Bons temas, bons sambas-enredo

José Carlos Netto | José Carlos Netto | 10/10/2011 13h22

Entramos na fase decisiva da escolha dos sambas enredo 2012. Só para curtir esse mágico momento do samba, o JCN rebuscou na memória e pesquisou nos seus alfarrábios temas enredos que ensejaram bons e belos sambas enredos. Sambas, que mesmo com o passar dos anos, continuam na memória de muita gente.

Não é coisa para abrir polêmica. É apenas um esforço de memória deste velho e sofrido cronista de samba. Muitos dos sambas, citados na presente matéria, só viraram sucesso em função do bom tema enredo apresentado.

Portanto vamos curtir essa seleção pessoal. Sei que devem faltar alguns sambas e que também outros tantos sambas ficaram nas quadras, nem sequer foram para a avenida.

Caminho pelas bocadinhas do samba desde tempos idos. Sempre ouvi os antigos dizerem que quando o enredo é bom, a lógica é sair também um bom samba enredo. Naturalmente essa assertiva é uma referência ao passado.

Tal coisa não tem funcionado na atualidade, pois nem bons temas enredos têm.  Consequentemente, também não aparecem bons sambas.

No meu entendimento, o bom enredo é aquele que apresenta cabeça, barriga e pés.

É meio complicado explicar essa miolagem aos meus fieis blogueiros, diante de
tantas baboseiras que vemos por ai em termos de tema enredo.  

No passado os enredos eram bem mais simples e praticamente só contavam coisas da História do Brasil, incluindo o folclore e suas lendas.

Os compositores não tinham muita erudição e tampouco eram letrados. Mas os poetas da época, homens rudes e simples dos morros e favelas, escreviam páginas de rara beleza no sentido poético/musical.

Na  minha cabeça um bom enredo foi CHICA DA SILVA (Salgueiro - campeão 1963).  

O samba enredo e á altura do tema enredo. Mesmo assim conheço salgueirense (Mestre Laíla, hoje na Beija-Flor, é um deles) que até hoje ainda insiste na controvérsia entre um samba e o outro na escolha final.

Uns bons números de salgueirenses naquela disputa final queriam por que queriam outro samba como vencedor.

Quem assistiu no desfile da escola ao show da DANÇA DO MINUETO, comandado pela grande MERCEDES BAPTISTA, e viu a exuberante fantasia da imortal Isabel Valença, encarnando a lendária mulata CHICA DA SILVA, ficou com a seguinte impressão: é o maior enredo da história do samba.

Lembro ainda que no ano seguinte o próprio SALGUEIRO nos deslumbrava com o fantástico, mas desconhecido, (para a maioria) CHICO REI. Aliás, tanto a Chica como o Chico só entraram nos currículos escolares, principalmente das escolas do PODER PÚBLICO, só após tais desfiles. Antes, nenhum colégio do chamado hoje de ensino fundamental, nem sequer os incluía como tema da HISTÓRIA DO BRASIL

Citei CHICA DA SILVA como um grande enredo que deu um grande samba enredo, porque assisti à beira da passarela aquele desfile fenomenal e diferente.  

O desfile da escola tijucana só fez jus inteiramente à expressão cunhada pelo saudoso Nélson de Andrade, e que é marca registrada do SALGUEIRO até hoje: NEM MELHOR, NEM PIOR, APENAS UMA ESCOLA DIFERENTE.

Todavia, em certas escolas de samba de pequeno porte também surgiram grandes temas enredo que inspiraram grandes e belos sambas enredo.  

Menciono SECA DO NORDESTE (1961) da extinta TUPY DE BRAZ DE PINA. Quando a escola desfilou, cantando e sambando a miséria e o sofrimento do povo nordestino teve gente chorando na Avenida Rio Branco.

Só levou emoção pura a quem o desfile assistiu. Foi emocionante ver a pequena TUPY DE BRAZ DE PINA cantando: "Sol escaldante / terra poeirenta/ dias e dias / sem chover..."

Não poderia deixar de citar a nossa sempre simpática EM CIMA DA HORA.

Foi na pequena e acanhada quadra do sofrido bairro de CAVALCANTE que surgiram dois dos maiores temas enredo do samba carioca: SERTÕES (1976) e SABER POÉTICO DA LITERATURA DE CORDEL (1973).

