Último ensaio da Vila Maria debaixo de chuva no Anhembi
Quitéria Chagas | Quitéria Chagas | 24/01/2012 16h44
Tenho sempre que agradecer primeiramente o reconhecimento e carinho de todo público, pessoas que admiram meu trabalho, seus comentários, aplausos, força é o que me estimula a sambar; faço para vocês e por vocês, devo tudo ao público do samba.
A força do público é o que faz as escolas me convidarem pra continuar exercendo o maior prazer da minha vida, que é atravessar a avenida e sambar, bailar com todo amor que tenho e procuro transmitir esta felicidade em movimento para o público.
Divido com vocês vídeos das duas escolas que acreditaram no meu trabalho, deram espaço, fantasia, condições... sem me cobrar absolutamente nada, somente presença, dedicação, e arte; tudo para que possa apresentar a arte do samba no pé e da dança para vocês.
Que as demais escolas também acreditem em seus talentos das suas comunidades e façam o mesmo para os artistas do samba, do bailado, da arte do samba no pé; é questão somente de querer e ter iniciativa. O público da avenida está cada vez mais exigente, e sabe o que quer na avenida: querem ver arte!
Beleza, luxo, glamour... todas as agremiações possuem, virou rotina, mas o público da avenida espera mais do que isso, querem inovações artísticas em todos setores. Temos muitos profissionais capazes de inovar, acrescentar basta dar oportunidade e acreditar independentemente de ser da tv, famoso ou não; quando se tem arte talento a pessoa se sobressai por si só, não precisa de demais artifícios e avenida responde, o público responde, quem ganha é agremiação que acredita nos seus talentos.
Escolas e dirigentes de visão lucram muito mais dando valor a arte; sucesso e dinheiro é conseqüência de excelente trabalho feito em equipe.
Madrinha de Bateria da Vila Maria (SP)
Para os que sentiam falta do meu trabalho a frente de uma bateria, após um ano longe dos ritmistas retorno em SP com Mestre Mi e ritmistas da bateria da Vila Maria do Grupo Especial. Não poderia deixar de falar que na Vila Maria fiz questão de desfilar com as artistas da comunidade que apresento a vocês, fazemos um trabalho em equipe, ninguém faz nada sozinho e também não farei isto a vida inteira um dia passarei o bastão e aposentarei as plataformas e com muito prazer divulgo as meninas aqui: Priscila Bonifácio, Monalisa Marques e Karen.
Desfila no carnaval dia 18 /02 (Sábado) será a quinta escola a passar pelo Anhembi; vocês poderão assistir a transmissão pela Globo e certamente pelo portal do SRZD conferindo os bastidores.
Impressiona a evolução do carnaval de SP, juntaram a vontade, talentos, dedicação e recursos dos paulistas com grandes artistas do RJ; na Vila Maria o intérprete é Nego grande voz do samba, carnavalesco Chico Spinoza vencedor de grandes carnavais no RJ e SP.
Sou suspeita em falar a escola está com um chão absurdo!
Não posso deixar de citar que os maravilhosos agogôs me perseguem, tem muito agogô na bateria; me sinto realizada!
- Vila Maria mostra força da comunidade no ensaio técnico
Assista ao vídeo do último ensaio técnico empolgante debaixo de chuva, vento e garoa paulista no Anhembi:
Ensaio técnico da Vila Isabel contagia Sapucaí
Quitéria Chagas | Quitéria Chagas | 23/01/2012 18h21
Vila Isabel é uma escola histórica faz parte do patrimônio do samba e do carnaval. Desfila no carnaval dia 19/02 (Domingo) e será a última escola, fechando o carnaval deste dia; por volta de 3h atravessaremos a Sapucaí.
Não desfilo à frente da bateria, porém tenho prazer de falar desses grandes mestres da bateria da Vila Isabel que estão fazendo excelente trabalho em conjunto Mestre Wallan, Mestre Paulinho (Ex-Beija Flor) e Mestre Mug, recuperado, que também está proporcionando muita força à escola.
Pelo enredo ser Angola eles farão paradinha com Ritmo angolano Kuduro, toda vez que vem a paradinha danço o Kuduro e misturo com samba.
Grande Intérprete Tinga e extraordinária carnavalesca Rosa Magalhães.
Assista ao vídeo abaixo: (Quitéria no último ensaio técnico com o chão e calor da Vila Isabel que lotou e contagiou a Sapucaí):
Rainhas de Comunidade - 'As Brunas': Bruna Bruno e Bruna Almeida
Quitéria Chagas | Quitéria Chagas | 13/01/2012 00h22
No texto anterior falei da importância deste carnaval por ter aumentado a quantidade de Rainhas de Comunidade em diversos grupos, principalmente no grupo especial. Agradeço aos queridos que comentam aqui no Blog, ajudam a melhorar os próximos textos, corrigir erros, a opinião de vcs é sempre engrandecedora, aqui espaço para trocarmos opinião, ninguém é dono da verdade. Vcs são demais!
Essa troca é importante para informar, fazer o universo do carnaval evoluir, e aos poucos mobilizando fazermos em cada comunidade as mudanças importantes para nosso patrimônio cultural, mostrar referências importantes para os jovens que são as futuras gerações de sambistas; não somente falar da história do carnaval, mas também dos atuais participantes da festa, esses jovens artistas do samba, também se tornarão antigos um dia, sairão em velhas guardas futuramente e devemos não somente homenagear o antigo, mas o novo também.
Penso que questionar, procurar conhecimento é sempre engrandecedor; porém julgar é vício infeliz, que em nada acrescenta e nem sempre estamos certos. Devemos tirar a venda dos nossos olhos antes de punir, atirar pedras, as vezes julgamos demais e quando conhecemos as pessoas a fundo, convivendo, mudamos de opinião. Resumindo só se sabe a fundo de um assunto quando se vive, quando está na pele da situação... é sempre bom ter cuidado e evitar julgamentos.
Esse período para mim está muito louco pra ter tempo de escrever, ainda mais q além de Musa da Vila Isabel-RJ, sou Madrinha de Bateria na Vila Maria-SP, e na Argentina, cada agremiação tem suas agendas, e todos sabem q tento ser o mais participativa possível.
Quando uma agremiação acredita em mim, proporcionando oportunidade de trabalhar, investem dando espaço, fantasia, acreditando no meu trabalho... retribuo com participação, arte de sambar, dedicação, vestindo a camisa e divulgando para eles terem o retorno de mídia q certamente facilita em futuros patrocínios, quando uma agremiação é bem divulgada, inteligentemente seu setor de marketing reverte a mídia em dinheiro; isso acontece para os dirigentes inteligentes.
Por isso fui convidada por estas agremiações sem nenhum tipo de negociação financeira, ou coisas ocultas q as vezes acontecem; esse tipo de respeito de uma agremiação com artista do samba é sempre importante ser citado. Todo mérito a Vila Isabel-RJ, Vila Maria-SP, e toda agremiação q tem esta mentalidade e iniciativa, todas as escolas com dirigentes de visão; respeitar o artista do samba é mais importante que o financeiro.
