Carnaval: a doce alegria da vitória e a amarga desilusão da derrota
Raul Diniz | Raul Diniz | 22/03/2012 01h37

O Carnaval paulistano de 2012 já terminou. Mais um ano de muita dedicação e esforço de sambistas apaixonados, com o sonho de ser o melhor da folia, além de almejar um bom emprego.
Passada a maratona carnavalesca, já se começa a pensar em uma nova jornada de trabalho para preparar mais um desfile grandioso e quem sabe, conquistar o título que ficou adiado ou buscar mais um campeonato.
Nos bastidores das agremiações, a frenética mudança de profissionais, conhecida como "dança das cadeiras", já está a todo vapor. São inúmeras mudanças de cargo entre os artistas do Carnaval que não corresponderam as expectativas dos dirigentes e também surgem propostas com melhores condições de trabalho ou mesmo convites para novos desafios.
Quem foi bem e conseguiu mostrar competência em seu quesito, está teoricamente tranquilo esperando para começar o seu novo show, mesmo que em muitos casos esteja na corda bamba, pois apesar do bom desempenho, as deficiências observadas durante os ensaios ou no próprio desfile, acabam deixando naturalmente estes profissionais vulneráveis ao "troca-troca".
As escolas que apresentaram problemas, não conseguiram boas notas ou não alcançaram o objetivo principal, certamente passam por transformações. Também é importante destacar que existem profissionais, que por algum motivo, se consideram "imprescindíveis" dentro das entidades, apresentando sempre uma desculpa para justificar seu desempenho insatisfatório, muitas vezes, acusando ou culpando terceiros pela sua incompetência.
Infelizmente neste meio, assim com em outros, existem pessoas despreparadas. São os "pseudo-sambistas" que se acham superiores, escondem-se atrás de uma máscara de artista, mas na verdade são embusteiros e apenas prejudicam os verdadeiros sambistas que fazem realmente a coisa acontecer.
As mudanças são inevitáveis. Troca-se tudo o que não correspondeu as expectativas no desfile principal, ou seja, as notas baixas nos quesitos ditam as regras para a continuação ou não de determinados profissionais dentro das quadras ou dos barracões. Muitas vezes até a própria personalidade influi na troca ou dispensa das pessoas que não agradam aos que estão no comando de uma escola de samba
Depois da "dança das cadeiras", os que ficam começam os preparativos para mais um espetacular reinado de momo. O carnavalesco doidão "queima" o cérebro procurando soluções inovadoras para o novo projeto. São muitas as ideias e projeções que visarão surpreender os concorrentes, sofisticando cada vez mais o espetacular show visual do maior espetáculo da Terra.
Em nosso próximo texto, continuarei comentando algumas das ações que acontecem após o desfile de uma escola de samba.
Harmonia: Onde poucos trabalham e muitos se divertem
Raul Diniz | Raul Diniz | 17/02/2012 14h11
Muito bem, imagine depois de tanto trabalho e tantos desencontros a difícil tarefa que é deixar uma escola de samba preparada para o desfile. Escolhe-se o enredo, fazem-se os protótipos das fantasias para produção. Enfrenta-se uma dura escolha do samba que será cantado na avenida, ensaios de canto, dança e bateria, sem contar o que está no barracão, peças imensas que completam o cenário do desfile, os gigantescos carros alegóricos acoplados e com movimentos nem sempre práticos, enfim, uma doidice. Tudo isso, envolve dezenas de pessoas que no final serão dirigidos por personagens de suma importância neste processo: os diretores de harmonia.
Os diretores de harmonia são peças fundamentais no desfile. Eles fazem com que tudo funcione de acordo com uma planilha preparada pelo diretor de Carnaval, juntamente com o carnavalesco e a direção da escola. Depois de definidas as diretrizes, é importante que os diretores estejam bem preparados para que tudo funcione perfeitamente. Em muitos casos, algumas escolas colocam diretores mal preparados para exercer essa função de vital importância, pessoas alheias ao planejamento, embora eleitas pela direção, que nada fazem a não ser passear pela avenida dando ordens completamente fora de sintonia com os verdadeiros responsáveis pelo desfile. Nesses casos, o trabalho de um ano inteiro pode ser jogado fora, quer por negligência ou pura falta de conhecimento.
