Na atualidade nenhum samba-enredo consegue ganha notoriedade. Mal conseguem se sustentar no tempo exato do desfile na Marquês de Sapucaí. Será algum intelectual de plantão ou alguns desses blogueiros espertinhos natos teriam condições de responder o porquê dessa assertiva?

O fato é que em cada escola de samba existe todo tipo de gente se fazendo passar por compositor de samba-enredo. É um ledo enganado. Samba-enredo dever ser feito por quem realmente sabe fazê-lo.

Conheço até alguns, professores, advogados, médicos, empresários, policiais, militares, jornalistas, modelos e traficantes outros, que vez por outra, se arvoram em compor sambam-enredo. O resultado todos nós estão vendo na qualidade das composições que as escolas a cada ano levam para os seus desfiles.

Certo cancioneiro popular, certa vez, riscou que é impossível escrever, sem cultura ou sem ter algo sentimental. Para o compositor simples de antão, o que importava a cultura se ele próprio já tinha algo sentimental dentro do peito.

É verdade!

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Duran versus Duran ou Fu versus Fu

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 02/05/2011 23h01

Foto: DivulgaçãoNo filme "Kramer x Kramer" é travada uma luta titânica entre marido e mulher pela guarda do filho. Guardadas todas as proporções, é isso que já está acontecendo atualmente na política da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Ex-cônjuges lutam tenazmente pela posse do filho querido, no caso o Salgueiro

O JCN explica: é que está marcada para o próximo dia 22 de maio, a eleição pelo cobiçado cargo de presidente da escola. Duas chapas polarizam os salgueirenses. A chapa da situação é encabeçada pela atual presidente Regina Celi Fu Duran.

A chapa de oposição apresenta como cabeça, pasme os féis leitores, o ex-presidente da agremiação Luiz Augusto Fu Duran. Deu para notar, pelo sobrenome, que existe algo em comum entre essas duas pessoas.

De fato. Num passado não muito distante, essa dupla foi marido e mulher na vida real. Agora são ferrenhos opositores pelo comando da escola. No mundo do samba acontecem coisas que até Deus duvida. Esse lance salgueirense é um deles.

Ainda sobre o pleito salgueirense. Na assembleia geral de prestação de contas, a presidente Regina Celi deu uma demonstração de força política ao aprovar suas contas com bastante folga. Se isso vai pesar no momento do voto, é claro que vai. Mas, não quer dizer que o pleito já está ganho. Muito pelo contrário. 

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Zumbi dança em Pilares

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 02/05/2011 12h31

Na Caprichosos de Pilares, o novo mandatário César Tadeu assumiu mostrando a força de um "sansão". Foi ele nomeando a torto e a direito e, tratando de montar sua equipe para a organização do próximo Carnaval.

Mexeu aqui e ali, e na bateria acabou por cometer uma grande injustiça, pensa assim este JCN. Imagine o fiel leitor, que ao confirmar o Mestre Alexandre Reis no comando dos couros de Pilares, o nosso "imperador" tirou da jogada o eficiente Mestre Zumbi, que vinha sendo o fiel da balança das muitas máximas obtidas nos últimos desfiles.

Confesso que até agora não entendi o real motivo dessa decisão, no mínimo equivocada do nosso CT. Mestre Zumbi, para quem não manja, é cria do samba de Pilares. Assim como Mestre Alexandre ele é um dos fundadores da Escola Mirim Inocentes da Caprichosos e desde bebezinho integrou a sua bateria. E tem mais: Mestre Zumbi é ferrenho torcedor da CP e disso jamais abriu mão.

Mais tarde, ao virar um galalau, passou para fazer bateria da escola - mãe, se não estou enganado, que tinha o comando do Mestre Paulo Renato. Mestre Zumbi depois foi o braço-direito do saudoso Mestre Louro quando da passagem deste notável sambista por Pilares.

Com o afastamento do Mestre Louro, Mestres Zumbi e Alexandre foram guindados ao comando da bateria da azul-e-branca de Pilares. Desde então os couros da Caprichosos só abiscoitaram a nota máxima nos desfiles que se seguiram.

De tudo isso se resume o seguinte: ou Mestre Zumbi praticava algo errado ou então o seu afastamento pode ser creditado a uma dessas fofocas e traições que sempre rolam no mundo do samba.

Ao riscar essas mal traçadas, fico na esperança de que alguém na escola abra os olhos do presidente César, e naturalmente possa rever essa sua decisão e recolocar Mestre Zumbi novamente no seu pedestal. Assim o espero.

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Imperatriz com amado na cabeça, faz sentido!