A TV Globo voltou a me convidar para trabalhos após ter feito Faustão domingo, farei mais alguns programas que estou gravando, fora as fotos para matérias, marcando presença vip em eventos para faturar também porque ninguém vive de luz... Até carnaval fora de época de Axé estão me convidando, em breve estarei em Aracaju... enfim.
Mas não vim falar de mim, quero divulgar e falar um pouco mais das rainhas de comunidade, gostaria muito de divulgar todas dos demais grupos de acesso, principalmente aquelas que a imprensa não fala; porém falei com amigos do samba para me ajudarem nessa pesquisa tentando não esquecer de ninguém. Existem muitas excelentes Rainhas escondidas da mídia; essas Rainhas que devem e merecem ser mencionadas; conseguir fotos de todas talvez seja muito difícil, mas tentarei. Aceito ajuda de vocês também, agradeço.
Voltando as Brunas, que são algumas das Rainhas de bateria veteranas; desde de infância freqüentam as quadras de suas agremiações; resumindo são comunidade na veia. Comunidade no Brasil é esta mistura de Raças não só tem negro, tem branco, mulato, pardo, nordestino, caboclo, mameluco... é tudo misturado nessa diversidade de nossa brasilidade, mas todos tem sangue negro!
Existem pessoas que possuem raízes no morro e suas famílias conquistam ascensão profissional, melhoram financeiramente e vão para o asfalto, outros continuam em suas comunidades, mas a origem do morro sua marca, sua negritude sempre continua em sua história de vida, querendo ou não querendo, não se apagam raízes, porque elas são registro de vida com muito orgulho, é a marca de gerações; e todo brasileiro mesmo os aparentemente brancos tem sempre um pé na África e alguma raíz no morro só q tem gente q oculta, ou prefere não comentar.
Aqui estão as Brunas, são uma das poucas rainhas que estão há muitos anos sendo Rainhas de bateria de uma mesma agremiação; ultimamente está cada vez mais difícil manter uma Rainha de bateria em uma mesma agremiação, não por falta de vontade ou desejo; mas por problemas financeiros, políticos e de respeito a artista do samba que vocês sabem muito bem o que acontece nos bastidores.

Há 8 anos à frente dos ritmistas da União da Ilha, do mestre Riquinho. Formada Educação Física e empresária de franquia de clínica de depilação Nascida e Criada na Portuguesa da Ilha do Governador, desde pequena freqüenta a quadra.
Bruna Bruno tem 28 anos, este ano ficou emocionada ao receber a coroa das mãos do presidente da agremiação, Ney Filardis. "É sempre especial. É sinal de que estou realizando um bom trabalho. É o reconhecimento, já que não sou famosa, não sou atriz, e continuo como Rainha. É a comunidade que impõe o respeito", avalia Bruna, que era só alegria. Antes de ser rainha, Bruna desfilava como musa da escola.
"Eu cresci ouvindo o samba. Sou da comunidade e aprendi a sambar ainda pequena. Desde pequena eu tive esse fascínio pelo carnaval. Meus pais não são do samba, então sempre que eu pedia à minha mãe para me levar à quadra, ela dizia: ‘vai desfilar se tirar boa nota’. Hoje eu não me vejo fora desse meio, me encontrei na Ilha", diz Bruna Bruno.
Rainha dedicada, ela diz que faz questão de participar de todos os eventos importantes da escola: "Todos os eventos importantes que têm, eu participo. Esse ano a escola deu doce no dia de São Cosme e Damião. Eu também ajudei, tem doação de todo mundo da escola, e ver o sorriso das crianças é a melhor recompensa", disse a rainha.
Esta grande escola que também fez parte da minha vida, foi meu laboratório do samba, aprendi muito. Poucos sabem, mas comecei sendo passista da União da Ilha em 2000, na época em que a Ketula, ex-Rainha da Porto da Pedra também era passista; no mesmo período quando comecei na Tv no SBT dançando no programa da Carla Perez, o "Canta e Dança Minha Gente", qd intérprete era Wander Pires... faz tempo ...tudo começou comconvite de um amigo do meu pai que continua diretor da escola o Marcelo Careca; e em 2001 de ultima hora fui Rainha da bateria da União da Ilha, por incrível q pareça de um dia para o outro, a Rainha teve problema, o presidente da época me ligou e fui no susto mais delicioso e maravilhoso da minha vida. Belo presente!
Isso foi bem antes da minha maravilhosa história com o Império Serrano que começou em 2003 após ter ficado conhecida nas vinhetas de carnaval da Rede Globo.
Bruna Almeida reina nada mais, nada menos que há 13 anos seguidos como Rainha de Bateria, ao comando de Mestre Caliquinho não é pouca coisa. Ela é recepcionista, seu avô foi um dos fundadores da escola de Botafogo, na Zona Sul, ela é sobrinha do presidente. Hoje com 27 anos a loira participa do carnaval da agremiação desde que se entende por gente.
Este ano a São Clemente comemora 50 anos de samba levando a história dos musicais para a Marquês de Sapucaí. Em homenagem ao enredo Bruna Almeida vai arriscar passos de valsa ao som de violino a frente da bateria, ela disse:
"Só posso dizer por enquanto que o público vai se surpreender com a São Clemente. A gente brinca um pouco durante o refrão, quando tem uma paradinha e entra o violino sozinho. Nessa hora farei um passos mais suaves, lembrando a valsa, o clássico. Estamos ensaiando muito, inclusive com o violinista e a bateria, em compassos diferenciados, para dança conforme a música".
Foi assim, de pai para filho, que Bruna Almeida chegou ao posto de rainha da agremiação. Quando questionada se isso acabou influenciando a escolha, ela afirma que a rainha tem que ser da comunidade ou da família. Aliás, a loira acredita que o fato da escola ter sido comandada pelo mesmo DNA, ano após ano, mostra o lado "mãezona" da agremiação.
"O sonho do meu avô era que sempre alguém da família desse continuidade aos trabalhos da escola. Tudo foi construído com o nosso suor e trabalho. Isso é importante, porque não mostra só o lado família, mas também a união na comunidade. Um modo diferencial das outras escolas, o pai foi o fundador e os filhos foram assumindo, mantendo-a sempre firme e forte", declarou ela.
A loira confessa que foi criticada no início da carreira como rainha pelo fato de ser sobrinha do presidente, mas ressaltou que esse não foi o único motivo que a levou ao posto.
"Não veio de graça. Eu sempre estive presente nos ensaios e conheço todos da comunidade. A gente viaja junto, ensaia e dá o sangue pela escola. A São Clemente é hoje a minha vida", completou.
"Para ser uma boa rainha de bateria é preciso estar sempre presente como estou. Se falto a algum treino, é porque estou doente. A rainha tem que participar de tudo e ter sintonia com as outras pessoas da escola. Tem que saber lidar com todos’, contou ela, afirmando que existe uma grande diferença entre as rainhas de bateria e uma musa.
