Cachoeira faz o Congresso ficar menor
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 23/05/2012 10h58
O deboche e a ironia do contraventor Carlinhos Cachoeira em audiência na CPI mista do Congresso Nacional que investiga a suposta quadrilha comandada por ele deixaram o Congresso Nacional menor.
Mesmo avisados por seu advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça do governo Lula --- portanto, ex-chefe da Polícia Federal que colocou Cachoeira na cadeia ---, sobre o silêncio do bicheiro, deputados e senadores quiseram o espetáculo deprimente de terça-feira.
O parlamentares preferiram o palco, os holofotes e o espaço nos meios de comunicação. Resultado: ficaram menores do que Cachoeira na encenação.
Uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que tem em mãos um arsenal de provas colhidas em investigações da Polícia Federal --- que já foi comandada pelo advogado de Cachoeira, faço questão de repetir ---poderia ter dispensado o triste espetáculo.
Mas os nobres parlamentares não perderiam a chance de aparecer diante dos holofotes das TVs em seus embates como oposição e como governo.
Que moral tem uma CPMI como essa para ouvir um contraventor exatamente quando se divulga que o presidente da comissão, senador Vital do Rego (PMDB-PB), emprega em seu gabinete uma funcionária-fantasma?
E que junto com a divulgação da maracutaia, pela Folha de S. Paulo, vem a declaração do pai da jovem, um jornalista, contando que a contratação da filha foi a forma encontrada para o pagamento de reportagens favoráveis a Vital do Rego na Paraíba?
E mais: Vital do Rego é integrante do Conselho de Ética do Senado Federal. Precisa dizer mais alguma coisa, leitor?
Gente assim é facilmente cooptada por qualquer Cachoeira da vida.
No mais, acredito que a escolha do ex-ministro da Justiça como defensor de Carlinhos Cachoeira tem como finalidade controlar o contraventor para impedir que o governo federal seja atingido pelas revelações sobre a quadrilha.
Tarefa difícil até para o ex-ministro da Justiça, já que a 5ª Vara Criminal de Brasília atendeu pedido do Núcleo de Combate ao Crime Organizado (NCOC) do Ministério Público e quebrou o sigilo bancário e fiscal de vários CNPJ da Delta, no período de janeiro de 2009 até os dias atuais, segundo reportagem do Correio Braziliense.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios denunciou o cliente do ex-ministro da Justiça pelos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência ao tramar uma fraude na licitação para o contrato de bilhetagem eletrônica no transporte público de Brasília.
Somente fatos como esses poderão fazer a CPMI ir adiante, além da briga para ver quem incrimina quem. Até agora, um acordo está permitindo livrar governadores do PSDB, PT e PMDB.
Além do tucano Marconi Perillo (GO), do petista Agnelo Queiroz (DF), do peemedebista Sérgio Cabral (RJ), está na gaveta a convocação do dono da Delta, Fernando Cavendish, amigo de Sérgio Cabral.
A Delta é o xis da questão porque pode macular o governo da companheira Dilma Rousseff. E a maioria governista está ali para proteger o Palácio do Planalto e quem mais for possível salvar.
Uma parte da ironia estampada no rosto de Carlinhos Cachoeira, que chegou sem algemas no prédio do Congresso, tem raízes no conhecimento que ele tem do funcionamento corrupto dos poderes da República.
E também no fato de ter como advogado o ex-ministro da Justiça, ex-chefe da Polícia Federal, amigo de juízes e ministros dos tribunais superiores, e também do ex-presidente Lula, por exemplo. Precisa de proteção maior, leitor?
Somente sua excelência, o fato, poderá fazer ruir essa fortaleza em torno de Cachoeira e da companheirada do PT, PSDB, PMDB etc.
Quando o dinheiro roubado é do contribuinte, o assalto é suprapartidário.
Governo defende Delta de Cachoeira
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 22/05/2012 10h34
Estarrecedor é um verbo ameno para classificar a afronta que os governantes fazem a todos os brasileiros na hora de torrar o dinheiro do contribuinte para enriquecimento dos poucos de sempre.
O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o governo está decidido a usar sua força política para impedir que a Delta Construções seja amplamente investigada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) de Carlinhos Cachoeira no Congresso Nacional.
É simplesmente a empreiteira que está no centro do megaescândalo do momento, resultado de investigações da Polícia Federal, que desmascarou um dos expoentes da oposição, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), e o mostrou como "funcionário" do bicheiro.
Além, claro, de deputados, policiais, agentes do judiciário etc.
Agora preste atenção, leitor. O mesmo governo que se vangloriava há poucos dias de ter atingido mais figuras oposicionistas, como o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mostra-se preocupado.
A preocupação é com o estrago no governo da companheira Dilma Rousseff que a investigação pode causar.
Segundo O Estado de S. Paulo, houve uma reunião segunda-feira à noite na casa do deputado Maurício Quintella (PR-AL). O encontro foi para fechar acordo entre os partidos aliados para não deixar as investigações atingirem a construtora nacionalmente.
Os governistas, sob comando de deputados petistas, querem reforçar a estratégia para poupar a Delta. Os companheiros temem que a CPI mista acabe revelando relações próximas de outros políticos com a empresa.
Entendeu agora, leitor, por que o relator da CPI mista, deputado Odair Cunha (PT-MG), insistiu que o "foco" da comissão é apenas contratos da Delta no Centro-Oeste, onde está o Estado de Goiás, do tucano Perillo, enroladíssimo com Cachoeira?
Por isso que o dono da Delta, Fernando Cavendish, não foi convocado pela CPI Mista. De carona, Perillo vai escapando porque senão os governistas terão de convocar também os governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), amigo de Cavendish e dos petistas.
A ordem entre aliados é para que as investigações sobre a Delta permaneçam restritas às filiais do Centro-Oeste --- Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.
Para que você tenha uma ideia, leitor, do descaramento e da afronta do governo, a Delta acaba de vencer licitação para fazer uma obra de R$ 30 milhões em Mato Grosso do Sul. Mesmo tendo oferecido o serviço por R$ 3 milhões a mais do que a primeira colocada, segundo o Correio Braziliense.
A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu processo administrativo contra a Delta, considerada braço financeiro do contraventor Carlinhos Cachoeira.
Aliás, a CGU só costuma aparecer depois que as denúncias são divulgadas pelos meios de comunicação, que a turma petista sonha em controlar.
"Ficou claro na última reunião da CPI que o problema é a Delta", disse o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), a O Estado de S. Paulo.
Como um governo, orientado pelo seu expoente maior, o ex-presidente Lula, leva adiante uma CPI que poderia detonar a administração da ex-guerrilheira Dilma Rousseff?
Uma das respostas é a ânsia para ofuscar o julgamento do mensalão, atingir a oposição e a imprensa que denuncia a corrupção no governo petista, especialmente a revista Veja.
Com o tiro saindo pela culatra, descobre-se que o aliado presidente da CPI mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), tem funcionária-fantasma no seu gabinete, prática tão comum de roubo de dinheiro público no Congresso Nacional quanto o assalto ao erário por intermédio das empreiteiras.
Assim, o que os petistas desejariam neste momento? Embolar o meio de campo e começar a debater o papel da imprensa no país. Então, com mais essa cortina de fumaça, os ladrões do dinheiro público podem continuar impunes e encobertos.
Haja óleo de peroba para afrontar uma nação inteira!!!
CPI do Cachoeira com pé no freio
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 21/05/2012 10h53
Começamos a semana com a expectativa de que o depoimento do contraventor Carlinhos Cachoeira na CPI mista que leva seu próprio nome seja, mais uma vez, adiado.
Na semana passada, a defesa do bicheiro, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, conseguiu liminar no Supremo Tribunal Federal (STF), para protelar a ida do contraventor. O argumento era o de que a defesa de Cachoeira não havia tido acesso aos documentos produzidos pela Polícia Federal que incriminam o bicheiro como chefe de uma rede de criminosos.
O depoimento remarcado para essa terça-feira (22) pode não acontecer. Desta vez, a defesa de Cachoeira alega que precisa de cópias de documentos e de um prazo de três semanas para analisar a papelada. E, depois, remarcar o depoimento.
A decisão será do ministro Celso de Mello do STF. Uma "curiosidade": desde que foi franqueado o acesso de advogados de Cachoeira à sala-cofre do Senado, onde estão os documentos ainda sob segredo de Justiça, a defesa do bicheiro permaneceu no local por apenas 2 horas e 52 minutos na semana passada.
Bom lembrar: quem está à frente da defesa de Cachoeira é o ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, amigo do ex-presidente Lula.
O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) declarou que o objetivo dos advogados é retardar os trabalhos da CPI. "Isso é uma protelação, é um mecanismo para esfriar a CPI , é um mecanismo para inviabilizar a comissão. Eu não acredito que o ministro Celso de Mello defira um novo adiamento", disse.
Lentidão
Independentemente da ação da defesa do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a Folha de S. Paulo fez um levantamento e constatou que a CPI mista que envolve três governadores e vários parlamentares "chega a quase um mês de existência com a marca de comissão mais lenta dos últimos 20 anos entre as destinadas a investigar corrupção".
"A Folha analisou outras dez grandes comissões de inquérito criadas desde a CPI do Collor (1992). Nunca antes, em seus primeiros 15 dias de trabalho (descontados fins de semana, feriados e recessos), uma comissão ouviu tão poucos envolvidos e demorou tanto para tomar seu primeiro depoimento público", informou.
As suspeitas são cada vez mais evidentes de que a maioria governista trabalha para livrar os governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Para isso, precisam deixar fora dos holofotes dos depoimentos o de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) --- todos eles envolvidos com Cachoeira e com a Construtora Delta.
Como a Delta tem "ramificações" no governo federal, até o dono da empreiteira, Fernando Cavendish, não foi convocado.
A determinação é salvar o governo da companheira Dilma Rousseff do "tiro" que os petistas queriam dar na oposição e no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Enquanto o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) tem a cassação de mandato praticamente certa, a Câmara dos Deputados sinaliza que poderá absolver, no Conselho de Ética, os deputados do Estado de Goiás que apareceram nas investigações da Polícia Federal até agora: Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Rubens Otoni (PT-GO).
Gênese da corrupção em cada pessoa
| Valdeci | 17/05/2012 11h05
O desejo de ganhar sem trabalhar é um dos motores da grossa corrupção na administração pública. E das pequenas maracutaizinhas também.
Se um cidadão comum repete que "de graça até injeção na testa" ele tomaria, o que esse indivíduo não faria se, como agente público, lhe fossem apresentadas as brechas para o roubo de dinheiro público?
E com todas as justificativas embaladas em pomposos palavreados e argumentos para fazer-lhe ter o sono dos honestos?
E mais a certeza da impunidade e de que não precisará de devolver o dinheiro surrupiado do erário?
Aliás, esse desejo de ganhar é que permitiu ao contraventor Carlinhos Cachoeira amealhar muito dinheiro. E corromper quem deseja levar vantagem na administração pública também.
O cidadão não raciocina quando você coloca diante dele a expectativa de ganhar algo. Não lhe passa pela cabeça de que ninguém montaria uma estrutura enorme para... lhe dar dinheiro!!!
É o caso da jogatina do agora ilustre e logo livre leve e solto Carlinhos Cachoeira.
O mais entristecedor é ouvir de cidadãos o lamento de que o dinheiro roubado dos cofres públicos não está indo para seu bolso.
Esse comportamento entra no enorme rol de explicações do porquê uma nação inteira fica quietinha diante da sangria dos recursos arrecadados de todos os brasileiros.
