Perguntar não ofende, diz o conhecido dito popular. Então vamos lá:
Ensaio técnico, ganha Carnaval?
Para a maioria dos presidentes e carnavalescos, se não ganha pelo menos ajuda. Ocorre que muitas das vezes isso nem acontece.
Esse lance de ensaio técnico de tanto virar mania para determinadas escolas, acabou se estendendo para os casais de MS e PB, bateria, baianas e até manjadas rainhas de bateria.
É raro o dia ou á noite, como queiram que não se encontre gente ensaiando na Sapucaí.
A concorrência é tanta que muitas das vezes pode-se observar de três quatro, ou mais, casais ensaiando ao longo da daquela sinuosa pista.
Mas, quando, por ocasião do desfile para o concurso oficial, essa ou aquela escola, bem como esse ou aquele casal de MP e PB, assim como também baterias, fracassam então a minha mente vagueia.
Fico pensando na célebre máxima nos legada pelo saudoso craque de bola Didi Folha Seca (Valdir Pereira).
Treino é treino e jogo é jogo.
Aqui. No nosso caso, bem que poderia ser: "ensaio técnico é uma coisa e desfile é outra coisa".
Risco tudo em função da zona que virou esse lance de ensaio técnico.
De princípio mais parecia que realmente as escolas iam para o Sambódromo com a finalidade de realizar um ensaio técnico.
Atualmente isso já não acontece mais. Os ensaios técnicos, em minha opinião, já não cumprem mais a finalidade para que fossem criados.
Na atualidade o que vemos em plena Sapucaí? Vemos apenas poucas algumas escolas preocupadas em acertar suas linhas para a grande parada de domingo e segunda - feira gorda da folia.
Umas e outras vão apenas para gastar dinheiro. Para encarar um desfile de ensaio técnico cada agremiação consome cerca de 40 a 60 mil contos de reais.
Além de gastar todo esse carvão, ainda existe a exibição de popozudas e certos figurões da escola.
As escolas, em sua maioria vão para a avenida simplesmente fazer uma espécie de turismo de samba.
E o mais estranho: a pista, que deveria apenas para o ensaio, fica tomada por bicões de todos os tipos e uma fauna de todas as espécies.
E as escolas exibem belas mulheres, todas seminuas ou apresenta bonitas camisas alusivas aos enredos.
De ensaio técnico, que seria o ideal para cada agremiação, pouca coisa ou quase nada se vê.
Se realmente fosse um ensaio-técnico, o Diretor de Bateria ousaria parar sua bateria no momento que notasse uma batida errada desse ou daquele ritmista.
O Diretor de Harmonia daria uma ordem e pararia o ensaio no momento que sentisse o samba atravessado.
Bem como o mestre-sala tentaria acertar aquele passo dado errado quando tentava uma pirueta mais ousada.
Ou ainda quando o cavaco puxasse um tom diferente daquele do ideal e combinado e ensaiado antes como os puxadores.
Tais deslizes são comuns nesses ensaios técnicos se e ninguém apresenta para estancá-los.
Que tipo de ensaio técnico então é esse?
O que se vê é todo mundo saindo da avenida achando que sua escola foi maravilhosa no ensaio técnico.
Quando na verdade mostrou falhas e erros homéricos e que ninguém, nem mesmo o presidente se apresentou com coragem para corrigir.
E o que pior: cada escola arrasta multidões gente encamisadas.
Na frente, no meio e atrás. É gente que não acaba nunca. Gente, que em sua maioria, nem mesmo nem vai desfilar no "dia do pega pra capar"
Lembro que os atuais ensaios técnicos foram criados pelo Diretor de Carnaval da LIESA, o mangueirense Elmo José dos Santos, o filho do saudoso Seu Tinguinha da Mangueira.
Como o JCN é um saudosista sacramentado, peço licença e informo, principalmente, aos comunicadores de samba mais açodados, que ensaio técnico já se fazia no samba desde na década de 50.
E foi a Mangueira a pioneira. O saudoso Roberto Paulino, quando presidente da escola botou na cabeça no então Diretor de Harmonia, o também saudoso Mestre Xangô, que a verde - e - rosa deveria chegar melhor preparada no desfile.
Na boa linguagem do samba com o seu dever de casa pronto.
Bolou então o Roberto Paulino um ensaio que começava lá dentro do famoso Buraco Quente (Travessa Saião Lobato) e terminava ao longo na Visconde de Niterói.
