AESCRJ X FBCRJ: blocos ou escolas de samba? Eis a questão.
José Carlos Netto | José Carlos Netto | 19/08/2011 15h04
Na minha terrinha de Ubá (MG), de quando em vez alguém soltava um dito popular que bem poderia ser aplicado nesse exato momento no mundo do samba. Quando sentia ser rebaixado ou passado para um plano inferior batia de prima "Não vou passar de cavalo a burro ".
Guardada todas as proporções, está acontecendo isso, nesse momento com quatro pequenas escolas de samba da AESCRJ. Já foram até sorteadas para o desfile da FEDERAÇÃO DOS BLOCOS, que acontecerá no dia 18/ 02/ 2012 na Avenida Rio Branco. São as seguintes essas benditas escolas de sambas: Infantes da Piedade, União de Guaratiba, Unidos do Uraiti e Boêmios de Inhaúma.
A ES INDEPENDENTE DA PRAÇA DA BANDEIRA, não essa nossa PB de terríveis enchentes, mas a outra PB lá das bandas da BAIXADA, VILAR DOS TELLES, já está fora do desfile do próximo ano. Motivo: foi rebaixada do Grupo 3 da LESGA. Está praticamente dissolvida lá em sua comunidade.
O JCN conhece essa história de maneira inversa. Isto é: Blocos querendo e passando a escolas de samba. Mas, escolas de samba virando blocos é novidade para este velho e sofrido cronista de samba.
Tudo começou em 1976, quando o finado Mário Silva comandava com mão de ferro a então poderosa FBCRJ. O então BLOCO CARNAVALESCO ARRANCO DO ENGENHO DE DENTRO numa jogada nitidamente política orquestrada pelo escriba, Aroldo Bonifácio, já falecido, o ARRANCO foi parar nos braços do finado Amaury Jório mandatário da AESCRJ.
Não demorou muito foi á vez do BLOCO CARNAVALESCO FOLIÕES DE BOTAFOGO, grande força do carnaval de rua da cidade, seguir a mesma trilha. A verdade é clara: Nem ARRANCO e nem FOLIÕES fizeram como escola de samba, o que faziam como blocos carnavalescos.
O ARRANCO ainda foi o que mais longe chegou até o desfile do grupo da elite do samba. Sempre descia no ano seguinte, mas chegou, chegou por algumas vezes. Na atualidade, amarga o desfile do Grupo 3 da LESGA.
O FOLIÕES foi um fiasco total. Não chegou a nenhum lugar. Terminou sendo vendido para uma escola de samba de Niterói ou São Gonçalo pela soma de oitenta contos de reais. Essa escola ocuparia sua vaga na AESCRJ.
Acabou o bloco, acabou o bairro e acabou a família também. O presidente do FOLIÕES, na ocasião dessa malfadada negociata, era o cidadão Sypriano.
DEBANDADA DOS BLOCOS
A lista dos blocos carnavalescos que passaram a escola de samba é longa. Sempre entendi que bloco é família, é bairro. Quando isso deixa de existir se transforma em negociata com alguns espertinhos segurando a sua verbinha.
Para ter ideia basta citar que ARRANCO E FOLIÕES colocava na rua nos dias de carnaval número de componentes avaliado, por baixo, em seis a sete mil integrantes por cada bloco. Tudo envolvendo somente seus bairros e seus familiares.
Não se deve narrar um acontecimento sem apontar como ele começou. Nessa caso das transformações dos blocos. A debandada geral começou dos anos 70, e tinha uma única explicação: não se sabe o motivo, mas todo o ano só ganhava no desfile do Grupo Um dos blocos o BLOCO CARNAVALESCO CANARINHOS DA LARANJEIRAS. A armação era tão gritante e descarada que o CANARINHOS ganhou por sete (07) anos seguidos o desfile.
Os demais blocos brigavam, chiavam e alguns chegaram recorrer até a Justiça. Não mudaram em nada os fatos. Só ganhava mesmo O CANARINHOS DAS LARANJEIRAS. E tudo isso era sustentado a ferro e fogo pelo finado presidente Mário Silva.
Por trás das vitórias do CANARINHOS havia um político com enorme poder. Nunca se soube se realmente isso é verdade, mas o nome do político o mundo do samba conhece muito bem. É um que o saudoso Governador Leonel Brizola chamou de "filhote de Chagas Freitas" numa debate político na televisão em 1982.
Irritados e lesados pelos resultados, os blocos começaram largar á filiação na FBCRJ e correrem para AESCRJ onde eram recebidos cheios salamaleques. Repito: muitas dessas filiações eram na base de boas verbinhas que eram distribuídas dentro da própria sede da entidade.