Outra importante explicação é a ignorância das pessoas sobre a sistema de pagamento de impostos. Há cidadãos que não entendem que em cada produto que compra está embutido no preço o valor do tributo.
E que esse dinheiro tem seu primeiro estágio de roubo no próprio estabelecimento, com a sonegação fiscal, e vai subindo até as instâncias superiores.
No andar de cima estão os governantes corruptos e os corruptores para terminar o processo de assalto.
E para coroar, mais uma trágica ironia: homens eleitos com campanhas financiadas por empresários que buscarão o dinheiro investido, muito bem "bem remunerado", nos cofres públicos.
Um esquema que permite ramificações criminosas que como a do contraventor Carlinhos Cachoeira.
Corrupção não tem sigla partidária
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 15/05/2012 17h45
Os petistas, aliados e simpatizantes do governo dos companheiros abusam de argumentos que só fazem sentido se forem utilizados para justificar o roubo do dinheiro do contribuinte.
Todas as reportagens que mostram o assalto ao erário e as mazelas governamentais tem reações padronizadas.
Sempre aparece um para lembrar de casos de corrupção no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), há uma década.
Nem jornalisticamente faz sentido noticiar um escândalo de dez anos, se de lá para cá temos casos, um atrás do outro, durante o governo petista.
Os que acham "que nossa corrupção é devido às alianças que temos de fazer" esbravejam não contra o roubo do dinheiro do contribuinte, mas para afirmar que antes também se assaltava os cofres públicos.
Cofres públicos significam dinheiro de todos os cidadãos, é bom sempre realçar.
Por esse raciocínio exposto por petistas e simpatizantes, é como se um cidadão fosse constantemente assaltado num bairro e resolvesse morar noutro lugar. E,aí, passasse a vangloriar-se de que no novo local de moradia é menos roubado.
Esse exemplo nem vale no caso da companheirada porque o roubo do suado dinheiro do contribuinte sequer diminuiu.
Ou você, leitor, acha que falta dinheiro para saúde, segurança, infraestrutura, educação etc. por causa de quê?
É muita cara de pau um indivíduo te classificar de "tucano" simplesmente porque você reage à grossa e firme corrupção na administração pública que consome a segunda maior carga de impostos do mundo.
Haja óleo de peroba, companheiros!!!
Governo petista também é collorido
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 14/05/2012 21h42
É inclassificável uma aliança que une o senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL), a presidente Dilma Rousseff (PT) e o ex-presidente Lula (PT).
Mas para quem não é político do tipo convencional, claro. Nem para o cidadão comum.
Que o PT já mostrou há muito tempo o que queria quando chegasse ao poder não há mais o que discutir.
Mesmo tendo aliado-se a praticamente todos os políticos que combateram no passado, quando estavam na oposição, até hoje os petistas ainda provocam estranheza ao conviverem com os novos amigos do peito.
No caso de Fernando Collor de Mello, que perdeu o mandato de presidente da República por causa de corrupção, constata-se que o homem não mudou nada.
Aliado agora de antigos algozes seus, como os petistas, Collor cismou de prestar serviços ao governo, já que seu atual partido faz parte da maioria palaciana no Congresso Nacional.
Há uma máxima repetida à exaustão no Congresso Nacional --- a de que bobo ali não há. E a conclusão é deprimente: diz-se que cada parlamentar presente no Parlamento foi capaz de convencer dezenas de milhares de eleitores sobre seus supostos projetos.
Collor deve ser sábio demais porque num momento em que logo, logo, apareceriam análises de que ele perdeu a Presidência da República por ladroagem bem menor do que a presenciada nos governos do PT, o homem mete os pés pelas mãos.
Resultado: todos os brasileiros foram lembrados de quem se trata e o que o indivíduo aprontou quando era presidente da República. E até antes, quando governava Alagoas.
Para o cidadão foi bom porque mostra que Dillma, Lulla e Collor estão do mesmo lado--- o lado dos que espoliam os cofres públicos.
Nos dois governos de Lula, a corrupção correu frouxa. A oposição perdeu a chance de aprovar seu impeachment, no caso do mensalão, para que o ex-metalúrgico assemelhasse-se ainda mais com o "Caçador de Marajás" das Alagoas.
No primeiro ano do governo Dillma, ministros tiveram de ser substituídos em cascata por causa da grossa corrupção no governo federal.
Agora a companheira Dilma tem em Collor um diligente parlamentar para defender o governo. Enquanto isso, o companheiro Lula atua também para tentar provar que o maior caso de corrupção da República, o mensalão, foi apenas e tão-somente um caso de roubo menor, classificado como caixa dois.
Dilma, relutou em todos os casos de substituição de ministros, com raiva da imprensa que denuncia o roubo de dinheiro do contribuinte. Mas ainda conseguiu passar para a população a ideia de que estava fazendo uma "faxina" no governo. Pode?
Agora o ódio à imprensa livre une Collor, Dillma e Lulla. Há 20 anos, quando Collor desceu a rampa do Palácio do Planalto, ninguém imaginaria tal cenário.
E a aversão dos três têm como motivação exatamente o que tirou Collor do Planalto, sujou a imagem do PT e deverá causar estragos também na biografia da ex-guerrilheira Dillma: reportagens que mostram o assalto ao erário.
PS: Sem contar outro que os petistas odiaram e que hoje auxilia o governo, ajudou Lula a livrar-se de qualquer ameaça a seu mandato por causa do mensalão e recebeu ajuda do ex-presidente quando enfrentou mais de um ano de crise, por causa de corrupção, na presidência do Senado Federal: o ainda presidente da Casa, José Sarney (PMDB), político maranhense que se elege pelo Amapá. E também ex-presidente da República de triste memória.
Amor materno é um mito
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 13/05/2012 11h16
O amor materno não é inato. Ele pode existir ou não, dentro da incerteza que rege todos os sentimentos humanos.
Ao parir um filho, a mulher não tem por ele um amor automático, inclusive durante a gestação. Essa afeição tão propalada e sacralizada atualmente variou em algumas épocas e lugares.
E até hoje é assim. Com a diferença de que há agora uma cultura que endeusa a figura materna de tal forma que até tocar no assunto causa uma polêmica terrível.
Diante dessa ideia acachapante, mulheres que não gostam de seus filhos sentem-se culpadas e refugiam-se no mais profundo silêncio para não serem apedrejadas.
Há as que não resistem e maltratam seus filhos aberta ou veladamente porque a maternidade não assegura de forma instintivamente segura o tão endeusado amor materno.
No decorrer da história da humanidade, já houve épocas em que as mães sequer amamentavam seus bebês, deixando-os aos cuidados de mulheres pagas para essa função.
O comum era a mãe nem perguntar como estava o filho ou se importar com sua morte, o que ocorria com frequência. E quando o menor voltava para casa era enviado para um colégio interno.
O amor à maternidade não está na natureza feminina, apenas o instinto de dar sequência à espécie. O interesse e a dedicação às crianças que vemos na maioria das mulheres atualmente já chegaram a ser nulos --- e historicamente não faz tanto tempo assim.
O que as mulheres não têm como fugir é da "determinação" da natureza para procriarem e, assim, preservarem a espécie humana. O amor é outra história.
A essa "determinação" biológica soma-se a pressão social para que a mulher tenha filhos. Quem não quer precisa ficar justificando-se o tempo inteiro.
Há alguns anos li sobre uma ONG criada para dar suporte às mulheres que não desejam ser mães, inclusive com respostas prontas às indagações ininterruptas sobre a opção delas.
Mesmo com a sacralização da figura materna nos dias atuais, é muito fácil identificar mulheres que não gostam dos filhos. E não são poucas. Mas é apenas uma das muitas reações animalescas que o ser humano, com sua capacidade racional, não consegue enterrar.
A pressão social é tamanha que os recém-casados começam a receber cobranças logo depois do casamento sobre quando terão filhos.
A avó pergunta: "Quando terei um neto?". O tio: "Quando terei um sobrinho?". E por aí vai.
Já presencie situações em que a mulher nem saiu da maternidade depois do parto e pessoas chegam para visitá-la e ver o bebê perguntando "quando virá o próximo".
A vantagem do aspecto cultural atualmente é que, com esse endeusamento da figura materna, muitas mães ficam constrangidas em maltratar os filhos que não gostam.
Assim, inúmeras crianças escapam de maus-tratos praticados pela figura que eles tendem a gostar e admirar. Também regidos pelos ditames da natureza para suas próprias sobrevivências.
Mas há incontáveis casos de garotos e garotas de cinco, seis anos, que já contam reservadamente que não gostam de suas mães por causa do tratamento recebido.
Eu, particularmente, comecei a observar o comportamento de mães e filhos já na adolescência, motivado a não aceitar ideia preconcebidas. Principalmente de figuras sacralizadas.
Ainda na pré-adolescência, observei um caso que me chamou muito a atenção: o de uma mulher que "canibalizou" filho, "segurando-o" em casa, ao seu lado, sem permitir que ele se relacionasse com qualquer mulher.
Era o "seu" filho, o "seu" homem. O interessante deste caso que estudei é que o cidadão é inteligente. Fiquei sabendo, tempos depois, que ele burlava e enganava a mãe para ter suas namoradas.
Mas esse homem não teve forças para romper com a figura materna asfixiante e tocar sua própria vida de forma independente.
Já naquela época, tive de fazer um discurso para minha própria mãe, que não faria hoje, por ser mais "diplomático" e entender melhor que a sociedade necessita da construção de certos valores.
Ao reagir às suas tentativas de direcionar meu próprio destino, depois de já ter saído de casa na adolescência, disse-lhe palavras duras sobre ideias que os anos de estudo sobre o assunto só reforçaram em mim até agora.
Minha mãe levou um susto e chorou muito quando lhe disse: "Não sou seu filho. Não vim ao mundo porque você quis. Nasci porque você, como todas as mulheres, é incapaz de barrar o processo da natureza. Eu e você somos consequência do mesmíssimo determinismo da vida. Então, no máximo, nos consideremos irmãos".
Quem quiser sair um pouco do romantismo sobre a existência humana, perceberá facilmente a base do raciocínio que eu bradava na adolescência.
A natureza faz homens e mulheres terem desejo de copularem e dota-os de uma série de instintos para, única exclusivamente, darem sequência à preservação da espécie humana.
No reino dos animais irracionais encontramos manifestações muito parecidas com o comportamento humano.
Uma das ideias mais estrambóticas relacionadas à maternidade são repetidas à exaustão por muitas mulheres: "eu fiz você", "eu te coloquei no mundo" etc.
Nada disso. Ela é que não teve como fugir do instinto, que não inclui automaticamente o amor.
A questão aqui é o horizonte do raciocínio da maioria das pessoas, como se a mãe fosse a senhora que decide se um indivíduo virá ou não ao mundo. Mas ele nasce por "determinação" da natureza.
Em 1986, por causa de meus estudos sobre mães e filhos, comprei um livro da escritora francesa Elisabeth Badinter: "Um amor consquitado. O mito do amor materno".
Este livro está na minha estante desde então e somente em fevereiro deste ano li algumas páginas por causa da publicação de uma entrevista da escritora.
Ela faz um histórico do comportamento das mulheres nos séculos XV, XVI, XVII e XVIII na França.
Fiquei todo esse tempo sem abrir o livro para não ser influenciado nas observações que vinha fazendo e faço até hoje.
No caso do amor, o inverso também é verdadeiramente cruel. Cito apenas um exemplo. Há alguns anos, conversando com um amigo aqui em Brasília, tive um estalo e perguntei-lhe se ele tinha vontade de matar sua mãe.