Ano novo, vida nova e de mudanças positivas nos reinados!
Quitéria Chagas | Quitéria Chagas | 07/01/2012 19h00
Falar, expressar, manifestar sempre é bom. Quando fazemos isso, não pensamos somente em nós, mas no próximo. Comentou-se muito ano passado sobre diversos reinados e continuam comentando na imprensa e principalmente nos bastidores, onde o público que é o termômetro da avenida, responde entre aplausos e vaias nos ensaios técnicos qual sua opinião sobre os reinados.
O público sempre tem razão por saber além do que se publica na imprensa e por não temer ninguém. Graças às reivindicações, buxixos e manifestos do público e da imprensa é que algumas mudanças positivas começam a surgir.
Porém, neste novo ano, surge uma nova era. Depois de tanto falarmos, questionarmos, existe sempre a luz no fim do túnel. Os dirigentes de escolas de samba estão pensando de forma diferente e alguns agindo, dando alguns passos relevantes no cargo de Rainha de bateria; coroando algumas Rainhas Sambistas, de comunidades, ajudando o mundo do samba e suas sambistas a mostrarem seus talentos, voltando às suas origens.
Parabéns aos que conseguem e àqueles que aos poucos tentam mesclar a sociedade sem excluir os seus da comunidade, lançando grandes talentos da comunidade do samba, em cargos de visibilidade como Rainha, casais de mestre-sala e porta-bandeira, cantores, compositores...
A própria imprensa está divulgando mais os talentos de cada agremiação, de cada comunidade. Trabalho de formiguinha, mas de grão em grão é que a galinha enche o papo. Cabe à cada agremiação, cada talento aproveitar seu momento. Agora é a vez das comunidades mostrarem mais sua cara!
Com muito orgulho vamos lembrar os progressos de novas Rainhas que eram passistas, de comunidades e serão Rainhas de Bateria para 2012.
O Ano do Retorno do Samba no pé no cargo de Rainha!
Na vida nada é impossível para quem acredita e guerreiros tornam o aparentemente impossível em possível. Esta é a arte da vida. Que venham as novas Rainhas:
Isabele Gianazza (Rainha de Bateria da Academicos da Rocinha) - Grupo A

Depois de 20 anos é a primeira rainha de bateria nascida e criada na comunidade. Os Baluartes dizem... Amém! Estudante de Turismo, começou na Ala de passistas da comunidade em 2004. A linda promete no Carnaval!
Luana Bandeira (Rainha de Bateria da Estácio de Sá) - Grupo A

Atual coleguinha do Caldeirão do Huck, na "Rede Globo", foi convidada para trabalhar no programa após vencer o concurso Musa do Carnaval no Caldeirão em 2011, e conquistou o público e Luciano Huck.
Luana é de Santa Teresa, frequentadora da quadra da Estácio desde os 15 anos.
No Grupo Especial, continuamos com a única sambista de comunidade Raíssa de Oliveira, da Beija-Flor. Nos demais grupos de Acesso existem mais Rainhas da Comunidade.
Que surjam mais talentos das comunidades como Rainhas de Bateria!
Carnaval une ritmos: Lambada e Samba
Quitéria Chagas | Quitéria Chagas | 29/11/2011 14h51
Na festa de protótipos das fantasias da escola de samba Unidos de Vila Maria, de SP, na qual sou madrinha da bateria, como vocês viram na web, fiz uma performance de dança afro a convite do carnavalesco Chico Spinoza, já que a bateria representará os babalorixas no Carnaval de 2012.
O enredo da Vila Maria é "A força Infinita da Criação, Vila Maria feita a mão". Remete muito à época em que Chico Spinoza foi carnavalesco da Mocidade, em tempos de vitórias da verde e branca do RJ. Tive acesso a todos os desenhos de Chico... O próprio me apresentou e contou tudo que exibirá na avenida.
Quando vi me emocionei. Este grande carnavalesco inicia logo no abre alas com uma releitura de uma das maiores obras primas da pintura mundial, do grande artista Michelangelo com a obra: "A criação de Adão". Neste carro terão esculturas grandiosas que representarão o criador e a criatura, esculturas com movimento, articuladas, tão perfeitas que parecem vivas, todas em material ultra moderno para dar realidade; o isopor todo revestido em um material que não posso falar... mas quem vê de perto acha tão real porque parece que foram revestidos de pele, tom da pele, textura perfeita. Impressionante!

Fora os outros carros... Até um leigo consegue entender claramente do que se trata o enredo. Tudo muito bem explicado, coloridíssimo, quase uma aquarela brasileira, cada alegoria, fantasia é uma obra de arte. Faz tempo que não via Chico Spinoza apresentando um enredo tão rico, colorido, alegre e divino como ele sempre gosta de fazer; altamente espiritual. Vale a pena conferir o Carnaval da Vila Maria de 2012.
Mas outro momento inusitado foi o encontro da noite de diferentes ritmos: Lambada e Samba.
Ao gravar programa da Hebe na Rede TV, convidei o cantor Beto Barbosa, Rei da Lambada para conhecer a quadra da Vila Maria, e não pude deixar de registrar o encontro do mestre da Lambada com os mestres do Samba, Neguinho da Beija-Flor e o intérprete Nêgo.
Nos batidores, os cantores trocaram muitas idéias e tudo acabou em samba. O Rei da Lambada caiu no samba e se encantou. Admirado, ficou muito feliz de ir à quadra de uma escola de samba e em breve visitará o RJ, para conhecer mais de perto nosso Carnaval.
Maravilhoso perceber como o samba combina com tudo, super democrático, agrega povos, raças. A música com seu poder mágico une as pessoas.
Beto Barbosa disse que lançará em breve nova música q mistura Kuduro com lambada. Estou familiarizada com a dança de Angola porque viajei muito a trabalho neste cultural país africano, pelo enredo da Vila Isabel falar de Angol. Daqui a pouco, Beto Barbosa aparecerá em terra de Noel, na Vila Isabel. Registrarei o encontro e conto para vocês!
Viva a mistura de raças, culturas, desse nosso Brasil miscigenado!



As 2 Vilas da minha vida: madrinha de bateria da Vila Maria-SP e musa da Vila Isabel-RJ
Quitéria Chagas | Quitéria Chagas | 23/10/2011 15h18
Como vocês devem ter visto no SRZD-Carnaval e em toda imprensa, fui convidada pra ser Madrinha da Bateria da Escola de Samba Unidos de Vila Maria, em SP.
Me pegaram de surpresa! Não esperava esse tipo de convite. Às vezes ficamos meio desacreditados das pessoas, mas devemos sempre ter esperanças.
O convite surgiu do carnavalesco Chico Spinoza em conjunto com o presidente da Vila Maria, Paulo Sérgio Ferreira (foto), que também é presidente da Liga das Escolas de São Paulo.