Na ocasião ainda ocorreu á extinção do BLOCO CARNAVALESCO VAI SE QUISER cuja quadra ficava na Praça Rio Grande do Sul, no Engenho de Dentro. Nas cores vermelha - e - branca essa agremiação era a rival direta do ARRANCO, com as quadras separadas apenas por alguns espaços de ruas do bairro.
Não se sabe até hoje se a extinção do VAI SE QUISER teve algo com a política pro CANARINHOS DAS LARANJEIRAS que rolava á vontade nos bastidores da FBCRJ.
Uma coisa é certa: o VAI SE QUISER, na ocasião era um bloco de ponta e vária vez apresentou carnavais para ganhar o título. Todavia, acho que só ganhou uma única vez.
O lance da transformação de bloco em escola de samba, é claro, teve muito a ver com a situação aqui já narrada sobre o CANARINHOS. Contudo, rolou também muita politicagem com políticos desonestos agindo em todos os sentidos e dirigentes mais desonestos ainda. Gananciosos mesmos que sonhavam com riqueza transformando o seu grande bloco em uma pequena de escola samba.
Nenhum deles pensava em progredir como agremiação de samba. Em muitos dos casos a ideia da transformação de bloco em escola de samba era pensando, sim, apenas na majoração distribuída pela subvenção pela RIOTUR, que não era grande coisa, mas bem superior a paga aos trezentos blocos da FBCRJ.
A debandada das chamadas grandes escolas de samba, por ocasião da criação LIESA, blocos aumentou a correria em direção á AESCRJ, presidida pelo finado Jorge Gordo, que a todos aceitava de braços abertos desde que alguém falasse em verbinha.
Essa política na AESCRJ durou anos, quando foram afiliados uns dez blocos de uma só vez. O presidente era o popular, falecido, Gustavo Diamante Quiro.
Todavia, foi na gestão do Doutor Walter Teixeira que esse negócio virou enxurrada. Todo o dia tinha um bloco batia na porta da AESCRJ pedindo filiação. Em cada esquina da cidade se fundava um bloco somente com intuito de tempos depois virar escola de samba.
O Walter Teixeira, dirigente cassado há uns dois anos, por ter malversado o capilé da entidade, a todos os blocos, sendo da FCBRJ ou não, ele aceitava como escolas de samba.
A coisa foi tão longe que foram criados tantos e tantos grupos de desfiles na Avenida Intendente Magalhães para abrigar o grande número de blocos oriundos da FBCRJ ou não, aumentava cada vez mais por desfile.
Agora parece que isso terá um basta. A decisão tomada pela AESCRJ, apoiada pela RIOTUR é que até o ano 2014, a entidade somente abrigará no casarão da Rua Jacinto, 67, bocadinhas do Méier, cerca 34 escolas de samba assim clareado: GRUPO C - 10; GRUPO D - 12 E finalmente GRUPO E - 12 agremiações. Atualmente a AESCRJ apresenta umas setenta e ou mais pequenas escolas de samba.
Sou apanhado de surpresa com essa medida, mas felicito quem teve a iniciativa de sugerir uma coisa tão importante. Doravante, As últimas escolas de samba colocadas no desfile na Intendente Magalhães vão desfilar no ano seguinte como blocos carnavalescos. Em minha opinião a medida é salutar. Ela visa acima de tudo, uma moralização em regra nos desfiles do chamado samba da poeira.
O presidente da AESCRJ, José Eduardo, o popular Zé Orelhinha, acertou na mosca. Se uma escola de samba não apresenta condições para um desfile na Intendente Magalhães, não pode ficar por lá. Precisa procurar outro pouso.
Apesar de a medida contar com o apoio da maioria, rolou uma espécie de bronca entre, por ocasião três escolas de samba (Infantes da Piedade não foi ao sorteio) na sede da FBCRJ Esse fato deixou o presidente Izaltino Gonçalves de Medeiros preocupado, pois alguém chegou falar em virada de mesa.
Para alguns o JCN é apenas um contador de histórias. Outros, no entanto, acreditam que narro apenas os fatos. Lá em cima no texto, risquei informei que ARRANCO foi o bloco que chegou mais longe como escola de samba. Ledo engano.
Também o RENASCER DE JACAREPAGUÁ, que como bloco tinha o curioso nome de BAFO DO BODE, está muito bem na luta e agora no desfila do Grupo Especial.