Ele me confirmou que sim. Depois, perguntei-lhe se ele imaginava assassinando-a com facadas pelas costas. Esse amigo novamente confirmou.
Depois, ele pediu-me para não comentar isso com ninguém, por razões óbvias. No caso dele, conheci sua mãe e pude entender o motivo daquele sentimento assustador.
A vantagem da sacralização da imagem das mães --- friso aqui --- é que esse endeusamento acaba refreando a crueldade de muitas delas. E de muitos filhos também.
Sem contar que a data é a mais rentável para o comércio porque todos se sentem na obrigação de dar um presente para suas mães.
As manifestações de amor mais interessantes e tocantes são as que não estão determinadas por dias comemorativos.
PS: Para você, leitor, que chegou até aqui, informo que ainda tenho mãe e, diplomaticamente, já lhe dei os parabéns pelo seu dia. Só não posso deixar de raciocinar por causa disso. Muito menos fazer parte da oceânica fileira de pessoas que endeusam a figura materna com razão ou por obrigação, para não parecer que não gostam de uma pessoa que todos são "obrigados" a amar.
Problema do Brasil não é a Veja
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 10/05/2012 11h10
Está dando nojo a insistência de uma ala do PT em criminalizar a revista Veja. É como se a publicação fosse a responsável pela corrupção no país.
O mesmo vale para o que os petistas empedernidos chamam de "a grande mídia". Há ainda os que usam a lorota de que os grandes veículos de comunicação não "conseguem" engolir a liderança do ex-presidente Lula, um semialfabetizado ex-operário.
A questão é simples: o mensalão, o esquema de propinas pagas a aliados do governo Lula, está para ser votado do Supremo Tribunal Federal (STF) como o maior escândalo político do país.
Na frente da guerrilha está o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que perdeu até o mandato de deputado federal por conta da maracutaia e é apontado como "chefe da quadrilha".
A raiva de petistas com Veja vem desde o primeiro mandato de Lula porque não só a revista de maior projeção semanal noticiou com frequência a corrupção praticada por petistas que antes posavam de políticos éticos, como também estampou as relações espúrias da companheirada com o chamado "movimento social".
Antes, bem antes de se saber se o chefe da sucursal da revista em Brasília, Policarpo Júnior, falou tantas e tantas vezes com o contraventor Carlinhos Cachoeira, o mais interessante é descobrir como o bicheiro montou sua quadrilha nas entranhas do Estado.
Os petistas estão ensandecidos, contando com a possibilidade de desacreditar a revista que "cava" os crimes cometidos dentro do governo.
Se o principal argumento dos petistas que veem na Veja o próprio demônio fosse válido do jeito que eles imaginam, não seria possível obter informações no universo policial, onde são o bandidos que servem para elucidação de vários crimes. O que vale para o mundo dos engravatados.
Se o Palácio do Planalto se esforça para conter o impulso de petistas para investigar a imprensa inteira, é porque há gente ali que sabe que os meios de comunicação não publicam nem 30% de toda a sujeira que há nos governos --- seja de que partido for ---, incluindo aí o da presidente Dilma Rousseff.
O sonho do PT: veículos de comunicação que ficassem relembrando casos de corrupção do governo Fernando Henrique Cardoso, há mais de dez anos, e fechassem os olhos para a diuturna e ininterrupta roubalheira sob a estrela vermelha.
PS: Advogo que jornalistas que cometam crimes sejam julgados pela Justiça comum como todos os brasileiros. Até o momento o que existe de concreto é o PT ansioso para desacreditar Veja e tentar intimidar todos os veículos de comunicação que publicam "malfeitos" no governo petista. "Malfeitos", palavra amena que a presidente Dilma Rousseff popularizou para rotular a grossa, criminosa e desavergonhada sangria dos cofres públicos da nação que tem a segunda maior carga de impostos do planeta.
Sigilo para roubo de dinheiro público
Valdeci | Valdeci | 09/05/2012 22h04
O megaescândalo centrado na figura do contraventor Carlinhos Cachoeira traz também indagações sobre as investigações sob sigilo de Justiça.
Roubo de dinheiro do contribuinte deve ser investigado em segredo? Até quando? Até que ponto os crimes descobertos devem ter seus detalhes omitidos para quem paga a conta, o cidadão?
Em entrevista ao Correio Braziliense, o presidente da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais (Abramppe), juiz Márlon Jacinto Reis, foi ao ponto.
Declarou ele: "Hoje vemos uma exagerada concessão do sigilo. Nem sempre ele é necessário para o sucesso de um processo".
Márlon Reis advoga que nos casos envolvendo dinheiro público, deve prevalecer o interesse e o direito da sociedade de ser informada.
Concordo totalmente com o juiz.
Há um abuso nessa história de segredo de Justiça. Principalmente para proteger os ladrões do dinheiro público.
Na teoria, o sigilo deveria ser usado apenas para casos excepcionais, especialmente nos processos que envolvam intimidade das pessoas.
Sem o vazamento de informações sobre o crime organizado em torno de Carlinhos Cachoeira e do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), você, leitor, acredita que a rede criminosa seria atingida?
Claro que não.
Aliás, ainda não se sabe por que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não tomou providências contra a quadrilha já em 2009, quando recebeu o inquérito da Operação Vegas.
Agora Gurgel está no meio de jogo bruto e pesadíssimo dos governistas que querem a todo custo desacreditar o maior escândalo da República, o do mensalão, ocorrido durante o mandato do ex-presidente Lula.
Em síntese, há segredo demais e inoperância em excesso na Justiça quando se trata que punir os ladrões de colarinho branco.
O mensalão, escândalo de 2005, é apenas mais um exemplo.
E agora entram na mira dos petistas e mensaleiros parte da imprensa que tem noticiado os escândalos e a "malversação do dinheiro público" --- nome pomposo para o roubo do contribuinte --- na tentativa de desacreditar as informações sobre a corrupção nos dez anos de governo do PT.
Lula, doutor em enganação
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 04/05/2012 17h58
Se os títulos que o ex-presidente Lula acaba de receber de cinco universidades públicas do Rio de Janeiro fosse de doutor honoris causa em enganação, não estaria escrevendo este texto.
A solenidade foi apenas mais uma vitrine de como funcionam as instituições ditas de ensino superior.
Os título foram concedidos em nome da contribuição do petista à história política, econômica e social do Brasil.
Reviro constantemente minha memória para encontrar motivos para que o ex-presidente seja tão endeusado.
A única explicação que encontro é a da enganação. Brilha mais no mundo da política quem tem maior capacidade de iludir.
Nada de novo e isso não causa estranheza.
Agora, instituições de ensino superior, onde deveria imperar visão mais crítica e realista da administração pública, conceder títulos dessa natureza a um político é um escárnio.
Durante a cerimônia nessa sexta-feira, Lula afirmou que "sempre acreditou na educação e lutou a vida inteira por ela".
E também declarou: "Entendo essa honraria não como homenagem pessoal, mas reconhecimento ao povo brasileiro que, nos últimos anos, deu um salto histórico no social, na justiça."
O "salto histórico" que vejo é da corrupção deslavada em seus dois mandatos, do descaramento desmedido em alianças com antigos adversários, corruptos contumazes.
A educação no país está ao rés do chão. Temos pessoas saindo de cursos superiores sem saber escrever corretamente um texto simples, inclusive de cursos de Jornalismo.
Hospitais públicos em frangalhos, num roteiro criminoso de falta de atendimento.
País sem estradas, sem transporte público decente... etc. etc. etc.
E aí juntam cinco universidades para dar título de doutor honoris causa para um homem que ficou oito anos comandando um governo corrupto, perdulário, ineficiente e aparelhado pela companheirada.
É entristecedor. Quem o povo seja enganado com facilidade, vá lá.
Agora, gente considerada letrada entrar numa encenação dessas é de baixar qualquer tipo de otimismo.
Até no texto da governamental Agência Brasil havia a informação: "Na porta do teatro, alunos do curso de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em Macaé, no norte do estado, em greve há um mês, protestavam contra a falta de professores, de laboratórios adequados e de hospital-escola para práticas clínicas".
Exemplo em tempo real da triste realidade brasileira.
Esse tipo de enganação há em todo o planeta, tanto que Lula já recebeu títulos semelhantes em universidades fora do país.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também.
O título real de doutor já engana muito.
Eu, pessoalmente, desisti de fazer doutorado depois de perceber a quantidade de gente que tem um diploma semelhante na parede e não entende praticamente de nada.
Desisti de me orgulhar de algo que nada representa, ressalvadas as exeções de sempre, porque é possível embromar do ensino fundamental ao superior e obter notas ótimas sem nada saber.
Agora, os títulos de doutor honoris causa servem para a bajulação e o amesquinhamento ainda maior das instituições de ensino superior.
Um exemplo aconteceu com a "honraria" sendo concedida ao ex-presidente Lula.
Fica difícil ter esperança que o Brasil melhore diante de "espetáculos" dessa natureza.
PS: Aqui em Brasília, governada por um petista enrolado no esquema de corrupção do Carlinhos Cachoeira também, Agnelo Queiroz, parte dos alunos da rede pública ficou sem aulas por mais de um mês. Os "companheiros" fizeram greve e a capital do país continuou sua vida como se nada estivesse acontecendo porque os filhos de quem tem poder de mobilização estão estudando em escolas particulares. Apesar de todos pagarem a segunda maior carga de impostos do planeta.
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Pizza tem o tamanho do escândalo
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 03/05/2012 19h16
Se você, leitor, acha que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional, instalada para investigar o megaescândalo centrado na figura do contraventor Carlinhos Cachoeira, pode acabar em pizza, tem grande chance de acertar.
Os primeiros sinais emitidos pelos integrantes da CPI mista são de que as investigações serão restritas o máximo possível.
Os governistas, que são maioria também na comissão, trabalham para que o Palácio do Planalto seja preservado, junto com os aliados que for possível salvar.
Eles tentarão de todas as formas restringir o caso ao senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), que apareceu nas escutas da Polícia Federal como preposto de Carlinhos Cachoeira. E deve ter o mandato cassado.
Os governistas estão de mãos atadas para ir adiante e emparedar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), porque o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiros (PT), aparece também envolvido, junto com o governado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).
O que parecia ser um tiro certeiro na oposição e na imprensa que denuncia corrupção no governo petista, acabou saindo pela culatra.
Agora é um salve-se quem puder.
E todos juntos tentarão amenizar os estragos.
Até o cálculo dos petistas de jogar uma cortina de fumaça no julgamento do maior escândalo de corrupção no país pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o esquema do mensalão no governo Lula, não deu certo até agora.
Os esforços para atingir adversários políticos e a imprensa jogaram mais luz no crime que o PT se esforça para apagar.
Carlinhos Cachoeira completou 49 anos de idade nessa quinta-feira preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A data foi lembrada pelo deputado Alberto Leréia (PSDB-GO), no plenário da Câmara.
Leréia disse que é amigo pessoal do bicheiro e quer depor na CPMI o mais rápido possível. Ele corre o risco de ser expulso do PSDB por causa de suas ligações com Cachoeira.
A esperança de todos para que os conchavos no Congresso Nacional não sepultem mais esse escândalo é a mobilização da sociedade.
Quando um esquema como esse envolve empresários e políticos de vários partidos, a possibilidade de que as investigações não saiam do lugar é enorme.
O histórico de CPIs que não resultaram em punição para os acusados de crimes contra o patrimônio público não dá margem para otimismo.
