Depois de mais de meia zero de samba, finalmente pude constatar o seguinte: de fato existe no samba muita falsidade e muitos crocodilos. De amizade sincera existe pouca coisa ou quase nada.
Só que no dia 12 findo, pude constatar o outro lado do samba, que este velho cronista conhecia pouco ou quase nunca pode observar.
Falo de humildade, simplicidade e amizade e sinceridade. Tudo isso constatei junto aos integrantes do homogêneo grupo BALUARTES DA MANGUEIRA.
Basta citar que são senhores e senhoras que beiram dos 65 aos 95 anos de estrada, e nem por isso deixaram de amar a Mangueira.
Gente humilde mesmo. O encontro com essa gente deu-se na velha quadra do Visconde de Niterói , quando este velho e sofrido cronista , esteve por lá tirando as medidas da roupa para o desfile da escola.
Gente que no mínino passou mais de meio século servindo a Estação Primeira, como de resto ao samba em geral.
Foi um momento de puro saudosismo e pura emoção. Reencontrar aquela gente me causou até um ligeiro descontrole do relógio. Logo me recuperei e pude então cumprimentá-los um a um.
Estavam ali reunidas quase todas as gerações da verde-e-rosa em ambiente de saudade ao relembramos grandes momentos e grandes desfiles da nossa querida escola.
Juntos naquele momento: Ed Miranda Rosa (ex-presidente, hoje com 95 anos), Raymundo de Castro (o eterno tesoureiro 83 anos), Léa Porrão (filha do famoso Chico Porrão), Dilmo (ex-Harmonia), José Brogogério e Moacir (compositores) e Maria Helena (ex - diretora de Ala) e este JCN, dentre outros.
Embora, que rapidamente, pudemos então colocar em dia lembranças de uma Mangueira que não volta mais.
Foi ai que pude sentir o que é o calor humano do velho e verdadeiro sambista.
Aquele que jamais bajulou, mentiu, falseou ou fez trapaças no quando dirigente da escola.
Deixei a quadra da gloriosa com o coração banhado de euforia, pois várias histórias do samba de outrora foram contadas e ouvidas. Sendo que algumas eu já conhecia e em outras até personagem fui.
O Carnaval de 1962 - Casa Grande & Senzala - foi sem dúvida para a maioria dos presentes o mais marcante.
E o desfile que mais emocionou foi na opinião de todos foi o Carnaval de 1984 (ano da inauguração do Sambódromo) quando a Mangueira foi e voltou cantando o nosso saudoso Braguinha.
E todos foram unânimes: a Mangueira é mesmo muito grande, e hoje precisa de alguém para tomar conta de tudo dela num todo.
É por isso que minhas orações diárias sempre rogo ao Criador proteção sempre.
Não somente para quem está dirigindo a Mangueira, (hoje é o intrépido Ivo Meirelles) mas de resto para todo o mundo do samba também.
Diante do narrado acima, chegará o dia que nós que fizemos do samba um sacerdócio, não teremos mais ninguém para conversar ou relembrar fatos e causos do passado.
Basta acompanhar o Carnaval que as emissoras de TVs e estão colocando no ar atualmente. E os jornais vão mesmo caminho.
Como a maioria dos produtores (alguns inclusive os da TV Globo) não tem nenhum tipo de intimidade com as coisas do samba e tampouco conhecem algo.
Temos assistido matérias até com o segurança do estacionamento das quadras.
Isso citando ainda matérias com soldadores (as), aderecistas, pintores, decoradores e também as manjadas rainhas de bateria ou então mulatas bundudas.
Não que essa gente não mereça. Eles merecem e muito.
Mas quando isso chega acontecer é porque existe de fato uma recueta por parte das produções das TVs em relação ao verdadeiro sambista em si. Isso é notório.
Até parece que se seguem a risca a letra um antigo samba enredo do nosso Martinho Sempre da Vila, se não estou enganado "Pra Tudo Se Acabar na Quarta-Feira"
E pensar que o grande compositor Vilani Silva, o popular Bombril, terá "morrer" numa merreca se desejar estar na Avenida desfilando na sua Unidos de Vila Isabel.
"Logo o Bombril, que já cantou na quadra e nos salões" Sou da Vila / Não tem jeito / Por isso exijo respeito.../
Se o Bombril tiver que pagar para desfilar será o fim da picada. Sacanagem pura mesmo.
Em tudo isso salva-se a presidente do Salgueiro, Regina Celi Duran. Tocada pelos Deuses do samba, a nossa RC fez de uma ilustre desconhecida, negra por sinal, a Cinderela do Salgueiro.
A boa negrete Vânia Flor já era conhecida do JCN do samba da Unidos do Jacarezinho onde sempre se destacou como passista.
Bastou adentrar a boa quadra da escola tijucana para logo virar uma musa. A mandatária salgueirense só merece palmas por essa decisão.
Numa escola que freqüentada pelas mulheres mais atraentes e bonitas da cidade, a principal musa salgueirense será uma negra, favelada do Jacarezinho e gorduchinha.
Pelo menos se salva alguma coisa, pois ainda existe gente com a senhora Regina Celi, que vê o samba sem qualquer tipo de descriminação.
Só que temo que essa consagração da nossa Vânia Flor, como musa Cinderela do Salgueiro, possa começar provocar ciumeiras nas outras beldades da escola. Tomara que isso não aconteça.