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 01/05/2011 14h35

Foto: Reprodução de InternetJorge Amado, notável escritor baiano, vai saracotear mais uma vez no samba carioca. Assim decidiu o Luiz Pacheco Drumond, não menos famoso todo-poderoso Rei da Cocada da Imperatriz Leopoldinense. A verde-e-branca apresentará o enredo "JORGE, AMADO JORGE" 

A popular GRESIL repetirá na Sapucaí, o que já fez a verde-e-branca de Madureira. A nossa Império Serrano já fez isso, no Carnaval de 1989, quando o saudoso carnavalesco Osvaldo Jardim - era muito bom, por sinal - nos brindou com o belo e expressivo enredo "JORGE AMADO, AXÉ BRASIL".

Fico na torcida pela Imperatriz. Que no desfile de 2012 obtenha uma melhor sorte do que a Império Serrano, que apesar do estupendo samba enredo de autoria dos compositores Beto Sem-Braço, Aluísio Machado - gênios na arte de compor samba enredo -, Bicalho e Arlindo Cruz, abiscoitou apenas uma décima colocação.

Cantar Jorge Amado é sempre uma dádiva. Na verdade, este notável vulto da literatura brasileira é sempre merecedor de nossas homenagens. Como na Imperatriz Leopoldinense continua só valendo o que está escrito, com certeza pelas mãos do bigodudo carnavalesco Max Lopes, Amado ganhará novos ares e cores, para fazer valer o que está escrito. É esperar para conferir.

Apenas mais um detalhe: será que os compositores da Imperatriz conseguirão produzir um samba enredo à altura da obra-prima apresentada em 1989? Que é um samba enredo, que além da beleza da linha melódica, apresenta versos inigualáveis como: "Sob os olhos graciosos de Oxalá", "Ao som dos atabaques rola o suor dos Ogans" ou "Vem gente que sofreu demais lá do sertão e da beira do cais". Está lançado o desafio.

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O que é do homem o bicho não come...

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 01/05/2011 00h48

Na minha santa terrinha de Ubá (MG), minha saudosa vovozinha sempre bradava: "O que é do homem o bicho não come". Tal assertiva fervilhou minha vida através dos tempos. Sempre me acontecia algo para melhor. Foi assim na vida funcional, sambística, jornalística e, porque não citar, também na vida amorosa.
E o velho dito, que tanto minha vovozinha apregoava nas terras ubaenses, voltou agora com toda força a povoar o meu dia a dia. Estava o velho e sofrido JCN recolhido no casarão de Irajá, quando, de repente, não mais do que de repente, entra um belo recado no celular. "O senhor não me conhece pessoalmente. Sou o jornalista Sidney Rezende, gostaria de conversar com o senhor".
 
Confesso que, pasmado, fiquei. O grande SR querendo falar com o JCN deve ser coisa muita boa para o lado de cá! Ainda um tanto que cabreiro fui encontrar este fiel escriba no seu confortável e belo escritório da Marquês de São Vicente, bocadinhas da Gávea.
 
E qual não foi a minha surpresa, que o nosso SR, simplesmente, convidou este fiel mangueirense para fazer parte da nova equipe jornalística do SRZD-Carnaval, o site de maior sucesso e mais acreditado jornalisticamente no mundo do samba.
 
Não é preciso narrar que a minha emoção foi lá pra grimpas. Primeiro porque jamais sonhei desfrutar de tal galardão. Depois, porque o SR deu-me carta-branca em tudo, só solicitando para que desse uma atenção especial para as escolas de samba de porte menor.
 
Era tudo que o JCN queria minha gente. Ou como costumava bradar o saudoso Nanau da Mangueira (Juvenal Lopes, presidente da Mangueira de 1962 a 1970): "Estou subindo os degraus da felicidade".
                                                                                                                 
Feito esse breve intróito, de pronto prometo ser fiel às minhas convicções, que continuam firmes mesmo com quase 50 anos de estrada pelo samba afora. Confesso que o meu texto não é nada acadêmico. Habituei-me a usar a mesma linguagem falada e usada no mundo do samba. Ouvi e aprendi isso durante todas essas décadas.
 
Aos que entenderam essa mensagem, fico imensamente grato. Os que não entenderam, paciência. Para o escriba-maior, Sidney Rezende, meu sincero agradecimento. Para os fiéis leitores, risco apenas o seguinte: continuem prestigiando o nosso SRZD-Carnaval, pois aqui o SAMBA é tratado como seriedade, e acima de tudo como fator cultural brasileiro. Fique com a gente, minha gente.
 
Nos futuros babadinhos que serão riscados aqui, é lógico que alguns deles não serão do agrado de certos "espertinhos " do samba. Isso é muito natural. Mas como não tenho nenhum tipo de compromisso com quem quer que seja, como se diz comumente, "vou levando..."                                        
                                            Tenho dito

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