Ralos maiores para segredos de Cachoeira
valdeci rodrigues | Valdeci | 27/04/2012 18h29
Graças aos vazamentos de informações, o Brasil tomou conhecimento do imenso esquema criminoso montado em torno do contraventor Carlinhos Cachoeira.
Se prevalecer a lógica do comportamento humano outra vez, a partir dessa sexta-feira mais detalhes desta teia de bandidagem nas entranhas do Estado serão divulgados aos cidadãos.
Refiro-me à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, autorizando a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional a extrair cópias integrais do inquérito que investiga ligações de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).
As cópias também poderão ser feitas pelo Conselho de Ética e Decoro do Senado e pela Comissão de Sindicância da Câmara.
Vazar informações de um inquérito sob segredo de Justiça é crime, lembrou Lewandowski.
Com vários parlamentares tendo acesso a essas informações, logo, logo, elas estarão integralmente nos meios de comunicação.
Ganham os contribuintes que, com certeza, não entendem direito por que há tanto segredo de Justiça em casos que envolvem roubo de dinheiro público.
Quando disse no início do texto sobre a lógica do comportamento humano é que nada dá mais vontade de passar adiante do que algo que você recebe como segredo.
E quando Lewandowski fez o alerta sobre o sigilo é porque ele sabe que, se já estavam vazando informações, agora com todas elas no Congresso Nacional, ninguém segura mais nada.
Quanto mais informações o cidadão tiver, melhor, já que é ele que paga a conta dessa roubalheira sem freio.
Mas o jogo no Congresso Nacional também é sujo, muito sujo.
Um exemplo: nessa sexta-feira, a assessoria de imprensa do senador Pedro Simon (PMDB-RS) divulgou avaliações dele sobre a CPI mista.
Simon, contrariado por não ter sido indicado pelo líder de seu partido, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para a comissão, declarou: "A intenção da liderança do PMDB é ver a CPI do Cachoeira pegar fogo, para depois tentar obter vantagens políticas".
Outra declaração de Simon sobre a intenção do PT de lavar um pouco de sua própria sujeira com a investigação: "Estranho a posição do Lula em defesa da CPI. No seu governo, Lula não deixou criar uma CPI para investigar o ex-sub-chefe da Casa Civil Waldomiro Diniz, que apareceu em vídeo pedindo propina ao mesmo Cachoeira".
Afora a evidente contrariedade de Pedro Simon, ele está correto em sua avaliação.
Claro que ele fez ironia sobre o "estranho" comportamento de Lula e do PT agora, quando o então presidente "não deixou" criar a CPI de Waldomiro Diniz.
Foi aí que teve início o maior escândalo político do país, que o PT quer provar que não existiu, apesar da investigação e do julgamento que deverá ser feito neste ano pelo STF.
Quando houve o escândalo do então homem forte do então ministro forte da Casa Civil José Dirceu --- que teve o mandato de deputado federal cassado --- havia movimentação no governo petista para legalizar os jogos de azar.
Isso mostra que a atividade de Cachoeira e seus comparsas no Congresso Nacional, no governo federal, em alguns governos estaduais, nas polícias, incluindo a Federal, e no Judiciário vem de muito longe.
O escândalo do mensalão veio à tona em 2005.
Em seu desabafo, o senador Pedro Simon também lembrou que o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) "não deixou" que fosse instalada uma CPI das Empreiteiras para investigar a ação dos corruptores. Nem outra para investigar as privatizações.
Isso é apenas mais uma amostra de como os governos são iguais no esquema de corrupção e roubo de dinheiro do contribuinte.
Sobre os vazamentos que fatalmente ocorrerão no Congresso Nacional, esta é talvez a única vantagem que o cidadão tira das disputas políticas mesquinhas entre suas excelências.
Políticos dizem a verdade ao contrário
valdeci | Valdeci | 24/04/2012 15h55
É impressionante como determinadas declarações de políticos reafirmam uma postura que todos imaginam que eles tenham.
Nessa terça-feira, por exemplo, o deputado Odair Cunha (PT-MG), escolhido como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará o esquema criminoso montado em torno do contraventor Carlinhos Cachoeira, deu a sua contribuição diante dos holofotes.
Uma de suas declarações: "Queremos produzir uma investigação séria e serena que identifique o poder paralelo que se instalou a partir de Cachoeira".
O que se pode ler também nesta afirmação: que o Congresso Nacional costuma fazer investigações que não são sérias nem serenas.
Nos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff tem declarado que o governo não interfirará nas CPI mista sobre as atividades criminosas de Cachoeira, políticos e empresários.
Se a presidente sentiu necessidade de fazer a afirmação é porque o governo interfere, sim, nas atividades do Congresso Nacional.
Os exemplos estão nos jornais, revistas, TVs e sites de notícias todos os dias.
Mais um: nessa terça-feira, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), divulgou nota oficial de pesar pelo assassinato do jornalista Décio Sá, no Maranhão, estado que ele, sua família e correligionários dominam há muito tempo.
Afirmou Sarney: "(...) que a polícia identifique os assassinos e a justiça seja feita de forma exemplarmente rigorosa".
O que ele proferiu foi que no Brasil a justiça não é feita de forma exemplar, muito menos rigorosa, como deveria ser.
É, não tem jeito. A verdade se impõe de qualquer maneira. Até nos discursos estudados dos políticos.
CPMI: um tiro também no PT
| Valdeci | 19/04/2012 19h52
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada no Congresso Nacional para investigar o crime organizado dentro do Estado, comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, pode ser um tiro no peito do próprio PT, partido que está no comando do governo federal há nove anos.
Petistas ficaram empolgadíssimos com a possibilidade de "pegar" integrantes da oposição e até veículos de comunicação que noticiam a grossa corrupção na administração dos "companheiros".
Mas, pouco a pouco, fica-se sabendo que os tentáculos do crime organizado na figura central de Carlinhos Cachoeira, segundo a Polícia Federal, vão além do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) já está enroladíssimo na maracutaia, junto com gente ligada ao Palácio do Planalto.
Sem contar a Delta Construções, empresa suspeita de ter Demóstenes Torres como sócio oculto e que tem vultosos contratos com o governo federal.
Nitroglicerina pura.
Somente a vigilância da sociedade impedirá que essa CPMI seja manobrada para impedir que se apontem os ladrões dos cofres públicos no esquema em questão.
Sobre punição, a sociedade brasileira já está farta de saber que quem rouba dinheiro do contribuinte sai sempre recompensado.
E quase sempre impune.
E quando há punição, ela dá a sensação de que valeu a pena roubar dos contribuintes.
O larápio continua com o dinheiro roubado.
Será muito interessante, no caso do PT, observar que os "companheiros" ansiosos para dar o troco em quem aponta a corrupção do governo petista, terão motivos para lamentar o apoio governista a está CPMI.
Para o cidadão, quanto mais sacolejos e, se possível, punições aos assaltantes dos cofres públicos, melhor.
Papuda, faca de dois gumes para Cachoeira
valdeci rodrigues | Valdeci | 17/04/2012 17h09
Por que será que o contraventor Carlinhos Cachoeira prefere ficar preso na Penintenciária da Papuda, em Brasília?
Por que será que a Justiça concordou com seu pedido, para deixar a prisão federal de segurança máxima de Mossoró (RN) e vir para o Distrito Federal?
Se Cachoeira já tinha privilégios lá, imagine num complexo administrado por um governo do PT que tem lá suas suspeitas ligações com o esquema criminoso montado pelo contraventor.
Aqui, ficará mais fácil para as autoridades negociarem o silêncio de Cachoeira, já que o próprio governador Agnelo Queiroz (PT) está enroladíssimo na história.
Ou pode ocorrer o contrário, e os implicados decidirem por uma medida radical: matar Carlinhos Cachoeira e exterminar de vez o arquivo vivo que complica autoridades do DF, de Goiás e do governo federal.
Sem contar membros do Judiciário e do Ministério Público.
Para quem acha que estou exagerando, por muito menos, gente ligada a um deputado federal apareceu em grampos legais da Polícia Federal falando na possibilidade de assassinar um repórter aqui de Brasília.
E só porque ele fazia reportagens sobre as maracutaias do grupo.
Demóstenes Torres esperneia
valdeci rodrigues | Valdeci | 12/04/2012 15h59
O senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), afirmou nessa quinta-feira que provará sua inocência diante da acusação de ter colocado o mandato a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
"Farei minha defesa por escrito e depois de forma mais contundente pois serei questionado pelos membros (do Conselho de Ética) conforme o regimento interno da Casa. (...) O que tem de ser feito judicialmente vai ser feito. Aqui, quero me defender no mérito. Ainda não tive oportunidade de fazer, eu farei e provarei que sou inocente", afirmou Demóstenes, no Conselho de Ética.
Demóstenes ficou 21 dias fora do Congresso. Voltou na quarta-feira.
Ele havia dito que se ausentaria para preparar sua defesa.
Se Demóstenes conseguir provar que é inocente, a situação fica ainda pior.
Significará que a Polícia Federal não sabe trabalhar de jeito nenhum. E que precisará, ela sim, de uma CPI.
Até agora, o que foi possível saber das investigações da PF, que levou Carlinhos Cachoeira para prisão junto com um grupo de comparsas, é que o senador está metido até o pescoço no esquema criminoso.
O Brasil inteiro ouviu gravações em que senador aparece falando com Cachoeira em situação de subserviência.
Agora o Congresso Nacional pisa em ovos porque sabe que o esquema criminoso envolve gente de vários partidos inclusive do PT, da ex-guerrilheira Dilma Rousseff.
Já há um movimento para esfriar a investigação da quase instalada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) por causa disso.
Aqui em Brasília, por exemplo, o próprio governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), aparece sendo citado em ligações entre membros da quadrilha de Cachoeira.
Tudo é possível. Inclusive o caso se resumir apenas e tão-somente na cassação do mandato de Demóstenes Torres.
É comum um bandido de colarinho branco, ou não, aceitar receber a culpa sozinho e ser amparado, depois, pelos que se safaram da degola.
Eu, por exemplo, acho que o ex-deputado José Dirceu (PT-SP) perdeu o mandato sozinho, como um dos cabeças do mensalão montado no governo Lula, para não atingir os outros companheiros que continuaram no governo. E no poder.
Na história de CPIs, um exemplo de esvaziamento foi uma que "funcionou" no Senado para investigar a atuação de ONGs, o que pegaria o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que recebe dinheiro público para patrocinar, inclusive, invasões de terras.
Não deu em nada.
O que temem os detentores do poder?
Uma CPI sempre acaba vazando informações que atingem seus aliados. Já há quem procure no Congresso uma saída: conseguir obter informações sobre a Operação Monte Carlo, da PF, que está sob segredo de Justiça, sem a necessidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
A dificuldade é que a repercussão da história está grande demais para ser manobrada facilmente.
Mas nada que não seja impossível nas entranhas fisiológicas do Congresso Nacional.
Cachoeira nas entranhas do Estado
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 11/04/2012 17h02
As ramificações do esquema criminoso comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira faz-me fazer uma generalização proposital: ninguém escapa da ação da quadrilha organizada.
A generalização é proposital porque os envolvidos convivem muito bem com os não envolvidos. É ingenuidade? Claro que não.
No caso de Cachoeira, o que atrapalhou a quadrilha é porque ele é contraventor.
E se fosse apenas um rico empresário de atividades lícitas com relações promíscuas com os quem têm as chaves dos cofres que guardam o dinheiro público?
Não haveria esse burburinho, com certeza. Seria apenas e tão-somente mais um esquema a sangrar o erário.
Onde há dinheiro, haverá os espertalhões de sempre e os que adoram conviver com os "bem-sucedidos" de sempre.