Ainda a propósito desse escanteio que o verdadeiro sambista anda levando da chamada grande mídia, eis outro lance:
O sempre competente e acreditado escriba Artur Xexéo abriu baterias contra o samba enredo da Unidos do Porto da Pedra indagando alto e em bom tom: "Iogurte dá samba" ?
De resto ele senta o cacete nos compositores Fernando Macaco, Tião
Califórnia, Cici Maravilha, Bento e Oscar Bessa pelo fato dos mesmos terem escritos um montão besteiras em apenas poucas linhas.
Não, honrado Xexéo. Não foi esse quinteto o responsável direto pelas besteiras inseridas no samba da escola de São Gonçalo.
Os verdadeiros autores de tamanho besteirol são os intocáveis carnavalescos que fazem imposições mil na hora da entrega da boa sinopse.
O samba precisa falar nisso, naquilo outro, senão será cortado, costumam avisar , cheio de autoridade, os desvairados carnavalescos.
O que é pior: todos os presidentes aceitam de cabeça baixa tais imposições. Daí surge absurdos com as que estão na letra do samba enredo da Porto da Pedra.
Embora concordando com abalizada crítica, risco que não são os "crioulos sambistas que são doidos.
Doidos são os carnavalescos com suas absurdas exigências para cima dos compositores.
Na esperança a crônica do Artur Xexéo não tenha nenhuma influência para cima dos julgadores, repito: o AX só escreveu o fio e bacana.
Na coluna anterior citei o fato de fazer sempre minhas orações, pois por incrível que possa parecer, sou um fervoroso cristão.
Isso foi bastante para o blogueiro, que se diz assinar, Madson Nunes me sentar á mamona "mandando o JCN ficar cuidado somente de sua saúde"
Ora, ora, a doença na qual estou me livrando, graças a Deus, não costuma aparecer em postes, calçadas ou árvores.
Só que o "Madson Nunes" ainda não sabe disso. E oxalá nunca venha, a saber.
Severino Niterói
Membro SRZD desde 19/09/2011
27/01/2012 10:21:02
Caro JC, sou seu fã de carterinha lhe acompanho a muito tempo, me deleitando com tudo que você escreve, por isso peço-lhe licença para fazer um pequeno adendo sobre a disputa de samba no Porto da Pedra, havia na dispusta um samba que beirava as linhas da perfeição com inicio meio e fim, contando uma história perfeita começando nos idos de Roma Pagã até os carnavais de hoje, com uma melodia linda e um andamento ritmico que levaria certamente a Escola a um grande desfile, só que os autores do referido samba eram oriundos da Viradouro, e por esse motivo a Direção da Porto da Pedra, não aceitavam de maneira nenhuma que este samba viesse para a Avenida, e agora estão ai pagando pelas suas incompetencias, com uma samba pessimo, de melodia ruim e letra que não condiz com o enredo, o que se há de fazer, estão acabando com os sambas de Enredo e consequentemente mudando o sentido dos nossos desfiles.
aluizio derizans da silva
Membro SRZD desde 02/12/2011
26/01/2012 09:56:23
Bom dia, JC Bem que vc poderia colocar, lá no seu Facebook no nosso grupo GRES Estação Primeira de Mangueira um link para estas, tão oportunas crônicas, não?
Zappa
Membro SRZD desde 16/04/2009
24/01/2012 18:07:20
Zé Carlos, o industrializado alimento iogurte pode não dar samba, mas irá financiar mais uma vez o desfile de uma escola de samba. Estes chamados enredos patrocinados, aprisionaram as escolas em tal forma, que hoje não se discute o tema ou enredo que será apresentado pela agremiação, mas quem será o patrocinador. Já tivemos escolas bancadas por prefeituras, países sul-americanos e europeus, fábricas de cosméticos e auto-motores, indústria pesqueira, refinarias etc. Este enredo da Danone, por exemplo, que será apresentado pela Porto da Pedra é similar ao da Grande Rio anos atrás, patrocinado pela Nestlé, quer dizer, nenhuma novidade. Os carnavalescos endeusados como eminências, a partir de Joãosinho Trinta, inegavelmente possuem suas parcelas de culpa, mas se hoje deliram e exigem detalhamentos no que poderia ser apenas breves citações, é porque assim é estabelecido pelos donos dos desfiles (prefeitura, ligas e dirigentes) que não situam os sambas-enredos como obras musicais e sim como bulas de remédios, onde é informado um milhão de coisas, para dizer no final que trata-se de um simples analgésico. Os próprios compositores acuados se obrigam compor sambas que falam desde cabelo ou uma companhia aérea, como fez o Salgueiro em 2002, porém, graças aos deuses, este ano, apesar de serem temas também patrocinados, tanto a Portela como a Vila devolveram melodicamente o verdadeiro samba ao povo, pena que no próximo carnaval a mesmice musical estará de volta, ajudando promover em forma imperceptível, a dissolução de uma cultura antes espontânea e popular chamada escolas de samba, até transformá-la de vez em uma enfadonha opereta. Saudações!
Bebê de 47
José Carlos Netto | 28/04/2012 14h45
Troca-troca
José Carlos Netto | 07/05/2012 17h11
Ed Miranda: baluarte e realizador
José Carlos Netto | 02/05/2012 16h40
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José Carlos Netto | 18/05/2012 18h54




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