Os que estão envolvidos no trabalho procuram seguir a risca o combinado, mas sempre se deparam com o pseudo-entendido, aquele que só aparece dias antes do desfile principal, cheio de razão, querendo mudar todo o planejamento de um largo ano de trabalho.
A função do diretor de harmonia, que nem sempre é reconhecida, começa dentro da quadra de ensaios e chega até o desfile final. Ele faz com que todos os componentes cantem em sintonia com o puxador de samba acompanhado pela bateria. Encarrega-se da correta ocupação do espaço correspondente a cada componente, dentro de cada ala e da fluidez contagiante do "cantar o samba", que ajuda ao bom andamento da escola e por conseqüência auxilia a harmonia durante a passagem da escola na passarela.
A responsabilidade dos diretores de harmonia dentro da escola é muito maior do que parece, eles tem que observar, além do mencionado, todos os detalhes das fantasias que os componentes trazem, porque, na maioria das vezes os diretores de alas ocultam problemas, trocam os materiais apresentados nos pilotos, tiram adereços, deixam falhas de acabamento, às vezes sem calçados adequados ou diferentes, deturpando a representação inicial. Os diretores têm ainda que observar a harmonia musical da escola, o carro de som, a sincronia do canto e bateria, o posicionamento dos casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, se a comissão de frente está completa, se os destaques dos carros alegóricos estão posicionados nos seus devidos locais, se os efeitos propostos funcionarão perfeitamente, se o tempo de desfile está cronometrado com o tamanho da escola.
Nem sempre, o que se ensaia dentro de uma quadra, funciona corretamente na pista de desfile. Dependendo do clima que os diretores de harmonia transmitem aos componentes, podem transformar um projeto genial em uma apresentação catastrófica. Os ensaios de coreografias determinados aos componentes que não correspondem ao andamento do desfile, a falta de sincronização do canto com a bateria, fazem com que a escola tenha um desfile desencontrado, à conseqüência perda de pontos importantes. Enfim, qualquer descuido, significa muitos pontos perdidos que podem ser a consolidação do campeonato ou um terrível rebaixamento para o grupo de acesso.
Outra tarefa importante que faz parte da responsabilidade da harmonia é a retirada das gigantescas alegorias da concentração já com todos os cenários montados e posicioná-las na cabeceira da pista já com a escola em andamento no seu esquenta. Cuidar delas durante o desfile e estar preparado para qualquer eventualidade que possa ocorrer.
Depois de tudo ao término do desfile, terão ainda que reposicionar as alegorias fora da pista, retirar seus componentes, abaixar as talhas e empurrar os carros até o local de dispersão onde ficarão aguardando o resultado da apuração para saber se a escola desfila de novo, ou se volta ao barracão onde foram construídos.
O quesito Harmonia em um desfile nota 10
O julgamento do quesito harmonia considera um desfile nota 10 quando a escola é perfeita na igualdade do canto e a manutenção de sua tonalidade com o intérprete da escola, do início ao fim do desfile formando um grande coral, transmitindo a todos os componentes e espectadores, alegria, descontração, entusiasmos e externando felicidade. Mantendo o espaço entre as alas e alegorias, sem a penetração de uma na outra ou abrir claros durante a passagem da escola.
É também importante que na escola, durante a sua evolução, os componentes desfilem tranqüilos sem correria ou retrocesso para tampar os buracos que ficam em função de uma ala que evolui mais rápido que a seguinte. Essa evolução tem que ser marcada com criatividade, empolgada pelo samba e pela vibração contagiante transmitida pela bateria, mantendo o espetáculo animado e coeso mesmo que haja algum problema com o sistema de som.
São considerados normais os espaços deixados entre os casais de mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente e alas ou grupos com coreografias especiais devidamente ensaiadas para a apresentação durante o desfile da escola. O buraco deixado pela bateria deve ser preenchido pela ala que vem atrás obedecendo ao critério que foi determinado pela direção de harmonia, bateria e o diretor de ala, tem que haver bom senso e cuidado para não extrapolar, pois isso terá um efeito dominó em todo o conjunto.
Um bom diretor de harmonia deve ser educado com os componentes, não tocar em hipótese alguma no desfilante, ter extremo bom senso, prever os possíveis erros, focar na assertividade e estar seguro em suas decisões. Vejam quão duras é a posição da harmonia que deve ter todas as qualidades já mencionadas, não ganha nada pelo que faz e às vezes é julgado pelos erros de uns poucos que chegam despreparados, sem conhecimento do projeto do Carnaval e tem mais autoridade de quem está o ano todo planejando um desfile perfeito.