Tais temas levaram à consagração dois compositores poucos conhecidos na época: Edeor de Paula e Baianinho da EM CIMA DA HORA.  

É bom ficar esclarecido que cito apenas esses, mas temos muito mais exemplos perdidos na minha memória.

A Escola de Samba UNIDOS DA PONTE de quando em vez apresentava bons e belos temas enredos. Foi assim em 1983, quando cantou e sambou na Avenida o seu "E...ELES VERÃO A DEUS".

Esse samba de é tão bom que é apresenta versos que são de uma singeleza e beleza sem igual.

Risco ainda sobre um tema enredo tipicamente da cultura popular brasileira que foi apresentado anos atrás. O seu personagem, quando da minha infância, me marcou muito.

É Luiz Gongaza, que l982 virou o enredo LUA VIAJANTE no GRES UNIDOS DE LUCAS.

Inspirado nesse enredo, UNIDOS DE LUCAS cantou um dos mais belos e gostosos sambas enredo que tenho conhecimento.

No seu principal refrão, os compositores Tia Gertrudes, Zeca Melodia e Dagoberto de Lucas não mediram esforços e em cima da velha rixa das sanfonas existente na cidade de Exu, entre o velho Januário e o filho Luiz Gonzaga, e capricharam no samba "Luiz, respeita Januário, respeita os oito baixos (sanfona) do seu pai."

É de LUCAS também o tema enredo SUBLIME PERGAMINHO. De autoria do então famoso carnavalesco Clóvis Bornay, esse tema enredo é mais um daqueles que narra a odisséia da raça negra no Brasil.

No entanto um trio de compositores - Zeca Melodia, Nilton Russo e Carlinhos Madrugada - foi fundo na inspiração e compondo uma grande obra musical de grande valor cujo refrão final é simplesmente sensacional:

"E o negro jornalista de joelho / beijou a sua mão / Uma chuva de flores cobriu o salão/  uma voz na varanda do Paço ecoou/   Meu Deus, meu Deus/  está extinta a escravidão..."

Cada pessoa apresenta o seu ponto de vista referente á escolha de bom tema enredo. Gosto não se discute. Em todas as escolas de samba, em qualquer tempo, sempre surge algo diferente em termos de tema enredo.

Só que na atualidade já não temos mais tantos talentos assim para compor em cima dos poucos bons temas enredos que por ventura possam surgir.

A ES IMPÉRIO SERRANO, dentro do seu estilo político, foi talvez a escola que mais se evidenciou com tal estado de coisa.

Começando, já na época de sua fundação, quando apresentou o tema enredo TIRADENTES. Esse tema foi um bom tema enredo? É claro que foi.

Melhor ainda foi samba enredo que o notável compositor Mano Décio da Viola compôs, que o até hoje figura como um dos melhores de todos os tempos.

E notem bem que é um samba enredo de versos simples sem qualquer outra preocupação que não fosse o nosso herói.

Mano Décio da Viola apenas teve a preocupação com aquilo que intróito na época pedia e colocou a melodia em cima daquilo que se ensinava nos colégios sobre o mártir da Inconfidência Mineira.  

Na IMPÉRIO SERRANO foi onde surgiram os mais belos incisivos temas enredo da história do samba. Isso acabou por consagrar em definitivo a veia poética/ musical do genial compositor Silas de Oliveira, que tendo parceiros ou não, fez daqueles excelentes temas enredos grandiosos sambas enredo.

AQUARELA BRASILEIRA, CINCO BAILES NA HISTÓRIA DO RIO, GLÓRIA E GRAÇA DA BAHIA, SÃO PAULO CHAPADÃO DE GLÓRIAS PERNAMBUCO LEÃO DO NORTE, culminado com o cultuado e sempre consagrado HERÓIS DA LIBERDADE do desfile de 1969, tido como o maior samba enredo de todos os tempos.  
Até aqui fica comprovado que um bom tema enredo pode ser traduzido em um grande samba enredo.

Arrolei apenas esses da IMPÉRIO SERRANO, mas é lógico que a era Beto-Sem-Braço e Aluisio Machado popularizou e consagrou com grandes sambas enredos os excelentes temas enredo apresentados.

