As Três Irmãs

Rachel Valença | Rachel Valença | 18/01/2012 22h02

Foto: Ricardo AlmeidaNão, leitores, não fugirei ao desafio de falar sobre os sambas do Grupo de Acesso A, que me foi lançado nos comentários ao último texto. Mas antes peço licença para abrir um parêntese e comentar um evento que ontem reuniu grande quantidade de sambistas e agitou a noite da Lapa.

As três irmãs do título, as escolas de samba que a partir da década de 1970 ousaram ameaçar a hegemonia das quatro grandes da época - Mangueira, Portela, Império Serrano e Salgueiro -, são agora objeto de um estudo muito interessante, lançado ontem pelos autores Alan Diniz, Alexandre Medeiros e Fábio Fabato. O livro se chama As três irmãs: como um trio de penetras "arrombou a festa". Alan Diniz se ocupa da Beija-Flor, Alexandre Medeiros escreve sobre a Imperatriz Leopoldinense e Fábio Fabato aborda a Mocidade Independente de Padre Miguel. Os jovens pesquisadores têm em comum a paixão por suas escolas de fé e acertaram em cheio ao optar por um gênero leve e de leitura fácil: a crônica.

Distribuídos de forma equilibrada entre as "penetras", são ao todo 35 textos, às vezes engraçados, às vezes comoventes, mas sempre muito informativos, porque registram com fidelidade fatos e personagens que com o tempo tendem a cair no esquecimento, mormente porque do samba e do magnífico universo cultural das escolas de samba ainda há uma bibliografia escassa.

Mas mais do que falar sobre o livro, que merece ser lido, o que gostaria de comentar é o clima de alegria e camaradagem do lançamento. Não era um evento "chapa branca", não havia a "boca livre" que atrai às festas de samba gente estranha, que nada tem a ver com o que se passa ali. Nada disso. Era uma verdadeira celebração da amizade, porque só o prestígio dos autores, vindo do reconhecimento ao que cada um deles já fez por sua escola, é que levou até lá gente importante como Neguinho da Beija-Flor, Pinah, Selminha Sorriso, Zé Catimba, Tiãozinho da Mocidade, Dominguinhos do Estácio, Chiquinho e Maria Helena, Rosa Magalhães, Fernando Pamplona, as baterias das três escolas, passistas, membros das velhas guardas e muita gente mais.

O restaurante Ernesto foi pequeno para tanta animação. Melhor assim, porque sambista não gosta de muito espaço, quer mais é se apinhar. Como é bom estar pertinho de todo mundo, sem aquelas abomináveis áreas vips que discriminam e afastam.

Quem queria tirar foto com os astros conseguia facilmente, porque era tudo próximo e amigável. Não vi mau-humor nem cara feia, só sorrisos e alegria muito legítima, ao som de sambas maravilhosos que essas três escolas nos deram ao longo de suas existências.  

Saí da Lapa com o coração em festa, como acontece sempre que estou com quem é de samba, com quem gosta realmente de samba. Mas mais feliz ainda por ver que há gente jovem preocupada com a memória do samba, que escreve e batalha uma publicação (um viva à Editora Novaterra, que abre espaço para o samba) e ainda por cima é capaz de organizar, sem patrocínio algum, uma festa tão bonita, autêntica e rica de valores culturais.

Foto: Ricardo Almeida

Foto: Ricardo Almeida

Comentários (23)

RICARDO LUNA

Membro SRZD desde 11/01/2012

23/01/2012 10:27:55

Olá bom dia!! Alguém pode me informar onde posso encontrar este livro?? abraço a todos

sergio

Membro SRZD desde 13/01/2012

22/01/2012 16:26:32

O D'jalma está certo... Se não fossem os "patronos", essas escolas não teriam conquistado a quantidade de títulos que conseguiram. A Beija Flor é o maior exemplo, uma escola antes famosa por enredos de homenagem a ditadura, pis/pasep, mobral etc. de um ano pra outro, com a grana do "papai" (que era mangueirense), leva todo o pessoal que já era bi-campeão no Salgueiro (74 e 75) prO Beija-Flor de Nilopolis e assim consegue "furar" o cerca das grandes.

Herbert Torreao de Sousa Neto

Membro SRZD desde 22/01/2012

22/01/2012 09:15:57

Parabéns ao Alex, Alexandre e Fábio!! Estou me deliciando com o livro que tem um estilo bem diferente para narrar a "saga" de Imperatriz, Beija-Flor e Mocidade!! Excelente obra e algo que realmente faltava para quem é apaixonado por Escolas de Samba. Recomendo a todos!! Pensem em verter o livro para o alemao, ingles, frances, italiano e espanhol!!! Já pensaram no sucesso que o livro faria na Europa? Ontem estive com uma jornalista alema, correspondente de grandes jornais, revistas e TVs da alema e ela se mostrou muito interessada.