Ainda tivemos o UNIDOS DA VILLA RICA DA LADEIRAS DOS TABAJARAS, bocadinhas de COPACABANA. O VR largou a FCBRJ porque em vinte anos de desfile só conseguiu ganhar em um único ano (1973) e mais tarde chegou ao Especial. Subiu um ano e desceu no outro, mas subiu.
Eu não sei que fieis blogueiros prestam atenção nos nomes dos blocos. É que todos trazem por trás dos seus nome, os nomes de seus bairros de origens.
Exemplo:
DIFICIL É O NOME DE PILARES, BOI DA ILHA DO GOVERNADOR, FLOR DA MINA DO ANDARAÍ, ACADEMICO da ABOLIÇÃO, ACADÊMICOS DO DENDÊ, UNIDOS DO CABRAL DO CACHAMBI (do saudoso Jorge Cyriello ficou mais de vinte anos desfilando sem nunca ganhar o título de campeão), UNIDOS DO CANTAGALO, hoje faz parte da fusão que originou a ES
ALEGRIA DE COPACABANA,
Isso é uma prova do espírito de bairrismo que reinava na época em que osblocos pertenciam mesmo aos seus bairros e aos seus familiares. Ao tentar virar escolas de samba os blocos carnavalescos compraram uma briga muito cara com as chamadas escolas de samba originais e tradicionais, mesmos as de pequeno porte
Hoje, pelo que sei, uns vinte blocos carnavalescos estão por fechar as portas e deixando para trás um caudal de dívidas sabendo que nunca serão saldadas. Não existe carta de crédito para segurar tamanha sangria.
Para o blogueiro que não manja de blocos uma pequeno detalhe: A FBCRJ foi fundada no dia 28 de Setembro de 1965. Ao longo de todo esse tempo chegou abrigar mais 300 blocos carnavalescos. Havia desfiles em quase todos os bairros da cidade, inclusive em Paquetá. Era o verdadeiro e autêntico carnaval de rua enchendo a cidade de pura alegria. Incluindo nesse calendário os famosos BANHOS DE MAR À FANTASIA.
No momento a FCBRJ abriga tão somente 34 blocos carnavalescos e apenas cinco desfiles. Nessa zona toda que se transformou o gostoso carnaval de rua, somente um bloco permanece fiel em sua filiação desde fundação da entidade. É o BLOCO DO BARRIGA, hoje com sua quadra fixada na Cidade Alta, em Cordovil.
O BLOCO DO BARRIGA era originário de Zona Sul. Sua quadra ficava naquelas ladeirinha que liga Botafogo até Copacabana. Como ocupava terras do Exército Brasileiro mudou-se para o bom subúrbio da Zona da Leopoldina.
Isso só foi possível graças a projeto habitacional do governo que removeu todos os moradores da favelinha onde estava a quadra do BLOCO DO BARIGA. O bloco foi junto.
Essa é a verdadeira história do carnaval dos blocos carnavalescos de enredo da FBCRJ. Blocos que chegaram fazer história com belos e fortes temas enredos, sambas enredo e desfiles realmente sensacionais.
Sei bem que vão aparecer diversos blogueiros saindo em defesa dessas escolas agora cassadas. Porém, uma última palavra: se tal atitude não fosse tomada nesse exato momento, a bagunça no futuro próximo seria simplesmente insustentável. Valeu Zé Orelhinha.
Zappa
20/08/2011 11:50:04
Velho xerife Zé Carlos, os blocos que tiveram seu apogeu na década de setenta, acabaram viciados em “subvenção” e se perderam na doideira intitulada “Mudança de bloco para escola de Samba." Muita gente ganhou e ganha dinheiro com a embolada "Escola/Blocos" e justo por isso não acredito que larguem o osso. Esta proposta objetivando diminuir o número de agremiações significa findar parte da mutretada que sempre rolou, mas geral sabe que quando o papo é dinheiro fica sempre complicado. O carnaval mudou e a instituição bloco também. É impossível querer de volta os chamados “Blocos de Enredo” como eram conhecidas as agremiações que deram origem as tantas escolas que hoje estão aí. Por isso é fácil rebaixar escolas ao nível de bloco e no ano seguinte trazê-las de volta. Blocos de empolgação, embalo, sujo, não importa a denominação que tenham, mesmo em nova versão, como as que temos hoje por toda cidade, tomara fiquem assim e não queiram ser promovidos a escola de samba. Saudações!
Bebê de 47
José Carlos Netto | 28/04/2012 14h45
Troca-troca
José Carlos Netto | 07/05/2012 17h11
Ed Miranda: baluarte e realizador
José Carlos Netto | 02/05/2012 16h40
Harmonia para principiantes ou não..
José Carlos Netto | 18/05/2012 18h54




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