É, chega ser até complicado uma citação. Mas, para não ficar em branco ei-los: BUM-bum PATICUMBUM PRUGUNRUNDUM, MÃE BAIANA. MÃE, EU QUERO, JORGE AMADO, AXÉ BRASIL, COM BOCA NO MUNDO, QUEM NÃO SE COMUNICA SE TRUMBICA.

Na PORTELA, o tema enredo LEGADOS DE DOM JOÃO (1957-campeã) produziu um dos mais belos e incisivos samba enredo de sua época.

Waldir 59 e Cabana "brincaram" na melodia e na letra do samba enredo e ainda tiveram inspiração bastante  para contar os incomensuráveis feitos do grande monarca quando de sua estada  no  Brasil

O portelense mais jovem também deveria saber que o tema enredo O MUNDO MELHOR DE PIXINGUINHA produziu um belo samba enredo, embora  seus  dois autores, Jair Amorim e Evaldo Gouveia, consagrados compositores da nossa MPB, jamais foram reconhecidos na Portela como compositores, sendo até sidos apelidados como "falsos valores".  Uma injustiça, sem dúvida.

Outro tema enredo, que na Portela que deu um belo samba enredo é MACUNAINA, HERÓI DE NOSSA GENTE.  

O ano era 1975 e o PORTELÃO fervilhava de grandes autores e bons sambas.

Mas, David Correa e Jorge Macedo riscaram um sambão. Em minha opinião, algo para portelense não esquecer jamais.

Tão forte e esse samba, que no enterro do grande Natal da Portela, em abril de 1975,  foi cantado do Portelão até a calunga pequena nas bocadinhas do Jardim da Saudade, na Sulacap.

Vou-me embora, vou-me embora/  eu aqui volto mais não/ vou morar no Infinito/ vou virar Constelação...  Assim o sambista cantou em tributo ao grande Maneta que partia para não mais voltar.  

Chamo atenção para um tema enredo do mais alto valor de sentimentalismo. Foi na Mocidade Independente de Padre Miguel, no de 1970.  MEU PÉ DE LARANJA DE LIMA, inspirado no livro de enorme sucesso do escritor José Mauro Vasconcelos.

Uma simples frase perdida no meio samba, se não me engano de autoria do saudoso compositor Gibi (Walter Pereira) dá o tom de emocional ao aproveitamento desse notável tema enredo.

Diz o trecho do samba: "Oh, como é/ triste fazer a criança chorar...".

É claro que na escola da Zona Oeste temos outros grandes temas enredos e outros sambas também como  RAPSÓDIA DE SAUDADE, A FESTA DO DIVINO, O MUNDO FANTÁSTICO DO UIRAPURÚ, MÃE MENINA DE GANTOIS.

Não se pode negar, também, que o tema enredo SONHAR NÃO CUSTA NADA, OU QUASE NADA produziu um gostoso samba enredo até cantarolado até hoje por todas as esquinas da Vila Vintém ao Ponto Chique.

Chega a vez da minha Mangueira querida. Os jovens blogueiros de hoje nem sabem do relicário de grandes temas enredos que foram transformados em grandes sambas enredos em MANGUEIRA.

Lá atrás, bem lá atrás, Mestre Cartola nos brindou com um samba definitivo. Mestre Cartola em parceira com o seu fiel parceiro Carlos Cachaça, o popular Charles Drinque, compôs em cima do belo tema enredo  O VALE DE SÃO  
FRANCISCO um samba enredo cheio de ufanismo e emoção.

Depois o tempo rolou e vieram AS QUATRO ESTAÇÕES DO ANO (Nélson Sargento) e o GRANDE PRESIDENTE - EXALTAÇÃO A GETÚLIO VARGAS (Mestre Padeirinho). O mangueirense dessa época chora em ouvi-los hoje.

O bom tema enredo levou os compositores Leléo e Jorge Zagaia comporem uma obra prima é  CASA GRANDE & SENZALA, no Carnaval de 1962.

Finalmente, com tema enredo é CEM ANOS DE LIBERDADE, REALIDADE OU ILUSÃO, a Mangueira mostrou ao mundo que um enredo bem elaborado e feito sem vaidade produz sempre um belo samba enredo.

