Em Mangueira a poesia fez-se um mar se alastrou... E foi buscar do outro lado do tenebroso oceano, Avenida Atlântico, via forçada de nossos ancestrais, as raízes de nossa música, nossa cultura africana, que é Bambara e é Haussá, mas também é Nagô e Jeje, é Brasil em cada veia, parafraseando a luz de Luiz Carlos, e é Oxalá, se tornou Tupã quando quebrando as correntes cruzou os sertões, qual bicho do mato se embrenhou e criou a utopia quilombola, Salve Zumbi, Palmares vive, Viva Mangueira, Estação Primeira dessa negritude.
Vou festejar na tribuna popular do carnaval o reencontro do samba com seus alicerces e a beleza que ressoa do encontro de duas instituições sedimentadas na luta de resistência. Muito mais que um tema, Sou Cacique, Sou Mangueira! Resgata um histórico tão nosso, tão intimamente ligado à Batucada dos nossos tantãs... E mesmo assim tão depreciado em virtude de escolhas menos carnavalescas, a história de nossa festa maior está em desfile.
Será que a primeira yakekerê do terreiro de João Alaba, filha de Oxum, um dia imaginou a proporção que tomou a pequena África, quem mandou cutucarem a onça com vara curta. E por falar em onça, aquela do Bafo famoso e um tanto sumida, deve está morrendo de vontade de travar mais uma batalha de confetes com a tribo rival, olha meu amor esqueça a dor da vida...
Podemos sorrir nada mais nos impede, posto que a sombra desta tamarineira se eleva à eternidade de um desfile em verde rosa, lógica fácil de entende, isso é Mangueira, semente viva pelo reconhecimento de nossa cultura. Okê Arô Odé sei que esse Cacique é protegido, é melhor se segurar, pois, a sua história se confunde com a trilha sonora recente desta cidade. E por mais claudicante que possa parecer o samba, em alguns momentos, negligência não se for apanhar meu violão, isso é Ginga, coisa de pele, é cintura de mola na malemolência carioca.
Sinopse linda, poética na medida certa, coisa de gente grande, um primor, viga mestre de um projeto que já nasce com o dom de brilhar, sem palavras. Sei Lá Mangueira, Sei Lá... Não sei não...
Tadeu Ferreira
06/06/2011 15:18:22
Enquanto a Mangueira estiver sendo liderada pelo pela-saco do Ivo Meirelles, ela não vai levar nada. A escola, pela sua magnitude, não merece esse lixo.
everaldo guilherme
06/06/2011 10:22:08
com certeza asafra da mangueira vai ser muito boa, quando o enredo é bom sai bons samba, mangueira e tamarineiro,rsrsrsrsrsr.
Claudio
Membro SRZD desde 04/06/2011
04/06/2011 19:12:25
Roberta vc não sabe como é bom ver duas instituições tão importantes para cultura deste país unidas, eu só tenho a agradecer a oportunidade de poder ver na sinopse do enredo a história da negritude em busca do espaço público materializada no maior espetaculo da terra. Marcelocontinuamos aqui em nossa tribuna popular, este é mais espaço para discutir o nosso samba, grande abraço.
Marcelo
03/06/2011 21:17:56
Sim, é o Cacique de Ramos, plantou de todos os ramos da alegria à tradição, da força de uma raça à raiz de um povo, e tornou-se o doce refúgio da inspiração, que a iluminar a imaginação do artista, quer arrebatar o coração de um poeta. Com quantas Africas se compõe a mais bela melodia escrita nas folhas secas caídas de uma Mangueira? Não, ninguem faz samba só porque prefere, nem mesmo quando o meu valor me faz brilhar, pois se um poeta se apaixona, ele se entrega ao regaço da magia, e força no mundo nenhuma interfere.Por isso é que todo poeta trás um brilho de fogo no olhar, tem o sangue de rei, comunidade. E o adeus de um poeta sempre deixa um fogo de saudade. Mas se a vida continua, o show tem que continuar. Abram alas, lá vem Mangueira descendo a colina, o povo todo quer caciquear; lá vai o poeta sambar na Mangueira, atrás da verde-rosa só não vai quem já morreu... Compor é uma arte, um dom; se Deus me deu vou preservar.
Roberta Carvalho de Alencastro Guimarães
Membro SRZD desde 28/03/2012
03/06/2011 11:45:23
Lindo texto! Como parte do grupo que cuida da querida Mangueira, seguidora fiel deste presidente que tem um tantã no lugar do coração, agradeço o apreço e as belas palavras que já soam proféticas. Este será certamente um carnaval agregador do povo do samba, através do Cacique a Mangueira abre os braços à todos, empresta seu couro pras batidas do bem. Uma vez perguntei ao Secretário de Cultura do Rio: carnaval é cultura ou é turismo? e Ricardo Macieira de pronto respondeu, É cultura, por isto que é turismo! Então vamos lá contagiar o povo com esta idéia, e quem sabe fazer entender aos patrocinadores que não precisamos desfilar suas marcas, podemos desfilar seus conceitos, e qual empresa hoje em dia não quer se identificar com cultura e paixão? Mais uma vez obrigada! Roberta Alencastro Assessora Cultural da Mangueira
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