Fica aqui minha homenagem a todos os diretores de harmonia
Não dançam como um mestre-sala, mas, tem conhecimento do quesito e como será julgado, não cantam como o intérprete oficial, mas sabem quando está fora de tom, não tocam como um ritmista, mas ouvem uma bateria atravessada, não são estilistas, mas observam uma fantasia mal feita. Muitos acham que é bonito olhar dentro de uma quadra de ensaios uns homens de branco dando ordens, mal sabem que para ser bom tem que estar sempre presente nas decisões diárias que serão tomadas para ser o campeão.
Parabéns a todos os diretores de harmonias que trabalham onde muitos se divertem. Bom Carnaval a todos!
Raul Diniz
Barracão: Onde o sonho se transforma em realidade
Raul Diniz | Raul Diniz | 07/02/2012 10h30
O que é um barracão de alegorias? É o palco iluminado onde artistas trabalham para dar vida ao delírio dos carnavalescos. Gigantescos e cobiçados, os barracões guardam os segredos que encantam, emocionam, surpreendem e ficam na memória dos espectadores do Carnaval.
É onde começa e termina o trabalho para abrilhantar uma festa que dura exatamente o tempo dos nossos sonhos da folia. No barracão, tudo acontece!
Tudo começa com a leitura do enredo, as idéias começam a surgir no interior do galpão. É lá que se materializam as alegorias de uma escola de samba, onde o sonho começa a se tornar uma realidade. É um palco de artistas anônimos, que transformam seus conhecimentos na confecção dos gigantescos carros alegóricos que desfilam na passarela. É uma grande equipe de ferreiros, escultores, pintores, carpinteiros, eletricistas, costureiras, aderecistas, decoradores, e dezenas de outros profissionais e aprendizes de artistas que trabalham para dar vida ao delírio deslumbrante do carnavalesco.
Durante meses, num esforço sem parar, esses artistas desconhecidos fazem de tudo para surpreender e fazer história na memória dos que assistem e amam o Carnaval. Às vezes, não é possível realizar o que está no papel ou na cabeça do criador. Isto por dois motivos básicos: primeiro pela questão financeira, e o segundo e não menos importante, o da idéia impossível de executar.
No processo criativo é muito comum ocorrer mudanças na alegoria, quer por motivos resultantes do próprio processo de criação, onde vários artistas somam idéias à inicial, ou por vezes conflitam com elas, quer por fatores externos que pouco ou nada têm haver com a idéia inicial. O show de criatividade que os artistas empregam na decoração dos carros, nos adereços e fantasias, provém de materiais inimagináveis que se transformam em alegorias deslumbrantes aos olhos dos espectadores. Estes, são os operários da alegria, trabalhando no anonimato eles transformam muitas vezes lixo no luxo que os carros alegóricos apresentam na passarela.
Mas nem tudo é tranquilo, existem coisas difíceis de administrar, principalmente quando há diferenças de pensamentos que mexem com a vaidade dos artistas. Surgem conflitos e competições nem sempre saudáveis entre os criadores. Quando as divergências surgem no sentido de acrescentar, o trabalho ganha em qualidade, porém, quando as divergências carregam o tom da valorização do ego pessoal, a intermediação do carnavalesco é fundamental para equilibrá-las, senão o trabalho perde em qualidade, em produtividade e em eficácia. Há também situações alheias ao entorno do barracão, quando algum integrante de escola, acredita que pode, sem ter conhecimento, criticar e muitas vezes dificultar o trabalho dos profissionais. Os envolvidos no projeto precisam estar seguros do que pretendem apresentar aos dirigentes, só assim serão capazes de satisfazer suas expectativas, porque na maioria das vezes, essas pessoas que tem muito poder dentro da agremiação, entendem pouco, ou nada, do que esta sendo executado. Todo o conjunto envolve uma gama infinita de profissionais das mais diversas áreas, além de uma diversidade de materiais, e só quem é do ramo sabe o que se pretende para fazer com que o cenário fique mais interessante, atraente e cativante.