Quem consegue deixar de cantar esse verso simplesmente genial: "Pergunte ao criador / quem pintou esta aquarela/ Livre do açoite da senzala/  Mas preso na miséria da favela..."  

Na UNIDOS DE VILA ISABEL em quase todos esses anos só o dava Martinho Sempre da Vila. Martinho sempre soube com facilidade aproveitar o tema enredo, fosse lá o que fosse.

Fica difícil se escolher um tema enredo da VILA ISABEL que Martinho não tenha transformado num samba enredo inesquecível. Como são tantos, e dos mais variados temas, o JCN fica apenas com dois deles, sem desprezar os demais.

Um deles é RAÍZES (1987) que Martinho interpretou magnificamente o tema riscando um samba sem qualquer tipo de rima direta, coisa pioneira e inédita no samba até hoje.  

A Vila Isabel incorporada de Maíra/ se transforma em Deus supremo/ Dos povos de raiz...

Uma curiosidade: minha filha, Ana Cristina, estava grávida na ocasião. De pronto guardou o nome de Maíra para a sua filha que nasceu em seguida.

O outro tema enredo é SONHO DE UM SONHO (1980). Quase ninguém na escola queria nem quer saber do referido tema. Bastou o velho Sargento pega ler e reler a boa sinopse e bradar bem alto "Que puta tema enredo vou escrever samba enredo e quero ganhar."

De imediato convocou o saudoso Tião Graúna, que era um tanto complicado, mas excelente compositor e juntos e mais o poeta, emérito letrista, por sinal, Rodolfo de Souza fizeram um samba enredo á altura dos grandes autores do samba.

Sonhei/ Que estava um sonhado/um sonho sonhado/ O sonho de um sonho/ Magnetizado/...

Merece uma citação honrosa o tema enredo MARQUESA DE SANTOS,  que IMPERATRIZ LEOPODINENSE apresentou no desfile de 1964. Tema simples, pois todos nós conhecemos a história da senhora Domitila de Castro Canto e Melo e dos seus amores pelo Imperador Pedro I.

Só que compositor Maurílio Penha Aparecida e Silva, o saudoso popular Bidi, (fundador do Conjunto Originais do Samba) foi mais além ao riscar um senhor samba enredo em cima do acordes uma valsa (parece acordes da Valsa do Imperador) que deu ao samba um toque de classe, magia e encantamento.
O seu refrão principal é um primor de letra e melodia;  "A bela titilia foi glorificada / Num suntuoso beija-mão/ Onde esteve sentada/  Ao lado do soberano /Que solenemente quis / Dar-lhe a glória de alguns momentos / Como Imperatriz..."

Outra obra prima de tema e samba enredo é da IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE em 1989. LIBERDADE, LIBERDADE, ABRE AS  ASAS SOBRE NÓS. Poucas vezes rolou tanta união. Tema enredo perfeito e samba enredo mais perfeito ainda.

Contudo é que bom os fiéis blogueiros, torcedores da  Gresil saibam que nas décadas de 60/70, a agremiação  apresentava os enredos mais culturais e inéditos como MARTIM CERERÊ (1972), é um belo enredo cultural. Que rendeu uma razoável m bom samba enredo e lançou no miolo o compositor Zé Catimba.

Da IMPERATRIZ ainda é bom citar houve uma época entre 60/70 que os temas enredos faziam diferença na Ala de Compositores. Dois destes autores então deitavam e rolavam: Carlinhos Sideral e Matias de Freitas.

Para este JCN é alvíssara recordar temas como BRASIL FLOR AMOROSA DE TRÊS RAÇAS, (1969)   OROPA, FRANÇA E BAHIA, (1970) E BARRA DE OURO, BARRA DE RIO E BARRA DE SAIA. (1971)  Sideral e Matias, em cima dos citados temas enredo, brincaram compondo sambas enredo diferentes e de bom nível musical.

Chamo atenção para o outro lado da moeda. Temas enredo que ninguém acreditava.  Mas acabaram por levar os compositores riscarem belos e grandes sambas enredos.

É o caso da UNIÃO DA ILHADO GOVERNADOR. Quem diria que temas enredo como DOMINGO. O AMANHÃ, O QUE SERÁ. É HOJE E ASSOMBRAÇÕES dariam bons sambas enredo?

