Por causa das idas e vindas e dos casuísmos constantes que alteram os flácidos regulamentos dos desfiles de escolas de samba, neste ano de 2012 temos apenas nove escolas no Grupo de Acesso A. É pena. E como nove sambas é pouco para encher um CD, uma boa ideia nos proporcionou a inclusão de sambas-exaltação de cada uma das participantes. Temos então 18 sambas no disco: nove são os tradicionais sambas de enredo com que as escolas desfilarão e nove são um adorável brinde, que os amantes do carnaval guardarão com carinho.
Comecemos pela obrigação: o samba para o desfile. Como costuma acontecer em todos os grupos, o disco nos oferece obras de qualidade bem díspare. Vamos do excelente ao lamentável, do tedioso ao contagiante. Chama a atenção antes de mais nada a autoria do samba da Unidos do Viradouro. Gente, 15 poetas para fazer um samba a 30 mãos! Que saudade de Silas de Oliveira, que sozinho foi capaz de nos arrebatar com seu inesquecível "Aquarela Brasileira"! Fora isso, a letra do samba da Viradouro tem bons momentos de poesia, mas acho que não será fácil cantá-lo. Tomara que eu esteja errada.
Dois verdadeiros sambas de enredo apresentam a Inocentes de Belford Roxo e a Santa Cruz. Este último me conquistou pela alegria e pela comunicação com o ouvinte. A segunda deste samba é um passeio leve como o enredo. Muitas qualidades têm também os sambas da Império da Tijuca e do Paraíso do Tuiuti. Se acrescentarmos à lista o do Império Serrano, que considero excelente, já temos mais sambas bons do que ruins, o que nos promete uma noite de sábado de carnaval muito boa.
Talvez o leitor ache que sou parcial ao classificar como excelente o samba do Império Serrano. Mas quando se trata de samba-enredo não costumo fazer concessões nem ao Império. Quando a escolha é errada não poupo críticas nem mesmo à minha escola - ou principalmente à minha escola -, porque samba bom é fundamental.
No caso do samba deste ano, foi amor à primeira audição. Ouvi todos os concorrentes e logo fiz a minha escolha, que felizmente foi referendada pela comissão julgadora. E olha que havia outros muito bons também, mas este ano estava escrito que era do Arlindo. O bom ensaio técnico comprovou o acerto da escolha.
Rocinha não foi tão feliz, com um samba que não flui e não tem o rendimento que o enredo poderia sugerir. Da Estácio de Sá não se esperava mesmo mais do que o que se mostra. Quando o enredo não ajuda, resta esperar o milagre, que quase nunca acontece... As frases se sucedem sem nada dizer e falta linha melódica.
Com o samba dos Acadêmicos do Cubango acontece o contrário: não falta enredo, um ótimo enredo, mas o refrão final do samba caberia melhor no samba-exaltação do que no samba-enredo: barão e Cubango se misturam, e curiosamente no samba-exaltação (que tem um refrão bárbaro: "pra ser Cubango não se conta até três") fala-se de Sapucaí e no samba-enredo em Ponta d’Areia...
Com isso passo aos sambas-exaltação, gênero muito interessante porque foi o único a sobreviver da modalidade samba de terreiro, depois chamado samba de quadra. O da Viradouro é bonito, o da Império da Tijuca é curto e eficaz, o da Inocentes é bom e forte. Rocinha e Tuiuti ficam nos devendo algo melhor. Santa Cruz arrasa com o verso "Feliz é quem tem a Santa Cruz no coração", talvez não original (o intérprete Quinho, do Salgueiro, usa este bordão), mas cheio de força e apelo.
A Estácio, que tem sambas-exaltação antológicos, fez talvez uma opção infeliz. O Império Serrano, que apostou na tradição com o lindo samba de Jorge Lucas bem conhecido na escola, pecou somente ao mudar o comovente título original do samba, "Império, sou teu eterno cantador", por este inexpressivo "Exaltação ao Império Serrano".
Discretamente comercializado nas quadras, sem divulgação ou distribuição adequadas, é, no entanto, um disco para se guardar.
Rachel Teixeira Valença
Membro SRZD desde 05/05/2011
07/02/2012 17:21:33
Fernando: Creio que não nos compete entrar em questões domésticas/conjugais. Conheço Graciene e Jorge Lucas há muito tempo e não me envolvo em disputas desse tipo. Cito a autoria consagrada no selo do disco. Quanto à ala dos compositores, minha opinião é a de sempre: roupa suja se lava em casa. Nossos problemas devem ser resolvidos no local apropriado, sem expor a nossa escola, não acha?
Aline Said Pessoa
Membro SRZD desde 23/08/2011
03/02/2012 09:24:45
Rachel, o samba do Império Serrano é realmente excelente! também apaixonei-me logo na primeira audição e torci muito para que este fosse nosso hino em 2012. E, de fato, a safra é boa. Inocentes traz um ótimo samba e ainda temos bons sambas como o do Império da Tijuca e o da Viradouro. Adorei também os sambas-exaltação e, neste quesito, o do Império Serrano sobra! Lindo :)
Fernando Serafim de Souza
Membro SRZD desde 01/02/2012
01/02/2012 11:13:24
Engano seu D.Rachel Valença Imperiana assim como eu, o samba de exaltação do Glorioso Império Serrano e de autoria de D.Graciene Souza a verdadeira compositora não desse mentiroso que fez seu nome nas costas de D.Graciene, até cadeia rolou para esse arrogante por causa dessa questão, esse indivíduo já deveria estar há muito tempo fora do Império Serrano porque foram pessoas medíocres assim como ele que colocaram o Império Serrano nesta situação,agora está lá como Presidente da ala dos Compositores colocando os seus amigos e as suas mulheres que ele afirma estar "PEGANDO" e deixando de fora vários Compositores que há muito desfilam e pagam por suas fantasias e hoje estão barrados por não serem seus amigos,situação vexatória e humilhante para os Verdadeiros Compositores e para a Agremiação pois só se houve falar em modernização e termos que aturar um desclassificado como este,estou fazendo minha parte torcendo e comparecendo aos eventos do nosso Glorioso Império mais muito triste com essa situação.




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