Um carro alegórico tem que começar por uma sólida estrutura de ferro, depois forrado com madeira para poder em seguida receber os materiais de acabamento, forração com tecidos, adereços e as esculturas. Além da montagem, há que pensar e ter muito cuidado com a saída do barracão, pois, na maioria das vezes a altura final das alegorias não é a mesma durante o transporte ao local de concentração. É muito importante observar o trajeto, checar as alturas e larguras para não ter problemas. Os acidentes costumam ser comuns no transporte, ocasionados na sua maioria por falta de planejamento. É preciso avaliar o trajeto por onde circulam esses carros, desde seus barracões até a área da concentração.
É na concentração que vem o trabalho mais delicado. Esculturas e adereços que não puderam vir montados, pela própria fragilidade, ou pelo tamanho, tem que ser agora incorporados à alegoria, fazendo desta um cenário ainda maior. Todo cuidado é pouco, há sempre riscos eminentes, quer por quebra de alguma obra, ou por utilização de alguns materiais como a solda, pois o perigo de incêndio está sempre presente. A preocupação com a segurança das pessoas que desfilarão nos locais determinados na alegoria, que pulam e dançam a mais de cinco metros de altura ou em alguns casos com fantasias gigantes a mais de 10 metros, é tema de constante inquietude por parte do carnavalesco, que busca sempre associar segurança e bem estar com beleza e glamour. Só assim haverá a certeza de um desfile perfeito.
Esse quesito é responsável por muita perda de pontos. Durante o desfile não pode haver nada que não esteja dentro do projeto, materiais ou objetos estranhos serão penalizados pelos jurados. Imagens religiosas também não são permitidas, dessa forma os carnavalescos precisam ter muito cuidado e evitar o seu uso.
O barracão é o espaço onde se fabrica loucuras geniais. É um grande caldeirão onde uma mistura de profissionais e amadores utilizam todo tipo de material em uma alquimia carnavalesca.
Barracão: Onde coisas inimagináveis se transformam no brilho luxuoso das alegorias e fantasias do Carnaval... É onde o sonho vira realidade!
Vista a "fantasia", tirando da ideia o que falta no bolso
Raul Diniz | Raul Diniz | 17/01/2012 21h53
Se você está deprimido, não está no auge da alegria. Se o Carnaval que se aproxima tem tudo para não ser bacana como imaginou e se as coisas não estão do jeito que deveriam ser e se nada está bem, não importa, é você quem deve mudar!
Vista uma fantasia, tome um cálice de alegria e caia na folia.
A imaginação é uma boa oportunidade para as pessoas aprenderem mais a respeito delas mesmas. Ao longo da história, o Carnaval sempre foi uma forma de denúncia contra aos maus tratos, preconceitos e opressão.
Quando chegava o Carnaval, o povo expressava o seu descontentamento com ironia e gozação, fantasiados de personagens em que queriam denunciar de uma forma zombeteira.
Nos desfiles das escolas de samba, como no teatro, a fantasia é uma arte que mostra uma cena com criatividade para narrar ou explicar um enredo. De modo geral, a fantasia dá vida, aguça a imaginação de quem a veste e de quem assiste ao desfile, atento a tudo.
Um observador inquieto, capaz de captar em detalhes o que a escola propõe dentro do quesito fantasia.
Carnavalescos, estilistas, costureiras, bordadeiras e aderecistas trabalham duro para materializar as cenas que serão compostas por várias alas ou em figurinos especiais que descrevem a ideia central.
Não importa o tema, pode ser folclórico, histórico, lendas, abstrato ou uma ideia pouco convencional. A partir daí, o criador tem a incumbência de apresentar um visual fantástico onde as pessoas que vêem, se deleitam durante o desfile e o visual se transforma em um conjunto mágico de cores, luz e movimento.
Nos dias de hoje, a fantasia carnavalesca, teoricamente popular, tem novas características plásticas que dão um ar especial aos desfiles das escolas.
Antes eram criadas com poucos recursos disponíveis, muito simples, com roupas adaptadas, tingidas e enfeitadas de forma ingênua. As peças eram confeccionadas em cetim decoradas com alguns espelhos ou lantejoulas pregadas espaçadamente nas fantasias dos foliões. Nas cabeças levavam chapéus de palha, alguns forrados com cetim e algumas penas de galinha para dar um visual melhor. Velhos tempos, onde era preciso criar, como dizia um antigo tema apresentado: tira da cabeça o que não tem no bolso.