No caso da UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR os referidos enredos deram  excelentes sambas enredo, que se pode afirmar são mais populares da escola quando entoados na quadra, shows e festas são sucesso garantido.

Dizem lá Ilha, embora alguns sambas sejam assinados por outros compositores, em quase todos existe a veia poética e o dedo do saudoso Doutor Paulo Baeta Neves, o saudoso compositor Didi. Se for verdade, não tenho como comprovar.

É a UNIDOS DO JACAREZINHO,  no de sua estréia, depois que rolou a fusão no samba do Jacaré, teve como o tema enredo EXALTAÇÃO A FREI CANECA.

Trata-se da história do padre Joaquim do Amor Divino, fuzilado pelos regime vigente na época, por pregar abertamente a Independência do Brasil de Portugal.

O compadre Monarco, compositor laureado e sempre exaltado da Port4ela querida, morador na época no Jacaré, foi convidado a entrar na disputa de samba enredo no primeiro desfile da nova escola de samba.

Monarco, que jamais ganhou um samba enredo na Portela, compôs então um portentoso samba enredo, mesmo com o tema enredo sendo a tragédia que foi fuzilamento de Frei Caneca.

Consta ainda que encontrar com seu Natal, no famoso Botequim Haia, em Madureira, Monarco mostrou ao velho Maneta o seu samba. Natal depois ouvir o samba, simplesmente disse:  

- Pra Portela você só faz merda. Para essa escolinha de merda você fez esse sambão.

Clareando esse / Céu azul anil/  Era fuzilado sem clemência/ Esse vulto  inesquecível do Brasil... diz esse samba no refrão principal.

Em  Pilares foi à participação de um carnavalesco que mudou a historia da escola. Luis Fernando Reis chegou com seus temas populares, alegres, irreverentes e gostosos que mexeu com tudo na CAPRICHOSOS DE PILARES.

Tudo começou em 1982 quando ele lançou MOÇA BONITA NÃO PAGA, popularmente conhecido como A FEIRA.

A Ala de Compositores da escola nessa época era uma pedrada. Basta mencionar nomes como o grande saudoso Ratinho, Almir Araújo, Jorge 101, Carlinhos da Ceasa, Carlinhos de Pilares e outros.

O samba enredo que saiu desse original tema enredo do Luis Fernando Reis, concordo, pode não ser um sambão, mas é muito gostoso para se cantar e ouvir. Quem não lembra?  " Compra peixe Lili  / Compra peixe Lili/...’

Seguiu-se uma série de temas, todos bem hilários  como A VISITA DA NOBREZA DO RISO A CHICO REI, NUM PALCO NEM SEMPRE ILUMINADO, numa clara ao episódio do carnaval  do ano anterior quando faltou energia elétrica justamente no momento da CAPRICHOSOS desfilar.

E finalmente o tema enredo E... POR FALAR EM SAUDADE.

Nesse enredo LFR colocava na Avenida o nosso Rio de antão fazendo uma comparação em termos de gozação com a atual situação e fechando como chave de ouro com o alegremente conhecido "Tem Bumbum De Fora pra Chuchu."  

Foi um seqüencia de bons sambas enredos inspirados na extraordinária de capacidade desse gênio na criação de temas enredo chamados Luís Fernando Reis.

O JCN está riscando sobre temas enredos que posteriormente ensejaram produzir  bons sambas enredo E quase me passa despercebido pela UNIDOS DA TIJUCA.

Nos anos 1980 / 82  o Borel apresentou, através do imbatível carnavalesco Renato Laje os temas enredos BELMIRO GOUVEIA E  LIMA BARRETO, MULATO, POBRE. MAS LIVRE.

Foram dois bons enredos cujos sambas enredo até hoje figuram no pantheon das grandes obras musicais do samba do Borel, na atualidade com ares de uma grande escola de samba.

Não sei algum dos nossos fieis blogueiros, principalmente os adeptos da agremiação do Borel  lembram,  mas é sempre bom, de quando em vez, se cantarolar esses dois belos sambas.

Funciona com uma espécie de homenagem ao talento do carnavalesco xiita Renato Laje, que nos proporcionou temas para belos sambas enredos.