Chico assina o Carnaval da Vila Maria para 2012, algum tempo se firmou em SP, proporcionando grandes vitórias na terra da garoa; ele fez grandes enredos no RJ, mas em SP continua sua saga de vitórias. Em consenso entre eles e diretores da agremiação surgiu o convite, que alegrou minha vida!

No meio dos ritmistas! Eles estavam tão eufóricos que fizeram batucada cantando "A Quitéria é nossa ha, ha, hu, hu!" Foi inusitado, me surpreenderam com tanto carinho e euforia!
Para quem não sabe, Chico Spinoza foi o responsável por eu ter feito teste para vinhetas de Carnaval da Rede Globo em 2003; além de carnavalesco ele é figurinista chefe da Rede Globo. Nas Vinhetas, através deste trabalho, a imprensa me confundiu com a nova Globeleza, a Globo gostou da repercussão, me divulgaram em todas mídias e assim fiquei conhecida, famosa, obtive notoriedade; conheci nas gravações representantes de todas escolas de samba RJ e SP, que até então não tinha contatos. Foi nesta gravação que surgiu o convite para desfilar na Império Serrano; assim começou minha vida profissional no samba, no Carnaval. Agora Chico Spinoza me fez renascer novamente com esta oportunidade na Vila Maria. Viver é uma luta constante, o melhor da batalha é ser Fênix a cada dia.
Extremamente importante você ser respeitado, obter reconhecimento do seu trabalho, carinho, consideração... virtudes que valem mais do que qualquer prêmio, em um período que o talento deixa de ter valor e muitas vezes é substituído pelo dinheiro, fica difícil de acreditar nas pessoas, e até q surjam convites de forma natural, expontâneo.
Foi uma linda surpresa ter este reconhecimento vindo de SP, ser valorizada no Carnaval de um estado que não tenho tanto convívio como no RJ. Acredito que o trabalho que fiz no RJ foi extremamente importante e repercutiu na terra da garoa, o reconhecimento do público do RJ contagiou os paulistanos. Não somente me surpreendi com os dirigentes pelo convite, mas também pelo calor da comunidade de Vila Maria e do samba paulistano.
Mas o valor não veio somente de Sampa. Aqui no RJ a Vila Isabel, através do presidente Wilsinho, deu continuidade ao convite para desfilar como musa da escola, então poderei agradar os fãs do RJ, e expressar toda arte do riscado no chão como pude fazer no desfile da Vila Isabel este ano. Farei com todo amor e dedicação; é diferente de atuar com bateria, bailar em frente a bateria, e ter uma sinergia e fusão de corpo, alma, movimento e sentimentos como se fossemos um só. Isto era o que sentia mais falta de fazer, no local onde dei tudo de mim e todo meu amor, mas como não foi possível voltar, essas grandiosas agremiações com dirigentes de visão, dirigente inteligente, sabem fazer grande gestão e lucrar com seus talentos, agregando a sociedade sem excluir sua comunidade e sambistas, valorizando-os. Quem quiser ver o trabalho que fazia com bateria terá que ir para São Paulo! (rs)
Por isso aceitei, analisei as propostas das duas agremiações, o trabalho que ambas fazem. A Vila Isabel desde o ano passado, ao freqüentar, observei que realmente eles não comercializam as fantasias, todas são fornecidas para sua comunidade e para pessoas que gostam e participam da Vila Isabel. Tudo que eles arrecadam em patrocínios é para dar oportunidade a escola crescer ainda mais com chão da sua comunidade na avenida, é muito justo proporcionar para os amantes da Vila Isabel esta oportunidade; além dos projetos sociais que expandirão ainda mais com as obras na sede. A escola só tem a ganhar, a propaganda positiva de boca em boca é o que há de melhor, uma agremiação bem falada, atrai investidores; um grande gestor observa e age além da visão monetária imediata, e sim com visão ampla, muitas vezes os pequenos detalhes se tornam grandiosos, e assim tendem a lucrar muito mais.
A Vila Maria, em SP, além de não comercializar o posto de Madrinha de Bateria, Rainha, faz de tudo para que sua comunidade cresça na sociedade igualmente com a escola. Existem diversos projetos sociais, um deles é a parceria que a escola fechou com a Secretaria Municipal de desenvolvimento econômico e do trabalho (Semdet) para o projeto "Samba e Arte", que consiste em capacitar 300 pessoas da comunidade de Vila Maria, nas áreas de costura, cenografia, percussão, adereços, estamparia e decoração para o Carnaval. Além dos cursos de qualificação que tem duração de 2 meses e meio, a Semdet, por meio do programa POT-Programa Operação Trabalho, concederá auxílio pecuniário mensal de R$ 572,25 para seus participantes. Isto que é beneficiar sua comunidade!
Ter esta oportunidade de conhecer mais de perto carnaval de SP, comunidade, e a gestão da escola, obter a oportunidade não só de participar da festa RJ e SP, mas observar e aprender com ambos, não tem preço, é importante para passar e trocar informação com vocês.
Para os que possuem preconceitos de regiões ou formas diferentes de expressar a festa Carnaval, reflitam e procurem apurar pessoalmente antes de criticar, deixar a mente livre, e tentem parabenizar a tentativa de crescimento do samba, da festa Carnaval. Com erros e acertos cada escola tenta mudar para melhor sua agremiação, algumas estão a mil anos luz que outras em termos de gestão, mas cada uma aprende com a outra, e nessa junção quem ganha é o espetáculo Carnaval e a sua comunidade. Porque aos poucos as próprias escolas estão começando a desenvolver mais a questão social em suas agremiações. Poderia ser melhor, mas o importante é ter iniciativa, mesmo com as dificuldades.
Não é somente um cargo, aceitar ou não um convite, é analisar o que está sendo feito, desfilar em uma agremiação é participar, vivenciar, ter vínculo... Com o passar do tempo o sentimento vai aumentado como qualquer relacionamento; quando você aceita o convite, você concorda com aquela agremiação. Não é somente desfilar sem comprometimento só por exposição na festa. O comprometimento de cada componente é o impulsionador do sucesso da agremiação.

Reencontrei grande intérprete Nego, que é a voz oficial da Vila Maria, irmão do Neguinho da Beija-Flor (os cariocas e seus talentos estão sendo exportados, e devemos ir para onde os dirigentes nos dão valor, como pessoa e profissional; porque para exercer arte, temos que estar nos sentindo bem, senão a arte não flui). Os momentos mais marcantes que tive no Carnaval foi com Nego como intérprete.
4º concurso de Samba de Quadra é promovido pela Globo
Quitéria Chagas | Quitéria Chagas | 19/10/2011 14h04
O concurso tem objetivo de valorizar a música carnavalesca, seus compositores e intérpretes, fazendo lembrar os bailes de salão e os grandes carnavais, além de promover a diversificação e o acesso a cultura para toda comunidade.