A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Laurita Vaz recusou nessa quarta-feira a relatoria do pedido de liberdade feito pela defesa do bicheiro Carlinhos Cachoeira ao tribunal. Horas depois, o pedido de habeas corpus foi distribuído para o ministro Gilson Dipp.
O dito cujo está preso sob acusação de chefiar a quadrilha de jogo ilegal em Goiás e adjacências desde 29 de fevereiro num presídio federal de segurança máxima em Mossoró (RN), onde usufrui de regalias.
O porquê da recusa da ministra Laurita Vaz: "foro íntimo". E isso significa o quê?
Ela própria explica: "Tendo em conta a denunciada abrangência de sua suposta atuação no estado (Goiás), com o pretenso envolvimento de várias autoridades públicas, com as quais, algumas delas, tive algum tipo de contato social ou profissional, ao meu sentir, é prudente declarar minha suspeição, a fim de preservar a incolumidade do processo penal".
Os códigos de processo penal e civil permitem que o juiz se declare impedido de julgar um caso quando entender que algum fato possa colocar em dúvida sua imparcialidade para julgar.
No Congresso Nacional, além do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), que deve perder o mandato por ser um serviçal de Cachoeira, junto com mais uma penca de parlamentares e autoridades de Goiás e Brasília, agora aparece quem?
O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), delegado da Polícia Federal. Segundo reportagem do jornal o Estado de S. Paulo, exatamente o autor do requerimento de uma CPI para investigar a ligação de Cachoeira com políticos, surgiu nos grampos feitos pela PF.
Protógenes conversava com Idalberto Matias Araújo, o Dadá, apontado como integrante da quadrilha de Cachoeira.
Reação de Protógenes nessa quarta-feira: "Desconheço essa conversa. Se realmente existiu, não há no diálogo nenhuma ligação com o sistema Cachoeira".
Então, tá.
O deputado confirmou conhecer Dadá e já ter tratado de assuntos profissionais com ele na Polícia Federal. "Desses trechos eu não me recordo. Não dá para afirmar se foi em relação à Satiagraha, já que o sargento foi chamado em alguns inquéritos."
Protógenes foi o delegado responsável pela operação policial que levou à prisão o banqueiro Daniel Dantas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta
Na maracutaia, palavra popularizada pelo ex-presidente Lula, aparecem parlamentares também do PT e autoridades ligadas ao governo federal.
É por isso, leitor, que há muita gente bacana incomodada com a já quase certa instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), integrada por deputados e senadores, para investigar o esquema criminoso de Cachoeira.
Um parlamentar que pediu anonimato reagiu assim: "Onde já se viu um parlamentar da base governista atuar pela instalação de uma CPI. Isso é um tiro no pé".
Esse parlamentar referia-se às movimentações do senador Walter Pinheiro (PT-BA) para levar adiante as investigações. Principalmente porque já apareceram ligações de gente da turma de Cachoeira para gente que despacha no Palácio do Planalto.
O que motivou a reação do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, ao responder que o governo nada tem a temer porque o caso não "respinga" no Planalto.
O Dadá que complica Protógenes é considerado como "espião" da quadrilha. Ele é sargento da reserva da Aeronáutica e está preso no 6º Comando Aéreo Regional (Comar) na Base Aérea de Brasília.
No apartamento dele, leitor, encontraram documentos sigilosos relacionados a jogos de azar produzidos pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, pelo Ministério Público de Goiás e pela Justiça e Polícia Militar goianas.
Entendeu agora por que generalizei ao dizer que ninguém escapa?
Por isso, precisamos prestar toda a atenção no Congresso Nacional, no caso da CPMI, porque o Legislativo é mestre em manobras para salvar a pele dos bandidos de colarinho branco.
Percebeu por que o governo Lula tinha em seus planos legalizar os jogos de azar no país?
Brasília: terra dos bandidos comuns também
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 09/04/2012 16h37
Na noite da última sexta-feira, um cidadão morreu com um tiro no peito numa lanchonete do Plano Piloto de Brasília. Estava na companhia da mulher, da filha recém-nascida e de amigos.
Saulo Jansen faria no domingo 32 anos, dia em que foi sepultado pela família no Recife, onde se cantou até "parabéns para você".
Na despedida, seu tio, Wilame Jansen, de 73 anos, foi de uma lucidez espantosa.
Declarou: Ninguém sabe quem é o cara nem quer saber. Não vamos atrás de informações para saber se ele vai ser condenado ou se não vai. Ele é só mais um. Para a gente, importa uma briga maior, uma briga contra a violência. Esse sujeito é zero. É um dos milhares que estão por aí".
O sujeito já está preso e se parece com a vítima. Chama-se Tiago Pereira, 21 anos, branco como Jansen e, dentro do esquema da estereotipia generalizada, não causaria medo a ninguém por causa da aparência.
Tiago veio do Maranhão, onde comprou a moto que o transportava na última sexta-feira. Na lanchonete, roubou um notebook, correu, ouviu um "pega ladrão", correu e atirou para trás, acertando Saulo Jansen no peito.
O que diferencia este das dezenas de homicídios em Brasília?
É que Saulo Jansen era analista de informática do Banco Central e foi alvejado num local supostamente livre dos bandidos, figuras consideradas comuns nas periferias.
A comoção aqui contamina até repórteres que fazem coberturas policiais. Muitos postaram nas redes sociais sua indignação com a morte.
É alguém que se parece com um repórter, um editor de jornal, um diretor de uma empresa. Não um dos habitantes das cidades-satélites onde as mortes são frequentes e não sensibiliza ninguém.
Para que você tenha uma noção, leitor, a reportagem policial no maior jornal do Distrito Federal foi manchete na edição de domingo. O Correio Braziliense estampou na primeira página: "A Noite Em Que Brasília Levou Um Tiro No Peito".
Para completar a indignação com a morte gratuita de um cidadão no Plano Piloto, a PM está fazendo "operação tartaruga", pressionando por reajuste salarial, mesmo sendo a mais bem paga do país.
E o pior. Policiais comemoraram nas redes sociais a morte de Saulo Jansen.
"Venho através dessa comunidade agradecer pela ação do bandido, que trouxe à tona nosso movimento", escreveu um PM, segundo o Correio Braziliense.
Numa outra mensagem, estampada pelo jornal, outro PM diz: "Tirando a família papa myke (PM), eu quero é que o paisano (civil) se exploda".
Há um pano de fundo para esta indignação.
Há tempos os bacanas de Brasília vêm se encarregando de mudar a nomenclatura original da cidade.
Com amplo apoio dos meios de comunicação locais, querem chamar de Brasília apenas e tão-somente o Plano Piloto do traçado planejado para a capital do país.
Baniram já as cidades-satélites, equivalentes a bairros das cidades normais. Chamam-nas apenas de cidades do DF.
É uma maneira de se desvincular da pobreza, da miserabilidade e violência que cercam a unidade da federação que abriga as sedes dos três poderes da República.
Isso não adianta, claro. O exemplo da última sexta-feira é apenas mais um: os bandidos fazem sequestros-relâmpagos em plena luz do dia em qualquer lugar de Brasília.
A comparação é inevitável: se onde reside a presidente da República, onde despacham seus ministros, onde dá expediente o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e onde legislam senadores e deputados, por exemplo, a bandidagem age dessa maneira, que dirá no resto do país.
Mas pior, muito pior, do que Tiago Pereira que matou Saulo Jansen, são os bandidos de gravata que vêm de todos os estados da nação e que, além de roubarem de todos os brasileiros, permitem, por omissão e ladroagem, o surgimento de ladrões como o rapaz que veio Maranhão.
Já passou da hora de passar tudo a limpo.
Para Cachoeira, o país está errado
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 05/04/2012 19h01
Andressa Alves de Mendonça, uma linda mulher de 30 anos, contou o que conversa com o marido durante as visitas semanais que faz a ele no presídio federal de segurança máxima em Mossoró (RN).
Ela contou sobre que assuntos abordam ela e o bandido da hora, o contraventor Carlinhos Cachoeira, que montou um megaesquema de corrupção nas entranhas do corrupto Estado brasileiro.
A empresária, que vive com Cachoeira há oito meses e era mulher do suplente do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), deu entrevista ao Correio Braziliense.
Uma das perguntas: "O que seu marido diz durante as visitas?". Ela respondeu: "Ele ajuda os advogados a bolar a própria defesa. (...) Comigo, ele conversa muito sobre a empresa que explorou jogos legalmente".
E acrescenta em seguida: "A gente conversa sobre o quanto esse país ainda está mentalmente atrasado, o quanto o país é hipócrita".
Andressa Alves de Mendonça, dona de uma loja de lingerie, com uma sex shop e "sala de fetiche" sexual dentro, entrou na história desde o primeiro momento porque o senador Demóstenes Torres a usou como justificativa para as centenas de ligações telefônicas com Carlinhos Cachoeira.
Estaria ajudando na história da separação dela, que deixou um rico empresário, Wilder Pedro de Morais, primeiro suplente de Demóstenes, para viver com o contraventor.
O que Andressa não sabe: há hipocrisia, sim, mas porque os bandidos são tratados de forma diferenciada.
Os mais "espertos" sempre agasalham-se nos cargos públicos, principalmente, os eletivos.
Hipocrisia, também, porque logo, logo, Carlinhos Cachoeira está livre, leve e solto. Como estão soltos o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (ex-DEM) e o ex-senador Luiz Estêvão (ex-PMDB-DF).
Andressa diz que não acredita que Carlinhos Cachoeira tenha feito coisas erradas. A mulher de Arruda também deve achar a mesma coisa em relação a ele, que teve de deixar o governo por causa de um megaesquema de corrupção. A mulher de Luiz Estêvão, envolvido, entre outros crimes, no roubo de dinheiro público da construção do TRT em São Paulo, idem.
Aliás, é raro uma mulher de bandido achar que o marido é um fora da lei.
A reação da mulher de Cachoeira faz parte do processo mental humano para fugir do sentimento de culpa e de arrependimento.
Não faz muito tempo, a revista Veja fez uma reportagem com os presos latrocidas, aqueles que matam durante o roubo.
Todos culparam as vítimas pelos assassinatos cometidos por eles.
Uma das frases mais comuns: "Ele reagiu"
Dois dos presidiários ainda usaram a frase: "Antes da mãe dele chorando do que a minha".
Se até um indivíduo que mata para roubar acha argumentos para justificar sua bestialidade, imagine gente como Carlinhos Cachoeira, sua mulher, o senador Demóstenes, o ex-governador José Roberto Arruda, o ex-senador Luiz Estêvão etc.
Gente que tem sua cota de poder num Estado, como Cachoeira, no caso do governador goiano Marconi Perillo (PSDB), vai mesmo achar tudo muito hipócrita: "Todos eles roubam porque só eu estou preso".
Andressa e Carlinhos Cachoeira talvez ainda não perceberam que a mesma sociedade que tolera, e até respeita , os ladrões do colarinho branco tem um limite.
No caso do contraventor, que queria corromper todo o Estado brasileiro, os limites foram muito, muito, além do que a sociedade brasileira poderia admitir.
Mesmo estando em estado de putrefação em seu andar de cima.
Dilma nas alturas. Esperança na cova
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 04/04/2012 19h47
O resultado da pesquisa Ibope, feita sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI) nessa quarta-feira, dando 77% de aprovação pessoal à presidente Dilma Rousseff, sepulta qualquer tipo de esperança num futuro melhor no país.
Um índice desses, o maior desde que a criação do ex-presidente Lula tomou posse, indica um desconhecimento total da maioria da população sobre a administração pública.