Esse assunto tema enredo x samba enredo é por demais palpitantes e discordantes entre os aficionados do samba.  Muitas das vezes um tema enredo que todos julgam certo para sair um grande samba enredo, sai uma grande porcaria e uma besteirol sem igual.

Por outro lado, temas enredo que são tão somente apelação ou patrocinados soa alto se transformado belos sambas enredo. Nada contra os compositores, mas nos dois casos são eles os responsáveis.

Se o compositor tiver talento e, mesmo com uma sinopse mal escrita e cheia de besteiras, tal se vê na atualidade, ele consegue safar-se  na composição do samba enredo.     

Alguém pode estar falando "Puxa o JCN não viu nenhum grande samba nos temas enredo apresentados por ESTÁCIO DE SÁ, ACADÊMICOS DO GRANDE RIO E BEIJA-FLOR durante todos os esses anos?  

É claro que  vi. Mas no caso da ESTÁCIO DE SÁ, vi muito  mais na antiga SÂO  CARLOS. do que na atual na escola.


Naquele SÃO CARLOS  de outrora, ainda podem ser citados RIO GRANDE DO SUL NA FESTA DO PRETO FORRO, ALÕ, ALÕ  BRASIL, 40 ANOS DE RÁDIO NACIONAL, A FESTA DO CÍRIO DE NAZARÉ.  
Bons temas enredos e resultaram em bons sambas enredos.

Na ESTÁCIO, atual é lógico, PAULICÉIA DESVAIRADA (1992 campeã) é disparado um  grande tema enredo, como também se transformou num samba enredo da melhor qualidade.

A GHRANDE RIO é uma escola nova na constelação das grandes estrelas. Mas sem dúvida alguma em 1998,  Caxias apresentou um tema enredo digno de grandes escolas de samba. PRESTES, O CAVALEIRO DA ESPERANÇA.

Esse enredo trouxe de volta várias recordações, principalmente políticas, e um samba enredo correto historicamente dentro de uma temática complicada que foi a vida do político comunista LUÍS CARLOS PRESTES. Bom e explicativo gostoso de cantar e ouvir esse samba.

Na  ES BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS não se pode negar que o irrequieto carnavalesco Milton Cunha apresentou na escola dois grandes temas enredo e inéditos acima tudo.

Curiosamente um seguido pelo outro. MARGARETH MEE- A DAMA DAS BROMÉLIAS e BIDU SAYÂO E O CANTO DE CRISTAL

Os dois sambas escolhidos para representar tão significativos temas enredo são de tão bons e bonitos como deveriam ser diante da categoria do ineditismo da idéia do MC.  

A BEIJA FLOR não ganhou os desfiles. Porém, na sua história os anos 94 / 95, estão marcados até como uma feliz recordação.    

Vamos  esperar pela safra 2012. Imperatriz, Mocidade, Tijuca, Mangueira e Salgueiro estão na obrigação de nos brindar com bons sambas enredos.

Na verdade, são as escolas que apresentam temas enredos mais próximos da nossa realidade de entendimento dessa questão.  

Ficarei mais do que feliz se dessa safra que vai surgir agora, tenhamos pelo menos, de dois a três sambas enredo do quilate dos citados essa ao longo dessa matéria. Fico na torcida.

Comentários (7)

carlos antonio

Membro SRZD desde 13/09/2011

20/10/2011 16:56:56

Ze carlos , tens razão no que diz, ve o que esta acontecendo, sambas fracos, o maior exemplo no que falas, é o samba do arlindo pro império. Dona Ivone merecia SAMBA MELHOR. e no imperio tinhas uns quatros sambas melhor que o dele. e ai?

Desculpemas

Membro SRZD desde 07/08/2011

20/10/2011 12:13:55

...grande de uma comentada nos sambas escolhidos!!!

mario roberto jose de oliveira

Membro SRZD desde 14/10/2011

14/10/2011 00:37:24

PARABÉNS, sempre uma aula...... Valeu Professor......

Desculpemas

Membro SRZD desde 07/08/2011

12/10/2011 16:13:38

...GRANDE MESTRE, GRANDE AULA! Esperamoso "Bons temas, Bons sambas" 2. Além dos temas que eram mais realistas do que certos delírios, creio que também contribuía com a qualidade era o tamanho das escolas. Pois a maioria hoje faz samba para marchar na avenida e não evoluir com o samba!!!