Neste concurso só valem Samba de Quadra, quer dizer todo samba de autoria de cada compositor que é apresentado e divulgado nas quadras de escolas de samba e blocos; não vale sambas-enredo.
Então compositores não percam tempo, as inscrições estão abertas até dia 31/10 e são gratuitas, só vale para pessoas físicas, quer dizer que os "escritórios de compositores" estão fora deste concurso.
As inscrições e regulamento estão disponíveis na internet nos sites, neles vocês obterão maiores informações, no site da FIRJAN que patrocina o evento: www.firjan.org.br/sesicultural ou no site da Radice Produções que realiza o evento: www.radiceproducoes.com.br
Os prêmios são:
* 1• Lugar- Ganha R$ 5.000,00 + o Troféu Jamelão.
* 2• Lugar- Ganha R$ 3.000,00
* 3• Lugar- Ganha R$ 2.000,00
Os 10 melhores sambas vão integrar um CD produzido pela gravadora Fina Flor.
A semifinal acontecerá dia 02/12 no Teatro SESI no Centro-RJ. A grande final será dia 10/02/2012 no Circo Voador.
O concurso tem direção de Haroldo Costa, direção musical Ruy Quaresma e direção geral Paulo Roberto Ribeiro.
Então queridos compositore, vocês que não tiveram seus sambas campeões nas disputas de suas agremiações nas escolas de samba, deixem de lado agora os sambas enredos, mostrem seus talentos e componham samba de quadra, façam sua inscrição e além do reconhecimento, da vitória, podem faturar uma "bela grana".
Bom para os compositores que criticam e querem fugir das disputas de "escritórios de sambas" porque, neste concurso, eles não podem entrar; uma boa dica pra quem está reclamando dessa nova tendência do samba.
Nem tudo tá perdido... (rs)
Grito de uma nação: Sambistas - Os Criadores do Carnaval lutam por espaço na festa que eles criaram!
Quitéria Chagas | Quitéria Chagas | 19/09/2011 19h17
(Me inspirei na matéria do Carlinhos Coreógrafo para o SRZD-Carnaval e também na minha luta pra chegar e tentar o máximo que pude permanecer sem pagar nada, como Rainha de bateria, na luta dos bailarinos do samba, e de todo sambista que perde cada vez mais espaço para exercer sua arte e na futura geração de sambistas).
Estamos em uma nova era no samba. Até que enfim acordamos e todos estão acordando pra vida! Voltamos a lutar pelo espaço que é de direito nosso.
Por ironia, nossos antepassados lutaram para o sambista conquistar seu direito de liberdade, de expressar sua arte que era tão marginalizada e discriminada; eles venceram, e das batucadas na casa de Tia Ciata e de muitas outras tias antigas baianas surgiu o samba.
Desta vitória da luta de diversos ilustres negros é que se originou o Carnaval, que atualmente remunera alguns sambistas e virou fonte de trabalho para muitos. Alguns conseguiram notoriedade e respeito na sociedade, atingindo as mais altas classes sociais. Dos escravos, aos grandes artistas negros da Praça Onze e de diversas casas humildes onde haviam reuniões de dança e batucada, criando lendárias composições, que são referência para a cultura popular brasileira em todo mundo. Por isso tudo é que hoje devemos agradecer a esses negros pioneiros, pelo Carnaval ser o que ele é hoje, por todos os benefícios sócio-culturais que fazem desta manifestação popular ser hoje a maior festa do mundo e arrecadar tantos milhões para governos e escolas de samba.
Mas como toda grande festa, existem seus pontos positivos e negativos. Quando o samba cresceu, comercializou-se a cultura, os negros começaram a ver sua arte divina obter remuneração, arrecadar lucros... A batucada da "linda crioulada" aumentou até de ritmo (rs).
Todos felizes com reconhecimento de tanta luta e trabalho. Os ilustres "doutores, patrões", pessoas importantes das classes sociais mais altas, foram sendo seduzidas pela arte desses grandes negros, por sua batucada, dança, beleza, alegria e arte… Lindamente o samba foi se misturando.
A Arte por ser dom de Deus é capaz de quebrar qualquer barreira, até a do preconceito, fazer o impossível se tornar possível; e o samba é prova disso. Quando a comercialização entra na arte pode morar o perigo e o inimigo do artista mora ao seu lado. Na empolgação do desenvolvimento do samba, desta transição de arte para arte-empresa, alguns passaram a crescer muito os olhos, ceder muito espaço para lucrar mais, mudar de vida, sobreviver... Muitas vezes pela falta de informação, de não ter visão do novo mundo de negócios que se abriu. Infelizmente a grande maioria caiu em tentação, o famos "din din" falou mais alto. Não recrimino quem fez esse tipo de coisa, mas faltou e ainda falta descobrirmos o "Ponto de Equilibrio".
Mas devemos somente analisar e refletir para saber onde perdeu o fio da meada, como continuar a arte sem se perder mais, como reingressar o artista sambista em sua festa; sem oprimi-lo, não colocando-o mais como figurante da festa que ele criou, como se fosse um escravo que na época seus senhores os diferenciavam da sociedade de forma opressora com o intuito de colocá-los em seu devido lugar, para não se misturar a eles.
Não devemos retroceder, mas resgatar nossas origens da arte que fez o samba se tornar tão atrativo, tentando adaptar a arte, e o artista nesta modernização do samba, evitando descaracterizar mais nossa arte, para o espetáculo não perder sua essência, consecutivamente pode perder um pouco o interesse e ficar repetitivo demasiadamente. Os louros e lucros financeiros atuais podem nem sempre ser bem vindos a longo prazo e até diminuirem, porque o atrativo que faz do espetáculo Carnaval ser a menina dos olhos, financeiramente falando, o que atrai o público, a mídia, consecutivamente investidores nesta festa, são os artistas que fazem o espetáculo acontecer desde o ferreiro, carnavalesco, ao desfilante. Todos possuem extrema importância.
Só que quando falamos de carnaval, a primeira coisa que atrai toda essa comercialização é o samba, o som da batucada, bateria, músicos, compositores, cantores, a dança, o bailado, riscado dos passistas, mestre-salas, porta-bandeiras, baianas, comissão, carnavalescos... e porque não, Rainhas de bateria?
As Rainhas que hoje em dia possuem todos holofotes, na realidade por causa da mídia e do grande público que se interessa e consome o produto "Rainha de Bateria", que foi criado pelas próprias escolas de samba para aumentar a visibilidade de suas escolas em mídias, que o samba/carnaval poucas vezes aparecia, além de obter retorno financeiro com a troca de ceder espaço para as "madames" do samba em troca da midia e/ou muitas vezes patrocinio. Por isso, as escolas de samba somente convidam, em sua maioria, pessoas famosas, e os artistas do samba ficam fora um dos maiores espaços de visibilidade do carnaval que divulga a arte e o artista.
