'Sou espécie em extinção', diz personagem do livro 'Sou feliz, acredite!'
Thaiane Silveira | Entretenimento | 28/11/2011 23h13
Em palestra realizada na noite desta segunda-feira na Livraria Cultura no São Conrado Fashion Mall, em São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a jornalista Mônica Bernardes falou sobre o livro "Eu sou feliz, acredite!", finalista do Prêmio Jabuti na categoria reportagem.
O livro escrito em parceria com o também jornalista Mauro Tertuliano narra 13 histórias de pessoas que viveram situações dramáticas e deram a volta por cima, mas além disso, utilizaram a experiência para ajudar a outras pessoas participando de instituições, projetos sociais ou palestras.
Dentre estes, um dos mais marcantes personagens é Aleksander, que participou da palestra junto com a jornalista. Sobrevivente do holocausto, Aleksander se considera "uma espécie em extinção".
"Sou o único sobrevivente de uma família de 60 pessoas", disse o senhor que tem hoje 84 anos. Na época, Aleksander tinha 12 anos, ele ressalta que o livro não pode contar tudo o que passou, mas que hoje é feliz, embora tudo ainda permaneça na sua lembrança.
Ele não é só um dos poucos sobreviventes do holocausto, como também a única criança que sobreviveu a um extermínio ocorrido em uma escola alemã. Ele lembra do retrato que os nazistas tiraram de sua turma na escola em cores apesar da época e revela: "eles tiravam retrato colorido naquela época para fazer museus", já que os judeus logo seriam um povo em extinção.
Atualmente, o retrato também exibido no livro tem seu original em Frankfurt, e cópias no Museu do Holocausto em Washington, nos Estados Unidos, onde Aleksander já deu depoimentos; em Israel, Varsóvia e ainda uma cópia com o próprio dono.
Durante cinco anos, Aleksander sobreviveu a torturas sofridas pelos judeus. Viu dois pais matarem o próprio filho asfixiado quando tentaram conter o choro da criança com endredons para não serem descobertos pelos nazistas. E participou de uma marcha de morte com cerca de 600 pessoas reduzidas a cerca de 70.
"Meu pai um dia me disse: ‘meu filho se nós formos todos fuzilados talvez você sobreviva, e se você sobreviver, quero que você nunca deixe as pessoas se esquecerem do que aconteceu’", recorda narrando momentos finais da marcha.
Além de Aleksander, Mônica Bernardes ainda resumiu rapidamente a história de cada um de seus personagens, inclusive Sônia Angel, nora de Zuzu Angel.
Sobre o objetivo do livro, a jornalista diz que o objetivo é "levar para as pessoas uma mensagem de otimismo". "Esse livro mudou muito a vida da gente. As vezes eu recorro ao meu próprio livro e falo: ‘não, deixa eu olhar aqui porque tem pessoas que viveram tão tristes e estão tão felizes’", disse ela honrada por ser finalista no prêmio Jabuti.
Ao fim da palestra, Aleksander ainda voltou a falar e revelou que tinha se programado para morrer aos 45 anos, como seu pai. "Cheguei aos 45 e não morri. Eu disse 50, depois 55 comecei a pagar o INSS", brincou.
Para finalizar o discurso, emocionado, o sobrevivente do holocausto disse que "o nazismo separou as pessoas por raça". "É verdade, tem raça bovina, suína, equina e todo racista pertence a essas raças, principalmente a raça suína, porque nós temos uma única raça. A raça humana", completa. "Eu sou brasileiro, judeu e parte da humanidade", finalizou arrancando aplausos dos presentes.
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03/01/2012 23:18:14
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