A coisa era tão a séria que eram colocados improvisados palanques nos quais o Roberto Paulino colocava gente de sua inteira confiança para julgar a escola.
Já a nossa querida Portela fazia seus acertos técnicos no dia justamente do seu ensaio geral, que eram realizados em pleno gramado do campo do Madureira E. C. na Rua Conselheiro Galvão.
Num único ensaio, Manacéia e Valdir 59 - Diretores de Harmonia - pressionados pela mania de perfeição do velho Natal da Portela, faziam os acertos em todos os setores da escola de Osvaldo Cruz.
Também era essa a preocupação do saudoso Mestre Fuleiro quando formava o Império Serrano na então na quadra, que antes abrigava o Mercadão de Madureira.
E o mesmo fazia a dupla Calça Larga e Djalma Sabiá na acanhada quadra do Acadêmicos do Salgueiro ao final da Rua Junquilho, na subida do Morro do Salgueiro.
Era por demais gostosos assistir em cada uma dessas tais ensaios técnicos que não tinham hora para acabar tendo em vista os tantos acertos que iam sendo feitos.
Esse ano o JCN só teve oportunidade de assistir três dos muitos ensaios técnicos.
Em nenhum deles pude observar aquela preocupação de acertos de possíveis erros ou falhas.
Vi e ouvi e baterias apresentando muitos desafinos em suas peças, além puxadores "brigando" com o microfone e com o cavaco.
Vi também alas totalmente desarrumadas que mais pareciam esses benditos blocos que desfilam no pré - carnaval pelas ruas da cidade.
Ora, os ensaios técnicos são para corrigir tais desatinos. Se uma escola faz o chamado dever de casa antes de a jibóia ser esticada na avenida, tudo fica mais cômodo no momento do grande desfile.
Se deixar passar simples falhas ocorridas num ensaio técnico certamente vai levar porrada nesse ou naquele julgador.
Na verdade os atuais ensaios técnicos mais me parecem com programa da Regina Casé da poderosa TV Globo, onde até o nosso festejado Arlindinho Cruz fica perdido diante de tanta baboseira que a RC pratica a cada domingo.
Sempre misturando alhos com bugalhos, ela consegue fazer com o samba uma grande galhofa. No final tudo acontece sem ninguém conseguir levar nada a sério.
Meus caros, honrados e ilustres leitores e blogueiros estamos prestes de um novo desfile.
Escrevam e guardem essa assertiva do JCN: tomara que essa ou aquela escola tenha tirado algo de bom do seu ensaio técnico.
Se não tirou esperem o resultado no grande momento em que a boa jibóia estiver sendo esticada na avenida.
Ao finalizar agradeço a paciência de todos vocês. Foi o ano mais difícil e complicado de minha vida.
Graças ao bom Deus consegui sobreviver.
E, no sábado gordo da folia, estarei no topo de um belo naval sendo homenageado pelo BC Oba - Oba do Recreio com o enredo "De Ubá ao Mundo do Samba".
O desfile será na Avenida Cardoso de Morais em Bonsucesso.
Estão todos convidados para o desfile.
Zappa
Membro SRZD desde 16/04/2009
16/02/2012 18:29:33
Zé Carlos essa coisa de Ensaio Técnico tornou-se continua a partir de 1991 com a Unidos do Viradouro, quando a escola de Niterói alegando temer “amarelar” em sua estreia no Grupo Especial, propôs e conseguiu, usar a Passarela nas tardes de domingo; o curioso é que a pista só era disponível até a esquina da Sapucaí com Salvador de Sá, pois não havia interdição do trânsito e a escola obrigatoriamente retornava entre ela mesma, como fez a Mangueira no enredo de Caymmi. O concreto é que a partir daí, a coisa se dimensionou, ganhou foco midiático e em cada ano que passa, torna-se cada vez mais uma “festa" menos um ensaio. Leia no blog do mestre Sidney Rezende, o postado intitulado “SEGURANÇAS DA MANGUEIRA”, onde, não com sua contundência, externei mina opinião; só falta cobrar ingresso. É questão de tempo. Saudações!
Bebê de 47
José Carlos Netto | 28/04/2012 14h45
Troca-troca
José Carlos Netto | 07/05/2012 17h11
Ed Miranda: baluarte e realizador
José Carlos Netto | 02/05/2012 16h40
Harmonia para principiantes ou não..
José Carlos Netto | 18/05/2012 18h54




Comentários (1)