A imprensa, através do público, transformou as Rainhas em uma grande vitrine do carnaval. Sendo justo ou não, devemos ser sinceros. Uma das coisas que se fala mais no carnaval, que vende jornal, revista e passa exaustivamente na TV ao longo do ano, não somente no carnaval, quem mais divulgam a "marca-escola de samba". Essa divulgação maciça de qualquer tipo de informação sobre as Rainha de bateria e em conjunto, divulga-se a "marca-escola de samba", são elas, as Rainhas, que fazem isso, divulgam as escolas extremamente e automaticamente se divulgam, nessa troca de visibilidade e dependência mutua, esse retorno agrada as escolas, porque a mídia atrai investidores. Se ela não tivessem sua importância não existiriam no carnaval.
Apesar que além da parte comercial e de projeção das escolas e das artistas-Rainhas, existem algumas poucas Rainhas que realmente se envolvem, se identificam com suas agremiações, tornam-se participativas, mesmo não nascendo nas comunidades quase se tornam comunidade e brigam pela causa de suas agremiações e da arte do samba.
Pelo retorno de midia e/ou financeiro, as escolas optam cada vez mais em colocar pessoas famosas como Rainhas, e quando é desconhecida é porque entrou com patrocinio pesado, se não colocariam de comunidade. As celebridades para as "Super Escolas de Samba S.A" foram inseridas no carnaval porque facilita para as "empresas-escola de samba" obterem maiores lucros. Porém as administrações das escolas não devem ficar somente atreladas a isso. Muitos se acomodam, aceitam as ofertas financeiras e de patrocínio das "oportunistas do samba", as "alpinistas sociais" que veem a nossa festa, nossa cultura, como trampolim para a fama; sem nenhum objetivo artístico de agregar nada a arte, usando as escolas, os sambistas, nossa arte, nossa cultura, consecutivamente oprimindo e humilhando os sambistas. As pessoas que sorriem, aplaudem, ou favorecem este tipo de coisa estão apoiando o sistema, anulando o sambista e frustrando os futuros sambistas.
Algumas escolas se aproveitam disso porque se ganha mais fácil e rápido. Às vezes a futura Rainha nem é famosa, mas entrou "uma coisa qualquer". Alguns dirigentes com pouca inteligência e visão comercial se acomodam com estes "vícios do carnaval", no lugar de criarem jogadas financeiras ,administrativas e socio-culturais inovadoras, inteligentes para desenvolver lucros da escola e não anular seus artistas, e ao mesmo tempo agregando a todos da alta sociedade à comunidade batalhadora que originou tudo isso.
Desde que, no início, o samba atingiu altas classes, as "madames", que não tinham intimidade com a arte do riscado, do bailado, começaram a se interessar pela grande festa e as escolas, os sambistas aos poucos começaram abrir espaço, criando posições diferentes no espetáculo, para lucrar às custas do desejo das "madames". Assim, elas foram sendo introduzidas na festa, foram diversas vezes chamaris para atrair a alta sociedade, consecutivamente investidores e lucros para desenvolver o carnaval, virando empresa. Elas compravam suas fantasias, aos poucos espaços no espetáculo, seus homens e amigos começaram a gostar da festa, investir um pouco ali, aqui... e atualmente compram quase qualquer coisa.
Não satisfeitos de tirarem o lugar das verdadeiras Rainhas que são as passistas, que frequentam as escolas, porque não teriam páreo para competir no pé por igual com as passistas, e nem precisam, porque a grana falou mais alto, a grana que foi a única forma de tirar , ofuscar as sambistas e fazer das gringas as estrelas do espetáculo. Ainda não satisfeitos, pagam as passistas a ensinarem as gringas do samba a serem Rainhas, não sou contra aos profissionais que ensinam, porém quando da maioria das escolas de samba você só tem uma escola do grupo especial que é Beija-Flor com a Raíssa que é única rainha de comunidade do especial, poucas sambam, e a maioria de comunidade só conseguem sacrificadamente exibir sua arte do bailado com honra e glória devida somente no grupo de acesso, e no grupo A, o financeiro já está entrando, antigamente ninguém disputava coroa no acesso; é de se repensar em que rumo o samba está? A ponto de humilhar, rebaixar e oprimir os artistas que os criou, que infelizmente se submetem a ensinar sua arte pra ganhar um qualquer da gringa do samba pra pelo menos sobreviver.
Ridículo ver oprimirem quem não tem acesso à mídia para se expressar, aniquilar esses artistas que na festa não tem voz, e cada vez que passa perde mais espaço. É raro ver como destaque de chão porque os passistas não tem a grana que as escolas exigem pra comprar sua fantasia e se tornar destaque de chão, por isso as passistas de comunidade só ficam na Ala das passistas, porque é único espaço que elas ganham suas fantasias, tendo a função de tapar buraco que a bateria faz entre a ala e bateria quando entra no recuo, elas e eles salvam as escolas de tirarem alguns pontos baixos dos jurados, correm, mal conseguem levantar a bandeira da sua arte e mostrar na avenida seu bailado, a grande arte do samba no pé que em conjunto com a musicalidade do samba é a essência do carnaval.
Os raros passistas que conseguem aos troncos e barrancos subirem de posição digamos assim, nesta "hierarquia no espetáculo", e conseguem subir para posto de Destaque de Chão ou Rainha, tão sonhado pelos passistas, terem um espaço somente pra ele exercer sua arte, e não ser somente mais um na multidão, e poucos possuem o dom do bailado, porém deviam ser mais respeitados, valorizados pelos próprios sambistas, que muitas vezes menosprezam a ala de passistas que atualmente salva as escolas para tapar buraco da bateria, sem eles e a harmonia para organizar, muitas escolas perderiam seus tão disputados décimos.
Passistas, esta classe de sambistas que foram um dos criadores do samba, fazem grandioso trabalho por amor a arte, agremiação, não faltam ensaios, muitos mal conseguem sobreviver por não serem remunerados ou terem qualquer tipo de apoio, ajuda alimentar pelo exaustivo esforço, transporte, e os melhores artistas no riscado vão ganhar a vida no exterior, muitos até somem do espetáculo carnaval por não terem apoio e nem serem valorizados por sua arte. Por isso, cada vez mais existem poucos passistas, poucos sambam a arte do malandro. Cada um da velha guarda, quando falece, leva a arte do riscado junto, poucas agremiações dão continuidade e valor ao bailar, poucas dão apoio aos seus artistas.
