Bônus para agentes que trabalham contra dengue gera polêmica

Redação SRZD | Ciência e Saúde | 21/02/2012 16h42

Foto: DivulgaçãoA dengue já voltou a assustar vários municípios brasileiros. As recomendações são as de sempre e todos já sabem que não devem deixar água parada em pneus, vasos de plantas, etc. Ainda assim, o problema continua forte. No Tocantins, uma medida diferente para a prevenção causou polêmica. Em dezembro do ano passado, a prefeitura da capital Palmas decidiu oferecer bônus aos agentes de controle da dengue, que visitam as casas, o comércio e as empresas em busca de criadouros do mosquito transmissor, onde borrifam larvicida e orientam os moradores para prevenir a doença.

Dados do Ministério da Saúde mostram que de janeiro a 11 de fevereiro deste ano foram identificados 743,7 casos de dengue para cada 100 mil na cidade de Palmas. Em números absolutos, foram 1.403 casos este ano, contra 312 no mesmo período do ano passado. A capital tocantinense só perde para a cidade do Rio de Janeiro em quantidade de casos, no conjunto dos dez municípios com população superior a 100 mil pessoas.

O bônus no valor de R$ 150 aos agentes de fiscalização sanitária que cumprirem a meta de vistoriar 25 imóveis por dia é um dos pontos de maior divergência entre o governo do estado e a prefeitura da capital. A ideia surgiu após a prefeitura receber uma verba adicional do Ministério da Saúde de cerca de R$ 300 mil para o combate à doença. No total, o município de Palmas dispõe de 96 agentes para inspecionar 80 mil imóveis, entre casas, terrenos baldios e centros comerciais.

Segundo o diretor de Vigilância em Saúde de Palmas, Cláudio Garcia, o incentivo tem dado bom resultado. Antes do bônus, os agentes inspecionavam, em média, 15 imóveis diariamente. Nas primeiras semanas do ano, foram 41 mil visitas, 10 mil a mais em relação a janeiro de 2011. A ideia da bonificação é inspirada, informou Garcia, em iniciativa adotada em Minas Gerais e que teve sucesso.

"Estamos fazendo aquilo que deu certo em outro lugar", disse Garcia à Agência Brasil. O diretor reconhece, porém, que o aumento das visitas não irá refletir de imediato na queda dos casos de dengue no município.

Na avaliação do diretor estadual de Vigilância de Doenças Vetoriais e Controle de Zoonoses, Whisllay Bastos, os agentes deveriam ser deslocados e as ações reforçadas em áreas da cidade que estão descobertas, em vez da premiação. "Não faz muito sentido. O Ministério Público também está questionando".

A promotora do Ministério Público do Tocantins Maria Roseli Pery critiou a iniciativa. Para ela, Palmas vive um surto de dengue porque os agentes e a gestão da secretaria municipal têm falhado, já que pensam primeiro na quantidade e depois na qualidade do serviço, visando sempre o dinheiro a mais.

Com informações da Agência Brasil

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