Ontem eu planejei ir assistir à implosão do prédio da Brahma, marcada para as 8 da manhã. Mas acordei atrasada (afinal, era domingo) e desisti de ir. Ainda bem, porque as notícias dão conta de que tudo durou apenas segundos e se eu tivesse chegado com cinco minutos de atraso já teria perdido esse momento histórico.
Foram necessários apenas alguns segundos para resolver um problema de anos na vida dos que amam o samba e suas escolas em desfile. Agora, livres do incômodo prédio, teremos arquibancadas dos dois lados da pista, teremos maior capacidade de público, teremos talvez maior conforto para quem trabalha no Sambódromo e passa quatro noites direto ali, às vezes com dificuldade até de realizar a contento suas tarefas.
É o caso dos radialistas, cujas cabines, mal-posicionadas, dão acesso apenas à área de concentração, obrigando os comentaristas a descrever o que não veem. Há alguns anos tive a honra de participar da equipe de comentaristas da Rádio Roquette Pinto, a convite do competente Miro Ribeiro, e sofri na pele as dificuldades de trabalhar meio às cegas, fazendo das tripas coração para não deixar o ouvinte em falta.
Pois é. É hora de pensar nesses e em outros problemas e tratar de corrigi-los. E na sequência do que escrevi há dias sobre a Cidade do Samba, observo também que o entorno da Passarela do Samba consegue às vezes ser mais animado que seu interior. O povo é como a água: procura seu caminho. Se vedam aqui, vai minando por ali. Se não têm acesso ao Sambódromo, os que gostam de samba se distraem à sua moda, da maneira possível. As barracas são pontos de encontro, servem caldos e outras comidinhas, mais saborosas e acessíveis que as do Bob’s que nos alimenta dentro da Passarela, reúnem grupos de ritmistas que ajudam o pessoal a entoar seus sambas queridos (só um ou outro coincide com o que somos obrigados a ouvir lá dentro) e o pessoal acaba fazendo o seu carnaval, pois o hábito de "descer" para o desfile no carnaval está ainda arraigado e levará tempo para mudar.
É claro que prefeririam poder assistir ao desfile, sua paixão, festa que ajudaram a consagrar quando os atuais participantes nem se davam conta de sua existência. Aí é que é hora de pensar: se vamos ter mais quase 18 mil lugares, não será hora de arranjar uma maneira de deixar o povo entrar? Tenho certeza de que com ele nossa festa seria ainda mais bonita e os Jogos Olímpicos de 2016 já contarão desde já com nossa simpatia, já que foram a motivação para essa importante mudança.
Igor Freitas
Membro SRZD desde 03/06/2011
08/06/2011 09:24:10
Ficará um pouco estranho para todos,por sermos acostumados com aquele prédio enorme alí... mas melhorou..ou vai melhorar!! eu continuo do mesmo lado...
joacyr nogueira
06/06/2011 15:17:43
há anos já não sentíamos o cheiro de sopa queimada que o cozimento dos grãos exalava. agora acho que terei que me instalar nas arquibancadas do lado par da passarela para não ter que ver o vazio que o paredão da fábrica deixou. afinal, foram 33 anos de convivência. desde quando eu passava pela rua marquês de sapucaí dentro do 485. desde quando o desfile era feito na contra-mão do que é feito hoje. será que do lado par teremos opção de outra rede de fastfood? o que mais me interessa saber e reviver é a disputa no quesito 'animação' entre as arquibancadas que ficarão cara-a-cara. será que a nova passarela nos dará um ânimo a mais para a maratona de 4 dias? temos que ir lá para ver e crer, ou não.




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