Zappa

Membro SRZD desde 16/04/2009

11/10/2011 19:17:15

Zé Carlos, eu sempre o refiro como o Xerife de Irajá, primeiro porque Irajá é um reduto de sambistas e depois por que você é uma referência local e parafraseando seu próprio bordão: “Nas Bocadinhas do Samba”, és consideradíssimo. Não sou um contumaz discordante do que dizes, apenas externo minhas opiniões, o que é mais que positivo, pois como dizia meu avô Pedro, qualquer contradição sempre acrescenta alguma coisa ao que é realmente verdadeiro. Com relação aos sambas-enredos, acho que não há mais como retroceder, perdeu-se e justo por isso, tenho bradado insistentemente, para que o mesmo não aconteça ao ritmo samba, ameaçado por estrangeirismos. Eu mesmo tenho presenciado, ninguém me contou, a garotada, andando pra la e pra cá com uns radinhos intitulado ipoid, ouvindo tudo que é ruim nacional e estrangeiro e minha preocupação se torna ainda maior, quando os mestres de bateria para garantirem seus empregos optam por alterar os andamentos dos sambas para inserir o que chamam de bossa, valendo qualquer coisa, até mesmo funk ou rumba, vulneralizando ainda mais o nosso ritmo maior. Zé Carlos, o pior é saber, que estes matusquelas, como diria a saudosa Aracy de Almeida, que usam as escolas para promoção pessoal, são reverenciados como sambistas e compositores. Saudações Xerife!

josé carlos netto

Membro SRZD desde 22/05/2009

11/10/2011 16:44:24

Não é habito do JCN responder aos nosso bons blogueiros constantente. Todavia, esses dois comentários, agora inseridos matérias "bons temas. bons sambas", me leva riscar algo.Em primeiro lugar, com todo respeito, mando um alò super esperto para o professor Pedro Amaral, cujo o livro sobre samba enredo guardo com carinho em minha estante principal..Valeu professor. O outro alô é para o Zappa, que insiste em alcunhar com o "Xeriffe de Irajá". Recebo esse batismo com resignação. Afinal, o Zappa, que nem sempre concorda com as coisas que risco aqui nesse cantinho, desta chegou junto.Meu caro, Zappa, esse lance de samba enredo ficou totalmente sem graça. Tal qual o assunto rainha de bateria, Pasme amigo, que dando uma rápida olhadela no listão de sambas fiunalistas, encontrei as mesmas figurinhas manjadas e carimbadas de sempre. Não sei qual o motivol que leva certas pessoas insistirem em ser comopositor de samba enredo. Sendo que alguns deles até já ganharamn alguns sambas,que aliás ninguém conhece. nem a eles e nem tampouco os seus sambas. Como é difícil na atualidade você poder dizer a escola tal vai desfilar com um sambão. Zappa, ser xeriffe em Irajá é uma honra. Mas se fosse pra valer, na condição de autoridade, mandava prender a maioria desses manjados compositores e os proibia de fazer samba enredo, Meus já combalidos ouvidos já não suportam mais tanta baboseira. Vamos conferir juntos os sambas vencedores para comprovar o que risco agora.

Zappa

Membro SRZD desde 16/04/2009

11/10/2011 11:53:36

Salve Zé Carlos, eterno Xerife de Irajá! Mais uma vez fostes brilhante, porém, as pérolas musicais que se referistes do passado é improvável que venhamos ouvir similares nos desfiles de hoje, isto porque, os grandes compositores ou foram para o andar de cima ou estão marginalizados em suas agremiações. Hoje, além de sinopses patrocinadas, existem os condomínios de supostos “autores”, que todos os anos estão na ponta das disputas, pois pra se ganhar um samba-enredo hoje é preciso muita grana; sei de uma parceria no grupo especial que cada “autor” gastou quase dez mil reais até agora. O mercantilismo instalado em torno do meganegócio intitulado Escolas de Samba transformou os desfiles e a ala de compositores foi uma das primeiras vítimas. Em tempo: além dos hip-hops, raps, funks etc, semana retrasada ou vi falar em mais uma nova modalidade intitulada "SAMBA METALEIRO" que inventaram pra faturar em cima do samba. Ta na hora de uma uma tomada de posição. Saudações!