E sinaliza, mais uma vez, que propaganda, sim, faz toda a diferença.
Com uma população mais esclarecida e informada, seria impensável que a ocupante do mais alto cargo do país não fosse responsabilizada diretamente pelo que há de ruim nesta nação.
E sem a desculpa de que pegou o governo há apenas pouco mais de um ano, já que fazia parte da equipe de Lula, ocupante do Palácio do Planalto durante oito anos.
Por qualquer ângulo que se olhe, há deficiências somente explicáveis pelo alto índice de corrupção na máquina pública --- seja ela federal, estadual ou municipal.
Como alguém que comanda tais desajustes seja contemplado com índices tão altos de popularidade?
Um dos motivos --- eu já repeti neste espaço --- é que a maioria do povo enxerga o presidente como um ídolo. E não como o funcionário público número 1, responsável pela sangria dos cofres públicos e pela má administração.
Enquanto cidadãos não perceberem que quem ocupa o Palácio do Planalto está sentado no cume de uma pirâmide descomunal de desatinos com o dinheiro do contribuinte, nada mudará.
E a esperança terá de ficar sepultada por muito tempo.
Infelizmente, é isso que acontece.
Só faço a ressalva de que esta distorção vale para todos. O tucano Fernando Henrique Cardoso também teve popularidade completamente incompatível com a realidade crua, nua e estarrecedora de país violento, cruel, com uma pobreza oceânica diante de uma parcela pequena de muito ricos.
Exatamente nesta distância entre os poucos que têm muito e a imensidão de gente que nada tem, reside um dos pilares da criminalidade, como o mundo inteiro já sabe.
Com cofres que se abarrotam todos os dias com a segunda maior carga de impostos do planeta, há uma roubalheira e um desperdício que os meios de comunicação mostram cotidianamente.
Então, que esperança pode resisitir diante de um resultado de uma pesquisa que dá sinal totalmente invertido?
Por enquanto, a esperança em dias melhores para o Brasil continua enterrada. E muito bem enterrada.
Lei Seca: mais uma lambança do serviço público
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 29/03/2012 17h58
A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a Lei Seca é mais uma demonstração da lambança que se faz com o dinheiro público no serviço público.
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal têm dezenas de consultores exatamente para auxiliar os parlamentares, também, na redação de projetos que se transformam em lei.
Então, como um texto sai do Congresso Nacional com brechas que tornam ineficaz uma lei?
O STJ decidiu que somente o bafômetro e exame de sangue podem servir como prova da punição criminal do motorista flagrado bêbado ao volante.
E aí entra a questão principal: um indivíduo não é obrigado a produzir provas contra si mesmo.
O cidadão poderá se negar a soprar o bafômetro e impedir que seu sangue seja colhido para um exame.
Nessa quinta-feira, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmou que a Casa aprovará um novo texto prevendo que provas testemunhais sirvam para que se constate o crime de dirigir embriagado.
Resumo da história leitor: a lambança no serviço público é generalizada. Nem os bacanas com o ego nas alturas que prestam assessoria na Câmara e no Senado trabalham direito, junto com deputados e senadores.
Na época do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), relatei na rede de emissoras de rádio em que trabalhava, o desempenho do agora governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
Como deputado, ele relatou um projeto que incluía determinado delito no rol dos crimes hediondos. E o governo havia feito enorme propaganda da iniciativa.
Mas Perillo fez alterações no texto do projeto literalmente na perna, dentro do plenário da Câmara. E eu destacava esse improviso como um dos motivos da falha.
Perillo havia se esquecido de colocar um artigo dizendo que aquele delito, a partir daquela lei, seria considerado crime hediondo.
Toda a propaganda que governo fez em torno da aprovação do projeto foi por água abaixo.
Esse é um exemplo, leitor, do descaso com que funcionam Câmara e Senado, dentro do arcabouço público bancado pelo cidadão.
Mais um escárnio, escancarado por uma das declarações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, nessa quinta-feira: "São projetos que já estão em curso, porque nós já antevíamos esse problema. Já estava claro que alguns magistrados interpretavam que o bafômetro era indispensável para uma condenação. Já no ano passado iniciamos um processo de discussão com lideranças, tanto da Câmara quanto do Senado, justamente para viabilizar essa mudança".
O contribuinte agradece, porque, afinal, estão todos aí para ir e vir ao sabor da lambança dos nobres funcionários públicos - sejam eles assessores, parlamentares, ministros ou presidente da República.
Política provoca nojo, sim
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 27/03/2012 17h41
Diante do desfilar de casos de corrupção e roubalheira, como você influenciaria um jovem, por exemplo, fazendo-o entender a importância de ler e acompanhar os assuntos da política?
Que argumentos utilizaria diante de alguém que lhe diz: "Não gosto de política. Só tem (sic) ladrão"?
Ou: "Político só sabe mentir"?
Agora mesmo, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), acaba de deixar a liderança do partido por causa de suas vinculações com o explorador de jogos Carlinhos Cachoeira, preso numa penitenciária de segurança máxima em Mossoró (RN).
Nessa terça-feira, ao receber a informação de que Demóstenes percebeu que não há como continuar como líder de uma bancada recebendo dinheiro ilícito, fiquei a rememorar a postura do senador.
Demóstenes era uma das figuras que andava de peito inflado como um entendedor de leis e apontador de erros do governo.
Caiu como mais uma máscara a mostrar que na política a exceção à malandragem é algo raríssimo.
Demóstenes acaba de prestar mais um desserviço, além de seus negócios escusos: repelir as pessoas honestas e éticas do entorno da política.
Política, sim, provoca nojo. E repulsa.
É uma atividade onde o indivíduo aprende a trabalhar com o pior que existe dentro das pulsões humanas. A começar pela mentira e pela enganação.
Mas ao contrário do que muita gente pensa, quanto mais pessoas se interessarem pelos assuntos políticos, menos espaço haverá para gente como Demóstenes Torres.
Como Jader Barbalho (PMDB-PA), Renan Calheiros (PMDB-AL), José Sarney (PMDB-AP), José Dirceu (ex-deputado pelo PT de São Paulo e ex-ministro da Casa Civil), Antonio Palocci (ex-deputado do PT e ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil) etc. etc. etc.
Essa gente não recebe da opinião pública a pressão que deveria receber. Exatamente porque a maioria não se interessa por política.
Por isso há um deputado como Paulo Maluf (PP-SP), quem tem mandado de prisão internacional, não pode deixar o país, mas mesmo assim tem passaporte diplomático.
Há dezenas de exemplos. Se fosse citar todos, ninguém leria este texto.
Então, se a política causa nojo, essa repulsa tem relação direta com a indiferença da maioria da população.
Como poucos acompanham o dia a dia da política, essa turma da bandidagem encontra campo livre para agir.
Quanto mais brasileiros se interessarem em acompanhar o que acontece no governo e no Congresso Nacional, menos imundície e roubalheira haverá no país. O mesmo vale para o Judiciário.
Simplesmente porque mais pessoas que cultuam valores que passam longe do parlamento se apresentarão para cumprir algum mandato. E terão mais dificuldade de virar bandidas por causa da fiscalização de um contingente maior de cidadãos.
O caso contrário já está aí. É a realidade brasileira com seus Demóstenes Torres da vida. E ele é apenas o que está com o holofote em cima da cabeça no momento.
Congresso Nacional paralisado é novidade?
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 23/03/2012 19h04
No noticiário político dessa sexta-feira, destaque para a paralisia do Congresso Nacional.
Título de página do Correio Braziliense: "O Congresso Travou".
No Jornal de Brasília: "Governo Suspende Votações".
Nem chama mais a atenção as informações dando conta de que o governo decidiu suspender as votações.
Como assim? Os poderes não são harmônicos e independentes entre si?
Mas no balcão de negociatas do Congresso Nacional é comum a idéia de que o Poder Executivo é que determina a pauta de votações, decide o que será e quando será votado.
Como deputados e senadores "aliados" da ex-guerrilheira Dilma Rousseff estão contrariados por não terem seus pleitos atendidos, suspendem as atividades do Congresso Nacional.
Há uma colunista, Denise Rottenburg, afirmando nessa sexta-feira que o Palácio do Planalto ainda não se deu conta do tamanho da crise entre Executivo e Legislativo.
Essa crise é alimentada pelo fisiologismo de deputados e senadores, em sua esmagadora maioria, mais a balbúrdia partidária no país.
Há legendas demais e ideologia e propostas de menos.
Todos os engravatados, com as raras exceções de sempre, querem ajeitar suas vidas e a dos membros de seus grupos com o dinheiro do contribuinte.
Nem corporativista o Congresso Nacional é. Nem lutar para ter um Poder Legislativo de acordo com a Constituição deputados e senadores tentam.
Enquanto não têm seus interesses atendidos, a previsão é de que o Congresso Nacional fique paralisado pelas próximas duas semanas.
Uma das análises correntes é de que Dilma Rousseff ampara-se em sua popularidade e tem ao seu lado o povo, que não concorda com "toma-lá-dá-cá".
Só que Dilma, a companheira, não está tentando acabar com o "toma-lá-dá-cá". Ela quer provar um pouco do suposto poder que usufrui um presidente da República com a chave do cofre que faz a felicidade de deputados e senadores.
A única certeza que se tem nessa queda-de-braço é a de que a confronto da presidente da República com seus aliados contrariados não tem como objetivo resolver os problemas do país.
Voltando ao título: Congresso Nacional paralisado é lugar-comum. O que chama a atenção é a paralisia ser comandada por uma maioria aliada do Palácio do Planalto.
E sem medo de nenhuma repercussão a respeito dos motivos da rebeldia: fisiologismo em estado puro. E bruto.
Desfile de caras de pau no Congresso Nacional
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 20/03/2012 16h51
Todo o vocabulário da língua seria pequeno para descrever o descaramento e o cinismo de deputados e senadores.
Mas não há como deixar de registrar o comportamento desses senhores eleitos pelo voto obrigatório dos cidadãos.
Agora mesmo está na ordem o dia o pagamento de 14º e 15º salários para suas excelências.
Ou melhor, a extinção dessa excrescência para uma turma que não trabalha... mesmo.
Seria votado nessa terça-feira, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, um projeto para acabar com a mordomia. Ele é de autoria da agora ministra-chefe da Casa Civil Gleisi Hoffman (PT-PR) - ela é senadora licenciada, outra distorção da política.
O projeto só entrou na pauta por causa de reportagens como as que o Correio Braziliense faz constantemente reprovando a mordomia inconcebível.
Aí, o senador Ivo Cassol (PP-RO) que defende a maracutaia oficializada, considerada como "ajuda de custo", pediu adiamento da votação.
Tecnicamente, pediu vistas, o que significa tempo para analisar um projeto que já tramita desde o início do ano passado.
Sem precisar de óleo de peroba para fazer isso, ele justificou: "O político no Brasil é muito mal remunerado porque tem que atender com passagem, dar remédio, é convidado para ser patrono de formatura. Se bater alguém na sua porta pedindo uma Cibalena, você não vai dar?".
Os 513 deputados recebem e os 81 senadores também. A diferença é que os senadores ainda dão o cano no imposto de renda.
Para oito anos de mandato, o contribuinte paga aos nobres 81 senadores, só nessa rubrica inconcebível, R$ 34,6 milhões.
Nos quatro anos de mandato dos 513 deputados, o contribuinte arca com R$ 109,6 milhões.
Ivo Cassol acha que parlamentar existe para dar esmola?
Claro que não. Ele não tem é o constrangimento verificado entre os parlamentares ao tratarem da mordomia.