Algumas escolas gostariam de banir a Ala dos passista, porque alguns dirigentes pensam que é mais um custo, sem retorno financeiro. Alguns dizem que são povo de comunidade, bando de macaco que pula, que as mulheres são bando de oferecidas, gente que só quer aparecer... Essas coisas ridículas e pesadas demais de ouvir ou digerir pra quem exercer a arte. Mas quando chega a gringa no samba com seus "vinténs", eles na maioria se vendem fácil, fácil, esquecem seus antepassados, até dos seus filhos e filhas, netos que um dia queriam ser Rainhas, destaque de chão, e estendem tapete vermelho pra gringa. Ela pode ser Rainha, destaque, o preto, pobre de comunidade só pode ser de Ala. Não desmerecendo as Alas, mas na visão de alguns dirigentes eles usam o termo para menosprezar, porque esses que pensam pequeno e são limitados em suas administrações fazem isso para diminuir e afastar o sambista verdadeiro da luz, da possível ascensão profissional, porque em uma Ala, o artista profissional raramente vai se destacar. No inicio todo mundo sai em Ala, é primeira experiência importante, mas depois, as próprias agremiações vão dificultando o artista de expor mais ao grande público seu talento seu potencial em postos de destaque, exercendo seu lado profissional como artista.
Carlinhos coreógrafo está a muitos anos no carnaval e há pouco tempo ele conseguiu exercer um trabalho coreografando uma Ala, belíssimamente com sua equipe de bailarinos sambistas onde todos se divulgaram e ele em conjunto com os outros puderam mostrar que existem pessoas da comunidade que possuem extremo talento, podem divulgar suas agremiações tanto quanto uma rainha, mas poucos conseguem oportunidade, poucos são os dirigentes com visão para proporcionar oportunidade para estes artistas. Dirigentes e escolas poderiam também lucrar muito com seus artistas, com sua comunidade, esta é a função de dirigentes inteligentes e não se acomodar com o dinheiro fácil de algumas gringas do samba.
Dirigente que sabe administrar, dirigente inteligente, faz de seus artistas e da comunidade sua fonte de lucros e atrativo, proporcionando oportunidade aos seus; e ao mesmo tempo permite que as gringas do samba desfrutem da festa, em soma a agremiação se beneficia e todos ficam felizes.
Em poucas escolas podemos ver um ou outro guerreiro na luta da resistência da arte do samba no pé; e ainda existem invejosos que os criticam. Infelizmente não vemos mais os malabaristas de pandeiro, malandros riscando a avenida. Em São Paulo aparece um ou outro tentando resgatar esta arte que está se perdendo, pelo menos registra e exibe para nova geração saber que existe. Essas coisas ficaram muito nos documentários de grandes sambistas antigos e na memória da velha guarda, um ou outro passista consegue realizar esta arte divinamente, por pura intuição, pelo Dom que Deus lhes proporciona, já que na arte do bailado, seu desenvolver, proteção da arte, preservar patrimônio, museu, nada disso érealizado pelos próprios sambistas e suas agremiações.
Existe sim o descaso, preconceito e discriminação da arte do samba no pé no próprio meio do samba. Se fossem bailarinos clássicos seriam mais respeitados, mas o passista é bailarino da arte afro... Espero que este pensamento um dia possa mudar não somente na sociedade, mas nos próprios sambistas.
As pessoas ainda se assustam quando um passista diz que fez balé, que é formado em algum curso, se graduou, ou é médico. As próprias pessoas muitas vezes do samba menosprezam, acham impossível, ironizam, às vezes ridicularizam a negra que samba diferente porque fez balé e seu corpo moldou os movimentos do samba de forma diferente, falam mal do garoto que quer sambar como mulher, porque a única referência de poder de quem dança em uma escola de samba é no cargo de Rainha, e ele sonha em ser estrela. Concordo que falta malandro, mas o garoto feminino também deve ter seu espaço. Istó é acrescentar na arte. O artista, transforma, agrega...
Na arte sempre surgirão pessoas que trazem nova intenção para movimento artístico, novos debates para buscarmos a melhora no espetáculo, sendo compreendidas ou não pelo público, agradando ou não, mas menosprezar, fazer comentários pejorativos a quem faz arte deveria ser um crime, porque qualquer expressão de arte é divino, só quem as exerce sabe o real valor de quem faz arte.
Esses guerreiros que lutam pra serem reconhecidos por sua arte do samba no pé, os bailarinos do samba que deveriam ser mais respeitados e valorizados, por direito, porque eles criaram a festa em conjunto com os outros artistas do espetáculo do carnaval. O estrangeiro que vem investir para ver nossa festa, vem pra ver a idéia do samba no pé, do bailar do mulato e da mulata, foi esta idéia que venderam para atrair o turismo, os investidores. Quando ele chega, mal consegue ver.
Os gringos estão muito mais se vendo no samba através das gringas no samba que assumem a posição, que é de direito dos artistas do samba expressarem sua arte, conquistarem notoriedade em um espaço de maior visibilidade como da Rainha de Bateria, destaque de Chão, ou até mesmo tendo liberdade de criação como lindamente Carlinhos coreógrafo fez no Salgueiro interpretando com seu Balé Madame Satã em uma Ala somente deles, resgatando na Ala vários malandros envolta de Madame Satã.
Carlinhos engrandeceu e valorizou os passistas com este grande espetáculo chamando atenção da mídia e do grande público não somente para ele, mas para aquele grupo de malandros, interpretando, acrescentando samba no pé à arte cênica, a interpretação de personagens no espetáculo carnaval. Carlinhos e equipe engrandeceram o espetáculo, inovaram.
Se as mulheres negras possuem dificuldade de espaço, imagina o passista masculino... É muito pior porque não existe um Rei de Bateria, mas para Carlinhos nem precisou, ele e seu balé ofuscaram muita Rainha de bateria, seu trabalho foi reconhecido perante público e nas grandes midias, obteve notoriedade, divulgou sua escola como se fosse uma Rainha, a escola indiretamente ganha com a mídia positiva. Inteligente a escola que consegue dar um pouco mais de espaço para seus artistas desenvolverem a arte com liberdade e ainda a escola se beneficiar comercialmente com isso.
Bailarinos do samba, muitos nasceram em suas agremiações, não perdem nenhum ensaio, dão sangue, se sacrificam, são atletas do samba, sambam e exercem sua arte exaustivamente abrilhantando e sendo grande chamariz do espetáculo, bailam exaustivamente, ferem seus pés e corpo por exaustão, fazem tudo por amor e prazer da arte, por sua escola, gastam até o que não tem em passagens pra chegar em suas quadras, mal conseguem se alimentar, não possuem nenhuma ajuda de custo, de prevenir sua saúde contra lesões, preparação física, incentivo. Esses guerreiros, verdadeiros atletas e profissionais do samba, não devem ser tratados como escória da sociedade do samba só porque não valem quesito ou porque não dão dinheiro, eles e elas são a arte, a base do samba que originou tudo.
Quando não damos valor a estes artistas, aos adultos, automaticamente desvalorizamos os futuros sambistas, anulamos os sonhos desses pequenos que sonham em crescer na vida com sua arte, obterem notoriedade. Pode ser o seu filho, neto, filho do ritmista, parente do compositor, neto do cantor, filha do mestre de bateria que sonha em ser Rainha, e muitos continuarão somente no sonho, se desde agora, cada um não procurar agir, ter atitude, sem brigar, mas impor, comentando na web, vaiando ou aplaudindo quando for preciso. Em eleições para presidente exigir mais, reivindicar, afinal de contas, os dirigentes e presidentes é que dependem da comunidade para continuarem no poder e não a comunidade que depende deles. Não tenham medo de se expressar, a comunidade tem mais poder do que pensa, mas não sabe usar, usem para o bem de vocês e dos seus filhos, netos... Mobilizem-se.