Fábio Fabato

Membro SRZD desde 22/01/2012

22/01/2012 04:06:48

Retificando: Manga (84, 86 e 87)

Fábio Fabato

Membro SRZD desde 22/01/2012

22/01/2012 04:03:27

Olá, amigos! Só para esclarecer: o ponto de inflexão do livro é 1976, a partir do qual, na sequência, Beija-Flor, Mocidade e Imperatriz rompem o bloqueio das quatro grandes no tocante a conquista de títulos. Apesar de 76 ser o mote, o livro trata da história das três escolas desde suas fundações. A Vila Isabel (sem dúvida tão importante quanto elas) ficou de fora porque fugiu à proposta do livro: só foi campeã em 88, quando três das antigas quatro grandes já haviam voltado a faturar títulos: Portela (80), Império (82), Manga (84, 86 e 88). E sobre a pergunta relativa aos patronos... CLARO que a atuação deles nessas três agremiações é retratada. Abraços e conto com a leitura de vocês, Fabato

Rodrigo CDD

Membro SRZD desde 04/07/2011

21/01/2012 15:31:46

O Bichalma,digo Djalma,sem comentarios para vc,continue assim q vc vai longe,mais continuo com a minha conviccçao de q sambista vc nao eh!!!So quer encher o saco dos outros...Vai procurar um site de auto-ajuda e depois volta !!Saudaçoes tricolores e um abraço a todos os sambistas deste site!

Andrey Beija-Flor

Membro SRZD desde 08/12/2011

21/01/2012 13:48:46

Denise, Vila Isabel a primeira a quebrar a hegemonia das quatro!!!!! Então todos os relatos de carnaval que registram esse fato estão incorretos? (!!!) É isso mesmo? Quer dizer que os autores deixaram passar essa informação altamente relevante? Erraram feio em suas pesquisas? Adoro esse seu estilo “espeta de fininho pra ninguém perceber”, que você sempre faz uso principalmente quando a escola em questão é a Beija!!!! (rsrsrsrsrs).

Denise

Membro SRZD desde 08/04/2009

21/01/2012 08:18:38

Na década de 80, poderia ser acrescentada a Unidos da Tijuca, Estácio, Caprichosos e São Clemente. Na década de 90, Viradouro, Grande Rio e Porto da Pedra.

Denise

Membro SRZD desde 08/04/2009

21/01/2012 08:17:07

Eu acho que a Vila Isabel e a União da Ilha poderiam estar aí., Seriam as 5 escolas penetras. Eu acho que eles quiseram focar só nas campeãs, mas Vila foi a primeira a quebrar o ciclo das quatro grandes e a Ilha inovou o carnaval na contramão do luxo com o seu BBB (Bom, Bonito e Barato).

D`jalma

Membro SRZD desde 15/09/2011

21/01/2012 03:56:55

O mula do nicK Rodrigo CDD não to esculachando o livro das três irmãs ou vc não sabe interpretar o q ler seu analfabeto? O q disse e repito q a ascenção destas tres gloriosas escolas se deve e muiiiiiiiiiiiito a seus Patronos Castor (Mocidade), Luizinho (Imperatriz) e Anizio (Beija Flor). Se o patrono da tua escolinha é fraco eu lamento pq o cara pra ter um Cahe de carnavalesco é no mínimo um desinformado sobre carnaval. Volte ba estudar um pouquinho pra aprender a ler o burrinho.

Aline Said Pessoa

Membro SRZD desde 23/08/2011

20/01/2012 22:51:06

Estou ansiosa para ler este livro. E soube do sucesso que foi a festa de lançamento da obra. Muito bacana saber que muitas pessoas são ainda apaixonadas pelo samba.

Rodrigo CDD

Membro SRZD desde 04/07/2011

20/01/2012 14:07:05

O cara chato eh esse tal de Bichalma,desculpe, Djalma.Todo do contra ,soh sabe criticar as materias do site,esculachar as escolas,esse cara nao eh sambista nem aqui nem na China!!!!Parece q ta querendo chamar a atençao,se naonada de construtivo pra falar ,fique quieto!!!Saudaçoes tricolores,parabens as tres co-irmas!!!

D`jalma

Membro SRZD desde 15/09/2011

20/01/2012 12:40:20

A Ascensão das três se de ve e muiiiiiiiiiiiito a Castor (Mocidade), Luizinho Drumond (Imperatriz) e Anizio (Beija Flor). Foi a época q estes Homens começaram a investir nas escolas, dai veio o sucesso delas.Então elas devem suas trajetórias de sucesso a estes homens sim. Até pq Fernando pinto só fez o q fez pq tinha um Castor mesma coisa o Renato Lage e tb João trinta tinha o apoio de Anizio q se dá até os dias de hj. Espero q este fato tenha se dado neste livro.

Andrey Beija-Flor

Membro SRZD desde 08/12/2011

20/01/2012 00:24:36

Pois é, Aluizio Derizans, a U. da Tijuca não está nesse livro exatamente pelo fato de o mesmo reconstituir um período em que sua escola já fazia parte. A Tijuca é uma das agremiações mais antigas do carnaval e, embora naquela época ela não incomodasse às grandes (saiba que nessa época somente quatro escolas eram poderosas e era somente entre estas quatro que os títulos se revezavam. São elas: Portela, Mangueira, Império e Salgueiro), já desfilava junto às “favoritas”. A sua escola, na verdade, “ARROMBOU A FESTA” a partir de 2004, quando deixou de ser mera figurante (não pense que eu esteja desmerecendo à Tijuca. É só uma expressão pra exemplificar o que acontecia) e passou a brigar de igual pra igual. Hoje, não se pode dizer que escola ganhará o carnaval sem a apresentação da U. da Tijuca. E esse fato só se deu de 2004 pra cá.

RONALDO MARRENTO BF

Membro SRZD desde 08/04/2009

19/01/2012 22:08:25

FOI MARAVILHOSO..EU ESTAVA LÁ....PASSARAM VIDEOS ANOS 70/80 E 90 DAS TRES ESCOLAS...SHOW DE BOOLA...

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