A prova de que esses funcionários públicos não trabalham está na própria justificativa do presidente da CAE, Delcídio Amaral (PT), sobre o porquê de o projeto estar engavetado há tanto tempo.
Delcídio disse que há um acúmulo de trabalho na comissão que preside. Se há acúmulo de trabalho porque os parlamentares não comparecem para trabalhar?
A verdade é uma só: os parlamentares tentaram e ainda tentam empurrar para debaixo do tapete o projeto. Nenhum deles quer abrir mão de R$ 53,4 mil todos os anos sem fazer nada, nada por isso. E somente como 14º e 15º salários que trabalhador nenhum tem.
Se o Congresso Nacional vai votar a matéria é porque não há como justificar para os cidadãos essa mordomia.
E é por isso, também, que, principalmente a turma anônima do Parlamento, odeia o trabalho da comunicação social, o jornalismo que informa ao cidadão como os bacanas estão torrando o dinheiro de todos.
Líder do governo não enxerga crise
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 14/03/2012 16h51
Como todo político que se preze, o novo líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), minimizou nessa quarta-feira o arranca-rabo entre o governo e o Congresso Nacional.
"Não estou vendo crise, sinceramente. Tensão é normal entre o parlamento e o Executivo. É uma constante", disse Chinaglia.
A tensão entre o Planalto e o parlamento seria normal se o embate envolvesse o interesse dos brasileiros.
Então, senhor Chinaglia, essa tensão não pode ser tida como normal nunca porque faz parte de uma briga interminável para saber quem fica com a maior parte do dinheiro do contribuinte.
É de uma cara de pau oceânica a postura de um Senado que recusa um determinado nome para determinado órgão para acuar a presidente Dilma Rousseff.
Mesma cara tem a ex-guerrilheira que se mexe porque ficou ofendida com a reprovação do nome por ela escolhido.
Então, é a gota d´água. Troca-se os líderes do governo no Senado e na Câmara.
Nos corredores, ouvimos sem nenhuma reserva que a ex-guerrilheira Dilma receberá o troco.
Então, senhor Chinaglia, essa tensão não é fruto do ato de legislar inerente ao Congresso e o rumo administrativo adotado pelo governo, por exemplo.
É apenas e tão-somente uma briga surda pela manutenção da ordem estabelecida, que significa a manutenção de um grupo no núcleo do poder. E consequentemente, a capacidade de embolsar parte do dinheiro público.
Nessa "tensão" normal dita por Arlindo Chinaglia, o interesse do cidadão e pagador de toda a conta é, simplesmente, zero.
Chinaglia também minimizou as notícias de que a indicação de seu nome para a liderança do governo na Câmara teria causado descontentamento na Casa.
Declarou: "Ontem (terça-feira), no plenário, recebi manifestações até de líderes da oposição, entendendo que eu possa ter um papel adequado. Vou falar com todo o mundo, estou bem tranquilo e as manifestações, até o presente momento, são animadoras", afirmou.
De acordo com o petista, "vocês podem encontrar em qualquer partido, a começar pelo PT, alguém insatisfeito".
PS: Arlindo Chinaglia é um dos homens públicos mais grossos que já tive a oportunidade de entrevistar. Acostumado a lídar com o cabra quando ele era oposicionista, levei um choque enorme quando o abordei num início de noite, fazendo uma reportagem para a Bandnews FM. Chinaglia, então presidente da Câmara, estava saindo de seu gabinete e simplesmente disse-me: "Sai pra lá, sai pra lá. Já falei com jornalistas hoje. Se você não estava presente não tenho nada com isso. Sai pra lá, sai pra lá".
Leitor, fiquei parado um pouco no Salão Verde da Câmara, para que a adrenalina baixasse. Em seguida, encontrei um colega que me emprestou uma gravação da fala do então presidente da Câmara e eu fiz a matéria.
Se Chinaglia apresentar pelo menos 10% da grosseria que teve comigo diante da dita base aliada, o governo está lascado. Digo comigo, porque acredito que ele deve ter tido o mesmo comportamento com colegas meus. Depois é que fiquei sabendo que a grosseria do indivíduo é marca registrada dele.
Normalmente, esses homens grosseiros como Chinaglia, são excelentes bajuladores quando estão diante de pessoas superioras na escala hierárquica. No meu caso, Chinaglia deve ter raciocinado que, como presidente da Câmara, não precisaria ser civilizado com um repórter qualquer.
Aliás, ele deve fazer parte do esquema de Dilma. A ex-guerrilheira é muito mais famosa pela grosseria com que trata subordinados do que com a suposta capacidade gerencial - nos bastidores, claro.
Brasília, professores sem compromisso!
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 13/03/2012 18h03
Ainda não temos um número aproximado da quantidade de alunos prejudicados pela greve profissional de professores do ensino público em Brasília.
Nem todos aderiram.
Chamo de greve profissional porque se trata de uma paralisação comandada por gente que vive de fazer movimentos paredistas - os sindicalistas profissionais.
Em meados de fevereiro, noticiamos no jornal onde trabalho, sobre o número de atestados médicos apresentados por professores pagos com dinheiro do contribuinte.
Voltando do recesso, "além dos 400 que não compareceram, a pasta (Secretaria de Educação ) afirma que foi surpreendida pelo número alarmante de pedidos de afastamento médico, próximo a 713. Considerando que aulas foram retomadas no dia 8 de fevereiro, quarta-feira passada, trata-se de mais de 100 pedidos por dia de aula".
O texto entre parênteses é reprodução de reportagem do Jornal de Brasília.
Na Redação, não tivemos alternativa a não ser rir.
Rir de tristeza.
A turma, voltando do recesso, dá um jeito de não comparecer à sala de aula.
Acho que o motivo para isto está num comentário raivoso ao texto que escrevi antes deste.
A pessoa dizia que eu talvez nunca tivesse entrado numa escola pública e travado contato com crianças carentes.
Acho que o descompromisso dessa turma está exatamente aí: achar que todos que estão ali, pagando e muito caro, nobres professores, são carentes.
Está aí mais um motivo para que um aluno saia da escola sem saber como é que se paga impostos.
Esse descompromisso com os "alunos carentes", como classificou a pessoa num texto raivoso ao extremo, mostra por que os grevistas profissionais proliferam na área de educação, como em todos os setores públicos.
Só a título de comparação, leitor, cito o relato de um médico aqui de Brasília, sobre o descaso de estudantes de medicina atuando como médicos residentes no público Hospital Regional de Ceilândia, uma das mais populosas cidades-satélites .
Na emergência (!), quando chegava algum ferido, um bancaninha futuro médico dizia para o outro: atenda lá que chegou um "jacaré", a gíria deles para pessoa pobre.
Então, os futuros médicos ficavam num jogo de empurra para não atender "jacaré".
O mesmo acontece com professores da rede pública de ensino, com as raras exceções de sempre.
Não têm o menor compromisso com a educação no país.
Se tivessem, já teriam descoberto um jeito de pressionar os políticos sem prejudicar a população que paga a segunda maior carga de impostos do planeta.
Nem prejudicar seus alunos, que só são realmente valorizados quando querem bater no peito para dizer que exercem uma função muito importante etc., etc.
Aliás, esses grevistas profissionais dão mostras de uma incompetência cavalar: não sabem fazer outra coisa a não ser "convocar" a categoria para fazer greve.
Eles têm o trabalho facilitado porque os filhos das pessoas que têm poder de influenciar, inclusive para que tenham maiores salários, estão matriculados em escolas particulares.
E muitas dessas escolas particulares são bancadas, de uma forma ou de outra, pelo dinheiro também do contribuinte.
Quando mais de 700 professores apresentam atestado médico para não trabalhar, depois do recesso, o que dizem os senhores sindicalistas profissionais?
Claro, absolutamente nada. Corporativismo serve para isso.
Descaramento dessa magnitude somente existe nos semblantes de políticos... Outra horripilante categoria profissional.
Brasília, professores terroristas!
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 08/03/2012 18h25
A "categoria" dos professores do ensino público em Brasília faz terrorismo com alunos e pais de alunos.
Nas escolas, desde o início do ano letivo, havia cartazes com contagem regressiva para a assembléia dessa quinta-feira, em que eles decidiram entrar em greve por melhorias salariais e etc.
Essa contagem regressiva só atinge os alunos e os pais de alunos que vão buscá-los nas escolas.
As autoridades têm seus filhos matriculados em escola particulares.
Senhores sindicalistas profissionais, tenham estatura para aterrorizar os governantes, não os cidadãos comuns e vergados sob os impostos que servem para pagar-lhe os salários.
No próximo texto, contarei aqui neste espaço sobre a quantidade de atestados médicos apresentados por professores no início do ano letivo em Brasília, para não trabalhar.
Isso não causa nenhuma estranheza aos os senhores sindicalistas profissionais, a maioria deles filiada ao PT, o partido do enroladíssimo governador do DF, Agnelo Queiroz, do corrupto governo da ex-guerrilheira Dilma Rousseff.
Brasília, professores irresponsáveis!
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 08/03/2012 18h00
Os professores da rede pública de ensino do Distrito Federal decidiram nessa quinta-feira entrar em greve a partir da próxima semana.
É o ritual de todos os anos.
Os professores seguem a irresponsabilidade dos governantes e dos parlamentares.
Não estão nem aí para os alunos e para a sociedade que arca com seus salários.
Tanto que há um percentual significativo de professores da rede pública que matricula seus filhos nas escolas particulares.
Assim, não se sentem responsáveis por ensinar mal e paralisar a todo momento o ano letivo.
Tenho um casal de professores da escola pública como vizinho. Suas duas filhas menores estudam em colégio particular.
Adoro repetir a história de uma reportagem que fiz há muitos anos.
Numa assembléia de professores aqui em Brasília, onde eles decidiriam paralisar suas atividades mais uma vez, a então presidente do sindicato da categoria, hoje uma deputada federal, pediu-me para não contar na matéria que seus filhos estudavam em escolar particular.
A informação a desmoralizaria, se é que há algo a desmoralizar nessa turma.
Coloco aqui, para você leitor, trechos de reportagem da agência Folha de S. Paulo dessa quinta-feira.
"Mesmo com o piso salarial mais alto do Brasil, os professores da rede pública do Distrito Federal decidiram na manhã de hoje entrar em greve por tempo indeterminado.
"A paralisação foi decidida em assembleia com 6 mil pessoas realizada em frente ao Palácio do Buriti (sede do governo local) e está programada para começar a partir da próxima segunda-feira.
"A rede pública do Distrito Federal conta com 27,7 mil professores.
Os professores reivindicam reajuste salarial, mas não estabeleceram um índice para o aumento. A categoria quer uma rodada de negociações com o governo do Distrito Federal para fechar uma política de reajustes para 2012, 2013 e 2014.
"O Sinpro-DF (Sindicato dos Professores do Distrito Federal) exige que o governo repasse pelo menos o reajuste do Fundo Constitucional do Distrito Federal -13,9%.
"Os outros pontos da pauta de reivindicações são a reestruturação do plano de carreira, plano de saúde e a convocação de professores concursados para suprir a defasagem.
"Por meio de seu porta-voz, Ugo Braga, o governo do Distrito Federal informou que vai negociar com os professores, mas ressaltou que ‘não é e nem será possível’ conceder reajuste.
"O argumento é que os gastos com pessoal fecharam o ano passado em 46,1%, perto do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (46,5%).
"’Infelizmente, foi o próprio governo que tomou a decisão de greve pela categoria, ao suspender o processo de negociação sem apresentar nenhuma proposta’, disse Rosilene Corrêa, uma das diretoras do sindicato.