Mobilizem-se não somente pelos passistas, mas pelas baianas, por todas as classes de sambistas, cada um com uma causa diferente, as classes de sambistas que são remunerados e conseguiram um patamar um pouco melhor, não ignorem a luta dos outros, e ajude-os; se não daqui a pouco estaremos discutindo sobre "cota de sambista no carnaval"... Deus que me livre, daqui algun anos, termos que somente recordar imagens de arquivo de passistas, baianas... porque se extinguirão, se as comunidades, publico e imprensa não se mobilizarem, questionando, analisando, exigindo maciçamente.
A sorte do samba não ter se descaracterizado ainda mais, foi de terem colocado como quesito casais de mestre-sala e porta bandeira, comissão de frente, bateria... Enfim, o que preservou ainda um pouco mais as funções, setores básicos do samba foi algumas delas se tornarem quesitos, se não, muitos já teriam vendido espaço pra outros ou transformado em outra coisa. Esses profissionais deram sorte, se salvaram pelo quesito, ainda bem que pelo menos esses conseguem ganhar na maioria alguma remuneração de suas escolas para exercerem seus trabalho, como Mestre de bateria, cantor, mestre-sala, porta bandeira....
Bem ou mal, o quesito ajudou a preservar alguns artistas do samba, mas não é por isso que nós devemos nos calar e parar de lutar, porque como ficam os outros artistas, e também nada na vida está garantido, a luta é eterna, e unirmos seria o ideal. Não sou a dona da verdade, nem tenho esta pretenção, analiso os fatos e divido com vocês, para abrir debate, analisarmos, trocar opiniões e tentarmos juntos mudar este quadro. A resposta vocês darão na avenida, nas quadras, ensaios, e nas eleições... Aplausos, vaias e comentários são termômetro para escolas e dirigentes saberem onde estão certos ou errados e onde devem mudar, porque eles dependem de agradar vocês que são público e comunidade, são vocês que fazem o carnaval movimentar tanta grana para eles. Por isso parem de pensar de forma pessimista que não tem mais jeito, basta querer, que tudo tem jeito; talvez não mudemos o mundo, seria bastante pretenção nossa, mas pelo menos amenizaremos nosso mundo.
A questão é aumentar a porcentagem e a quantidade de sambistas em diversos cargos do samba, passistas, rainhas, destaque... As escolas precisam do financeiro para fazer carnaval, mas vamos combinar que nós já pagamos isso com nossos impostos já que todos recebem alguns milhões de verbas públicas + patrocínio, e ainda criam formas diferentes de capitar ainda mais. Então não podem ter a desculpa que colocam a rainha ou destaque gringa no samba porque precisa de dinheiro, a verba que elas investem nem é tão grande em comparação com a governamental recebida, e com a grandiosidade do espetáculo. Necessitamos é que alguns dirigentes, estudem, se qualifiquem mais para suas funções e aprendam capitar ainda mais agregando seus artistas; pensando também na futura geração de sambistas.
Por toda essa reflexão, mesmo tendo condições atuais pelo meu novo padrão de vida, me recuso e sempre recusei patrocinar para ser Rainha. Poderia aproveitar a fama e arrumar patrocínio, poderia tudo... Mas entrei no samba com um propósito, cada artista segue um caminho, foi a comunidade que exigiu para me tornar Rainha, a presidente na época a falecida Neide Coimbra e sua diretoria ouviram e concordaram de forma inteligente o apelo da sua comunidade, na época já era famosa pelos trabalhos na TV, somou a midia com o samba no pé, mas neste caso o pé falou mais alto, se entrei assim e permaneci assim por eles, durante 5 anos, mesmo com um e outro diretor querendo que entrasse algum "agrado" de uma gringa no samba, mesmo com a cara feia de alguns mercenários, mesmo com as pressões pessoais que sofri a comunidade obteve mais força e os presidentes concordavam, quando um não concordou, e eu me recusei a entrar no sistema financeiro... Saí do posto com honra e orgulho, tirando a causa dos bastidores para o público saber a verdade, e de alguma maneira as pessoas procurarem mudanças em suas manifestações, promovendo mudanças.
Poderia ter cedido ao sistema, ter ficado calada... Mas por que? Acrescentaria o que? Somente alimentaria algo que oprime os atuais sambistas e os afastam, desiludem e oprimem os jovens sambistas. Não quis fazer parte deste circulo vicioso e nem alimentá-lo; não preciso disso, e sim estes alguns dirigentes que estão viciados ao "sistema mais fácil para administrar" e as novas aspirantes a fama. Mas as comunidades e os sambistas possuem poder de mudar, usem este poder nas quadras, avenida e parem de abaixar a cabeça e aplaudir qualquer um e tudo que dizem, não se rebaixem ao sistema que prejudicam vocês e os seus futuros sambistas.
O sambista, as comunidades, escolas e dirigentes devem mudar um pouco sua forma de pensar; é o momento de não nos excluirmos e virarmos figurantes da festa, mas também brilhar nela, deixar nossos artistas terem sua liberdade de expressão também nos espaços disputados que tem maior visibilidade e são pagos pelas não sambistas.
Refletir e mobilizar é importante para crescimento e proteção da arte e dos seus artistas.
Sejam todos bem-vindos!
Quitéria Chagas | Quitéria Chagas | 19/09/2011 18h56
Neste espaço de troca de informações sobre o mundo do samba/Carnaval, pensei em escrever somente um texto de boas vindas. Mas como todo artista exerce sua arte, dom que provém de Deus, e Ele sempre me inspirou na arte do bailado com a bateria, agora me inspira na escrita.
Por isso, preferi seguir este momento de inspiração e fazer um texto muito mais importante e construtivo para reflexão no mundo do samba.
Agradeço o convite deste conceituado jornalista que é o Sidney Rezende. Para mim é uma honra ser uma blogueira contribuidora desta maravilhosa equipe do SRZD-Carnaval.
Em poucos anos de samba só tenho a agradecer ao grande público que reconhece meu trabalho e luta, luta da arte e da raça. Agradeço a todos os comentários positivos, aplausos, palavras de força e carinho; os comentários negativos também... Mas acho que depois deste texto, quem comenta de forma maldosa pensará um pouco mais antes de atirar a primeira pedra... Não dá para agradar a todos... Mas, mesmo se discordarem, comentem com carinho que posso até mudar de opinião. Aqui é espaço de troca e aprendizado mútuo.
Beijos a todos!
Ensaio técnico da Vila Isabel contagia Sapucaí
Quitéria Chagas | 23/01/2012 18h21
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Quitéria Chagas | 24/01/2012 16h44