Com o tempo, foram surgindo novidades, novos tecidos e materiais decorativos para serem aplicados nas roupas. Com isso, os artistas foram evoluindo em suas criações. As fantasias crescem em tamanho e ousadia.
Com as novas formas e volumes e utilizando materiais até então inusitados como o vacum-forming, armações de arames, fios de lantejoulas e tecidos importados, as escolas enriquecem o seu visual e tendo como resultado o gigantismo dos desfiles atual.
Mas como tudo tem seu preço, os custos e o peso das fantasias aumentaram, perdeu-se a espontaneidade dos componentes na busca por um desfile super organizado com as alas encurraladas na passarela.
Infelizmente o visual ficou um pouco padronizado e caro para o componente. Antes um folião, hoje um cliente dos diretores de ala.
O julgamento do quesito fantasia é feito analisando alguns critérios básicos, tais como: A criatividade, a necessidade de buscar em cada criação um novo elemento capaz de surpreender, o que ela representa dentro da contextualização do enredo, o bom gosto na perfeita utilização das cores e aplicação dos materiais, a riqueza em que o visual transmite nos adereços que compõem as peças, enriquecendo o visual do conjunto durante o desfile na passarela, sem esquecer de que uma fantasia
criativa, contextualizada, rica visualmente, perde todo o seu glamour se não tiver um impecável acabamento.
Além de todas as observações anteriores, o julgador necessita um crivo especial para poder perceber a uniformidade nas vestimentas, não podendo aparecer nada que seja diferente entre as diversas fantasias. Todos os detalhes devem ser observados, calçados, meias, shorts, sutiãs, chapéus, óculos etc.
O Carnaval ta aí, a passarela é sua.
Escolha a escola da sua preferência.
Vista a fantasia, incorpore o seu personagem.
Cante, pule e dance com alegria.
Caia na Gandaia!
Bom desfile!
"Enredo. Onde a coisa mais difícil é simplificar as idéias."
Raul Diniz | Raul Diniz | 03/01/2012 00h18
Em primeiro lugar, agradeço ao meu amigo Raul Machado pelo convite.
Espero poder dar algumas idéias do que aprendi durante meus quase 30 anos criando e montando Carnavais na cidade de São Paulo.
A nossa idéia inicial foi a de montar de uma maneira geral, os principais aspectos de um desfile de uma escola de samba, abordando em cada texto um quesito de julgamento.
Vamos estrear este nosso espaço falando da idéia de um Carnaval. Vamos falar de enredo.
"Enredo. Onde a coisa mais difícil é simplificar as idéias."
Partindo de uma história, fato, biografia, um tema abstrato, ou patrocinado, cria-se um tema emocional ou artístico do que se pretende mostrar em um desfile de escola de samba.
O esqueleto narrativo de um enredo bem calçado e com idéias bem desenvolvidas e claras, facilita o desenvolvimento de um bom samba-enredo, que é fundamental para a clareza na interpretação do tema e bem como na criação artística do desfile.
Como em uma obra teatral, o enredo tem que relatar os fatos em uma seqüência lógica e temporal, isso é o que dará sustentação ao desfile da escola de samba, quando se juntam todas as peças criadas durante a preparação do show.
Sustentando o conjunto de idéias ligadas entre si que fundamentam a qualidade do enredo.
O criador da idéia e todas as pessoas que trabalham na materialização do tema, sempre esperam poder passar o que de melhor tiram do enredo apresentado.
Também os artistas que trabalham na execução das fantasias ou alegorias, se utilizam do enredo para realçar as idéias do carnavalesco ou da equipe que tem a responsabilidade de dar vida a proposta apresentada e enriquecer o visual na passarela, onde serão avaliados e receberão a resposta do público durante a sua apresentação.
Enfim, o ideal da materialização de um bom enredo é organizá-lo de maneira a mostrar inicialmente seus personagens, quebrar depois essa apresentação criando uma idéia genial dentro da proposta, dando maior ênfase na narrativa do tema e finalmente, dar uma solução final de encerramento.
Claro ! Tudo com muita criatividade, bom gosto e comunicação geral com o público.
Enredo, a coisa mais difícil de fazer é simplificar as idéias.
Na próxima vez, abordaremos outro quesito.
Harmonia: Onde poucos trabalham e muitos se divertem
Raul Diniz | 17/02/2012 14h11
Barracão: Onde o sonho se transforma em realidade
Raul Diniz | 07/02/2012 10h30