(Griffo meu: com certeza, essa senhora não tem filho estudando em escola pública)
"O Distrito Federal tem o piso salarial mais alto do Brasil. A remuneração atual dos profissionais em início de carreira é de R$ 2.314,78 para uma jornada de 40 horas - previsão para a folha de pagamento de março. Com as gratificações, o valor sobe para R$ 4.226,47.
"’Fica parecendo que somos privilegiados. Temos o maior piso do país, mas não se pode levar o debate para fora do DF. O custo de vida é mais alto e a nossa categoria está em desvantagem com as demais", explica Rosilene.
(Grifo meu: a cara de pau dessa senhora é digna de dó)
"Segundo o Sinpro, dentre 26 categorias, os professores estão na 21ª posição no ranking de remuneração.
A questão salarial dos professores é um dos assuntos mais polêmicos de educação neste início de ano.
"No mês passado, o Ministério da Educação divulgou o valor do novo piso salarial da categoria, que passou para R$ 1.451 (aumento de 22,22%).
"Segundo a lei nacional do piso, o reajuste deve ser feito com base no aumento do gasto por aluno do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Estados e municípios reclamaram da forte alta neste ano.
"A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) convocou uma paralisação nacional para os próximos dias 14, 15 e 16. Um dos principais pontos de protesto é o não cumprimento da lei do piso por grande parte dos estados.
"A lei do piso prevê, além do valor mínimo da remuneração, que um terço da jornada de trabalho seja fora da sala de aula - em planejamento de aula, correção de atividades e atendimento aos alunos"
Grifo meu: Acompanho sindicalistas desde o início da minha profissão de jornalista. Essa turma tem um descaramento inenarrável. Até hoje, esses ditos "politizados" cidadãos da carreira do sindicalismo nunca descobriram uma maneira de pressionar seja lá quem for sem prejudicar a população. Neste caso, os estudantes. Como eles sempre dão um jeito de ter seus próprios filhos em escolas particulares, fazem "política" com os filhos dos outros.
Senhores sindicalistas profissionais, aprendam a não prejudicar a parte mais fraca da história, já que os senhores são tão politizados!
Até salários, parlamentares têm demais
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 08/03/2012 16h50
O Congresso Nacional é um vexame em termos de embromação, mordomias, corrupção etc. e... salários.
Agora mesmo, está sendo necessária a exposição nos meios de comunicação do pagamento do 14° e 15° salários a deputados e senadores para que os nobres parlamentares, "constrangidos", pensem em extinguir este privilégio.
No caso do Senado, há ainda o detalhe de que os engravatados representantes dos estados não pagam imposto de renda sobre o 14º e o 15º salários.
A malandragem aqui, para não pagar o imposto de renda, é o argumento de que os extras são "ajuda de custo".
Toda "boa" malandragem tem características comuns, como o roubo do dinheiro do contribuinte e a quantidade de doutores com palavreado bonito para justificar o assalto.
De acordo com cálculo do Correio Braziliense, nos oitos anos de mandato, a malandragem dos senadores (81) custa ao contribuinte a bagatela de R$ 34,6 milhões. Para os deputados (513), a ninharia de R$ 109,6 milhões, num mandato de quatro anos.
A Câmara garantiu que, pelo menos, os deputado têm descontados os 27,5% de imposto de renda sobre o 14º e 15º salários.
No Distrito Federal, depois de uma campanha do Correio Braziliense, os deputados distritais extinguiram a mordomia. Contrariados, claro.
Tanto na Câmara quanto no Senado há projetos para acabar com o acinte ao trabalhador brasileiro.
E nem precisa dizer que ambos, na Câmara e no Senado, não deram um passo na tramitação
Agora, somente agora, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS) - Partido dos Trabalhadores, grife-se - disse que colocará o projeto em pauta.
Justificativa do petista: "Não empurrei o projeto com a barriga. Não tem essa de pressão. O problema é que, aqui, existe um acúmulo muito grande de projetos. Quando assumi a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), havia mais de 400 projetos acumulados. Hoje, temos 150. É muita coisa. O trabalho aqui é grande".
E mais: "Temos uma fila e respeitamos a sequência. Mas, como se trata de assunto bastante relevante e que a opinião pública vem acompanhando de perto, vamos priorizá-lo totalmente aqui na comissão. Queria colocar o projeto para votação já na próxima semana, mas não posso fazer isso em razão da visita do ministro da Fazenda, Guido Mantega".
Então, tá, Delcídio do Amaral.
Imagine a felicidade do cidadão, que arca com a segunda maior carga de impostos do planeta, saber que os bacanas do Congresso Nacional, além de torrarem uma grana inestimável do contribuinte, ainda sequer pagam imposto de renda sobre 14º e o 15º salários!!!
E ainda mais num ano como este, em que a turma irá fazer campanha eleitoral em tempo integral depois do primeiro semestre totalmente por conta do cidadão!!!
Sabia, leitor, que eles ainda acham que são injustiçados?!
Demóstenes Torres, que papelão!!!
Valdeci Rodrigues | Valdeci | 06/03/2012 18h12
Complicada é a malandragem no mundo da política. Envolve gente de todos os lados.
Agora, mesmo, quando Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está numa prisão de segurança máxima em Mossoró (RN), o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), líder do partido, está em maus lençóis.
Oposicionista brilhante, ele terá de explicar a amizade com Carlinhos Cachoeira.
Na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, Demóstenes aparece nas escutas telefônicas conversando com Cachoeira.
Foram 298 ligações entre fevereiro e agosto de 2011.
Na cara de pau, Demóstenes declarou: "Descobri que ele era contraventor nesta última semana".
Cachoeira já comandava a jogatina em Goiás e no entorno do Distrito Federal há 17 anos.
Demóstenes justificou 1,4 ligação por dia, em média, entre ele e o bicheiro dizendo que a mulher de seu suplente, Wilder Pedro de Morais, abandonou-o para viver com Carlinhos Cachoeira.
E sobre uma cozinha americana que ganhou de presente de casamento de Cachoeira, no valor de quase R$ 50 mil?
Resposta óleo-de-peroba de Demóstenes foi a de que presente de casamento não se rejeita. Então, tá.
Carlinhos Cachoeira chama o senador de "doutor". O senador o denomina de "professor" nos telefonemas.
Nesses últimos 17 anos, Carlinhos Cachoeira montou um esquema criminoso, corrompendo policiais militares e civis, e até delegado da Polícia Federal.
E aí, em que planeta estava Demóstenes Torres?
Carlinhos Cachoeira ficou conhecido de todos os brasileiros em 2004. No início daquele ano, o "empresário" divulgou vídeo em que o então presidente da Loteria Estadual do Rio de Janeiro, Waldomiro Diniz, aparecia pedindo-lhe propina.
O bafafá surgiu bem maior, claro, porque Waldomiro já despachava no Palácio do Planalto, como assessor do então todo-poderoso ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT).
Foi o primeiro da série de escândalos no governo do companheiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Naquela época, era intenção do governo petista legalizar o jogo de azar do país, o que beneficiaria Carlinhos Cachoeira.
No esquema agora desbaratado, há provas de pagamento de propina fixa a policiais e políticos, como sempre.
Aproveito para contar aqui uma história: em 2007, Carlinhos Cachoeira estava alugando uma emissora de rádio aqui em Brasília.
Fui sondado para trabalhar na emissora.
Lá ouvi um dos funcionários de Cachoeira contar em tom de deboche que a casa dele, em Valparaíso (GO), aqui no entorno de Brasília, parecia delegacia de polícia, tamanha era a quantidade de policiais, em viaturas, que iam buscar suas propinas.
Um homem que posa como combatente contra a corrupção no país, como Demóstenes Torres, não sabia de nada disso?
Mesmo depois de Carlinhos Cachoeira ficar conhecidíssimo em 2004?
Resposta de Demóstenes: "ele dizia para todos que não mexia com nada ilegal".
Conta outra, senador.
Leia trechos, grifados, do discurso de Demóstenes Torres, feito na tribuna do plenário do Senado nessa terça-feira:
"O contato social não significa participação em seus afazeres ocultos. Nesta Casa, sempre me opus ao jogo. Atuei às claras no combate às causas costumeiramente tratadas nos subterrâneos. Apesar dos relacionamentos de amizade, nunca tive negócios com Carlos Cachoeira".
As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal revelam que Carlinhos Cachoeira encaminhava pedidos e tinha contatos com os principais políticos de Goiás - entre eles o senador Demóstenes. O líder seria um dos principais contatos de Cachoeira na política. Amigos, costumavam jantar juntos.
Demóstenes pediu que seja investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para comprovar que não tem envolvimento com os negócios de Cachoeira.
"Eu exijo ser investigado pelo foro legal, o STF. Minha vida sempre foi um livro aberto e continuará sendo."
O líder disse que não é investigado pelo Ministério Público Federal, nem pelo STF, que seriam as instâncias responsáveis por apurar ilícitos contra parlamentares. Por esse motivo, afirmou que eventuais inquéritos em instâncias inferiores que envolvam o seu nome sobre esse caso são ilegais.
"Uma investigação iniciada há mais de um ano, somente agora concluída e enviada à Justiça Federal de primeiro grau não pode ter o nome de um senador investigado. Se tivesse, a operação estaria com vícios, declarada nula e jogada por terra. Não há a menor possibilidade do meu envolvimento ou qualquer parlamentar no assunto."
Demóstenes disse que não conhece ninguém que tenha tido acesso às gravações da operação da PF em que teria sido flagrado em conversas com Cachoeira.
"Não sou investigado no fato, não sou acusado de nada. Portanto, não estou aqui para me defender, até porque não existe do quê. Não há motivo. Tentam macular a minha dignidade e minha família usando os expedientes mais grosseiros, como vazamentos de diálogos."
O senador afirmou que Cachoeira também foi "participante ativo" em outros setores da economia antes de entrar no ramo de jogos.
"Eram negócios considerados lícitos, inclusive laboratórios de Goiás. Frequentava a sociedade e convivia com pessoas que nem por isso estão envolvidos em suas atitudes."
Sobre um fogão e uma geladeira que recebeu de presente de Cachoeira, Demóstenes disse que foram dados em seu segundo casamento.
"No ano passado, quando segundo a imprensa ocorria a dita operação, houve meu casamento. Recebemos diversos presentes, inclusive fogão e geladeira do casal de amigos. A boa educação recomenda não perguntar o preço, nem recusá-los."
O senador desafiou seus "inimigos" a tentarem encontrar irregularidades que envolvam o seu nome.
"Podem grampear à vontade, não vão encontrar nada, isso não vai me intimidar. As escutas legais se revelam excelente objeto de investigação. Isso não dá o direito a ninguém de violar o sigilo telefônico."
Para usar um lugar supercomum, seria cômico, se não fosse trágico.
O senador pode até estar certo num aspecto: governos viram a vida de seus adversários do avesso. O PT faz isso muito bem.
Mas se o adversário não tem amizade com bicheiro, por exemplo, não há como pegá-lo.
Conta outra, senador.
Lula, doutor em enganação
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Problema do Brasil não é a Veja
Valdeci | 10/05/2012 11h10
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Amor materno é um mito
Valdeci | 13/05/2012 11h16
Governo petista também é collorido
Valdeci | 14/05/2012 21h42
Políticos dizem a verdade ao contrário
Valdeci | 24/04/2012 15h55
Sigilo para roubo de dinheiro público
Valdeci | 09/05/2012 22h04
Corrupção não tem sigla partidária
Valdeci | 15/05/2012 17h45



